Pesquisa do Instituto Locomotiva em parceria com a QuestionPro mostra que avaliação da lista escolar divide opiniões e que gastos pesam no orçamento familiar, especialmente entre as de menor renda
Oito
em cada dez brasileiros com filhos em idade escolar que vão às compras nesta
volta às aulas costumam reaproveitar itens do ano letivo anterior, como
mochilas, estojos e cadernos parcialmente usados. O dado revela como a busca
por economia se tornou uma estratégia central das famílias diante dos custos
associados ao início do ano escolar, segundo pesquisa do Instituto Locomotiva
em parceria com a QuestionPro.
Apesar
das diferentes estratégias de contenção de gastos, a avaliação da lista de
material escolar enviada pelas escolas divide a opinião dos brasileiros. Pouco
mais da metade dos pais considera a lista adequada (56%), enquanto 42% avaliam
como excessiva, evidenciando a percepção de que parte dos itens exigidos
ultrapassa o necessário para o ano letivo.
Ainda
que o orçamento preocupe as famílias, a intenção de compra permanece elevada:
nove em cada dez brasileiros com filhos em idade escolar afirmam que irão às
compras para o ano letivo de 2026. Entre as categorias mais citadas estão
material escolar (89%), uniforme (73%) e livros didáticos (69%). A pesquisa
mostra ainda que 92% das famílias afirmam que as crianças participam da seleção
do material escolar. Em 45% dos casos, os filhos escolhem a maioria dos itens.
Entre crianças de 11 a 14 anos, a participação chega a 95%.
As
lojas físicas continuam sendo o principal canal de compra para 45% dos
brasileiros. Outros 39% afirmam que pretendem combinar compras em lojas físicas
e online. Uma parcela de 16% planeja adquirir a maior parte do material
exclusivamente pela internet, o que indica um comportamento de consumo cada vez
mais híbrido.
Impacto financeiro
Cerca
de 88% dos brasileiros que vão às compras afirmam que os gastos com material
escolar, uniforme e livros didáticos afetam o orçamento familiar. Entre as
famílias de menor renda, essa percepção é ainda mais acentuada. Para 52% das
classes D e E, o impacto é considerado muito grande. Entre as classes A e B,
esse percentual cai para 32%. Além disso, 84% dos entrevistados afirmam que os
preços dos materiais escolares influenciam decisões em outras áreas do
orçamento familiar, como lazer, alimentação ou contas do mês.
“A pesquisa mostra que o impacto do material escolar no orçamento aparece em todas as classes, mas é muito mais intenso entre as famílias de menor renda. Famílias com filhos em escola pública declaram gastos expressivos, que interferem diretamente em outras decisões do mês e exigem ajustes para fechar a conta. Já entre as famílias de renda mais alta, a compra tende a ser absorvida com menos pressão, o que evidencia como um mesmo gasto obrigatório pesa de forma muito diferente no orçamento”, afirma Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva.
Diante
desse cenário, a pesquisa de preços se consolida como uma prática quase
universal. Nove em cada dez brasileiros pesquisam valores antes de comprar
material escolar. Cerca de dois terços afirmam comparar preços em várias lojas.
Entre as classes D e E, 72% dizem pesquisar em diferentes estabelecimentos,
percentual superior aos 55% observados nas classes A e B.
Quando
se deparam com preços acima do esperado, dois em cada três brasileiros optam
por substituir o item por uma marca mais barata. Essa estratégia é ainda mais
frequente entre as famílias de baixa renda, alcançando 76%. Entre as classes A
e B, o percentual é de 58%.
Metodologia
Pesquisa
quantitativa realizada pelo Instituto Locomotiva em parceria com a QuestionPro,
com 1.500 entrevistas em todo o país, entre 27 de novembro e 5 de dezembro de
2025. O levantamento foi conduzido por meio de entrevistas digitais
autoadministradas e apresenta margem de erro de 2,5 pontos percentuais. A
amostra é representativa da população brasileira com 18 anos ou mais e foi
ponderada por gênero, idade, escolaridade, classe social e região, com base na
PNAD Anual 2022, do IBGE.
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