Psicóloga
explica por que começamos o ano motivados e quais estratégias ajudam a manter o
foco
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A chegada de um
novo ano costuma despertar nas pessoas a vontade de traçar planos, fazer
promessas e estabelecer metas. Seja para mudar hábitos, iniciar projetos ou
simplesmente “ser melhor”, o mês de janeiro é visto como um marco simbólico de
recomeço. Mas afinal, por que sentimos essa necessidade e até que ponto
planejar é realmente saudável?
De acordo com a
psicóloga e professora do curso de Medicina do Centro Universitário Integrado de
Campo Mourão (PR), Elena Maria Rosa Senetra, esse impulso tem explicações
emocionais e neurocientíficas. “O início de um novo ano cria a sensação de
separação entre ‘quem fui’ e ‘quem posso ser’. A neurociência chama isso
de fresh start effect, um ponto de virada que eleva nossa
motivação e gera abertura para mudanças”, explica.
Esse cenário
estimula a reflexão, favorece a revisão de hábitos e reforça a percepção de
oportunidade; fatores que tornam o período ideal para estabelecer objetivos.
Mas, se essa prática é benéfica ou apenas uma fonte de frustração futura, vai
depender de como cada indivíduo irá lidar com esses planos.
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Benefícios
emocionais de traçar metas
Pensar sobre novos
caminhos no começo de um ciclo, segundo a psicóloga, pode trazer ganhos
significativos para a saúde mental. A definição de objetivos aumenta o senso de
direção e propósito, melhora a organização dos pensamentos e regula as emoções.
“Quando metas
estão alinhadas aos valores pessoais, fortalecem a autorregulação e oferecem
mais previsibilidade ao cérebro. Pequenos avanços liberam dopamina, um
neurotransmissor que atua no sistema nervoso central e está associado à
sensação de prazer, e que reforça comportamentos saudáveis”, destaca.
Esse alinhamento
interno é o que diferencia as metas funcionais de idealizações. Uma meta
sustentável é concreta, específica e possível dentro da rotina real da pessoa.
A psicologia costuma utilizar o modelo SMART; que inclui critérios como
específico, mensurável, alcançável, relevante e temporal. Já as metas vagas,
baseadas em comparação com outras pessoas ou em expectativas irreais, tendem a
gerar frustração e desistência precoce.
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Se por um lado o
Ano Novo inspira mudanças, ele também costuma acompanhar armadilhas emocionais.
Entre elas estão:
· expectativas
irreais, com transformações drásticas em pouco tempo;
· metas
vagas, como “ser mais feliz” ou “não ter ansiedade”;
· planos
baseados no impulso e não em valores;
· desconsiderar
a rotina, criando objetivos que não cabem na vida prática;
· pensamento
“tudo ou nada”, quando qualquer deslize vira sinônimo de fracasso;
· rigidez
e autocobrança excessivas.
Para Elena, a
flexibilidade é essencial. “As metas precisam considerar que a vida muda. Novos
cenários, imprevistos e desafios podem surgir ao longo do ano. Abrir espaço
para ajustes evita frustração e favorece a continuidade”.
Por
que as metas não se sustentam?
Segundo a especialista, o cérebro naturalmente resiste às mudanças bruscas e prefere padrões já conhecidos, que exigem menos esforços. Por isso, quando uma meta demanda muita dedicação ou alterações radicais, a tendência é que a motivação inicial desapareça rapidamente.
“As emoções desconfortáveis fazem parte do processo de mudança. Sem estratégias de manejo, a pessoa abandona seus planos”, explica a psicóloga.
Entre as
estratégias que ajudam a tornar os objetivos mais sustentáveis, Elena destaca 7
fatores:
1. metas
pequenas e progressivas, que criam sensação de conquista;
2. planejamento
de obstáculos, prevendo dificuldades e alternativas;
3. autocompaixão
para lidar com recaídas;
4. atenção
plena, que ajuda a perceber padrões automáticos;
5. reconexão
com valores para manter clareza sobre o propósito;
6. diário
de hábitos para monitorar e avaliar o progresso;
7. ambiente
organizado, que facilita a adoção de novos comportamentos.
Começar
o ano com propósito e sem pressão
Para quem deseja um início de ciclo mais leve, a psicóloga sugere reservar um momento tranquilo, escrever metas e observar o que realmente faz sentido. “Comece olhando para dentro, não para fora. Foque em valores, não em comparação ou perfeccionismo. Propósito não nasce de grandes transformações, mas de pequenas ações repetidas com intenção”, orienta.
Planejar,
portanto, não é apenas simbólico. “Pode ser uma ferramenta de autoconhecimento,
cuidado emocional e construção de uma vida mais coerente com aquilo que se
deseja. E quando feito com gentileza e realismo, tem maior chance de durar e
atravessar o ano inteiro e não apenas ter o entusiasmo dos primeiros dias de
janeiro”, complementa a psicóloga e professora do curso de Medicina do Centro
Universitário Integrado de Campo Mourão (PR), Elena Maria Rosa Senetra.


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