epharma registra alta de 25% em três anos, confirmando a atenção
crescente e a consolidação do tratamento no país, refletindo maior acesso e
desmistificação
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A preocupação com a saúde mental continua em evidência: dados recentes mostram
que, entre 2022 e 2025, houve crescimento constante na venda e no consumo de
medicamentos psicotrópicos no Brasil, especialmente antidepressivos. O avanço
reforça a relevância do tema e indica uma consolidação no acesso e na procura
por tratamentos farmacológicos voltados ao equilíbrio emocional.
Levantamento da epharma sobre o Programa de Benefício em Medicamentos (PBM) corporativo mostra que, entre janeiro e agosto de 2025, houve um aumento da venda de medicamentos psicotrópicos de 4,5% em relação a 2024 e de mais de 25% frente a 2022. O salto mais expressivo ocorreu entre 2022 e 2023, quando as vendas cresceram 17,3%, refletindo um período de forte expansão do mercado. Desde então, o ritmo se manteve positivo, ainda que mais moderado, sugerindo amadurecimento do consumo e ampliação do tratamento medicamentoso de forma contínua e sustentada.
“Os números mostram que a discussão sobre saúde mental já ultrapassou as
campanhas sazonais. Estamos diante de um movimento estrutural, em que mais
pessoas buscam diagnóstico e acompanhamento médico contínuo”, afirma Wilson de
Oliveira Junior, vice-presidente de Desenvolvimento de Negócios na epharma. “Há
uma consolidação do uso responsável de terapias farmacológicas, o que reflete
tanto maior acesso quanto uma conduta médica mais precisa no manejo de
transtornos mentais”, complementa o executivo.
Economia e eficiência em alta
A movimentação financeira segue a mesma tendência com o aumento da
comercialização desses medicamentos, com um crescimento acumulado de 57%. O ano
de 2025, em especial, registrou retomada do ritmo de alta (+19,2%) após uma
leve estabilização em 2024, o que indica maior eficiência operacional e
expansão no acesso.
Antidepressivos seguem dominando o mercado
Entre as classes terapêuticas, os antidepressivos (excluindo compostos de origem vegetal) continuam liderando com ampla margem. De acordo com a epharma, a categoria cresceu cerca de 28% entre 2022 e 2025.
Em segundo plano, os antipsicóticos atípicos, usados em tratamentos modernos
para esquizofrenia e transtornos de humor, também mostram avanço consistente: a
epharma registrou aumento de 36% no período.
Os estabilizadores de humor e os antipsicóticos convencionais
apresentaram queda gradual, enquanto associações psicotrópicas tiveram forte
retração, possivelmente ligada à revisão de protocolos terapêuticos e
descontinuidade de combinações menos utilizadas.
Sertralina e Venlafaxina lideram entre os princípios ativos
A Sertralina se mantém como o princípio ativo mais vendido, com crescimento
de 8,3% frente ao ano anterior. A Venlafaxina, usada no tratamento de depressão
e ansiedade generalizada, apresentou o maior aumento percentual (+10,1%),
consolidando-se como uma das moléculas em maior expansão.
O Escitalopram, por outro lado, teve leve retração (−2,7%), o que pode
indicar substituição por alternativas terapêuticas de mesma classe.
“Os dados reforçam a prevalência dos antidepressivos como pilar central
do tratamento. A expansão de moléculas como a sertralina e a venlafaxina mostra
que os protocolos clínicos seguem evoluindo para opções mais bem toleradas e
eficazes”, explica Wilson Oliveira.
Expansão regional e novas dinâmicas de acesso
De acordo com a companhia, o número de beneficiários que tiveram acesso
a medicamentos de saúde mental cresceu 38,4% entre janeiro e agosto de 2022 e o
mesmo período de 2025. Na comparação entre 2024 e 2025, as maiores expansões
ocorreram no Centro-Oeste (+24,1%), impulsionadas por Goiás (+41,3%) e Mato
Grosso do Sul (+17,1%), e no Nordeste (+8,61%), com destaque para Bahia (+1,0%)
e Maranhão (+16,2%).
As regiões Norte (+7,7%) e Sul (+5,4%) mantêm um crescimento moderado,
mas com fortes desempenhos individuais, como Amazonas (+83,3%) e Santa Catarina
(+14,6%), que seguem tendência consistente de ampliação do acesso.
No Sudeste, o crescimento foi de 7,97% no período analisado. Apesar da
expansão mais moderada, alguns estados superaram a média regional, caso de São
Paulo (+13,9%) e Rio de Janeiro (+3,8%).
“O crescimento consistente indica que a saúde mental passou a fazer
parte da rotina de cuidado da população. É um sinal de amadurecimento, de que
estamos evoluindo de campanhas pontuais para uma cultura permanente de
prevenção e tratamento”, conclui Wilson de Oliveira Júnior.
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