Gabriela Azevedo
também observa mudanças na escrita, até mesmo entre os adultos
O desejo humano de buscar a evolução, aliado à tecnologia
digital, está proporcionando a possibilidade de realidades alternativas, ou
seja, universos paralelos que poderão existir em nossa imaginação, por meio de
imagens, sons e toques que apresentam uma nova realidade ao nosso corpo.
Portanto, a isso damos o nome de metaversos, que são universos que podem
existir em nossa imaginação, reforçados de maneira concreta pelo estímulo dos
nossos sentidos (visão, audição, paladar, olfato e tato). Mas até que ponto a
imersão no mundo virtual pode atrapalhar o desenvolvimento e as relações
interpessoais reais?
Gabriela Azevedo, psicóloga e coordenadora da
Academia de Talentos do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), lembra que o mundo
virtual é necessário no dia a dia, desde que com limites. “Passamos por uma
pandemia que nos deixou isolados por dois anos. Foi o uso da tecnologia que nos
permitiu sobreviver com um mínimo de equilíbrio necessário para nossa saúde
mental. No entanto, há inúmeros aspectos negativos no uso excessivo de
dispositivos tecnológicos”, alerta a especialista.
Uma pesquisa feita pela Common Sense Media mostrou
que os adultos passam até nove horas por dia em frente a uma tela, seja do
computador, seja do celular, o que causa o isolamento da vida real. “Deixou-se
de lado o ato de telefonar a um amigo para bater papo, por exemplo, ou
conversar durante o jantar em família, pois o WhatsApp é o meio preferido para
conversar. Não se ouve a voz, não se vê a expressão, e os emojis substituem o
olho no olho. Quantas vezes já observamos, em apresentações de final de ano ou
numa formatura, por exemplo, adultos na plateia entretidos no celular,
desconectados do que acontece no ambiente? E aqui falamos de pais, tios e
amigos dos formandos”, reforça Gabriela.
Consequências reais ou virtuais?
Os prejuízos não se restringem apenas aos
relacionamentos e encontros, na escrita também são enormes as mudanças. As
abreviações e o uso errado da gramática são reflexos da comunicação por esses
mecanismos ao usar o celular, por exemplo. E não somente os adolescentes, mas
também os adultos têm apresentado textos mais pobres em vocabulário e
estrutura.
“Por fim, notamos que danos emocionais graves
também são causados pelo uso inadequado dos recursos tecnológicos. O ghosting
(sumir da vida do outro sem explicação), o exposed (exposição via rede social), o
cancelamento, entre outras práticas, impactam de maneira significativa a
autoimagem das pessoas. Não podemos negar como a tecnologia passou a fazer
parte integral de nossa vida. Porém, é preciso olhar ao redor, interagir
pessoalmente e sempre buscar a vida fora dos dispositivos eletrônicos”, conclui
Gabriela.
Instituto Mauá de Tecnologia – IMT
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