Na semana passada o Brasil assistiu
estarrecido a soltura de um homem acusado de ejacular em uma mulher o
transporte coletivo. Dias depois esse mesmo homem foi preso novamente por
colocar seu órgão sexual para fora também em um transporte coletivo. Se o
acusado tem ou não problemas mentais não é algo que possamos discutir sem uma
análise, mas o fato é que a sentença do juiz que acreditou que o ato praticado
não era constrangimento nem violência revoltou a todos, trazendo à tona como a
Justiça em nosso país precisa ser revista em diversos aspectos.
Mas voltando a violência contra a
mulher, como bem esclareceu a Doutora em Direitos Humanos, Maíra Zapater, em
vídeo publicado nas redes sociais https://www.youtube.com/watch?v=5B4YgX9FQpY
a sentença do juiz que o liberou mostra que a dificuldade da Justiça em lidar
com esse problema da violência contra mulher.
A violência contra a mulher é um mal
social que ainda está longe de ser erradicado.
A importância de debater o tema,
chamando as pessoas para a reflexão é urgente, pois, é inadmissível que
continuemos a aceitar esse tipo de prática.
Não se trata de feminismo e, de forma
alguma, é uma questão partidária, acima de qualquer coisa é uma grave violação
dos diretos humanos e como tal precisa ser tratada. O impacto devastador da
violência contra a mulher traz consequências físicas, mentais e mesmo a morte.
Afeta de forma devastadora o bem-estar das vítimas e prejudica suas relações
sociais, afinal a ação destrutiva desse tipo de violência se amplia para os
familiares e sociedade de forma geral.
Leis contra a violência doméstica e
agressão sexual vigoram no Brasil já há algum tempo, no entanto, como
assistimos, os desafios persistem e têm por obstáculos os conceitos retrógrados
e, porque não dizer, cruéis de uma sociedade preconceituosa que ainda acredita
que a mulher pode ser merecedora desse tipo de tratamento.
Infelizmente, a cultura do “ela
provocou” está ainda muito arraigada, inclusive entre as próprias mulheres. É
importante que haja uma mudança efetiva nesse conceito, pois, nada justifica
qualquer tipo de violência; nenhuma mulher merece ser tratada de forma
desonrosa e todo ser humano tem direito à segurança e justiça.
Iniciativas de prevenção da violência
contra a mulher são aplicadas continuamente, mas muito há que se fazer para
produzir efeitos positivos em nossa sociedade. Essa transformação social
ocorrerá a partir da educação e, portanto, todo debate que inclua jovens é
oportuno e deve ser incentivado. Textos reflexivos devem ser amplamente
divulgados e campanhas contra esse crime devem ser constantes, principalmente,
no ambiente educacional. Essa é também uma forma de levar o tema à mídia e aos
lares para que os pais possam igualmente perceber que todo educador tem uma
parcela de responsabilidade nesse desvio de conduta capaz de provocar tantos
malefícios.
Educação, prevenção, reflexão são
dispositivos poderosos para que a transformação social alcance um ponto pelo
qual a violência contra a mulher seja tida, efetivamente, como inaceitável e
abominável. Então não mais será permitido que mulheres sejam agredidas e
humilhadas publicamente, simplesmente porque isso causará repúdio social. Esse
é o futuro pelo qual devemos nos movimentar; esse é o mundo em que queremos
viver.
Suely Buriasco - mediadora
de conflitos e coach.
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