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segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Futebol americano e saúde cerebral: os riscos por trás das colisões

  Pancadas com alta intensidade podem provocar concussões e outras lesões cerebrais; neurocirurgião indica sinais de alerta, riscos dos impactos repetitivos e por que o capacete não elimina o perigo

 

No próximo dia 27/09, acontece o primeiro jogo da NFL no Maracanã, entre Dallas Cowboys e Baltimore Ravens. As fortes colisões fazem parte da identidade do futebol americano, mas, por trás da velocidade e intensidade da modalidade, existe uma preocupação que vai além do resultado: a saúde cerebral dos atletas. Pancadas na cabeça podem provocar desde concussões, muitas vezes sem perda de consciência, até lesões mais graves, como contusões cerebrais e sangramentos dentro do crânio. 

“A lesão cerebral mais comum no futebol americano é a concussão, uma alteração temporária do funcionamento do cérebro provocada por um impacto ou por um movimento brusco de desaceleração e rotação da cabeça. É importante destacar que ela pode acontecer mesmo quando o jogador não perde a consciência”, explica o Dr. Pedro Góes, neurocirurgião da Casa de Saúde São José. 

Os sinais nem sempre são evidentes. Dor de cabeça, tontura, desequilíbrio, náusea, alterações na visão, confusão, dificuldade de concentração ou memória e mudanças no comportamento podem indicar uma concussão. Em alguns casos, o atleta percebe apenas certa lentidão ou que “alguma coisa não está normal”, reforçando a importância da observação por companheiros, treinadores e equipe médica. 

Impactos de maior intensidade também podem causar contusões cerebrais, sangramentos e, mais raramente, lesões das fibras nervosas. Os lobos frontal e temporal estão entre as regiões mais vulneráveis, embora movimentos de rotação possam transmitir forças para diferentes áreas do cérebro. “Em uma colisão de alta intensidade, não existe apenas a força do golpe. A aceleração, desaceleração e principalmente a rotação da cabeça também podem fazer com que o cérebro se movimente dentro do crânio. Por isso, diferentes regiões podem ser afetadas, e os lobos frontal e temporal estão entre as áreas que merecem atenção”, detalha o neurocirurgião. 

A preocupação aumenta quando os choques se repetem ao longo dos anos. Diferentemente da concussão, os chamados impactos subconcussivos podem não provocar sintomas, mas um atleta pode ser submetido a centenas ou milhares deles durante a carreira. A exposição repetitiva a traumatismos cranianos está associada à encefalopatia traumática crônica (ETC), doença neurodegenerativa que pode estar relacionada a alterações de memória, comportamento e outras funções neurológicas. Isso não significa que todo jogador exposto desenvolverá a doença, já que ainda existem fatores em estudo. Após uma colisão, sintomas como perda de consciência, confusão intensa, convulsões, vômitos repetidos, fraqueza, alterações da fala ou dor de cabeça muito intensa e progressiva indicam a exigência de atendimento médico imediato. Mesmo sem esses sinais, uma suspeita de concussão já é motivo para retirar o jogador da partida e realizar avaliação médica. O atleta também não deve retornar ao jogo naquele mesmo dia, pois um novo impacto antes da recuperação pode prolongar ou agravar o quadro. 

A prevenção vai além dos equipamentos de proteção. Afinal, o capacete reduz o risco de diversas lesões, mas não elimina completamente o movimento do cérebro dentro do crânio durante uma colisão. “O capacete oferece proteção contra diversos tipos de trauma, mas não consegue impedir completamente que o cérebro sofra com os movimentos provocados por uma colisão. Por isso, técnica, prevenção, regras de segurança e avaliação médica são tão importantes quanto o equipamento”, ressalta o especialista da Casa de Saúde São José. 

Logo, a principal medida de prevenção consiste em evitar que a cabeça seja utilizada como primeiro ponto de contato durante o tackle, movimento usado para derrubar ou interromper o avanço do adversário com a bola. No futebol americano, eliminar completamente os impactos não é uma tarefa simples, mas é possível trabalhar para reduzir os riscos e reconhecer rapidamente quando uma pancada pode ter provocado uma lesão cerebral. 

“O objetivo não é tirar a intensidade do futebol americano, mas permitir mais segurança para o esporte. Isso passa por reconhecer rapidamente uma possível concussão, afastar o atleta quando houver suspeita de lesão, respeitar o período de recuperação e trabalhar continuamente na prevenção dos impactos mais perigosos”, conclui Dr. Pedro Góes. 

Além disso, a NFL mantém protocolos rigorosos para identificação e manejo das concussões. Atletas com sinais suspeitos são retirados para avaliação médica, que conta também com especialistas independentes. Em caso de concussão, o retorno ocorre de forma gradual e somente após liberação médica.


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