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quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Tosse que não passa pode ser refluxo? Especialistas alertam para sinais que surgem fora do estômago

 Rouquidão, pigarro frequente e tosse seca persistente podem ser manifestações de refluxo mesmo sem azia. Otorrino e gastroenterologista explicam quando investigar e por que o diagnóstico nem sempre é simples

 

Tosse crônica, pigarro constante, rouquidão ao longo do dia e sensação de “bolo” na garganta são queixas cada vez mais comuns nos consultórios médicos e nem sempre têm origem respiratória. Em muitos casos, esses sintomas estão relacionados ao refluxo gastroesofágico, mesmo na ausência de azia ou queimação, o que dificulta o reconhecimento do problema pelo paciente e, muitas vezes, atrasa o diagnóstico.

Segundo Dra. Roberta Pilla Otorrinolaringologista da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), o refluxo pode atuar como gatilho importante da tosse crônica por diferentes mecanismos. “Há situações em que o conteúdo gástrico provoca irritação direta da laringe, microaspirações ou ativa reflexos nervosos que aumentam a sensibilidade das vias aéreas. A suspeita cresce quando a tosse é seca, persistente, piora ao deitar-se ou após as refeições, vem acompanhada de pigarro, rouquidão ou sensação de irritação na garganta e quando causas mais comuns já foram descartadas”, explica.

Do ponto de vista digestivo, Dra. Patrícia Almeida Gastroenterologista e Hepatologista, da Sociedade Brasileira de Hepatologia, reforça que o refluxo nem sempre se manifesta como dor ou queimação no estômago. “O refluxo gastroesofágico é o retorno recorrente do conteúdo ácido do estômago, mas quando esse ácido alcança regiões mais altas, como a faringe e a laringe, ele pode se expressar predominantemente por tosse crônica, pigarro e rouquidão. Essas estruturas são muito sensíveis, e a irritação repetida pode gerar sintomas respiratórios sem qualquer desconforto gástrico evidente”, afirma.

A chamada forma “silenciosa” do refluxo, também conhecida como refluxo extraesofágico ou laringofaríngeo costuma confundir pacientes e até profissionais. De acordo com a Dra. Roberta Pilla, é importante diferenciar sintomas de doença.

“Rouquidão, pigarro e tosse seca podem estar associados ao refluxo, mas não significam automaticamente que ele seja a causa principal. Consensos recentes mostram que sintomas são inespecíficos e podem ter múltiplas origens. A laringoscopia ajuda a excluir outras doenças, mas achados isolados não fecham diagnóstico. A avaliação clínica criteriosa é fundamental”, ressalta.

O estilo de vida atual também contribui para o aumento dos sintomas. Para a Dra. Patrícia Almeida, hábitos comuns do dia a dia favorecem episódios de refluxo e agravam manifestações na garganta. “Refeições rápidas, feitas com distração no celular, longos períodos em jejum, estresse crônico e refeições volumosas aumentam a pressão dentro do estômago e interferem nos mecanismos naturais que impedem o refluxo. Com isso, os sintomas tendem a se tornar mais frequentes e intensos”, explica.

Além disso, comportamentos após as refeições podem piorar o quadro. “Deitar logo depois de comer, beliscar ao longo do dia, consumir álcool, café, chocolate ou alimentos muito gordurosos são fatores conhecidos que aumentam a exposição do esôfago e da garganta ao ácido”, acrescenta a gastroenterologista.

Antes mesmo do uso de medicamentos, mudanças simples de hábito podem ajudar no controle dos sintomas, como evitar deitar nas duas a três horas após as refeições, reduzir o volume do jantar, mastigar devagar, regular horários e identificar gatilhos individuais. A perda de peso, quando indicada, também tem impacto importante.

Para as especialistas, o alerta é claro: quando o refluxo deixa de ser um desconforto ocasional e passa a comprometer a qualidade de vida, é hora de investigar.
“Tosse crônica, rouquidão prolongada, dificuldade ou dor ao engolir, sensação de engasgo, perda de peso sem explicação ou anemia são sinais que exigem avaliação médica”, conclui a Dra. Patrícia Almeida.
 

  

Dra. Roberta Pilla - Otorrinolaringologia Geral Adulto e Infantil. Laringologia e Voz. Distúrbios da Deglutição; Via Aérea Pediátrica. Médica Graduada pela PUCRS- Porto Alegre/ Rio Grande do Sul (2003). Pesquisa Laboratorial em Cirurgia Cardíaca na Universidade da Pensilvania – Philadelphia/USA (2004). Título de Especialista em Otorrinolaringologia pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (2009). Mestrado em Cirurgia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS- Porto Alegre/RS) (2012-2016).


Dra. Patrícia Almeida CRM SP 159821 - Possui graduação em Medicina pela Universidade Federal do Ceará (2010). Residência Médica em Clínica Médica no Hospital Geral Dr César Cals em Fortaleza-CE- (2011-12). Residência em Gastroenterologia no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo-(USP RP) (2013/15). Aprimoramento em Hepatologia no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP RP)- (2016) . Aprimoramento em Transplante de fígado no Hospital das clínicas da Universidade de São Paulo (USP RP) (2017) . Observership no Jackson Memorial Hospital em Miami/EUA 2017. Doutorado em Hepatologia no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. Título de Especialista em Gastroenterologia pela FBG Título em Hepatologia pela SBH. Hepatologista do Hospital Israelita Albert Einstein


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