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terça-feira, 29 de setembro de 2026

Após dez anos, SUS atualiza protocolo para hipoparatireoidismo e reforça importância do diagnóstico e acompanhamento

 

Novo documento amplia orientações para o cuidado de pacientes, com estratégias de prevenção de complicações, tratamento não medicamentoso e acompanhamento multiprofissional; Atualização teve participação do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, por meio do Proadi-SUS

 

O Ministério da Saúde publicou a atualização do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Hipoparatireoidismo, que estabelece as recomendações nacionais para diagnóstico, tratamento e acompanhamento da doença no Sistema Único de Saúde (SUS). A nova versão substitui o protocolo de 2016 e teve o apoio metodológico da Unidade de Avaliação de Tecnologias em Saúde (UATS) do Hospital Alemão Oswaldo Cruz em sua elaboração, em parceria com o Ministério da Saúde por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS). 

Entre os principais avanços está o reforço das estratégias de prevenção do hipoparatireoidismo pós-cirúrgico, além da inclusão de orientações não medicamentosas, como cuidados nutricionais, educação em saúde e medidas para favorecer a adesão ao tratamento. O documento também atualiza os critérios de diagnóstico, o monitoramento dos pacientes e o cuidado das complicações associadas à doença. 

Para Rosa Luchetta, Gerente de Pesquisa e Projetos do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, a atualização amplia a abordagem para além do tratamento medicamentoso. “Um dos principais avanços desta atualização é reforçar que o cuidado com o hipoparatireoidismo também passa pela prevenção, especialmente no contexto das cirurgias cervicais, que estão relacionadas à maior parte dos casos da doença. O protocolo traz orientações para a preservação das paratireoides durante os procedimentos, além de reforçar o monitoramento e a identificação precoce da hipocalcemia no pós-operatório. Também são fortalecidas as recomendações para o acompanhamento contínuo e multiprofissional dos pacientes, contribuindo para um cuidado mais completo e individualizado.” 

O hipoparatireoidismo é uma doença caracterizada pela ausência ou por níveis inadequadamente baixos do hormônio da paratireoide (PTH), que participa da regulação do cálcio e do fósforo no organismo. A redução do PTH pode causar hipocalcemia e hiperfosfatemia. Entre as manifestações estão formigamentos, dores musculares e cãibras. Em casos mais graves, podem ocorrer convulsões e alterações cardíacas. 

A atualização reforça os critérios para confirmação do diagnóstico, que considera a presença de hipocalcemia associada a níveis baixos ou inadequadamente baixos de PTH. A avaliação pode incluir exames de fósforo, magnésio, creatinina, vitamina D e cálcio urinário, e o tratamento medicamentoso deve ser iniciado após a confirmação diagnóstica. 

A prevenção ganha destaque porque a forma pós-cirúrgica responde por aproximadamente 75% dos casos descritos na literatura analisada pelo PCDT. Cirurgias extensas da tireoide e outros procedimentos cervicais estão entre os principais fatores de risco. Para reduzir a ocorrência da doença, o documento recomenda a preservação das glândulas paratireoides durante os procedimentos e, em casos de remoção inadvertida ou lesão irreversível, considera a possibilidade de autotransplante. No pós-operatório, recomenda-se o monitoramento dos níveis de cálcio, especialmente nas primeiras 24 a 48 horas, além de suplementação de cálcio e vitamina D e orientação sobre os sinais de hipocalcemia. 

O tratamento convencional recomendado inclui sais de cálcio e análogo de vitamina D, com ajustes de acordo com as características clínicas de cada paciente. Entre as medidas não medicamentosas estão a orientação para uma alimentação com menor teor de fósforo e a redução do consumo de alimentos processados que utilizam aditivos à base desse mineral. O novo PCDT também não recomenda mais o uso do alfacalcidol, medicamento excluído do SUS em 2024. 

O documento reforça ainda a importância do acompanhamento contínuo, da educação em saúde e da atuação multiprofissional, incluindo orientação sobre o uso dos medicamentos e identificação de problemas relacionados à adesão e à segurança do tratamento. A Atenção Primária à Saúde tem papel importante na detecção precoce, no acompanhamento e no encaminhamento para a atenção especializada quando necessário. 

O novo PCDT tem abrangência nacional e deve orientar estados, Distrito Federal e municípios na organização da rede assistencial, definição dos serviços de referência e estabelecimento dos fluxos de atendimento às pessoas com hipoparatireoidismo no SUS. A publicação revoga a Portaria SAS/MS nº 450, de 29 de abril de 2016, que estabelecia o protocolo anterior. 

O documento completo do PCDT pode ser acessado no portal da CONITEC (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde): Link

 

Hospital Alemão Oswaldo Cruz


Campanha da agência Cacau para Apsen destaca importância de informações qualificadas para conscientização sobre TDAH

- Ação tem como objetivo promover debate sobre impactos do transtorno e dos rótulos associados a ele para a população

- Embaixadora do projeto, apresentadora Sabrina Sato, diagnosticada com TDAH, traz experiências próprias para ajudar a combater preconceitos e estimular uma compreensão mais profunda sobre condição

 

Com o objetivo de contribuir para transformar a maneira que a sociedade enxerga o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), a agência Cacau desenvolveu uma nova fase da campanha “TDAH Levado à Sério” para a Apsen, farmacêutica nacional com mais de cinco décadas de história e atuação em soluções inovadoras na saúde, que conta com a chegada de Sabrina Sato como nova embaixadora para promover maior conscientização sobre os impactos do transtorno e dos rótulos que o acompanham para a população.

A proposta nasceu da percepção de que pessoas com TDAH convivem diariamente com diversos rótulos e julgamentos, muitas vezes mais visíveis do que a própria condição. Nesse sentido, ao invés de reforçar estereótipos e rotular sem um conhecimento aprofundado da causa, a nova fase da campanha, originalmente criada em 2023, tem como direcionamento mostrar a complexidade da condição, estimular o reconhecimento dos sinais, incentivar a busca por diagnóstico adequado e ampliar o acesso à informação de qualidade e tratamento quando necessário.

De acordo com a Vice-Presidente (VP) de Estratégia da Cacau, Camila Bessa, o desenvolvimento do projeto partiu de uma análise aprofundada do cenário atual do TDAH no Brasil, onde estima-se que cerca de 2 milhões de pessoas convivam com o transtorno, segundo a Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA).

“Identificamos que, embora o tema tenha ganhado muita visibilidade nas redes sociais, grande parte da conversa passou a ser conduzida por conteúdos superficiais, autodiagnósticos e interpretações equivocadas. A partir deste diagnóstico, construímos uma estratégia de comunicação capaz de reposicionar o tema, combatendo sua banalização e promovendo informação qualificada”, detalha.

Uma publicação no Journal of Social Media Research confirma essa realidade ao analisar a qualidade e a precisão das informações de mais de 5 mil postagens sobre saúde mental em plataformas como TikTok, YouTube, Instagram, Facebook e X. O estudo indica que até 56% desses conteúdos eram imprecisos ou sem fundamento.

A campanha foi estruturada para dialogar com diferentes públicos de modo complementar, abrangendo a população em geral, pessoas com TDAH e seus familiares e profissionais de saúde, reforçando junto a eles a importância de conteúdos baseados em evidências científicas e promovendo discussões qualificadas sobre o tema.

Esse compromisso também se reflete na atuação da Vice-Presidente Executiva da Apsen e uma das vozes da campanha, Renata Spallicci, que atua como elo entre o universo digital, a informação científica e a conscientização sobre o transtorno.

"Na Apsen, acreditamos que a informação tem um papel fundamental na transformação da jornada das pessoas. Quando falamos sobre TDAH, ainda existem muitos estigmas, desinformação e dificuldades que podem atrasar o reconhecimento dos sinais e a busca por orientação adequada. Por isso, nosso compromisso é contribuir para ampliar o acesso a conteúdos confiáveis e promover conversas mais qualificadas sobre o tema. Com o “TDAH Levado a Sério”, queremos estimular uma compreensão mais profunda da condição e ajudar a construir uma sociedade mais informada, acolhedora e consciente", afirma Renata.


Desafios e participação de Sabrina Sato

Para a VP de Estratégia da Cacau, os principais desafios enfrentados pela campanha foram abordar um tema popular de forma acessível para diferentes públicos, porém sem reforçar a superficialidade que já existe ao redor dele, e equilibrar criatividade, impacto e responsabilidade. “Como a área de Healthcare é um segmento altamente regulado, que exige rigor técnico, profundo conhecimento científico e compromisso com a ética, traçamos como meta a construção de uma campanha capaz de gerar engajamento utilizando a linguagem das redes sociais, com mensagens relevantes a todos que buscamos atingir, mas sem abrir mão da responsabilidade científica”, explica.

Contribuindo para este objetivo, o projeto conta com a participação de Sabrina Sato como nova embaixadora para reverberar ainda mais essa discussão. A apresentadora, diagnosticada com TDAH, traz suas experiências para a campanha para ajudar a combater preconceitos, descontruir estereótipos e estimular uma compreensão mais profunda sobre o transtorno. “A inclusão da Sabrina Sato amplia significativamente a capacidade da ação gerar conscientização e alcance nacional, além de ajudar a levar o debate para além dos ambientes tradicionalmente ligados à saúde”, salienta Camila.


Parceria entre Cacau e Apsen

A campanha “TDAH Levado à Sério”, construída por uma equipe de profissionais liderada por Camila Bessa, também destaca Renata Spallicci como o elo entre o universo digital e a ciência. A executiva da Cacau avalia que essa participação amplia a força do movimento em prol da educação sobre o transtorno.

“A Renata, enquanto representante do alto escalão da Apsen, tem um papel fundamental por atuar como ponte entre a ciência, a indústria farmacêutica e a sociedade. Sua participação na campanha reforça a credibilidade da iniciativa e contribui para que a conversa ocorra de forma qualificada, acessível e próxima das pessoas.

"Acreditamos que grandes transformações acontecem quando diferentes expertises se unem em torno de um propósito comum. A parceria com a Cacau foi fundamental para construir uma iniciativa capaz de ampliar o acesso à informação de qualidade e estimular uma compreensão mais profunda sobre o TDAH. Quando unimos conhecimento, escuta e propósito, conseguimos gerar conversas que têm o potencial de transformar a forma como a sociedade enxerga determinadas condições e, principalmente, as pessoas que convivem com elas", avalia Renata.

A VP de Estratégia da Cacau pontua, ainda, que projetos como esse são fundamentais para solidificar a posição da companhia no mercado de Healthcare no Brasil. “Esta campanha contribui para reforçar nossa expertise em ações complexas e de grande impacto no segmento de saúde e da Publicidade, pois integram estratégia, criatividade, conteúdo, mídia, tecnologia e experiência em uma única plataforma de comunicação com o conhecimento regulatório, de compliance e da área médica científica”, conclui.

 



Apsen - Uma empresa familiar, originada do sonho do Dr. Mario Spallicci e sua esposa Dona Irene Spallicci, que começou como um pequeno laboratório no bairro de Santo Amaro, Zona Sul de São Paulo, e hoje, sob gestão de Renato Spallicci e sua filha Renata Spallicci, configura entre as dez maiores indústrias farmacêuticas nacionais do País em prescrição. Assim nasceu a Apsen, companhia que há mais de 50 anos é inspirada pela saúde e trabalha com foco em inovação e produtos que possam proporcionar uma melhor qualidade de vida para as pessoas. Presente em 12 áreas terapêuticas (neurologia, psiquiatria, otorrinolaringologia, urologia, ginecologia, reumatologia, ortopedia, gastroenterologia, geriatria, endocrinologia, angiologia e suplementos alimentares), a APSEN vem ampliando seu portfólio de moléculas inovadoras em vários segmentos. Além disso, a companhia valoriza a responsabilidade social e acredita que o seu propósito de cuidar das pessoas abrange também iniciativas que contribuam para uma sociedade mais justa e igualitária.
Mais informações: https://www.apsen.com.br e www.tdahlevadoaserio.com.br



Doenças cardiovasculares: onde estão as lacunas entre prevenção, diagnóstico e acesso ao tratamento?

 No Mês do Coração, Colabore com o Futuro e o Grupo de Advocacy em Cardiovascular (GAC) alertam para disparidades nos desfechos de saúde pública e reforçam a importância de conectar a experiência dos pacientes à formulação de políticas no SUS

 

As doenças cardiovasculares permanecem como a principal causa de morte e o maior desafio de saúde pública do Brasil. Embora avanços na prevenção, no diagnóstico e no tratamento tenham ampliado as possibilidades de cuidado, ainda existem lacunas entre o que está previsto nas políticas de saúde e o que chega efetivamente ao paciente. É nesse contexto que a Colabore com o Futuro, por meio do Grupo de Advocacy em Cardiovascular (GAC), aproveita o Mês do Coração para colocar em discussão os desafios da jornada cardiovascular no SUS e o papel da participação social na construção de respostas mais efetivas.
 

O gargalo entre a inovação, o protocolo e o acesso real 

Por trás das estatísticas de mortalidade, estão histórias reais de vidas interrompidas, sonhos adiados e famílias impactadas por infartos e Acidentes Vasculares Cerebrais (AVCs). As diferenças no acesso à prevenção, ao diagnóstico precoce e ao tratamento adequado podem interferir diretamente na jornada dessas pessoas e nos desfechos em saúde. Por isso, além de ampliar o acesso à informação, o debate passa pela identificação das lacunas ainda existentes na rede pública e pela construção de políticas que considerem a realidade dos pacientes. 

Embora a cardiologia brasileira seja referência internacional em inovação e conhecimento técnico, essa excelência nem sempre se reflete no dia a dia de quem depende da rede pública. A jornada do paciente no SUS enfrenta gargalos estruturais históricos: mesmo com avanços como a incorporação da Estratificação do Risco Cardiovascular, uma conquista construída a partir da mobilização da Colabore com o Futuro com o GAC, permanecem desafios para garantir que a identificação de pacientes em maior risco seja acompanhada de prevenção, acompanhamento contínuo e acesso oportuno à linha de cuidado especializada. Essa espera prolongada entre o diagnóstico inicial e a linha de cuidado especializada custa vidas e deixa sequelas permanentes que afetam a rotina de trabalho, a saúde emocional e a subsistência familiar, eventos graves que poderiam ser prevenidos com acompanhamento contínuo e acesso oportuno.
 

Mobilização de milhões de brasileiros: da projeção no Congresso às salas de decisão 

Frente ao cenário alarmante do infarto e do AVC, a atuação de advocacy coordenada pelo Grupo de Advocacy em Cardiovascular (GAC), rede criada em 2017 e coordenada pela Colabore com o Futuro, organização de impacto social na área da saúde que atua com advocacy, mobilização social e articulação institucional, tem provocado mudanças concretas no SUS. A articulação integra o histórico da Colabore, cujas campanhas e ações de saúde pública já contribuíram para decisões com potencial de impactar mais de 22 milhões de brasileiros
 

Diagnóstico preventivo na atenção básica: Após intensa mobilização institucional do GAC, a Estratificação do Risco Cardiovascular foi oficialmente incorporada ao SUS, permitindo que as unidades básicas de saúde identifiquem previamente pacientes em alto risco e organizem o acompanhamento preventivo antes da ocorrência de eventos graves.
 

Alertas nacionais no Congresso: Para tirar o debate das salas fechadas e alertar a sociedade e os parlamentares, o movimento levou projeções visuais de conscientização para a fachada do Congresso Nacional em Brasília e promoveu a iluminação de monumentos públicos de vermelho durante o Mês do Coração.
 

Articulação por uma Política Nacional permanente: A articulação contínua no Legislativo impulsionou a apresentação do Projeto de Lei da Política Nacional de Prevenção e Controle das Doenças Cardiovasculares, além de motivar a criação da Câmara Técnica Assessora em Atenção Cardiovascular pelo Ministério da Saúde. 

“Garantir que uma diretriz ou tecnologia em saúde seja aprovada é apenas metade do caminho. O grande desafio das políticas públicas no Brasil é assegurar que o paciente encontre esse cuidado disponível na ponta, perto da sua casa e sem atrasos desnecessários. A participação social e a escuta ativa da experiência real das pessoas são indispensáveis para desenhar soluções que efetivamente funcionem no SUS.” afirma Carolina Cohen, fundadora da Colabore com o Futuro.
 

Campanha 'Fale de Coração 2026' engaja especialistas e pacientes 

Em setembro de 2026, a campanha Fale de Coração atinge a sua 7ª edição consecutiva como uma das principais forças de mobilização do Mês do Coração. Criada em 2020 pelo GAC, a iniciativa desmistifica a cardiologia através do compartilhamento de conteúdos simples, acessíveis e focados em prevenção, culminando no Dia Mundial do Coração, celebrado em 29 de setembro. 

Ao longo de sete anos de trajetória, a campanha consolidou um histórico de forte alcance e engajamento social: promoveu testes de avaliação de risco cardiovascular online para a população, veiculou mensagens de conscientização em formato gigante na fachada do Congresso Nacional em Brasília, e realizou a iluminação simbólica de monumentos públicos de vermelho no DF, Espírito Santo e Goiás. Na edição de 2026, a mobilização ganha escala digital com a publicação de pílulas em vídeo gravadas por médicos especialistas da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), representantes do Ministério da Saúde e outros, reforçando que a informação qualificada é a primeira e mais eficaz ferramenta de prevenção.
 

Acompanhe a campanha nas redes: Os vídeos com dicas de cardiologistas estão sendo publicados ao longo de todo o mês de setembro no perfil oficial do Instagram do GAC (@gac.brasil).
  

O que o relógio inteligente mostra e o que ele não vê no coração

No Setembro Vermelho, cardiologista da Rede Mater Dei explica como ler frequência cardíaca, zonas de treino e recuperação, e quais exames confirmam o que o aparelho apenas estima


Zona 2, VO₂ máximo, variabilidade da frequência cardíaca. Termos que antes ficavam restritos aos consultórios médicos hoje aparecem no pulso de quem caminha, pedala, nada ou treina na academia. No Brasil, setembro é o mês de conscientização sobre as doenças cardiovasculares, o Setembro Vermelho. A escolha do mês vem do Dia Mundial do Coração, celebrado em 29 de setembro. Para a data, que reforça a importância da prevenção de problemas cardíacos, a coordenadora do Serviço de Cardiologia da Rede Mater Dei, Dra. Patrícia Tavares, explica o que os números dos wearables (dispositivos eletrônicos vestíveis que integram tecnologia em itens do dia a dia, como relógios, pulseiras e anéis) mostram, onde costumam errar e quando o próprio corpo pede avaliação médica. 

O cuidado com o coração tem peso nas estatísticas. Segundo o Cardiômetro, ferramenta da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), as doenças cardiovasculares matam cerca de 350 mil brasileiros por ano e respondem por 30% dos óbitos no país. Para a SBC, grande parte dessas mortes poderia ser evitada com o controle dos fatores de risco, que a American Heart Association (AHA) - instituição sem fins lucrativos dedicada a combater doenças cardiovasculares - reúne em oito componentes, o Life's Essential 8: alimentação saudável, atividade física regular, não fumar, sono adequado e controle do peso, da pressão arterial, do colesterol e da glicemia.

Getty Images

É nesse conjunto de cuidados que os dispositivos inteligentes entram como ferramenta de acompanhamento. “Os wearables são aliados importantes da saúde, pois ajudam a acompanhar, fora do consultório, as tendências dos dados de atividade física, frequência cardíaca e sono. No entanto, a precisão varia conforme o aparelho, o algoritmo, o ajuste no pulso, o tipo de exercício e as características da pessoa. Esses números devem ser vistos como informações complementares, e não como diagnóstico”, orienta a Dra. Patrícia Tavares. 

O limite mais importante, segundo a cardiologista, é que o relógio não detecta infarto. Diante de sintomas, a orientação é procurar atendimento, independentemente do que a tela mostra.
 

Zona de treino não é igual para todo mundo 

Entre os dados mais acompanhados estão as zonas de treinamento, faixas de frequência cardíaca que indicam diferentes níveis de esforço durante a atividade física. Relógios e aplicativos costumam calculá-las a partir de uma estimativa da frequência cardíaca máxima, muitas vezes pela fórmula “220 menos a idade”. A conta parte de uma média da população, e duas pessoas da mesma idade podem ter frequências máximas bem diferentes. 

A resposta do coração ao exercício também muda com o condicionamento físico, o uso de medicamentos e as condições de saúde. Quem utiliza betabloqueadores, remédios comuns no tratamento da hipertensão e de arritmias, costuma ter a frequência cardíaca mais baixa durante o esforço, e a zona indicada pelo relógio pode não corresponder ao esforço real. Nesses casos, escalas que não dependem do batimento ajudam a controlar a intensidade, como a de percepção de esforço (escala de Borg), em que a pessoa dá uma nota ao próprio cansaço, e o teste da fala: se ainda consegue conversar em frases completas, o esforço está moderado. 

Por isso, segundo a cardiologista, os dados do relógio precisam ser interpretados de acordo com o objetivo e as características de cada pessoa. “Não é simplesmente dizer ‘treine na zona 2’ ou ‘treine na zona 4’. Precisamos saber qual é o objetivo daquela pessoa: saúde cardiovascular, emagrecimento, melhora metabólica, corrida de longa distância, ganho de performance ou longevidade”, afirma. 

A zona 2, uma das mais citadas, corresponde a um esforço moderado e contínuo. Pela fórmula do relógio, ela é uma faixa estimada. Para defini-la com precisão, a referência são os limiares ventilatórios medidos no teste cardiopulmonar de exercício. A zona 2 fica aproximadamente abaixo do primeiro limiar, o ponto em que a respiração começa a acelerar de forma desproporcional ao esforço.
 

O que o relógio estima e o exame mede 

A frequência cardíaca de recuperação, que merece atenção depois do treino, mostra quanto os batimentos caem no primeiro minuto após o fim do esforço. Em geral, uma queda rápida indica boa resposta do coração ao exercício, e uma recuperação lenta que se repete em treinos parecidos é um dado para levar à consulta. A frequência cardíaca de repouso, número de batimentos por minuto com o corpo parado, é outro dado que os relógios registram de forma contínua. 

A variabilidade da frequência cardíaca, usada por muitos relógios para sugerir se a pessoa está recuperada, mede as pequenas diferenças de tempo entre um batimento e outro. Ela reflete o equilíbrio entre as duas vias do sistema nervoso autônomo: a simpática, que acelera o coração, e a parassimpática, que o desacelera. Álcool, noites mal dormidas e infecções costumam reduzir esse valor. “O dado serve para observar tendências ao longo de semanas, e não para avaliar um dia isolado”, diz a cardiologista. 

Os wearables também apresentam estimativas de VO₂ máximo, a quantidade máxima de oxigênio que o corpo consegue utilizar durante o esforço máximo. Para a Dra. Patrícia Tavares, o dado deveria ser tratado como um sinal vital. “A aptidão cardiorrespiratória está entre os preditores mais fortes de mortalidade, e melhorá-la reduz o risco”, afirma. O número do smartwatch, calculado a partir da frequência cardíaca e dos dados do treino, é impreciso, mas a tendência ao longo do tempo merece acompanhamento. A medida direta vem do teste cardiopulmonar de exercício (ergoespirometria), em que a pessoa faz esforço na esteira com uma máscara que analisa o ar expirado. O exame também permite definir zonas de treino individualizadas. 

O gasto calórico segue a mesma lógica, com uma diferença: é a métrica menos precisa dos wearables. O relógio combina algoritmos com dados do usuário e da atividade, e o resultado não deve ser usado como medida exata para decidir quanto comer ou compensar depois do treino. Quando esse número importa, como em um acompanhamento para emagrecimento, cada situação tem seu exame. A calorimetria indireta de repouso mede a taxa metabólica basal, a energia que o corpo gasta parado para se manter funcionando. O gasto durante o esforço é medido no teste cardiopulmonar de exercício. 

Alguns dispositivos identificam irregularidades no ritmo e registram um traçado semelhante ao de um eletrocardiograma simples, recurso pensado principalmente para apontar sinais de fibrilação atrial, a arritmia sustentada mais comum. O traçado ajuda na análise de arritmias, mas tem derivação única: registra o coração por um só ângulo, enquanto o eletrocardiograma convencional usa 12. O relógio não detecta infarto nem isquemia, e um traçado normal não exclui a doença cardíaca. O risco é a pessoa se sentir segura com o resultado e chegar tarde demais ao pronto-socorro. 

“Se a pessoa sente palpitações, desmaia, apresenta falta de ar ou dor no peito durante o exercício, ela precisa ser avaliada independentemente do que o relógio está mostrando. O dispositivo pode levantar uma dúvida, mas não confirma a causa”, orienta a cardiologista. 

Na Rede Mater Dei, essa investigação pode incluir diferentes exames, indicados conforme o caso. O eletrocardiograma registra a atividade elétrica do coração em repouso. O Holter faz esse registro por 24 horas, durante a rotina, e ajuda a investigar palpitações e arritmias que não aparecem em uma consulta. O teste ergométrico avalia a resposta do coração ao esforço controlado na esteira, e o ecocardiograma mostra a estrutura e o funcionamento do coração. 

O MAPA acompanha a pressão arterial ao longo de 24 horas. Já o teste cardiopulmonar de exercício é um exame de esforço que analisa parâmetros respiratórios, como consumo de oxigênio, produção de gás carbônico, ventilação pulmonar e circulação e respiração em nível mitocondrial. É realizado em uma esteira rolante até que o paciente atinja a exaustão. 

Para quem treina, o serviço de Medicina do Esporte da Rede Mater Dei, no Espaço Saúde do Mater Dei Santo Agostinho, oferece um check-up esportivo que reúne avaliação de cardiologia do esporte, eletrocardiograma, teste cardiopulmonar de exercício e calorimetria indireta. 

De acordo com a Dra. Patrícia Tavares, a principal contribuição desses dispositivos é permitir que a pessoa acompanhe o próprio comportamento ao longo do tempo. Observar a frequência cardíaca em treinos parecidos, perceber mudanças no desempenho e registrar alterações que se repetem ajuda a levar informações mais organizadas para a consulta. “A questão não é perseguir um número perfeito. É construir bons hábitos de forma sustentável e controlar fatores de risco com avaliação profissional quando necessário”, resume



Rede Mater Dei de Saúde

Unidades

Minas Gerais: Hospital Mater Dei Santo Agostinho, Hospital Mater Dei Contorno, Hospital Mater Dei Betim-Contagem, 

Hospital Mater Dei Nova Lima, Hospital Mater Dei Santa Genoveva, CDI Imagem e Hospital Mater Dei Santa Clara.

Bahia: Hospital Mater Dei Salvador e Hospital Mater Dei Emec

Goiás: Hospital Mater Dei Goiânia


ANVISA APROVA NOVA OPÇÃO PARA ENXAQUECA QUE PODE SER USADA TANTO NA CRISE QUANTO NA PREVENÇÃO

 Neurologista Dr. Saulo Nader, o Doutor Tontura, explica como o rimegepanto atua na via do CGRP e por que a chegada dos gepantes amplia as possibilidades de tratamento para quem convive com crises incapacitantes

 

Dor que começa de um lado da cabeça, sensibilidade intensa à luz, náusea, necessidade de interromper o trabalho e se trancar em um quarto escuro. Para quem sofre com enxaqueca, uma crise pode significar horas - e algumas vezes dias - longe da rotina, da família e das atividades profissionais.

Uma nova opção acaba de ampliar o arsenal disponível no Brasil.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o Nurtec ODT, cujo princípio ativo é o rimegepanto, medicamento indicado para adultos tanto no tratamento agudo da enxaqueca, com ou sem aura, quanto na prevenção da enxaqueca episódica em pacientes com pelo menos quatro crises mensais.

Para o Dr. Saulo Nader, médico neurologista conhecido como Doutor Tontura, a aprovação representa mais uma etapa importante na evolução do tratamento de uma doença que pode comprometer profundamente a qualidade de vida.

“A enxaqueca é, sem dúvida, uma das doenças que mais incapacitam os pacientes. Eu vejo pessoas brilhantes vivendo com medo constante e paralisante da próxima crise, perdendo produtividade e momentos preciosos com a família”, afirma o neurologista.


POR QUE FOI PRECISO BUSCAR NOVOS TRATAMENTOS?

Durante décadas, explica Dr. Saulo Nader, o tratamento das crises ficou concentrado principalmente no uso de analgésicos e, posteriormente, em medicamentos específicos como os triptanos.

O problema do uso frequente de analgésicos é que ele próprio pode contribuir para outro quadro: a chamada cefaleia por uso excessivo de medicamentos.

“Quando a pessoa usa analgésicos com muita frequência, pode entrar em um ciclo em que o próprio uso repetido da medicação passa a contribuir para novas dores de cabeça. É um ciclo muito difícil para o paciente”, explica o médico.

Os triptanos representaram um avanço importante no tratamento da enxaqueca, mas possuem limitações e contraindicações para determinados pacientes, especialmente em algumas condições cardiovasculares.

“Era necessário desenvolver medicamentos cada vez mais direcionados à própria biologia da enxaqueca, atuando de maneira específica nas vias relacionadas à crise”, ressalta Dr. Saulo Nader.


CGRP: UMA DAS CHAVES PARA ENTENDER A ENXAQUECA

É justamente nesse ponto que entra o CGRP - peptídeo relacionado ao gene da calcitonina.

Essa molécula participa de mecanismos envolvidos na transmissão da dor e na fisiopatologia da enxaqueca.

Segundo o neurologista, compreender o papel do CGRP permitiu desenvolver medicamentos voltados especificamente para essa via.

“O que a ciência passou a entender melhor é que, durante a crise, existe participação importante do CGRP na cascata relacionada à dor da enxaqueca. A partir daí, foi possível criar tratamentos capazes de bloquear essa via de maneira muito mais específica”, explica o médico.

O rimegepanto pertence ao grupo dos gepantes, medicamentos que atuam como antagonistas do receptor de CGRP.

“O medicamento funciona como uma espécie de escudo nesses receptores. Ele impede que o CGRP exerça sua ação naquela via e, dessa maneira, interfere em uma etapa importante do mecanismo da crise”, compara Dr. Saulo Nader.

Para o neurologista, essa especificidade representa uma das principais diferenças em relação a tratamentos mais antigos.

“Em vez de utilizar apenas um analgésico genérico para tentar controlar a dor, passamos a ter uma medicação desenhada para atuar em um mecanismo relacionado diretamente à enxaqueca.”


UM MESMO MEDICAMENTO PARA A CRISE E PARA A PREVENÇÃO

Uma das características destacadas pelo médico é justamente a dupla indicação.

O rimegepanto pode ser utilizado para o tratamento agudo de uma crise já iniciada e também, quando indicado pelo neurologista, para a prevenção da enxaqueca episódica.

A própria Anvisa aprovou as duas indicações para adultos; no uso preventivo, a indicação registrada contempla pacientes com pelo menos quatro crises mensais.

“Isso traz uma versatilidade importante. Estamos falando de uma mesma molécula que pode participar tanto do manejo da crise quanto de uma estratégia preventiva, dependendo do perfil e da indicação de cada paciente”, ressalta Dr. Saulo Nader.


COMPRIMIDO QUE SE DISSOLVE NA BOCA

Outro diferencial é a apresentação orodispersível.

O comprimido é colocado sobre a língua e se dissolve na boca, sem necessidade de água.

Para quem sofre com enxaqueca, essa característica pode fazer diferença porque náuseas e vômitos são sintomas frequentes durante as crises.

“Imagine o paciente que está em uma crise intensa, com muita náusea ou até vomitando. Ter uma formulação que se dissolve na boca, sem precisar tomar o comprimido acompanhado de água, pode facilitar muito a administração naquele momento”, explica o médico.


UMA ALTERNATIVA QUE NÃO AGE POR VASOCONSTRIÇÃO

Dr. Saulo Nader também chama atenção para outra característica dos gepantes: eles não tratam a enxaqueca por meio do mesmo mecanismo vasoconstritor associado aos triptanos.

“Esse é um ponto muito relevante dessa nova classe. O mecanismo está ligado ao bloqueio da via do CGRP, e não à vasoconstrição generalizada”, ressalta o neurologista.

Isso não significa, entretanto, que o medicamento possa ser utilizado indiscriminadamente.

“É uma medicação que precisa de indicação médica. Cada paciente tem histórico clínico, outras doenças, outros medicamentos em uso e uma frequência diferente de crises. A escolha precisa ser individualizada”, reforça Dr. Saulo Nader.


O TRATAMENTO DA ENXAQUECA NÃO SE RESUME A UM ÚNICO REMÉDIO

Apesar do entusiasmo com novas opções terapêuticas, o neurologista ressalta que não existe um tratamento único que sirva para todas as pessoas.

Hoje, diferentes estratégias podem fazer parte do manejo da enxaqueca, incluindo medicamentos para as crises, tratamentos preventivos, toxina botulínica em situações específicas, anticorpos monoclonais direcionados à via do CGRP e outras abordagens indicadas conforme o perfil do paciente.

“Não existe uma receita única. Nós temos um grupo cada vez maior de tratamentos e o papel do neurologista é entender a frequência das crises, o impacto na vida do paciente, as doenças associadas e aquilo que já foi tentado para definir a melhor estratégia”, explica o médico.


NÃO É PRECISO SE CONFORMAR COM CRISES INCAPACITANTES

Para Dr. Saulo Nader, um dos principais recados da aprovação é lembrar ao paciente que o tratamento da enxaqueca evoluiu.

“A pessoa não precisa simplesmente aceitar que vai perder vários dias do mês por causa da dor ou continuar insistindo em um tratamento que deixou de funcionar. Vale conversar abertamente com o neurologista sobre a frequência das crises e sobre o impacto real que elas causam no trabalho, na família e na qualidade de vida”, reforça.

A atualização do tratamento, entretanto, deve sempre acontecer em consulta médica.

“A medicina está ganhando novas ferramentas. O mais importante é utilizá-las com indicação correta, entendendo quem realmente pode se beneficiar de cada uma delas”, conclui Dr. Saulo Nader. 



Fonte: Dr. Saulo Nader - médico neurologista conhecido como Doutor Tontura @doutortontura, com atuação em tontura, vertigem, desequilíbrios e neurologia. Site: https://www.neurologiaepsiquiatria.com.br/


Saúde do genitor antes da concepção afeta desenvolvimento do bebê, aponta estudo liderado pela FMUSP

 

A epigenética é uma área da ciência que estuda como fatores externos e internos podem ativar ou silenciar genes, sem alterar a sequência do DNA (Figura: “Assessing the epigenetic consequences of ART in male infertility: what risks to embryo and offspring health?”)


Estilo de vida masculino e uso direto da fertilização sem tratamento prévio do homem podem alterar marcas moleculares do espermatozoide

 

Uma ampla revisão científica liderada pelo Prof. Dr. Jorge Hallak, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), e publicada no periódico internacional Epigenomics revela que a epigenética – o conjunto de "chaves de liga e desliga" dos genes – desempenha um papel determinante na fertilidade masculina e na saúde dos filhos. 

Os mecanismos epigenéticos funcionam como instruções químicas sobre como o corpo deve ler o DNA. Fatores como obesidade, estresse crônico, consumo de álcool, cigarro, drogas de abuso, exposição a poluição/toxinas e idade paterna avançada alteram a estrutura química do espermatozoide. 

Essas alterações não alteram a sequência do DNA em si, mas mudam a forma como os genes do futuro embrião serão expressos e sua função, alterada. Como resultado, espermatozoides de homens expostos a esses fatores podem transmitir alterações que aumentam o risco de a criança desenvolver obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares, transtornos neuropsiquiátricos, câncer e problemas de fertilidade no futuro.

 

O "atalho" da reprodução assistida 

Segundo os autores, quando o casal recorre diretamente à fertilização assistida sem antes investigar e tratar as causas da infertilidade masculina, há o risco de utilizar espermatozoides com alterações epigenéticas profundas ou com DNA danificado. 

Além disso, etapas de laboratório como o cultivo do embrião, a alteração nos níveis de oxigênio e o congelamento de gametas ocorrem em janelas de alta sensibilidade biológica, podendo interferir no desenvolvimento da placenta e do embrião. 

"A reprodução assistida é uma conquista fantástica, mas não deve ser usada como um atalho que ignora a saúde do homem. Tratar a causa da infertilidade masculina, ajustar o estilo de vida e reduzir o estresse oxidativo antes de tentar a gravidez melhora a taxa de sucesso e protege a saúde da criança a longo prazo", afirma o Prof. Dr. Jorge Hallak.

 

Avaliar e tratar antes de intervir 

Os pesquisadores defendem uma mudança de postura na medicina reprodutiva, como investigar a saúde do homem antes de submeter a mulher a tratamentos hormonais e procedimentos invasivos, e a adoção de dieta equilibrada, perda de peso, redução do estresse e interrupção do uso de tabaco e álcool ajudam a "reprogramar" positivamente os espermatozoides. 

De acordo com o estudo, condições como a varicocele (varizes nos testículos), infecções e desequilíbrios hormonais podem e devem ser tratadas para melhorar a qualidade do esperma. "É necessário identificar e tratar a causa da infertilidade e também melhorar a qualidade espermática antes de se prosseguir com técnicas invasivas de reprodução assistida", destaca o professor. 

A pesquisa conclui que a resposta definitiva sobre todas as consequências da reprodução assistida só virá quando as crianças nascidas por essas técnicas atingirem a velhice. Até lá, tratar preventivamente a saúde do genitor é a forma mais responsável de garantir o bem-estar das próximas gerações. 

O artigo está disponível no periódico internacional Epigenomics (DOI: 10.1080/17501911.2026.2633977).*

  

Fonte: Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo - FMUSP


Primavera exige atenção redobrada aos sintomas de alergia nas crianças

Pediatra explica como identificar os principais sinais, reduzir a exposição aos gatilhos e quando é hora de procurar avaliação médica 

 

Com a chegada da primavera, algumas crianças podem apresentar piora nos sintomas de alergias respiratórias, especialmente aquelas que já têm predisposição. O pólen é um dos gatilhos da rinite alérgica e tende a se dispersar com mais facilidade em dias secos e com vento. Entre os sintomas mais comuns estão espirros repetidos, coriza, nariz entupido e coceira no nariz e nos olhos.


Segundo a pediatra Dra. Mariana Bolonhezi, observar a frequência e a combinação dos sintomas ajuda a diferenciar uma crise alérgica de um resfriado. "Quando a criança apresenta espirros em sequência, coriza transparente, coceira no nariz ou nos olhos e obstrução nasal, principalmente de forma recorrente e sem febre, é importante considerar a possibilidade de um quadro alérgico. A avaliação do pediatra ajuda a identificar a causa e definir a melhor conduta", explica.


Embora a primavera favoreça os sintomas relacionados ao pólen, ele não é o único desencadeante. Poeira, ácaros, mofo, pelos de animais, poluição e fumaça também podem provocar ou agravar a rinite. Por isso, crianças alérgicas podem ter sintomas ao longo de todo o ano, dependendo dos fatores aos quais estão expostas.



Pequenas mudanças na rotina podem ajudar


O controle do ambiente é uma das principais estratégias para reduzir a exposição aos desencadeantes da rinite. Algumas medidas ajudam: manter a casa limpa e arejada, evitar o acúmulo de poeira e reduzir, no quarto, objetos que acumulam pó, como tapetes, cortinas pesadas e bichos de pelúcia. A limpeza deve ser feita preferencialmente com pano úmido, para não levantar poeira. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) também recomenda atenção à limpeza dos filtros de aparelhos de ar-condicionado.


Nos períodos de tempo seco e vento forte, a orientação é redobrar a atenção. "Se os pais já perceberam que a criança costuma apresentar sintomas em determinadas épocas ou depois de determinadas exposições, vale conversar com o pediatra para tentar identificar os gatilhos. Em períodos de muito vento, por exemplo, manter as janelas fechadas pode diminuir a entrada de pólen em casa", orienta a pediatra.


A lavagem nasal com solução salina, sob orientação médica, também pode fazer parte dos cuidados.



E quando a alergia aparece nos olhos?


A primavera também pode trazer desconforto ocular para crianças sensibilizadas. Coceira, vermelhidão, lacrimejamento e sensação de irritação podem acompanhar a rinite e estar relacionados à conjuntivite alérgica.


"Nesses casos, é importante evitar que a criança fique esfregando os olhos, porque isso pode aumentar a irritação. Se os sintomas forem frequentes ou intensos, a avaliação médica é importante para identificar a causa e indicar o tratamento adequado", explica Dra. Mariana.



Tratamento deve ser individualizado


O tratamento da rinite alérgica pode envolver controle ambiental, higiene nasal e medicamentos, conforme avaliação médica. A automedicação não é recomendada, especialmente em crianças, já que a conduta depende da idade, dos sintomas, dos possíveis desencadeantes e da intensidade do quadro.


"Não devemos normalizar uma criança que passa boa parte do tempo com o nariz entupido, respirando pela boca, espirrando ou dormindo mal por causa dos sintomas. A rinite pode interferir no sono, na qualidade de vida e até no rendimento escolar. Quando os episódios são recorrentes, vale investigar", afirma a pediatra.



Quando procurar o pediatra?


Sintomas persistentes ou recorrentes merecem avaliação, como obstrução nasal, coriza, crises de espirros, coceira no nariz e nos olhos, tosse, respiração pela boca e alterações no sono. A consulta serve não apenas para confirmar se existe alergia, mas também para identificar os gatilhos e definir uma estratégia de controle adequada para cada criança.



Dia Internacional da Pessoa Idosa: 7 caminhos para cuidar da saúde do cérebro ao longo da vida

 

Especialistas destacam que prevenção do declínio cognitivo começa antes da velhice e envolve hábitos, saúde física, relações sociais e estímulos ao longo das diferentes fases da vida

 

O Brasil já soma 36,6 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, segundo dados do Ministério da Saúde divulgados em setembro de 2026. O número deve chegar a 61,5 milhões nas próximas duas décadas, trazendo para o centro do debate não apenas o aumento da longevidade, mas também as condições em que as pessoas estão envelhecendo. No Dia Internacional da Pessoa Idosa, celebrado em 1º de outubro, o tema sobre longevidade ganha ainda mais relevância. Especialistas chamam a atenção para um ponto que muitas vezes fica em segundo plano: os cuidados com a saúde cognitiva não começam na velhice. Eles são construídos ao longo de toda a vida e envolvem fatores como atividade física, alimentação, sono, controle de doenças crônicas, estímulo intelectual, vínculos sociais e acompanhamento médico. 

A relação entre longevidade e saúde cognitiva foi um dos temas discutidos no 8º Despertando a Sociedade para a Saúde do Cérebro 2026, realizado pelo Supera, rede de estimulação cognitiva, em parceria com a ABG (Associação Brasileira de Gerontologia). Confira os 7 caminhos para envelhecer com mais saúde e preservar o cérebro.
 

1 – Níveis de impacto – O evento trouxe uma diferenciação importante entre Comprometimento Cognitivo Leve (CCL) e Demência. No primeiro, existe uma queda cognitiva além do esperado (esquecimentos recorrentes), mas as pessoas conseguem manter suas atividades do dia a dia. No segundo, o declínio passa a interferir na independência e ações cotidianas (como organizar os próprios remédios e dirigir), conforme explica o Dr. Marcelo Houat, Neurologista especializado em Neurologia Cognitiva e do Comportamento; médico do GNCC e do CEREDIC do HCFMUSP. O médico ressaltou ainda que o Alzheimer é a principal causa de demência, mas não a única. 
 

2 – Diagnóstico – Apesar do declínio cognitivo e o Alzheimer serem mais comuns com o avanço da idade, a realização de um diagnóstico é fundamental para um melhor tratamento. Segundo o Dr. Hoaut, esse diagnóstico é multifatorial e abrange quatro aspectos principais: entender a história do paciente (com o apoio da família e cuidador), avaliação cognitiva e de funcionalidades (testes e impactos no dia a dia), procura de causas tratáveis e agravantes (com exames de sangue e análise clínica) e investigar a estrutura do cérebro (com ressonância ou tomografia). O médico aponta ainda marcadores específicos para Alzheimer, mas com análise sempre em conjunto com outros indicadores.  
 

3 – Cuidados e Fases da vida – Um cérebro se protege (ou se desgasta) a vida inteira, conforme ressaltou a Dra. Sumika Mori Lin, Médica geriatra; coordenadora do Ambulatório de Fragilidade do HCFMUSP e da equipe de Geriatria do Hospital Santa Cruz. Na Infância/juventude, o fundamental é uma educação para a construção de reserva cognitiva (recursos neurais acumulados pelo cérebro). Já a meia-idade é a fase mais decisiva que demanda atenção a aspectos como audição, colesterol, pressão alta, diabetes, obesidade, tabagismo, excesso de álcool, depressão, sedentarismo e traumatismo na cabeça. Na longevidade, os principais desafios são o isolamento social, poluição do ar e descuido com a visão. “Nunca é cedo, nem tarde demais. Cada fase da vida tem o seu ganho: construir reserva quando jovem, proteger os vasos na meia-idade, manter corpo, sentidos e vínculos na velhice”, resumiu a Dr. Sumika.  
 

4 – Medicina do Estilo de Vida – “Sabe quem é dono de sua saúde? Não é o médico, não é o hospital, não é o laboratório. É você mesmo. As decisões que você toma perante si são responsáveis por quase metade dos casos de Alzheimer”, disse a Dra. Sumika para introduzir o conceito de Medicina do Estilo de Vida que, basicamente, consiste no uso de hábitos cotidianos para prevenir e tratar doenças. No campo da prevenção ao declínio cognitivo e Alzheimer, a especialista elencou seis aspectos fundamentais que podemos atuar (outros como a hereditariedade não podemos influir): Alimentação, Atividade Física, Qualidade do Sono, Manejo do Estresse, Vínculos Sociais e Evitar Substâncias de Risco (como álcool e cigarro).  
 

5 – O que perdemos e o que ganhamos com o envelhecimento – O passar dos anos traz impactos cognitivos, a exemplo da diminuição da velocidade do raciocínio com mudanças sutis já a partir da década dos 30 anos (Salthouse, 2019), conforme alerta a Dra. Sharon Simon, psicóloga e neurocientista, professora assistente de Psiquiatria na Universidade Rutgers, com pós-doutorado na Universidade Columbia. Outros reflexos desse declínio são aumento da distração, divisão da atenção e menor memória operacional (capacidade de manipular informações mentalmente). Ao contrário da percepção comum, a neurocientista ressalta também que o envelhecimento traz ganhos, com destaque para o ganho de vocabulário e linguagem, “sabedoria social” (leitura emocional), tomada de decisão (conectar perspectivas, junto a análise de ganhos e perdas) e a manutenção de alguns tipos de memória (semântica, episódica). “Mas queixas de memória não significam doenças de memória de fato. Elas podem estar associadas a atenção, estresse, depressão ansiedade, sono etc. Em caso de dúvida, buscar avaliação é fundamental”, diz a Dra. Sharon.  
 

6 – O desafio da multitarefa – O evento abordou ainda uma das principais “dores” do mundo digitalizado: a realização de “várias atividades ao mesmo tempo”, o conhecido multitask. A Dra. Sharon explica que o cérebro não processa duas atividades cognitivas complexas simultaneamente (como acompanhar duas reuniões), o que acaba provocando distração, erros e perda de velocidade, mas que é possível um processo de alternância rápida entre tarefas. A especialista compartilhou algumas dicas de como lidar melhor com este processo, a exemplo de evitar ao máximo estar no modo crônico multitarefa (que gera desgastes e equívocos), refletir sobre o foco de sua atenção (metacognição), priorizar (com planejamento e escolha), o uso de calendários e lembretes, aplicar a tecnologia a seu favor, a tão falada capacidade de se desconectar (e dizer não a distração), dentre outros.  
 

7 – O exemplo do Centro Dia – O Brasil dispõe de uma política nacional de atenção a demência e Alzheimer e um dos destaques é o Centro Dia Synval Santos, de Volta Redonda (RS). O centro, que já foi premiado e é referência no País, funciona em um prédio de dois andares, com moderna construção inaugurada em 2014. Os usuários frequentam em média três vezes por semana e tem transporte gratuito de ida e volta. O trabalho de atendimento é coletivo, contando com uma equipe multidisciplinar qualificada, formada por técnicos e cuidadores que a todo tempo acompanham os idosos, incluindo o oferecimento de cinco refeições por dia. Para estimular a capacidade, eles participam de diversas atividades coletivas e individuais (arte, dança, artesanato, estudos etc.). A família também recebe orientação. Com isso, os idosos recebem atenção e estímulo, mas mantém os vínculos familiares, com ótimos resultados.  

 

Para Luiz Moraes, diretor institucional do Supera e um dos curadores do evento, “Hoje a ciência já consegue diagnosticar precocemente a demência e a doença de Alzheimer. Logo, é importante ressaltar: enquanto não houver cura, a prevenção não é uma das opções, é a única. Essa é a proposta do Supera, levar informação para que nós possamos trabalhar o aspecto da prevenção”.  

Como parte das discussões em torno do Dia Internacional da Pessoa Idosa, o Supera promove, às 19h, a conversa online sobre “Longevidade no Brasil: o envelhecer de cada um”. O encontro reunirá três perspectivas diferentes com a proposta de debater como fatores sociais, profissionais, familiares e individuais influenciam as diferentes formas de envelhecer e quais desafios surgem para uma sociedade que terá uma população cada vez mais longeva. Assista no canal do Supera no YouTube.

 

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