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quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Volta às aulas: 80% dos brasileiros reaproveitam material escolar do ano anterior

Pesquisa do Instituto Locomotiva em parceria com a QuestionPro mostra que avaliação da lista escolar divide opiniões e que gastos pesam no orçamento familiar, especialmente entre as de menor renda

 

Oito em cada dez brasileiros com filhos em idade escolar que vão às compras nesta volta às aulas costumam reaproveitar itens do ano letivo anterior, como mochilas, estojos e cadernos parcialmente usados. O dado revela como a busca por economia se tornou uma estratégia central das famílias diante dos custos associados ao início do ano escolar, segundo pesquisa do Instituto Locomotiva em parceria com a QuestionPro. 

Apesar das diferentes estratégias de contenção de gastos, a avaliação da lista de material escolar enviada pelas escolas divide a opinião dos brasileiros. Pouco mais da metade dos pais considera a lista adequada (56%), enquanto 42% avaliam como excessiva, evidenciando a percepção de que parte dos itens exigidos ultrapassa o necessário para o ano letivo. 

Ainda que o orçamento preocupe as famílias, a intenção de compra permanece elevada: nove em cada dez brasileiros com filhos em idade escolar afirmam que irão às compras para o ano letivo de 2026. Entre as categorias mais citadas estão material escolar (89%), uniforme (73%) e livros didáticos (69%). A pesquisa mostra ainda que 92% das famílias afirmam que as crianças participam da seleção do material escolar. Em 45% dos casos, os filhos escolhem a maioria dos itens. Entre crianças de 11 a 14 anos, a participação chega a 95%. 

As lojas físicas continuam sendo o principal canal de compra para 45% dos brasileiros. Outros 39% afirmam que pretendem combinar compras em lojas físicas e online. Uma parcela de 16% planeja adquirir a maior parte do material exclusivamente pela internet, o que indica um comportamento de consumo cada vez mais híbrido.
 

Impacto financeiro

Cerca de 88% dos brasileiros que vão às compras afirmam que os gastos com material escolar, uniforme e livros didáticos afetam o orçamento familiar. Entre as famílias de menor renda, essa percepção é ainda mais acentuada. Para 52% das classes D e E, o impacto é considerado muito grande. Entre as classes A e B, esse percentual cai para 32%. Além disso, 84% dos entrevistados afirmam que os preços dos materiais escolares influenciam decisões em outras áreas do orçamento familiar, como lazer, alimentação ou contas do mês. 

“A pesquisa mostra que o impacto do material escolar no orçamento aparece em todas as classes, mas é muito mais intenso entre as famílias de menor renda. Famílias com filhos em escola pública declaram gastos expressivos, que interferem diretamente em outras decisões do mês e exigem ajustes para fechar a conta. Já entre as famílias de renda mais alta, a compra tende a ser absorvida com menos pressão, o que evidencia como um mesmo gasto obrigatório pesa de forma muito diferente no orçamento”, afirma Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva. 

Diante desse cenário, a pesquisa de preços se consolida como uma prática quase universal. Nove em cada dez brasileiros pesquisam valores antes de comprar material escolar. Cerca de dois terços afirmam comparar preços em várias lojas. Entre as classes D e E, 72% dizem pesquisar em diferentes estabelecimentos, percentual superior aos 55% observados nas classes A e B. 

Quando se deparam com preços acima do esperado, dois em cada três brasileiros optam por substituir o item por uma marca mais barata. Essa estratégia é ainda mais frequente entre as famílias de baixa renda, alcançando 76%. Entre as classes A e B, o percentual é de 58%.
 

Metodologia

Pesquisa quantitativa realizada pelo Instituto Locomotiva em parceria com a QuestionPro, com 1.500 entrevistas em todo o país, entre 27 de novembro e 5 de dezembro de 2025. O levantamento foi conduzido por meio de entrevistas digitais autoadministradas e apresenta margem de erro de 2,5 pontos percentuais. A amostra é representativa da população brasileira com 18 anos ou mais e foi ponderada por gênero, idade, escolaridade, classe social e região, com base na PNAD Anual 2022, do IBGE.


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