A tecnologia é um pilar
essencial para achar respostas robustas e sustentáveis para o planeta frente às
questões climáticas. Embora ofereça soluções para mitigar danos e aumentar a
resiliência das sociedades, também impõe desafios, como o crescimento
exponencial da inteligência artificial e seu impacto sobre recursos naturais.
Esse paradoxo exige setores capazes de liderar com equilíbrio – e a
climatização é um deles.
De acordo com The Future of Cooling da Agência Internacional de Energia
(IEA), os sistemas de climatização já representam cerca de 10% da demanda
elétrica global. Sem avanços de eficiência, esse consumo pode triplicar até
2050. A boa notícia é que o estudo também revela que, com políticas adequadas e
tecnologias avançadas, é possível reduzir em até 45% o consumo projetado para
atingir a temperatura desejada. Uma prova de que eficiência é parte essencial
da solução climática.
No Brasil, climatização deixou de ser luxo e tornou-se necessidade. Em setores
como shoppings center e hotéis, mais de 60% dos estabelecimentos possuem
sistemas de ar-condicionado, segundo o Procel Edifica, do Ministério de Minas e
Energia. No ambiente residencial, os equipamentos respondem por 20% a 30% do
consumo elétrico, podendo superar 40% em momentos de ondas de calor, conforme
dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Com temperaturas extremas mais
frequentes, a demanda tende a crescer, como já apontou o Operador Nacional do
Sistema Elétrico (ONS).
O desafio do setor é oferecer soluções capazes de entregar conforto com menor
impacto ambiental. Entre elas, a bomba de calor tem ganhado destaque global
como pilar da descarbonização de edifícios. No Brasil, onde a matriz elétrica é
majoritariamente renovável, sua adoção é ainda mais vantajosa. Alta eficiência,
menor pegada de carbono, redução de custos operacionais e baixa manutenção são
atributos-chave. A IEA estima que sua aplicação em larga escala pode cortar 500
milhões de toneladas de CO₂ até 2030.
Outra tecnologia em ascensão é o Volume de Refrigerante Variável (VRV).
Amplamente utilizado em projetos comerciais e multiuso, o sistema oferece
controle por zonas, compressores inverter, automação integrada e modulação
precisa de carga, garantindo grande economia de energia frente a sistemas
convencionais de expansão direta.
Soma-se o ventilador com recuperação de energia, que ganha relevância por
combater um problema tão importante quanto à temperatura: a umidade. A
tecnologia troca calor e umidade entre o ar externo e o interno, evita o
resfriamento excessivo e reduz a carga térmica, mantendo ambientes mais
confortáveis. A solução foi apresentada recentemente e testes demonstraram até
40% de redução no consumo energético, reforçando seu potencial transformador.
Diante do desafio climático, principalmente com o Super El Niño cada vez mais
presente, é natural sentir o peso das incertezas. Contudo, a evolução da
indústria de climatização prova que é possível construir um futuro mais
sustentável. Com tecnologias limpas, eficientes e inteligentes, o setor de
Aquecimento, Ventilação e Ar-Condicionado (AVAC) abre caminhos concretos para equilibrar
conforto térmico e responsabilidade ambiental. O futuro do ar-condicionado – e
do planeta – pode ser mais eficiente. E essa transformação já começou.
Roberto Yi -
presidente da Daikin no Brasil
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