Novas orientações de entidade americana especializada ampliam a quantidade de pessoas que devem fazer o rastreio anual da doença, mas ainda foca em fumantes
Há
uma relação direta entre câncer de pulmão e tabagismo. E, durante muito tempo,
acreditou-se que a doença acometia principalmente fumantes ou, em menor risco,
de um subgrupo de fumantes passivos. Mas, segundo o oncologista Carlos Gil
Ferreira, presidente do Instituto Oncoclínicas, nos últimos anos houve uma
mudança nesse parâmetro. “Vem crescendo o número de pessoas diagnosticadas com
câncer de pulmão que nunca fumaram e, muitas vezes, nunca tiveram contato
direto com fumantes”, diz o médico.
Dentro
desse grupo, o número que mais cresce é o de mulheres jovens não-fumantes.
“Mulheres com um tipo de tumor chamado adenocarcinoma, que nunca fumaram, têm
diagnosticadas com um tipo de câncer de pulmão com características diferentes.
A doença tem alterações moleculares dierentes do câncer de pulmão de
tabagistas, comportamento clínico distinto e pode ser tratada com medicamentos
específicos, chamados de drogas-alvo”, afirma Carlos Gil Ferreira.
É
importante, portanto, estar atendo aos sintomas para que se faça exames
prococemente. “Mulheres jovens, com menos de 50 anos, consideradas saudáveis,
mas com sintomas respiratórios persistentes, deveriam buscar avaliação médica”,
diz o médico. “Se entre fumantes, que são o grupo sabidamente de maior risco, o
câncer de pulmão é constantemente detectado em estágios muito avançados, o que
dificulta o tratamento, a probabilidade de diagnóstico tardio em pessoas jovens
e consideradas saudáveis aumenta consideravelmente”, completa. No Brasil, o câncer de pulmão é o quarto tipo de tumor mais
frequente entre elas e o terceiro entre os homens. Sendo assim, programas de
prevenção primária (mudança de estilo de vida, sobretudo cessação do tabagismo),
de prevenção secundária (diagnóstico precoce) devem ser prioridade na saúde
pública.
Novas diretrizes de rastreamento em 2021
A
Força-Tarefa de Serviços Preventivos dos Estados Unidos (USPSTF) atualizou as
recomendações para detecção precoce do câncer de pulmão. No documento publicado
recentemente no Journal of the American Medical Association (JAMA), a
orientação é de ampliar o grupo de pessoas que deve fazer exames anuais para a
doença. O foco ainda está em fumantes, mas agora ainda mais jovens e que
consomem menos cigarro, o que pode ajudar no diagnóstico precoce.
Fumantes,
ou pessoas que pararam a menos de 15 anos, entre 50 – 80 anos que consumiram um
maço de cigarro por dia durante um ano ou o equivalente a isso, devem fazer
anualmente uma tomografia computadorizada de tórax com baixa dose de radiação.
Antes eram fumantes com 30 “anos-maço” e com idade entre 55 e 80 anos.
No Brasil, ao contrário de alguns países da Europa e nos Estados
Unidos, não há na saúde suplementar ou no SUS, a regulamentação para o
rastreamento preventivo com uma tomografia para pacientes fumantes – que
atendem a maioria dos casos de câncer de pulmão.
Dr. Carlos Gil Ferreira -Possui graduação em
Medicina pela Universidade Federal de Juiz de Fora (1992), residência em
Oncologia Clínica pelo Inca e doutorado em Oncologia Experimental - Free
University of Amsterdam (2001). Foi pesquisador Sênior da Coordenação de
Pesquisa do Instituto Nacional de Câncer (INCA) entre 2002 e 2015, onde exerceu
as seguintes atividades: Chefe da Divisão de Pesquisa Clínica, Chefe do
Programa Científico de Pesquisa Clínica, Idealizador e Pesquisador Principal do
Banco Nacional de Tumores e DNA (BNT), Coordenador da Rede Nacional de
Desenvolvimento de Fármacos Anticâncer (REDEFAC/SCTIE/MS) e Coordenador da Rede
Nacional de Pesquisa Clínica em Câncer (RNPCC/SCTIE/MS). Desde 2018 é
Presidente do Instituto Oncoclínicas e Diretor Científico do Grupo
Oncoclínicas. No âmbito internacional é membro do Career Development and
Fellowship Committee e do Bylaws Committee da International Association for the
Research and Treatment of Lung Cancer (IALSC); Recebedor do Prêmio Partners in
Progress da ASCO (American Society o Clinical Oncology) em 2020 e 2 vezes
vencedor (2017 e 2019) do Prêmio Melhor Time para o Tratamento do Câncer de
Pulmão na América Latina da IASLC ( International Association for the Study of
Lung Cancer). Editor do Livro Oncologia Molecular (ganhador do Prêmio Jabuti em
2005) e Editor Geral da Série Câncer da Editora Atheneu. Já publicou mais de
100 artigos em revistas internacionais.
Nenhum comentário:
Postar um comentário