O início do ano, marcado pela retomada da rotina profissional e
pela pressão para definir e atingir novas metas, pode trazer à tona sentimentos
de ansiedade, cansaço e exaustão emocional, especialmente entre trabalhadores
que não conseguiram vivenciar um período real de descanso nos meses anteriores.
Em meio a esse cenário, o Janeiro Branco surge como um marco
simbólico para ampliar o debate sobre saúde mental no trabalho, chamando atenção
para o burnout, uma síndrome cada vez mais presente no cotidiano dos
profissionais brasileiros, impulsionada por metas agressivas e jornadas
intensas.
Dados da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT)
indicam que cerca de 30% dos trabalhadores sofrem com quadros de
esgotamento profissional. A condição está associada ao estresse
crônico ocupacional e se manifesta por meio de exaustão física e mental persistente,
distanciamento emocional das atividades profissionais, irritabilidade,
dificuldade de concentração e sensação de ineficácia.
Para Karen Scavacini, doutora
em psicologia pela USP, especialista em saúde mental e fundadora
do Instituto
Vita Alere, o
aumento desses quadros está diretamente ligado à forma como o trabalho é
organizado e vivido no dia a dia. “O burnout não surge apenas do excesso de
tarefas, mas de contextos em que há pressão constante, falta de previsibilidade,
pouco espaço para diálogo e uma cultura que normaliza a exaustão como sinal de
comprometimento”, afirma.
A ampliação do debate sobre burnout no Janeiro Branco chama
a atenção para os impactos do estresse crônico no ambiente profissional e abre
espaço para discussões sobre prevenção, condições de trabalho e estratégias de
cuidado com a saúde mental ao longo do ano.
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