Chuvas intensas e descargas
atmosféricas exigem atenção redobrada com a proteção elétrica em residências e
pequenos negócios
O verão de 2026 tem sido marcado por chuvas intensas, temporais
frequentes e alertas meteorológicos em diferentes regiões do país. De acordo
com o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), a estação apresenta volumes
de precipitação acima da média histórica em áreas do Sudeste, Sul e
Centro-Oeste, além de episódios recorrentes de tempestades acompanhadas de
raios e rajadas de vento.
Esse cenário climático amplia um risco muitas vezes invisível no
dia a dia: os surtos elétricos. Provocados principalmente por descargas
atmosféricas e instabilidades na rede de energia, esses picos de tensão podem
danificar equipamentos eletrônicos e eletrodomésticos, gerar perda de dados e
até causar acidentes domésticos.
O Brasil é um dos países mais afetados por esse tipo de fenômeno.
Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) indicam que o
território brasileiro registra, em média, cerca de 78 milhões de raios por ano,
com maior concentração durante os meses de verão.
Impacto
vai além da residência
A combinação entre eventos climáticos extremos e fragilidades da
infraestrutura elétrica tem ampliado os impactos de oscilações e interrupções
no fornecimento de energia. Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica
(Aneel), episódios de instabilidade deixaram de ser pontuais e passaram a ter
caráter estrutural em algumas regiões do país.
Na cidade de São Paulo, por exemplo, dados consolidados pela
agência indicam que, entre janeiro e outubro de 2025, houve aumento de 12,8% no
número de ocorrências de falta de energia em relação ao mesmo período do ano
anterior. Estimativas da Fecomercio-SP apontam prejuízos superiores a R$ 1,5
bilhão para os setores de comércio e serviços após apagões recentes, refletindo
perdas operacionais, danos a equipamentos e interrupções de atividades.
Embora os impactos econômicos sejam mais visíveis no varejo e na
indústria, o risco também está presente nas residências, especialmente para
equipamentos sensíveis como televisores, computadores, roteadores,
eletrodomésticos e sistemas de segurança.
Como
surtos elétricos afetam os equipamentos
Oscilações e picos de energia podem provocar:
- Queima de componentes eletrônicos, como placas e
processadores;
- Perda ou corrupção de dados em computadores, notebooks e
celulares;
- Redução da vida útil de aparelhos expostos a surtos
recorrentes;
- Risco de superaquecimento e incêndios, em situações mais
severas;
Medidas
simples ajudam a reduzir riscos
Segundo Juan Martins, engenheiro de aplicação da
Elgin, a prevenção é hoje um dos principais aliados de consumidores e pequenos
negócios diante de um cenário de maior instabilidade elétrica intensificado por
eventos climáticos extremos.
Entre as recomendações estão:
- Instalar dispositivos de proteção contra
surtos (DPS) na entrada da rede elétrica, devidamente coordenados com o
sistema de aterramento e dimensionados conforme a norma NBR 5410, sempre
com o apoio de um eletricista qualificado:
- Utilizar filtros de linha e protetores
contra surtos, que ajudam a absorver picos de tensão;
- Desconectar aparelhos sensíveis da tomada
durante tempestades, reduzindo a exposição a surtos induzidos:
- Verificar periodicamente, garantindo assim o
correto escoamento e funcionamento adequado dos dispositivos de proteção
elétrica.
“Eventos climáticos extremos tornam mais frequentes as oscilações
na rede. Enquanto os investimentos estruturais em infraestrutura avançam,
medidas preventivas deixam de ser opcionais e passam a ser essenciais para reduzir
prejuízos e riscos à segurança”, afirma.
Energia confiável como base da segurança
Especialistas alertam que a qualidade da energia
elétrica é um fator cada vez mais estratégico para o funcionamento da economia
e da vida cotidiana. Em um contexto de chuvas intensas, raios e sobrecarga das
redes, a proteção elétrica ganha papel central não apenas na preservação de
equipamentos, mas também na segurança de pessoas e na continuidade das
atividades.
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