Apesar da maior concentração entre as classes D e
E, intenção de recorrer ao crédito recua no país, passando de 23% para 17% em
um ano
Um
em cada quatro brasileiros das classes D e E (24%) pretende pedir empréstimo
bancário em 2026, mais que o dobro do percentual registrado entre as classes A
e B (11%). É o que mostra pesquisa do Instituto Locomotiva em parceria com a
QuestionPro, que aponta ainda uma retração geral na intenção do uso do crédito.
No total da população, a intenção de recorrer a empréstimos caiu de 23% no levantamento
realizado no fim de 2024, que indicava os planos de compra para 2025, para 17%
no estudo atual, que projeta o consumo em 2026.
As
diferenças de comportamento entre as classes também se refletem nas viagens
aéreas. Em 2026, 67% dos brasileiros das classes A e B pretendem comprar
passagens de avião, frente a 26% entre as classes D e E. Na média da população,
a intenção de viajar de avião chega a 49%, acima dos 46% registrados no
levantamento anterior.
A
compra de smartphones e celulares aparece como o item de consumo mais
disseminado entre os brasileiros em 2026, com intenção elevada em todos os
grupos sociais. Entre os brasileiros das classes A e B, 62% afirmam que
pretendem adquirir o produto, percentual muito próximo ao observado entre as classes
D e E, com 56%. Na média da população, 61% manifestam intenção de compra, o que
equivale a cerca de 99 milhões de potenciais consumidores, reforçando o caráter
transversal da categoria no país.
No
consumo de bens para o lar, os dados mostram menos distância entre as classes
sociais do que em outras categorias. A intenção de compra de móveis é
semelhante entre os grupos, alcançando 55% entre os brasileiros das classes A e
B e 56% entre as classes D e E, enquanto, na média da população, 60% pretendem adquirir
o item em 2026, patamar estável em relação ao levantamento anterior. Nos
eletrodomésticos, 51% das classes A e B e 49% das classes D e E manifestam
intenção de compra, com retração no total da população, que passou de 59% para
52%.
No
consumo ligado à mobilidade individual, automóveis e motos evidenciam
estratégias distintas entre as classes. A intenção de compra de carros em 2026
é maior entre os brasileiros das classes A e B (48%) do que entre os das
classes D e E (31%), acompanhando a queda geral do indicador, que passou de 50%
para 42%. Em sentido oposto, a compra de motos aparece com maior intenção entre
as classes D e E, com 26% manifestando intenção de compra, frente a 16% entre
as classes A e B. Ainda assim, na média nacional, o percentual caiu de 26% para
20%.
“Os
dados da pesquisa mostram que os brasileiros já têm planos e objetivos de
consumo para 2026 em várias categorias, da tecnologia à casa, do transporte à
viagem, o que atravessa todas as classes sociais. Na maioria das vezes não se
trata de consumismo ou impulsividade, mas de planejamento. Quando o brasileiro
fala em trocar o celular, comprar um móvel ou investir em um eletrodoméstico,
ele está falando de organizar a vida, melhorar o dia a dia e até mesmo suas
condições de trabalho”, afirma Renato Meirelles, presidente do Instituto
Locomotiva.
Metodologia
A
pesquisa foi realizada pelo Instituto Locomotiva em parceria com a QuestionPro,
entre os dias 27 de novembro e 5 de dezembro de 2025, com 1.500 entrevistas
nacionais, realizadas por meio de questionário digital de autopreenchimento. A
amostra é representativa da população brasileira com 18 anos ou mais, ponderada
por gênero, faixa etária, escolaridade, classe social e região, com margem de
erro de 2,5 pontos percentuais.
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