Avaliação de empresa é um assunto recorrente do mundo empresarial. Quem não quer saber quanto vale o seu negócio, a sua ideia, a sua startup, o escritório de advocacia, a companhia com ações na bolsa, enfim, no capitalismo tudo tem seu valor.
Buscando
esse sentido racional, debrucei-me sobre as várias metodologias existentes,
sendo as principais: VALUATION, MÚLTIPLOS DE MERCADO, VWAP e VALOR PATRIMONIAL.
O
primeiro, VALUATION, composto pelo Fluxo de Caixa Livre menos a taxa de
desconto (WACC, significa o custo do capital). Deve ser feito uma análise com
base em projeções econômico-financeiras de longo prazo da empresa. Capturar as
mudanças no setor e no desempenho da companhia no curto, médio e longo prazo
através do impacto desses fatores no fluxo de caixa projetado.
Já
os Múltiplos de Mercado, são feitos com base no EBITIDA (do inglês, Earning
Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization, significa, com relação
um período, a soma do lucro operacional antes das despesas e receitas
financeiras, impostos, depreciação e amortização), nos últimos 5 anos, com base
na média dos múltiplos de negociação de empresas comparáveis no Brasil e no
exterior. Reflete o valor da empresa baseando-se em avaliação de empresas
comparáveis, sem levar em consideração especificidades da firma.
A
terceira metodologia, VWAP (do inglês, Volume Weight Average Price, significa
preço médio ponderado do volume de negociação), reflete o valor de mercado da
empresa no período em análise, muito usado com empresas com ações negociáveis
na bolsa. Já o Valor patrimonial, posição de patrimônio líquido da firma,
reflete o valor da companhia por critérios contábeis.
O
mercado considera a metodologia do VALUATION - Fluxo de Caixa Descontado como a
mais adequada para apurar o intervalo de valor para o preço da firma. Na minha
opinião, essa metodologia consegue capturar da melhor forma as mudanças no
setor e no desempenho da companhia no curto, médio e longo prazo através do
impacto desses fatores nos fluxos de caixa projetados, ao contrário das outras
metodologias que são mais focadas na performance de curto prazo e/ou não
conseguem capturar tão bem as especificidades da empresa.
Uma
vez que optamos pela metodologia do VALUATION, devemos considerar o
planejamento estratégico de crescimento da empresa, pelo período de 5 anos,
considerando o método de fluxo de caixa descontado, sempre desalavancando as
projeções futuras. Nessa metodologia, os fluxos são descontados pelo custo
médio ponderado do capital (WACC) para cálculo do seu valor presente. Taxa
anual de crescimento (CAGR), medida pela receita líquida, com a expansão anual
de volume moderada e um ajuste de preços inflacionários.
É
de suma importância calcularmos o ciclo de caixa, composto por contas a
receber, estoques e contas a pagar, projetado com base em dias de receita
líquida, atingindo um resultado nominal também em dias. O valor da
perpetuidade, embasada em uma expectativa de que a companhia atingirá sua
maturidade em 5 anos, não havendo previsão de investimentos adicionais para
expansão, assim assumimos uma taxa de crescimento residual para a perpetuidade.
A
taxa de desconto WACC deve ser calculada com base em: (1) taxa de retorno sem
risco, (2) prêmio e risco empresarial), (3) beta alavancado do setor e (4)
risco país.
Segundo
o advogado ELCIO REIS, sócio fundador do escritório ELCIO REIS ADVOGADOS, com
sede em Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, com ampla atuação nas áreas
Tributária, societária e de M&A, esclarece que para minimizar riscos
societários e prevenir litígios é importante que os sócios se preocupem com a
redação do contrato social, inserindo cláusulas que prevejam, desde logo,
critérios adequados para apuração de haveres, estabeleçam regras para sucessão,
interdição, alienação de participação societária, sendo desejável, inclusive, a
compromisso arbitral, evitando, desta forma, que litígios envolvendo os sócios
e a sociedade sejam levados ao Poder Judiciário.
O
Superior Tribunal de Justiça tem entendido, de forma ambígua, que “O fluxo de
caixa descontado, por representar a metodologia que melhor revela a situação
econômica e a capacidade de geração de riqueza de uma empresa, pode ser
aplicado juntamente com o balanço de determinação na apuração de haveres do
sócio dissidente.” (REsp 1335619/SP). Vejam que o STJ aplica o fluxo de caixa
descontado em conjunto o chamado balanço de determinação, que é um conceito
fluido, que representa, de fato, o valor econômico da sociedade. Ou seja, qual
seria a metodologia para apurar o valor da empresa?
Apesar da falta de comparáveis diretos no mercado brasileiro,
reiteramos que o fluxo de caixa descontado é, na nossa opinião, a metodologia
mais adequada para apuração do intervalo de valor para a maioria das companhias.
PATRICK
FEIBELMANN - especialista em Valuation, empresário, administrador de empresas,
pós-graduado em sistemas de informação com especialização em qualidade total
pela UFMG. Vinte anos de experiência empresarial, consultor de empresas,
atuando em diversos projetos, conselheiro de firmas e apoiador de startups.
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