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sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Como proteger a saúde durante os blocos de carnaval

Longos períodos em pé, alta exposição ao sol e calor intenso podem provocar sérios impactos à saúde. A Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade orienta cuidados simples para curtir a folia com mais segurança


A maioria das cidades brasileiras, especialmente as capitais, conta com extensas agendas de blocos de carnaval que começam a ocupar as ruas semanas antes da maior festa popular do país. Milhões de pessoas participam da folia em busca de alegria e diversão. Para que nada atrapalhe esse momento, alguns cuidados básicos são fundamentais. A Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC) destaca orientações práticas para evitar problemas de saúde a curto, médio e longo prazos, permitindo que os foliões aproveitem os dias de festa com mais tranquilidade. 

“Um fator que deve ser levado em conta são as muitas horas de exposição ao sol. Fevereiro costuma ser um mês muito quente e ainda temos enfrentado ondas repentinas de calor. Proteger a pele e manter a hidratação, consumindo ou não bebidas alcoólicas, é essencial para acordar no dia seguinte pronto para mais um dia de folia”, explica Luisa Chaves, médica de família e comunidade, membra do Conselho Diretor da SBMFC.



5 dicas para proteger a saúde durante os blocos de carnaval
 

1. Fantasie-se, mas invista em proteção solar

O carnaval é sinônimo de criatividade. Fantasias tradicionais ou inusitadas fazem parte da festa, mas, independentemente da escolha, a proteção solar não pode ser esquecida. Quanto mais exposta a pele, maior deve ser o cuidado com o uso e a reaplicação do filtro solar. 

Luisa reforça que queimaduras solares não causam apenas dor local. Dependendo da gravidade, podem provocar febre, dor de cabeça, tontura e mal-estar geral. “A insolação não pode ser ignorada. Mesmo em locais com sombra ou com o uso de roupas com proteção, as altas temperaturas afetam diretamente o organismo. Por isso, evite roupas muito pesadas”, alerta.
 

2. Beba muita água e fique atento à procedência

Além de manter o corpo hidratado, a água ajuda o organismo a enfrentar longas horas em pé. Uma boa hidratação previne sintomas como dor de cabeça e cãibras que podem acabar com a folia, provocando até desmaios. 

Mesmo levando sua própria garrafa, pode ser necessário comprar água durante o percurso. Nesse caso, é importante verificar a procedência e ter cuidado com o uso de gelo em bebidas. A ingestão de água contaminada pode causar intoxicação, com sintomas gastrointestinais que podem interromper o carnaval.
 

3. Cuide bem dos pés

Os pés são os grandes protagonistas da folia. Eles sustentam o corpo por horas seguidas, muitas vezes em percursos longos e irregulares. Como os blocos não fazem parte da rotina diária da maioria das pessoas, o esforço excessivo pode causar dores, bolhas e lesões. 

A recomendação é optar por calçados confortáveis, evitar saltos e escolher modelos que ofereçam mais estabilidade, de preferência os fechados. Levar curativos adesivos pode ajudar a evitar que pequenos machucados se tornem um problema maior. 

“Assim que chegar em casa ou no local onde estiver hospedado, retire os calçados e deixe-os arejar, especialmente se estiverem molhados. O repouso e uma boa noite de sono também ajudam na recuperação para o dia seguinte”, orienta Luisa, que também é Mestre em Educação pela Universidade Federal de São João Del Rei (UFSJ), Professora da Graduação e Coordenadora do Programa de Residência de Medicina de Família e Comunidade da mesma universidade.
 

4. Atenção ao álcool e outras substâncias

No Carnaval, é comum que as pessoas misturem bebidas e outras substâncias psicoativas, inclusive em uso dos seus medicamentos de uso habitual. Isso pode ser um risco, pois algumas combinações podem potencializar efeitos indesejados, aumentar a chance de desidratação, confusão, queda, arritmias e até intoxicações mais graves. 

Além disso, existem remédios sensíveis a mudanças de hidratação e ao uso de álcool (como o lítio), cujo nível no sangue pode variar quando a pessoa bebe menos água ou ingere álcool, aumentando o risco de efeitos colaterais. “Para reduzir riscos, se for beber ou usar alguma substância, atenção às quantidades, evite associações, respeite seus limites e, se usar medicação, redobre a atenção. Não deixe de conversar sobre o assunto com o seu médico de confiança para receber orientações para o seu caso", orienta a médica de família e comunidade.
 

5. Alimente-se antes, durante e depois da festa

Nada de dietas restritivas para caber na fantasia. Durante o carnaval, o corpo precisa de energia para acompanhar o ritmo intenso da folia, que muitas vezes envolve longas caminhadas. A orientação é realizar refeições equilibradas, com boas fontes de carboidratos e proteínas, antes de sair para os blocos. Durante a festa, evite longos períodos em jejum. Caso precise se alimentar na rua, observe as condições de higiene e evite alimentos que dependam de refrigeração, como molhos e ingredientes sensíveis ao calor. 

Para aproveitar o carnaval com segurança e disposição até o último bloco, a atenção ao próprio corpo é fundamental. Pequenas atitudes, como manter a hidratação, alimentar-se adequadamente, proteger-se do sol e respeitar os limites do organismo, fazem toda a diferença para evitar problemas de saúde e garantir uma experiência mais tranquila. Com informação e cuidado, é possível curtir a folia, preservar o bem-estar e ainda chegar ao pós-carnaval com energia para retomar a rotina.
 

Sobre a Medicina de Família e Comunidade

A Medicina de Família e Comunidade é uma especialidade médica, assim como a cardiologia, neurologia e ginecologia, entre outras. O médico/a de família e comunidade (MFC) é o especialista em cuidar das pessoas, da família e da comunidade no contexto da atenção primária à saúde. Ele acompanha as pessoas ao longo da vida, independentemente do gênero, idade ou possível doença, integrando ações de promoção, prevenção e recuperação da saúde. Esse profissional atua próximo aos pacientes antes mesmo do surgimento de uma doença, realizando diagnósticos precoces e os poupando de intervenções excessivas ou desnecessárias. 

O MFC é um clínico e comunicador habilidoso, pois utiliza abordagem centrada na pessoa e é capaz de resolver pelo menos 90% dos problemas de saúde, manejar sintomas inespecíficos e realizar ações preventivas. É um coordenador do cuidado, trabalha em equipe e em rede, advoga em prol da saúde dos seus pacientes e da comunidade.

 

SBMFC - Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade


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