No próximo dia 27/09, acontece o primeiro jogo da NFL no Maracanã,
entre Dallas Cowboys e Baltimore Ravens. As fortes colisões fazem parte da
identidade do futebol americano, mas, por trás da velocidade e intensidade da
modalidade, existe uma preocupação que vai além do resultado: a saúde cerebral
dos atletas. Pancadas na cabeça podem provocar desde concussões, muitas vezes
sem perda de consciência, até lesões mais graves, como contusões cerebrais e
sangramentos dentro do crânio.
“A lesão cerebral mais comum no futebol americano é a concussão,
uma alteração temporária do funcionamento do cérebro provocada por um impacto
ou por um movimento brusco de desaceleração e rotação da cabeça. É importante
destacar que ela pode acontecer mesmo quando o jogador não perde a
consciência”, explica o Dr. Pedro Góes, neurocirurgião da Casa de Saúde São
José.
Os sinais nem sempre são evidentes. Dor de cabeça, tontura,
desequilíbrio, náusea, alterações na visão, confusão, dificuldade de
concentração ou memória e mudanças no comportamento podem indicar uma
concussão. Em alguns casos, o atleta percebe apenas certa lentidão ou que
“alguma coisa não está normal”, reforçando a importância da observação por
companheiros, treinadores e equipe médica.
Impactos de maior intensidade também podem causar contusões
cerebrais, sangramentos e, mais raramente, lesões das fibras nervosas. Os lobos
frontal e temporal estão entre as regiões mais vulneráveis, embora movimentos
de rotação possam transmitir forças para diferentes áreas do cérebro. “Em uma
colisão de alta intensidade, não existe apenas a força do golpe. A aceleração,
desaceleração e principalmente a rotação da cabeça também podem fazer com que o
cérebro se movimente dentro do crânio. Por isso, diferentes regiões podem ser
afetadas, e os lobos frontal e temporal estão entre as áreas que merecem
atenção”, detalha o neurocirurgião.
A preocupação aumenta quando os choques se repetem ao longo dos
anos. Diferentemente da concussão, os chamados impactos subconcussivos podem
não provocar sintomas, mas um atleta pode ser submetido a centenas ou milhares
deles durante a carreira. A exposição repetitiva a traumatismos cranianos está
associada à encefalopatia traumática crônica (ETC), doença neurodegenerativa
que pode estar relacionada a alterações de memória, comportamento e outras
funções neurológicas. Isso não significa que todo jogador exposto desenvolverá
a doença, já que ainda existem fatores em estudo. Após uma colisão, sintomas
como perda de consciência, confusão intensa, convulsões, vômitos repetidos,
fraqueza, alterações da fala ou dor de cabeça muito intensa e progressiva
indicam a exigência de atendimento médico imediato. Mesmo sem esses sinais, uma
suspeita de concussão já é motivo para retirar o jogador da partida e realizar
avaliação médica. O atleta também não deve retornar ao jogo naquele mesmo dia,
pois um novo impacto antes da recuperação pode prolongar ou agravar o quadro.
A prevenção vai além dos equipamentos de proteção. Afinal, o
capacete reduz o risco de diversas lesões, mas não elimina completamente o
movimento do cérebro dentro do crânio durante uma colisão. “O capacete oferece
proteção contra diversos tipos de trauma, mas não consegue impedir
completamente que o cérebro sofra com os movimentos provocados por uma colisão.
Por isso, técnica, prevenção, regras de segurança e avaliação médica são tão
importantes quanto o equipamento”, ressalta o especialista da Casa de Saúde São
José.
Logo, a principal medida de prevenção consiste em evitar que a
cabeça seja utilizada como primeiro ponto de contato durante o tackle,
movimento usado para derrubar ou interromper o avanço do adversário com a bola.
No futebol americano, eliminar completamente os impactos não é uma tarefa
simples, mas é possível trabalhar para reduzir os riscos e reconhecer
rapidamente quando uma pancada pode ter provocado uma lesão cerebral.
“O objetivo não é tirar a intensidade do futebol americano, mas
permitir mais segurança para o esporte. Isso passa por reconhecer rapidamente
uma possível concussão, afastar o atleta quando houver suspeita de lesão,
respeitar o período de recuperação e trabalhar continuamente na prevenção dos impactos
mais perigosos”, conclui Dr. Pedro Góes.
Além disso, a NFL mantém protocolos rigorosos para identificação e
manejo das concussões. Atletas com sinais suspeitos são retirados para
avaliação médica, que conta também com especialistas independentes. Em caso de
concussão, o retorno ocorre de forma gradual e somente após liberação médica.
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