Especialista em carreiras femininas
formada pelo Disney Institute e New York University dá dicas para planejar a
carreira com base no desejo e não no medo, e transformar metas em ações reais
Início de ano é sinônimo de balanço, reflexão e
expectativa pelo novo ciclo que começa. No entanto, para muitos profissionais,
essa fase também traz a sensação de estagnação. Para transformar esse período
em um ponto de virada real, a mentora e estrategista de carreiras femininas Thaís
Roque, especialista em
Liderança e Capital Humano pela New York University, reforça a importância de
planejar com intencionalidade e antecedência. “A maioria das pessoas faz lista
de desejos e confunde isso com plano de carreira. Escrever o que você quer não
significa saber chegar lá”, afirma.
Vontades compreendidas e metas estabelecidas, é hora de colocar a
mão na massa. Para transformar desejos vagos em um plano executável, a
estrategista destaca a importância de um diagnóstico realista: “O que você
entrega? Quais são seus gargalos? Direcionamento não é seguir tendência; é
seguir o que faz sentido para você.” Ela reforça que planejamento sólido exige
estrutura: transformar metas em rotinas, criar blocos de ação, definir
indicadores de progresso e revisar o plano conforme ele evolui. “Sem isso, a
meta vira um enfeite de início de ano.”
No acompanhamento diário de centenas de profissionais, Thaís
observa padrões recorrentes que sabotam a estratégia de carreira e que atingem
especialmente mulheres. “O erro número um é planejar com base no medo e não no
desejo. Focar em não errar, não decepcionar, não se expor. Carreira forte
cresce no desejo, não na defensiva”, pontua. Segundo ela, outro equívoco é
acumular metas demais e energia de menos: “As mulheres carregam expectativas
infinitas e acabam exaustas.”
Thaís também destaca a tendência de priorizar as demandas alheias.
“Colocamos todo mundo na agenda, menos nós mesmas. Planos precisam caber na
vida real, respeitando ciclos, limites e ambição pessoal. Sem isso, vira
sacrifício, não planejamento.”
Ela aponta a falta de estrutura e acompanhamento como um dos
maiores gargalos. “Escrever a meta e não revisar, não transformar em rotina,
não medir, não recalibrar. Usem um sistema simples semanal ou mensal.
Planejamento não é controle, é coerência. Quando você se planeja com coerência,
respeita sua essência, honra sua ambição e se torna imparável.”
Primeiros passos para 2026:
- Fazer um inventário profissional. “Liste projetos, conquistas, aprendizados e erros. Quais
habilidades você usou ao longo do ano anterior? Quais te trouxeram
energia? Esse inventário revela padrões: o que funciona e o que precisa
ficar para trás.”
- Analisar o ponto de partida. “Onde você está hoje? Quanto vale seu trabalho? Qual seu
nível de satisfação? Sem esse mapa inicial, qualquer planejamento vira
adivinhação.”
- Escolher três grandes metas para o ano. “Três direcionadores são mais eficientes que uma lista de
vinte. Metas como aumentar faturamento, fortalecer autoridade ou mudar de
área funcionam como bússola. Quem organiza a carreira agora, larga na
frente e vence a corrida, enquanto outros ainda estão amarrando o tênis,
acreditando que o ano começa de fato apenas depois do Carnaval.”
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