Cresce o uso precoce de botox entre jovens e especialista alerta para riscos de banalização
O avanço do uso da toxina botulínica entre pacientes cada vez mais
jovens acende um alerta no meio médico. Dados da Sociedade Brasileira de
Cirurgia Plástica (SBCP) indicam que o procedimento já é o mais realizado entre
pessoas de 18 a 30 anos, com crescimento de 300% nos últimos três anos.
Impulsionada por redes sociais e padrões estéticos irreais, a chamada
“prevenção” tem levado até adolescentes a buscarem aplicações sem indicação
clínica, levantando questionamentos sobre os limites entre cuidado e excesso.
Para a dermatologista Dra. Débora Cardial, da Clínica Terra
Cardial, esse movimento revela uma mudança preocupante na relação com o
envelhecimento. Segundo ela, há uma ansiedade estética precoce, em que jovens
procuram o procedimento pela ideia de que é preciso começar cedo, o que
distorce o conceito de prevenção. Do ponto de vista científico, embora a toxina
atue na redução da contração muscular, fator ligado às rugas dinâmicas, não
existe consenso sobre a idade ideal para início, e ainda faltam evidências de
longo prazo sobre o uso precoce sem indicação adequada.
A médica reforça que o botox é seguro e eficaz quando bem indicado e aplicado por profissionais qualificados, mas alerta que o uso indiscriminado pode gerar impactos que vão além da estética. “A naturalização dessas intervenções desde cedo pode alterar a forma como o indivíduo se enxerga, criando uma relação de dependência psicológica e insatisfação constante com a própria imagem. Além disso, aplicações frequentes ao longo dos anos podem trazer desafios clínicos, como a redução de resposta à toxina em alguns casos, especialmente quando realizada de forma inadequada”, destaca a dermatologista.
Embora não haja comprovação científica de que o botox cause dependência, a repetição do procedimento costuma estar associada à satisfação com os resultados, o que pode reforçar sua continuidade. Estudos indicam que o uso prolongado pode contribuir para um envelhecimento mais lento da pele, e que a duração da toxina seja por volta de 4 meses.
Nesse cenário, o debate não deve ser sobre condenar o
procedimento, mas sobre seu uso responsável. “Mais do que buscar interromper o
envelhecimento, o desafio está em equilibrar expectativa, necessidade e saúde,
evitando que a prevenção se transforme, de forma silenciosa, em uma dependência
estética precoce e em uma negação do envelhecimento natural”, conclui.
Clínica Terra Cardial
Dra. Márcia - médica formada pela Faculdade de Medicina do ABC, doutora em Tocoginecologia, professora associada e chefe do setor de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia, além de presidente da Associação Brasileira de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia (ABPTGIC).
Dr. Caetano - também graduado pela Faculdade de Medicina do ABC, é mestre em Ginecologia, cirurgião oncológico e mastologista, membro da Sociedade Brasileira de Mastologia e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica.
Dra. Débora Cardial - dermatologista formada pela Faculdade de Medicina do ABC, com residência em Clínica Médica e Dermatologia, título de especialista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, além de ser membro da Sociedade Europeia de Dermatologia e Venereologia e da Sociedade Brasileira de Laser.

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