Ampliação do crédito habitacional reacende interesse do comprador, mas cenário econômico e político ainda influencia decisões de longo prazo
O mercado imobiliário brasileiro começou 2026 diante de uma
reconfiguração relevante nas regras de financiamento habitacional, com mudanças
que buscam ampliar o acesso ao crédito, especialmente para a classe média.
Medidas como a liberação de parte do compulsório da poupança, a elevação do
teto do Sistema Financeiro da Habitação (SFH) para R$2,25 milhões e a criação
da faixa 4 do programa Minha Casa, Minha Vida sinalizam um esforço para
resgatar um público que vinha enfrentando restrições severas de crédito nos
últimos anos.
Na prática, os primeiros reflexos já começam a aparecer. Bancos privados
passaram a responder, ainda que de forma gradual, com reduções nas taxas de
financiamento imobiliário, indicando que o novo arcabouço de captação de
recursos começa a produzir efeitos no setor.
Apesar do avanço regulatório, o cenário ainda carrega incertezas que não
cabem nas planilhas. A taxa Selic dá sinais de ter atingido seu teto, e a
tendência natural dos ciclos de política monetária é de flexibilização,
especialmente em um contexto pré-eleitoral. Esse mesmo calendário político, no
entanto, pode levar parte dos compradores a adiar decisões importantes.
A expectativa para 2027 é de um ambiente mais previsível, tanto do ponto
de vista institucional, com a definição do próximo governo, quanto econômico,
com a possibilidade de uma queda mais consistente dos juros. Diante disso,
muitos consumidores avaliam se vale a pena antecipar a compra do imóvel em 2026
ou aguardar um cenário considerado mais seguro antes de assumir um compromisso
financeiro de longo prazo.
“O comprador de classe média é, historicamente, um consumidor cauteloso,
que planeja, compara e espera. O momento atual oferece mais crédito, mas ainda
exige confiança no horizonte econômico”, analisa o especialista em mercado
imobiliário Daniel Claudino. Para o setor imobiliário, o desafio será
justamente converter as novas condições de financiamento em decisões concretas
de compra. Enquanto isso, 2026 se apresenta como um ano de transição, no qual
oportunidade e prudência caminham lado a lado no radar da classe média
brasileira.

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