Já
é de conhecimento que a maior parte de nosso corpo é composto por água. Nas
crianças ela chega a 80%, sendo responsável por reações químicas em todos os
órgãos, além de permitir a distribuição dos nutrientes e retirada de resíduos
dos diversos órgãos. O problema é que não conseguimos reter água no corpo, já
que ela é liberada constantemente e de diversas formas - suor, urina,
perspiração insensível, respiração. Daí a importância de ingerir água
diariamente, principalmente na fase de desenvolvimento das crianças, como
esclarece o pediatra Sylvio Renan Monteiro de Barros, da clínica MBA Pediatria,
especialista pela Unifesp/EPM e Sociedade Brasileira de Pediatria, que ainda
acrescenta “podemos ficar vários dias sem comer, mas sem beber água não”.
Mas
como explicar para uma criança a importância em beber água constantemente? Veja
abaixo algumas informações importantes selecionadas pelo pediatra que podem ser
reforçadas neste Dia Mundial da Água:
- Por que beber água é fundamental?
São diversos os benefícios, mas essencialmente para as crianças é preciso ficar atento, para o melhor desenvolvimento motor, neuronal e para o bom funcionamento das funções dos rins, bexiga, intestino e até mesmo dos olhos, porque a água é componente da formação das lágrimas.
Na
digestão, tem papel fundamental. Após comermos, os alimentos são transformados
em pequenas porções, que serão absorvidas pelo organismo em um processo
fisiológico no qual a água tem importante papel na digestão.
A
água ainda ajuda a eliminar do corpo as substâncias que não devem ser
absorvidas, através da urina e suor, formada basicamente por água e substâncias
tóxicas ou em excesso dissolvidas.
- Como a água ajuda na hidratação do corpo?
A água ajuda na regulação da temperatura do corpo, sendo especialmente indicada em dias quentes e quando da prática de atividades físicas. Quando há excesso de calor, a liberação de suor colabora com o resfriamento do corpo, mas as crianças possuem uma menor capacidade de suar e eliminar o calor do corpo do que os adultos.
A
boa hidratação também previne, entre outras coisas, a prisão de ventre, pois a
água melhora o trânsito intestinal e umidifica as fezes.
O
sinal mais simples de desidratação é quando sentimos sede. Quando uma criança
está numa brincadeira ativa ou praticando alguma atividade física, dificilmente
ela vai parar para beber água. Cabe aos pais, professores e cuidadores oferecer
água justamente nestes momentos.
- Qual a quantidade de água as crianças devem beber por
dia?
De modo geral, no mínimo, aproximadamente quatro copos de água. Dos 7 aos 12 meses, o indicado é 800 mililitros, que devem ser consumidos ao longo do dia. Ao completar 1 ano, até os 3 anos de idade, 1.300 ml, e dos 3 aos 8 anos, 1.700ml.
Uma
recomendação importante é evitar oferecer água (ou qualquer outro líquido)
durante as refeições, para não “encher” o estômago e evitar a redução da
quantidade de alimentos a ser consumido. Mantenha o hábito de oferecer água 30
minutos antes ou depois das refeições. Fora o período das refeições, ofereça
água constantemente.
- E para os bebês?
Durante a amamentação, pelo menos até os seis meses de idade, o leite materno já oferece quantidade de água suficiente para o bebê. Também não é necessário chá ou suco.
Após
esta fase, é indicado oferecer água, principalmente nos dias mais
quentes.
Já
as mamães que estão amamentando devem consumir bastante água, para garantir a
quantidade de nutrientes suficiente para o leite materno.
- E outros líquidos?
Frutas, legumes e verduras são fontes ricas em água e devem ser consumidos também. Deve-se evitar refrigerantes, achocolatados, bebidas lácteas e sucos, mesmo os naturais. E sempre evite os sucos industrializados.
Água
é muito mais saudável. E, embora ainda haja a necessidade de uma oferta maior
em muitas regiões do planeta, de certa forma é um nutriente muito acessível e
barato para o consumo diário.
Dr.
Sylvio Renan Monteiro de Barros - Graduado pela Faculdade de Medicina do ABC,
com especializações e títulos pela Unifesp/EPM, Sociedade Brasileira de
Pediatria e General Pediatric Service da University of California (UCLA, Los
Angeles, EUA). Atuou por quase 30 anos no Pronto Socorro Infantil Sabará e foi
diretor técnico do Hospital São Leopoldo, cargo que deixou para se dedicar ao
seu consultório, a MBA Pediatria, e à literatura médica para leigos. É autor
dos livros "Seu bebê em perguntas e respostas - Do nascimento aos 12
meses" e “Pediatria Hoje”.
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