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segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Logística que salva vidas: entenda a importância da aviação brasileira no sistema nacional de transplante de órgãos

 

Aeroporto do Bacacher
 Créditos: Rodrigo Zanotto

Aeroportos Afonso Pena e Bacacheri, no Paraná, lideram esse tipo de transporte

 

De acordo com o Sistema Nacional de Transplantes (SNT) 49.547 pessoas estão na fila de espera por um transplante de órgão no Brasil. A maior parte dos pacientes na espera são homens (28.924), enquanto as mulheres somam 20.623. Deste total, o rim lidera a lista de necessidade, seguido por fígado, coração, pâncreas e pulmão. Quando um doador é identificado, inicia-se uma corrida contra o relógio. Esse limite é ditado pela isquemia fria, o tempo máximo que um órgão resiste fora do corpo humano mantendo-se viável para o transplante. Nessa engrenagem, a aviação entra como uma grande facilitadora. Nos bastidores, há uma rede altamente coordenada entre os aeródromos, as companhias aéreas e as centrais de transplantes para garantir que toda operação seja bem sucedida. 

Para que essas operações especiais ocorram da melhor forma possível, aeronaves envolvidas na captação de órgãos e equipes médicas têm prioridade em pousos e decolagens, conforme estabelecido pela Lei 14.858/2024. A regra vale para companhias privadas, órgãos públicos e instituições militares que realizam o transporte de pessoas e cargas por via terrestre, aérea ou aquática.

 

Paraná em destaque 

De janeiro a agosto deste ano, 3.559 órgãos foram transportados via aérea, segundo dados da Central Nacional de Transplantes. Entram na conta operações realizadas por companhias aéreas comerciais nacionais e internacionais, além de aeronaves de aviação geral e da FAB (Força Aérea Brasileira). 

O Paraná ilustra a relevância dessa malha aérea com a liderança nesse transporte. Juntos, o Aeroporto Internacional Afonso Pena (São José dos Pinhais) e o Aeroporto do Bacacheri (Curitiba), ambos administrados pela Asur Brasil, integram a logística dos sistemas estadual e nacional de transplantes em parceria com a Casa Militar do Estado.

O Aeroporto do Bacacheri desempenha um papel estratégico central. Por não operar voos comerciais regulares, o terminal atende à aviação geral e abriga a Divisão de Transporte Aéreo da Casa Militar. Apesar do funcionamento ser até às 22h, o aeroporto mantém protocolos especiais para reabrir a qualquer momento durante a madrugada para missões de resgate e transporte de órgãos, contribuindo para que as equipes médicas cheguem ao destino dentro da janela de tempo necessária. 

Até setembro de 2026, o Bacacheri já registrou 94 pousos voltados ao transporte de órgãos, um crescimento de 81% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Já na região do Norte Central Paranaense, de acordo com dados da Casa Militar do Estado do Paraná, até 11 de setembro de 2026, foram registrados oito pousos de aeronaves transportando órgãos no Aeroporto de Londrina. Em todo o ano de 2025, foram 15 voos com essa finalidade. Somados, os três terminais já viabilizaram 109 operações aeromédicas este ano, contra 141 durante todo o ano de 2025.
 

Solidariedade em diversas regiões do País 

O Maranhão realizou 39 operações de transporte aéreo de órgãos e tecidos entre janeiro e setembro de 2026. Entre os órgãos transportados estão fígados, rins e corações, com operações tendo como origem ou destino o Aeroporto de São Luís, de acordo com informações compartilhadas pela Secretaria de Estado da Saúde.

Já o Aeroporto de Goiânia, entre janeiro e agosto de 2026, 123 órgãos e tecidos foram transportados por via aérea, segundo dados da Gerência de Transplantes da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás. Em 2025, foram contabilizados 144 órgãos e tecidos transportados.
 

Prioridade para alcançar a quem precisa 

Toda essa complexa estrutura logística, no entanto, depende da decisão de doar. A conscientização da população e o diálogo aberto com a família sobre o desejo de ser doador são as peças que alimentam essa corrente de solidariedade, como destaca Marcius Moreno, diretor de Operações da Asur Brasil. 

“A logística para o transporte de órgãos é uma corrida contra o tempo onde não há margem para erros. Cada minuto economizado em solo, no embarque ou na priorização do voo representa a preservação de uma vida. Trabalhamos para que as operações em nossos aeroportos contribuam para que a esperança chegue ao seu destino com máxima agilidade e segurança", Marcius Moreno, diretor de Operações da Asur Brasil.
 

Fontes:
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