Distúrbio atinge cerca de 11,5 mil pessoas no Brasil¹
A hemofilia é uma doença rara,
em sua maioria hereditária e sem cura que afeta a coagulação do sangue e gera,
em seus pacientes, dificuldades de estancar sangramentos naturalmente. Isso
ocorre devido à ausência de proteínas presentes no sangue, chamadas de fatores
de coagulação.
Os
principais tipos da patologia são o A e o B. No caso da hemofilia do tipo A,
que correspondente a 80%² de todos os casos diagnosticados, a deficiência está
no Fator VIII, e, na hemofilia do tipo B, os pacientes têm menos Fator IX.
A hemofilia é, geralmente, transmitida de mãe para filho, num gene
localizado no cromossomo X. É por isso que é considerada uma doença
predominantemente masculina, já que o filho, que tem os cromossomos XY,
receberá o gene doente da mãe. A filha, que é XX, recebe um cromossomo sadio do
pai e o acometido da mãe, portanto, no sexo feminino, o cromossomo saudável
consegue compensar a deficiência do outro e diminui as chances do
desenvolvimento da patologia.
Os sintomas predominantes são sangramentos que demoram a cessar e
hemorragias intramusculares e intra-articulares, que podem desgastar as
articulações e provocar lesões articulares e ósseas, conhecidas como
artropatias. Quando elas ocorrem, normalmente são acompanhadas de dores fortes,
aumento da temperatura e restrição dos movimentos nos membros acometidos.
O diagnóstico normalmente ocorre logo nos primeiros anos de vida. Ele é
feito por meio de um exame que mede o nível dos fatores de coagulação
sanguínea.
A
hemofilia ainda não tem cura, porém, na maioria das vezes, com o tratamento
correto, os hemofílicos conseguem parar os sangramentos de maneira adequada. Existem dois tipos de tratamento para hemofilia: sob
demanda, quando o fator é reposto no momento em que ocorrem sangramentos, ou
por profilaxia, quando a reposição é realizada regularmente, para preveni-los.
Entretanto, existem pessoas que desenvolvem inibidores contra o
fator infundido, e que, por conta disso, podem neutralizar o efeito do
medicamento. Cerca de 30%³ dos pacientes do tipo A grave desenvolvem esses
inibidores e não obtêm êxito com a terapia padrão. Estes pacientes têm sua
qualidade de vida afetada, pois precisam realizar aplicações intravenosas
diárias, que já não surtem o mesmo efeito, o que torna maiores as chances de
hemorragias.
Devido a essa condição, existem estudos que visam a evolução do
tratamento da patologia, para que seja possível proporcionar às pessoas com
hemofilia uma vida de mais qualidade. As pesquisas clínicas que vêm sendo
realizadas nos últimos anos trazem novas perspectivas sobre as formas de tratar
a hemofilia, as quais terão impacto positivo direto na rotina dos pacientes que
têm resistência à terapia padrão. Os resultados apresentados após os estudos
geram esperança para quem tem de lidar diariamente com a doença e as
dificuldades que a acompanham.
Referências:
- http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/perfil_coagulopatias_hereditarias_brasil_2014.pdf
- A hemofilia A é a mais comum e representa 80% dos casos. Ocorre devido a deficiência do Fator VIII, Segundo a Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular – ABHH http://www.abhh.org.br/educacao/fique-por-dentro-educacao/hematologia-de-a-a-z/faq/. Acessado em 01/03/2018.
- Matéria da revista científica da Faculdade de Medicina de Campos - http://www.fmc.br/revista/V6N1P07-13.pdf . Acessado em 01/03/2018.
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