Avaliação de gestores e educadores
indica menos distrações, mais participação em aula e retomada da socialização presencial no
primeiro ano da lei
A Lei nº 15.100/2025, que restringe o uso de celulares nas escolas
brasileiras, completa um ano nesta terça-feira, 13 de janeiro. A medida tem
sido avaliada de forma positiva por gestores e educadores, que indicam mudanças
benéficas no cotidiano escolar, com redução das distrações e maior integração
por parte dos alunos.
Os impactos são percebidos em três frentes principais: atenção, engajamento e convivência. Na prática, há menos fragmentação do raciocínio causada pelo multitasking (multitarefa) improdutivo, maior participação dos estudantes em debates e trabalhos em grupo, além do retorno da socialização presencial.
“O momento do intervalo, por exemplo, voltou a ser um
espaço de convivência real, com jogos coletivos e conversas, trocas
fundamentais para o desenvolvimento socioemocional”, afirma Paulo Henrique
Lopes de Aquino, diretor corporativo de Educação da Rede Santa Catarina, que
conta com seis escolas distribuídas em cinco estados no Brasil.
A ausência do celular transformou para melhor a dinâmica dos espaços coletivos, na visão dos educadores da instituição. Segundo o gestor, sem essa ‘muleta’, os alunos redescobrem outras formas de estar na escola: há uma retomada das dinâmicas de pátio, do olho no olho e de uma prontidão maior para as atividades propostas em sala.
A redução do uso de celulares contribui para o conceito de formação integral dos estudantes, que contempla dimensões cognitivas, sociais e emocionais. “Ao reduzir o tempo de tela, abrimos espaço para o pensamento crítico, a empatia e a autorregulação, pilares que sustentam o projeto de vida dos alunos”, completa.
Proibir não basta, é preciso educar
Aquino pondera que a restrição ao celular, por si só,
não deve ser entendida como solução isolada. Para ele, medidas exclusivamente
proibitivas tendem a ser pouco eficazes quando não conectadas a um projeto
pedagógico: “Educar para o uso consciente exige mais do que retirar o aparelho
do cotidiano escolar. É preciso ensinar critérios, limites e propósito”.
Nesse sentido, a restrição funciona como um ponto de partida para
um processo educativo que envolve mediação docente, educação midiática e
diálogo com as famílias. O diretor destaca que antes mesmo da lei, a Rede Santa
Catarina já desenvolvia políticas de restrição ao uso de celulares e práticas
voltadas à formação digital dos estudantes.
“Nosso objetivo nunca foi formar alunos que apenas obedecem
regras, mas jovens capazes de fazer escolhas conscientes. A lei ajudou a
fortalecer esse caminho, mas a emancipação digital acontece no cotidiano, na
sala de aula e nas relações pedagógicas, ao preservar o ambiente escolar como
espaço de foco, convivência e aprendizagem profunda”, completa.
Prova disso é que os colégios da Rede Santa Catarina seguem
utilizando recursos digitais de forma mediada e com intencionalidade
pedagógica, por meio de laboratórios, tablets e outras ferramentas
educacionais. “O equilíbrio está em ensinar que a tecnologia deve potencializar
a inteligência humana, e não se tornar um fim em si”, afirma o diretor.
Diálogo com as famílias
Para esclarecer todos esses pontos, o diálogo com as
famílias se intensificou no último ano. Encontros voltados à educação
midiática, saúde mental e aos riscos da exposição excessiva às telas ajudaram a
reforçar que, mais que uma regra, a restrição é parte de uma política de
proteção à infância e à adolescência, respaldada por evidências científicas.
Após um ano da lei, o aprendizado é claro: “Limites geram
liberdade. Ao limitarmos o acesso digital, libertamos o estudante para explorar
o mundo real. A escola precisa ser um porto seguro frente à hiperestimulação
digital, um espaço de resistência humanista, onde a tecnologia esteja a serviço
da pedagogia, e o estudante possa estar plenamente presente”.
Rede Santa Catarina
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