Dados sobre TDAH e dificuldades de aprendizagem reforçam a importância da identificação precoce
O aumento na busca por avaliações psicológicas e
neuropsicológicas infantis tem chamado a atenção de profissionais da saúde,
educadores e famílias em todo o país. Cada vez mais, pais e escolas procuram
compreender o desenvolvimento emocional, cognitivo e comportamental das
crianças — um movimento que reflete mudanças profundas na forma como a infância
é percebida e cuidada no Brasil.
Segundo estimativas de estudos epidemiológicos, cerca de 7,6% das
crianças e adolescentes brasileiros entre 6 e 17 anos apresentam sintomas
compatíveis com o Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH),
um dos transtornos do neurodesenvolvimento mais diagnosticados na infância —
números semelhantes aos observados em outras partes do mundo e que reforçam a
necessidade de avaliações precoces e completas.
De acordo com especialistas da Vetor
Editora, empresa especializada em saúde mental
e do grupo Giunti Psychometrics, esse
crescimento na demanda por avaliações não significa necessariamente um “surto” de
transtornos, mas sim uma maior conscientização e capacidade de
identificar sinais que antes eram ignorados ou mal interpretados. “O que vemos
hoje é um avanço na sensibilidade da sociedade em reconhecer que cada criança
tem um ritmo próprio de desenvolvimento. Avaliações bem conduzidas, que se
utilizam do conhecimento profissional e de instrumentos adequados e adaptados à
realidade da criança, são ferramentas fundamentais para oferecer suporte
efetivo — e não apenas rotular comportamentos”, afirma Juliana
Siracuza Reis, psicóloga e gerente de Produto da Vetor Editora.
Para especialistas, avaliações criteriosas ajudam a diferenciar
nuances importantes do desenvolvimento infantil — distinguindo fases típicas de
desenvolvimento de sinais que demandam acompanhamento profissional. Além disso,
educadores têm atuado como importantes observadores, orientando famílias a
buscar avaliações quando percebem dificuldades persistentes no aprendizado ou
no comportamento.
“Entender o contexto emocional e
cognitivo das crianças permite intervenções mais precoces e adequadas, que
fazem diferença tanto no ambiente escolar quanto na vida familiar”, acrescenta
Juliana Siracuza Reis.
Ao mesmo tempo, o aumento da demanda escancara desafios
estruturais: a desigualdade no acesso a profissionais especializados, a falta
de informação de qualidade para as famílias e a necessidade de formação
contínua de profissionais para lidar com a complexidade do desenvolvimento
infantil contemporâneo.
Mais do que um fenômeno pontual, o crescimento das avaliações
infantis revela uma sociedade que começa a olhar para a infância com mais
atenção, responsabilidade e sensibilidade. Entender como as
crianças se desenvolvem hoje — em um mundo mais acelerado, conectado e exigente
— é um passo fundamental para garantir não apenas melhores diagnósticos, mas
infâncias mais saudáveis, acolhidas e respeitadas.

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