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segunda-feira, 19 de março de 2018

A ansiedade do ser humano e seu impacto nos negócios


Todos já cansamos de ouvir como cada vez menos o ser humano tem tido paciência para lidar com as coisas do dia a dia. Há uma grande chance de você começar a ler esse texto e não terminá-lo. Esse comportamento deriva muito do imediatismo criado pela internet nas pessoas. Compras no e-commerce tem que ser entregue em poucos dias, cadastros tem que ser super fáceis de preencher (falo um pouco disso em um outro texto meu) e demorar a responder o Whatsapp pode até ser considerado rude. Nesse ambiente, temos cada vez feito mais coisas ao mesmo tempo e dedicando menos de nossa atenção a cada uma delas. De acordo com uma pesquisa da Microsoft Canada publicada em diversos portais de respeito como New York TimesTime Magazine e The Guardiano ser humano tem hoje um foco médio de 8 segundos em alguma tarefa antes de mudar o seu foco de atenção. Esse número caiu de 12 segundos nos anos 2000, uma queda de 33%, e já menor que o tempo de foco de um peixe dourado (9 segundos).

Não obstante, muitos CMOs e CEOs reclamam de como é cada vez mais difícil atingir um potencial consumidor com uma propaganda, já que sua atenção está sendo dividida entre tantos estímulos e sua atenção a qualquer uma delas é muito limitada. Para superar esse obstáculo, empresas tem agido em duas frentes diferentes. Algumas tem focado em criar campanhas cada vez mais originais (e/ou apelativas) de forma a “aparecer” no meio de todo o resto. Outras têm reconhecido o problema e mudado o seu jeito de agir para refletir essa mudança de comportamento. Facebook, Youtube e Snapchat, por exemplo, têm feito muito dinheiro com campanhas de marketing de pouquíssimos segundos no formato de vídeo
Na Coblisistema de controle de frotas, telemetria e roteirização, enfrentamos esse problema recentemente. No passado, nosso site demorava muito para carregar (cerca de 15 segundos). Sabíamos que esse número era muito ruim, ainda mais porque era uma média - haviam potenciais clientes esperando muito mais para ver nossa página, especialmente aqueles acessando de dispositivos móveis em conexões lentas. Não era claro, no entanto, quanto isso afetava o resultado da empresa e se justificava parar um time de tecnologia apenas para corrigir o problema.
Fomos estudar os impactos de um projeto como esse e encontramos diversos resultados interessantes. Um estudo conduzido pela empresa Skilled e postado no blog do Hubspot, em particular, apontou efeitos dramáticos do aumento na velocidade de carregamento de um site. Algumas empresas citadas incluíam até mesmo a Amazon, na qual um aumento de 1 segundo no tempo de carregamento do site equivaleria a $1.6 bilhão em receita perdida em um ano. Outro exemplo interessante era o da Autoanything, que aumentou suas vendas em 13% cortando o tempo de carregamento do site pela metade.
Animados pelos benchmarks resolvemos ir atrás e arrumar o nosso site e obtivemos resultados interessantes:
    Loading time do site na primeira semana de janeiro - mudança foi feita dia 3
Em apenas alguns dias o Bounce Rate (% das pessoas que saem da página sem nenhuma interação - quanto menor melhor) caiu 4 pontos percentuais. Pode parecer pouco, mas isso equivale a efetivamente 20% mais pessoas de fato vendo o nosso site!
    Bounce Rate não variava até o 4o dia quando fizemos as melhorias no site
Apesar de a correlação não ser perfeita, um aumento de 20% de pessoas efetivamente interagindo com o site deve aumentar as vendas em algo próximo a 20% também. O valor disso para um negócio é imenso! Enquanto discutimos quem contratar e novas iniciativas grandiosas de marketing, uma simples mudança nos bastidores acaba tendo um impacto imensamente maior.
E há ainda muito espaço para melhora. O site ainda tem muito espaço para melhorar, tanto em sua velocidade de carregamento quanto ao design propriamente dito. O sucesso dessas mudanças são diretamente ligadas a preferência do nosso consumidor final. E nessa época em que as pessoas prestam cada vez menos atenção e exigem serviços de maior qualidade, melhor não nadar contra a corrente.
E se você leu o artigo até aqui, já tem mais atenção que um peixe dourado.


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