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quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Um ano sem celular em sala de aula: o que mudou no cotidiano escolar?

Avaliação de gestores e educadores indica menos distrações, mais participação   em aula e retomada da socialização presencial no primeiro ano da lei 

 

A Lei nº 15.100/2025, que restringe o uso de celulares nas escolas brasileiras, completa um ano nesta terça-feira, 13 de janeiro. A medida tem sido avaliada de forma positiva por gestores e educadores, que indicam mudanças benéficas no cotidiano escolar, com redução das distrações e maior integração por parte dos alunos. 

Os impactos são percebidos em três frentes principais: atenção, engajamento e convivência. Na prática, há menos fragmentação do raciocínio causada pelo multitasking (multitarefa) improdutivo, maior participação dos estudantes em debates e trabalhos em grupo, além do retorno da socialização presencial. 

“O momento do intervalo, por exemplo, voltou a ser um espaço de convivência real, com jogos coletivos e conversas, trocas fundamentais para o desenvolvimento socioemocional”, afirma Paulo Henrique Lopes de Aquino, diretor corporativo de Educação da Rede Santa Catarina, que conta com seis escolas distribuídas em cinco estados no Brasil. 

A ausência do celular transformou para melhor a dinâmica dos espaços coletivos, na visão dos educadores da instituição. Segundo o gestor, sem essa ‘muleta’, os alunos redescobrem outras formas de estar na escola: há uma retomada das dinâmicas de pátio, do olho no olho e de uma prontidão maior para as atividades propostas em sala. 

A redução do uso de celulares contribui para o conceito de formação integral dos estudantes, que contempla dimensões cognitivas, sociais e emocionais. “Ao reduzir o tempo de tela, abrimos espaço para o pensamento crítico, a empatia e a autorregulação, pilares que sustentam o projeto de vida dos alunos”, completa.



Proibir não basta, é preciso educar

Aquino pondera que a restrição ao celular, por si só, não deve ser entendida como solução isolada. Para ele, medidas exclusivamente proibitivas tendem a ser pouco eficazes quando não conectadas a um projeto pedagógico: “Educar para o uso consciente exige mais do que retirar o aparelho do cotidiano escolar. É preciso ensinar critérios, limites e propósito”. 

Nesse sentido, a restrição funciona como um ponto de partida para um processo educativo que envolve mediação docente, educação midiática e diálogo com as famílias. O diretor destaca que antes mesmo da lei, a Rede Santa Catarina já desenvolvia políticas de restrição ao uso de celulares e práticas voltadas à formação digital dos estudantes. 

“Nosso objetivo nunca foi formar alunos que apenas obedecem regras, mas jovens capazes de fazer escolhas conscientes. A lei ajudou a fortalecer esse caminho, mas a emancipação digital acontece no cotidiano, na sala de aula e nas relações pedagógicas, ao preservar o ambiente escolar como espaço de foco, convivência e aprendizagem profunda”, completa. 

Prova disso é que os colégios da Rede Santa Catarina seguem utilizando recursos digitais de forma mediada e com intencionalidade pedagógica, por meio de laboratórios, tablets e outras ferramentas educacionais. “O equilíbrio está em ensinar que a tecnologia deve potencializar a inteligência humana, e não se tornar um fim em si”, afirma o diretor.
 

Diálogo com as famílias 

Para esclarecer todos esses pontos, o diálogo com as famílias se intensificou no último ano. Encontros voltados à educação midiática, saúde mental e aos riscos da exposição excessiva às telas ajudaram a reforçar que, mais que uma regra, a restrição é parte de uma política de proteção à infância e à adolescência, respaldada por evidências científicas. 

Após um ano da lei, o aprendizado é claro: “Limites geram liberdade. Ao limitarmos o acesso digital, libertamos o estudante para explorar o mundo real. A escola precisa ser um porto seguro frente à hiperestimulação digital, um espaço de resistência humanista, onde a tecnologia esteja a serviço da pedagogia, e o estudante possa estar plenamente presente”.
 

Rede Santa Catarina

 

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