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quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Um quarto dos brasileiros baixa renda planeja pedir empréstimo bancário em 2026

Apesar da maior concentração entre as classes D e E, intenção de recorrer ao crédito recua no país, passando de 23% para 17% em um ano
 

Um em cada quatro brasileiros das classes D e E (24%) pretende pedir empréstimo bancário em 2026, mais que o dobro do percentual registrado entre as classes A e B (11%). É o que mostra pesquisa do Instituto Locomotiva em parceria com a QuestionPro, que aponta ainda uma retração geral na intenção do uso do crédito. No total da população, a intenção de recorrer a empréstimos caiu de 23% no levantamento realizado no fim de 2024, que indicava os planos de compra para 2025, para 17% no estudo atual, que projeta o consumo em 2026. 

As diferenças de comportamento entre as classes também se refletem nas viagens aéreas. Em 2026, 67% dos brasileiros das classes A e B pretendem comprar passagens de avião, frente a 26% entre as classes D e E. Na média da população, a intenção de viajar de avião chega a 49%, acima dos 46% registrados no levantamento anterior. 

A compra de smartphones e celulares aparece como o item de consumo mais disseminado entre os brasileiros em 2026, com intenção elevada em todos os grupos sociais. Entre os brasileiros das classes A e B, 62% afirmam que pretendem adquirir o produto, percentual muito próximo ao observado entre as classes D e E, com 56%. Na média da população, 61% manifestam intenção de compra, o que equivale a cerca de 99 milhões de potenciais consumidores, reforçando o caráter transversal da categoria no país. 

No consumo de bens para o lar, os dados mostram menos distância entre as classes sociais do que em outras categorias. A intenção de compra de móveis é semelhante entre os grupos, alcançando 55% entre os brasileiros das classes A e B e 56% entre as classes D e E, enquanto, na média da população, 60% pretendem adquirir o item em 2026, patamar estável em relação ao levantamento anterior. Nos eletrodomésticos, 51% das classes A e B e 49% das classes D e E manifestam intenção de compra, com retração no total da população, que passou de 59% para 52%. 

No consumo ligado à mobilidade individual, automóveis e motos evidenciam estratégias distintas entre as classes. A intenção de compra de carros em 2026 é maior entre os brasileiros das classes A e B (48%) do que entre os das classes D e E (31%), acompanhando a queda geral do indicador, que passou de 50% para 42%. Em sentido oposto, a compra de motos aparece com maior intenção entre as classes D e E, com 26% manifestando intenção de compra, frente a 16% entre as classes A e B. Ainda assim, na média nacional, o percentual caiu de 26% para 20%. 

“Os dados da pesquisa mostram que os brasileiros já têm planos e objetivos de consumo para 2026 em várias categorias, da tecnologia à casa, do transporte à viagem, o que atravessa todas as classes sociais. Na maioria das vezes não se trata de consumismo ou impulsividade, mas de planejamento. Quando o brasileiro fala em trocar o celular, comprar um móvel ou investir em um eletrodoméstico, ele está falando de organizar a vida, melhorar o dia a dia e até mesmo suas condições de trabalho”, afirma Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva.
 

Metodologia

A pesquisa foi realizada pelo Instituto Locomotiva em parceria com a QuestionPro, entre os dias 27 de novembro e 5 de dezembro de 2025, com 1.500 entrevistas nacionais, realizadas por meio de questionário digital de autopreenchimento. A amostra é representativa da população brasileira com 18 anos ou mais, ponderada por gênero, faixa etária, escolaridade, classe social e região, com margem de erro de 2,5 pontos percentuais.

 

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