Pouco falado, mas com impacto profundo na vida de milhares de pessoas, o lúpus eritematoso sistêmico (LES) é uma doença autoimune que afeta principalmente mulheres em idade produtiva1-3. Sua jornada é marcada por diagnósticos difíceis, sintomas que desafiam o cotidiano e limitações físicas e emocionais. Apesar de não ter cura, o avanço nas opções terapêuticas tem trazido esperança e novas possibilidades para pacientes que vivem com a doença.
Saiba o que é o LES, seus
sintomas, impactos e porque ele está no centro de uma importante debate.
O que é o lúpus
eritematoso sistêmico?
O lúpus eritematoso sistêmico é uma doença inflamatória crônica, autoimune e multissistêmica1-3. Isso significa que o próprio sistema imunológico ataca tecidos saudáveis do corpo, provocando inflamações que podem afetar diferentes órgãos — como pele, articulações, rins, pulmões, coração e cérebro4.
Estudos mostram que 92,5% dos
pacientes com lúpus são mulheres, com média de idade de 41,9 anos8.
Embora não tenha cura, o LES pode ser controlado com acompanhamento médico, o
que ajuda a reduzir danos e garantir uma rotina com mais qualidade de vida5.
Sintomas diversos dificultam o diagnóstico
O LES é conhecido pela imprevisibilidade: os sintomas podem variar muito de pessoa para pessoa e se alternam entre períodos de atividade intensa e remissão. Entre os sinais mais comuns estão fadiga severa, dores articulares, manchas avermelhadas no rosto, febre, queda de cabelo, perda de peso e alterações nos rins ou no sistema nervoso central4,5.
Essa variabilidade, associada
à ausência de um exame definitivo, faz com que o diagnóstico do lúpus seja
frequentemente tardio — o que pode agravar os sintomas e compromete o prognóstico.
Além disso, estima-se que cerca de 60% dos pacientes desenvolvam alguma forma
de comprometimento renal durante a evolução da doença6.
Viver com lúpus: impactos e limitações
As manifestações clínicas do lúpus vão além do físico. O impacto emocional e social é igualmente relevante. Segundo o estudo Macunaíma, realizado com pacientes brasileiros, 33,3% das pessoas com lúpus precisaram se aposentar de forma compulsória devido às limitações impostas pela doença8.
Os chamados flares — episódios de reativação da doença — também causam grande sofrimento e, muitas vezes, impedem o paciente de manter uma vida ativa, afetando trabalho, estudos e relações familiares5.
“Os sintomas do lúpus variam
muito de pessoa para pessoa, mas costumam impactar profundamente o cotidiano
dos pacientes, principalmente nos períodos em que a doença está mais ativa”,
afirma o Dr. Odirlei André Monticielo, professor da Universidade Federal do Rio
Grande do Sul e coordenador da Comissão de Lúpus da Sociedade Brasileira de
Reumatologia. “O impacto emocional também é grande, mas com acompanhamento
médico, tratamento adequado e cuidado com o estilo de vida, é possível manter a
doença sob controle e ter qualidade de vida”.
Nova opção de tratamento em debate
O tratamento convencional do lúpus envolve antimaláricos, corticoides e imunossupressores4, no entanto, uma parcela dos pacientes segue com sintomas persistentes e não consegue atingir o controle adequado da doença, mesmo após várias tentativas terapêuticas5,6.
Nesse cenário, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) abriu a Consulta Pública nº 158, que avalia a inclusão de uma nova alternativa terapêutica no rol de coberturas obrigatórias dos planos de saúde7. A proposta busca ampliar o acesso a tratamentos para pacientes adultos com LES refratários às terapias convencionais.
“A Consulta Pública é uma rara oportunidade para que todos possam contribuir com o processo de decisão. Relatar as dificuldades vividas, as limitações dos tratamentos atuais e a relevância de novas alternativas pode fazer a diferença”, reforça o Dr. Monticielo.
A Consulta Pública pode ser
acessada pelo site da ANS pelo link Link.
Profissionais de saúde, pacientes, familiares e a sociedade em geral podem
enviar suas contribuições até o dia 29 de julho de 2025.
Referências
- Bertsias G,
et al. EULAR textbook on rheumatic diseases. 2012. pp. 476–505.
- ACR Ad hoc
Committee on SLE Guidelines. Arthritis Rheum. 1999;42:1785–1796.
- Wallace DJ,
Hahn B, eds. Dubois' Lupus Erythematosus. 8th ed. Philadelphia, PA:
Lippincott Williams and Wilkins; 2007.
- Petri M, et
al. Arthritis Rheum. 2012;64:4021–4028.
- Van
Vollenhoven R, et al. Ann Rheum Dis. 2012;71:1343–1349.
- Sociedade
Brasileira de Reumatologia. Rev Bras Reumatol. 2015;55(6):512–526.
- ANS.GOV.BR.
Consulta Pública n° 158. Diário Oficial da União - Edição Nº 125 de
07/07/2025 - Pág. 332. Disponível em: Link.
- Mendes de
Abreu M, et al. Arthritis Rheumatol. 73 (suppl 10), 2021.
- Abreu M, et
al. Annals of the Rheumatic Diseases. 80:999, 2021.
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