Você consegue lembrar o que fez ontem sem consultar o celular? E o nome daquela pessoa que acabou de conhecer? Em uma rotina marcada por notificações, excesso de informações e tarefas simultâneas, lapsos de memória podem ser comuns. Mas, segundo especialistas, nem todo esquecimento está relacionado ao envelhecimento: muitas vezes, atenção e memória estão diretamente conectadas à maneira como lidamos com as informações.
“A atenção é a porta de entrada para a aprendizagem e para a memória. Quando não prestamos atenção, diminuímos nossa capacidade de compreender, registrar e recuperar informações. Por isso, manter o foco não depende de uma única técnica, mas de um conjunto de hábitos que favorecem o bom funcionamento do cérebro.”, explica Patrícia Lessa, diretora pedagógica do Supera.
A boa
notícia é que o cérebro continua aprendendo ao longo da vida. Isso significa
que atividades que envolvem novidade, concentração, associação de informações e
resolução de problemas podem fazer parte de uma rotina de estímulo cognitivo.
"Manter o cérebro ativo e socialmente engajado é como fazer uma ginástica para a mente: fortalece a reserva cognitiva, que nos ajuda a lidar melhor com os desafios do envelhecimento", afirma a gerontóloga e pesquisadora da USP Thaís Bento Lima.
5
maneiras de tirar o cérebro do piloto automático
1. Aprenda algo que você ainda não sabe
Aprender
uma habilidade nova exige que o cérebro processe informações, estabeleça
conexões e se adapte. Pode ser aprender palavras em outro idioma, cozinhar uma
receita diferente, tocar um instrumento ou experimentar uma atividade que fuja
da rotina.
2. Faça uma coisa de cada vez
A atenção
é uma das portas de entrada da memória. Quando uma pessoa realiza várias
tarefas simultaneamente, aumenta a possibilidade de não registrar adequadamente
as informações. Em vez de tentar fazer tudo ao mesmo tempo, dedicar alguns
minutos exclusivamente a uma atividade pode ajudar a melhorar a qualidade da
atenção.
3. Crie associações
Para
memorizar uma informação, uma estratégia simples é relacioná-la a algo que já
faz parte do repertório. Ao conhecer alguém, por exemplo, é possível associar o
nome da pessoa a uma característica, profissão ou situação em que vocês se
encontraram.
4. Varie os desafios
Repetir
sempre as mesmas atividades mantém o cérebro em uma zona conhecida. Jogos,
quebra-cabeças, leitura, palavras cruzadas, cálculos, atividades manuais e
outras tarefas que exijam raciocínio podem ser alternados para estimular
diferentes habilidades.
5. Tente lembrar antes de consultar
Diante de
uma informação esquecida, em vez de recorrer imediatamente ao celular ou à
internet, vale tentar recuperá-la mentalmente. Relembrar nomes, fatos, caminhos
ou informações lidas anteriormente é uma maneira de exercitar a recuperação de
memórias.
O cérebro também precisa sair da rotina
A ideia
de manter o cérebro ativo não significa transformar cada atividade cotidiana em
um exercício. O princípio é incorporar, de maneira possível e prazerosa, situações
que envolvam aprendizagem, atenção, interação social e resolução de problemas.
Assim como o corpo é estimulado por diferentes tipos de movimento, o cérebro também pode se beneficiar de uma rotina que combine diferentes experiências e desafios.
O envelhecimento faz parte desse processo, mas
não significa deixar de aprender. Manter a curiosidade, experimentar coisas
novas e continuar usando diferentes habilidades cognitivas são comportamentos
que podem acompanhar a pessoa em todas as fases da vida.
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