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segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Agosto Dourado: pesquisas sobre amamentação renderam mais de 6,9 milhões de idas ao Google no último ano; veja as dúvidas mais comuns

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No mês de conscientização sobre o aleitamento materno, o Olá Doutor, plataforma de consultas que conecta pacientes a médicos, traz dados inéditos sobre o tema nos mecanismos digitais  

 

Amamentar é um processo cercado de dúvidas — e muitas delas surgem com urgência no meio da madrugada, enquanto o bebê mama ou logo nos primeiros dias após o parto. Não à toa, é comum que quem amamenta recorra à internet em busca de respostas rápidas, como mostram as pesquisas mais recentes da população no Google.

 

Segundo um levantamento do Olá Doutor, plataforma de consultas que conecta pacientes a médicos, somente nos últimos 12 meses, foram registradas mais de 6,9 milhões de buscas online pelo tema nos mecanismos de pesquisa, entre dúvidas e boas práticas para tornar a amamentação mais confortável no dia a dia. 

 

estudo, produzido em celebração à Semana Mundial do Aleitamento Materno (1 a 7 de agosto) e ao Agosto Dourado, mostra que os questionamentos são diversos: vão do uso de canetas emagrecedoras durante a amamentação à possibilidade de doação de sangue, passando por tópicos que, muitas vezes, não têm uma resposta única ou imediata. 


Mas, afinal, o que mais está por trás dos altos volumes de busca sobre amamentação e o que isso revela sobre quem vive essa fase? Você confere respostas para essa e outras perguntas no conteúdo a seguir, que traz um ranking dos temas mais pesquisados e orientações para tornar o aleitamento materno tranquilo e seguro. Confira: 

 



Mounjaro e amamentação lideram buscas sobre o tema   

 

Embora não faltem dúvidas entre quem amamenta, as pesquisas mais recentes no Google Brasil revelam um padrão: grande parte dos questionamentos está relacionada ao uso de medicamentos durante o período de aleitamento. Das canetas emagrecedoras a analgésicos de uso cotidiano, muitos internautas buscam entender quais substâncias podem ser utilizadas sem comprometer a saúde do bebê e a continuidade da amamentação.

 

Nos últimos 12 meses, a pergunta que mais gerou buscas foi "quem amamenta pode tomar mounjaro", responsável por mais de 71 mil pesquisas e líder isolada do ranking. O interesse acompanha a popularização do medicamento, indicado para o tratamento de diabetes e também utilizado, fora da bula, para emagrecimento.

 

O consenso entre especialistas, no entanto, é de atenção: diante da falta de estudos suficientes que garantam a segurança do uso nesse período, a exposição ao fármaco não é recomendada. "São medicamentos que podem afetar o apetite e a disposição de quem amamenta de forma mais ampla, o que reflete diretamente na amamentação", explica a médica Manoella Ferreira. "De toda forma, qualquer avaliação deve ser feita de maneira individual, com acompanhamento médico, preferencialmente no período pós-desmame." 

 

Outras dúvidas frequentes giram em torno de analgésicos e anti-inflamatórios de uso comum, como dipirona, ibuprofeno e nimesulida — que, somados, geraram 134 mil buscas online no período.

 

Embora todos exijam avaliação médica antes do uso, o grau de cautela varia entre eles, como explica Manoella. “O ibuprofeno é considerado compatível com a amamentação pelo Ministério da Saúde e pela Sociedade Brasileira de Pediatria; a dipirona teve sua classificação de risco revista para cima nos últimos anos por fontes de referência internacionais; e a nimesulida é a que exige maior atenção, sendo frequentemente indicada sua substituição ou a suspensão temporária da amamentação enquanto durar o tratamento. A recomendação geral, portanto, permanece a mesma: nenhum medicamento — mesmo os de uso corriqueiro — deve ser tomado sem orientação profissional durante esse período.”  

 

"A internet cumpre um papel importante, mas não substitui a orientação profissional, especialmente em uma fase tão delicada quanto a amamentação”, complementa a médica. “A boa notícia é que, com a telemedicina e as consultas via chat, muitas dúvidas podem ser esclarecidas na mesma velocidade que uma navegação online, respeitando a rotina de quem acabou de ter um bebê. É o que move o modelo de atendimento do Olá Doutor, pensado para diferentes realidades e momentos da jornada de cuidado", conclui. 

 

Da tatuagem à doação de sangue: dúvidas variadas seguem no radar de quem amamenta

 

Além dos medicamentos, outras questões recorrentes mostram que as dúvidas de quem está amamentando vão muito além da farmacologia, passando por crenças populares, cuidados estéticos e hábitos voluntários, como a doação de sangue. 

 

Entre os temas que mais despertam curiosidade está a relação entre amamentação e peso, com "amamentar emagrece" somando cerca de 45,2 mil buscas em 12 meses. E não é bem um mito: para produzir leite, o corpo materno consome energia extra, o que pode favorecer a perda de peso no período pós-parto. O efeito, porém, não é regra, variando de organismo para organismo conforme a alimentação, metabolismo e qualidade do sono. 

 

Outra dúvida comum gira em torno da possibilidade de fazer tatuagens durante o período, tema por trás de cerca de 42 mil buscas online. De acordo com o Olá Doutor, a recomendação é de cautela, já que o procedimento envolve riscos, como a transmissão de infecções ao bebê e a exposição a substâncias presentes nas tintas utilizadas, o que reforça a importância de se buscar orientação médica antes de realizá-las.

 

Já entre quem amamenta e deseja doar sangue, a orientação parte do próprio Ministério da Saúde, que recomenda aguardar pelo menos um ano de amamentação antes de retomar as doações. Isso porque, nos primeiros meses, a produção de leite exige uma reserva maior de vitaminas e minerais, e a doação pode aumentar o risco de carências nutricionais. Ou seja: trata-se de um cuidado pensado, sobretudo, para preservar tanto a saúde da mãe quanto a do bebê. 

 

Metodologia

 

Para desvendar as principais dúvidas sobre amamentação na internet, foram consideradas pesquisas no Google realizadas por brasileiros durante os últimos doze meses. A investigação foi pautada pelas expressões "amamentação", “amamentar” e suas variações, abrangendo todas as buscas relativas ao tópico nas cinco regiões nacionais. Em seguida, os termos mais pesquisados foram dispostos em um ranking, no qual você confere o volume total de buscas no último ano. 

 

Olá Doutor


Mais da metade das pacientes com câncer de mama aguarda mais de 60 dias para iniciar tratamento de câncer de mama no SUS

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Estudo nacional, que analisa 243.277 casos entre 2017 e 2022, expõe desigualdades regionais e aponta que a radioterapia é a modalidade que apresenta maior atraso, com 54,8% das pacientes esperando mais de 120 dias para começar as sessões

 

O tempo máximo entre o diagnóstico de câncer de mama e o início do tratamento, previsto na Lei Federal nº 12.732/2012, é de 60 dias. No entanto, com base em dados do DATASUS-SISCAN, coletados entre 2017 e 2022, uma pesquisa revela que a legislação, amplamente descumprida no Brasil, também expõe profundas desigualdades regionais. A detecção precoce e o tratamento da doença representam melhores prognósticos para as pacientes. Com o atraso nos procedimentos, conforme demonstra o estudo, a questão de saúde individual toma a dimensão de problema de saúde pública.

O estudo “Conformidade com a Lei Brasileira 12.732: Avaliação dos atrasos no tratamento de câncer de mama em diferentes modalidades terapêuticas (2017-2022)” foi publicado na revista Mastology, periódico científico da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM). A investigação liderada pelo mastologista Marcelo Antonini tem a participação de pesquisadores do Hospital do Servidor Público Estadual Francisco Morato de Oliveira (HSPE-SP), do BBREAST (Brazilian Breast Cancer Association Team), com a colaboração de diversos centros de excelência do País.

O trabalho multicêntrico é dos poucos estudos realizados no Brasil com o propósito de analisar fatores que determinam atrasos entre a detecção e o tratamento do câncer de mama. A demora no atendimento das pacientes que recebem o diagnóstico da doença tem consequências severas, como sobrecarga do sistema de saúde e aumento da mortalidade. Segundo Marcelo Antonini, a avaliação do acesso das mulheres ao sistema público de saúde, considerando a chamada Lei dos 60 Dias, pode fornecer uma base para a organização de serviços de qualidade, com a garantia de que o tratamento seja oferecido em tempo hábil.

Com base nos dados do DATASUS-SISCAN, o estudo analisou, no período de 2017 a 2022, casos de 243.277 pacientes. “Mais da metade, ou seja, 54%, iniciou o tratamento depois de 60 dias, o que configura o não cumprimento do prazo previsto pela Lei nº 12.732/2012”, observa o mastologista André Mattar, tesoureiro da SBM, também participante da pesquisa. Do total, apenas 24,4% das mulheres começaram a ser tratadas em até 30 dias. Mas 25,5% tiveram que aguardar mais de 120 dias.

Como estratégia oncológica, Marcelo Antonini destaca que a cirurgia teve o melhor desempenho, com 58,8% das pacientes iniciando o tratamento em até 30 dias. Porém, quando consideradas realidades regionais, o Norte apresentou o pior resultado (25,6% após 120 dias). Na região Sul, o destaque positivo foi de 66,9% em período igual ou menor a 30 dias.

Na abordagem quimioterápica, a maioria dos intervalos foi de 31 a 60 dias no Nordeste (26,1%) e Sul (26,3%). Nas demais regiões do Brasil, a predominância no tratamento ficou acima de 120 dias.

A radioterapia, conforme destaca André Mattar, apresentou o cenário mais preocupante, com 54,8% das mulheres iniciando as sessões após 120 dias. “A região Norte trouxe uma das situações mais críticas, com índice de 64,6%. Pará (80,3%) e Roraima (75,0%) apresentaram os piores números nacionais.

“Os dados do estudo vêm para revelar que pacientes submetidas à radioterapia e quimioterapia têm aproximadamente o dobro de chance de sofrer atraso em relação àquelas que iniciam pela cirurgia”, observa Antonini. “A concentração desses serviços em grandes centros urbanos e as desigualdades regionais de infraestrutura são barreiras estruturais que precisam de resposta imediata em políticas públicas.”

O estudo publicado na Mastology indica que a rede pública tem diversos desafios a enfrentar. De acordo com os mastologistas participantes das pesquisas, expandir a infraestrutura oncológica, descentralizar serviços especializados e fortalecer a rede de atendimento, visando melhorar o acesso ao tratamento, são alguns pontos fundamentais para mitigar os impactos negativos dos atrasos na sobrevida e na qualidade de vida de pacientes com câncer de mama no Brasil.


Canhoto nasce canhoto? Genética ajuda a explicar por que algumas pessoas preferem a mão esquerda

Cerca de uma em cada dez pessoas é canhota; estudos mostram que dezenas de regiões do DNA estão associadas à preferência pela mão esquerda, mas fatores ambientais também influenciam


Por que algumas pessoas escrevem, comem ou arremessam uma bola naturalmente com a mão esquerda, enquanto outras preferem a direita? Embora pareça uma característica simples do cotidiano, a preferência por uma das mãos é resultado de um processo muito mais complexo. A ciência já sabe que a genética tem participação importante nessa característica, mas não existe um único “gene do canhoto”.

Uma meta-análise publicada na revista científica Psychological Bulletin, que reuniu dados de diferentes populações, estimou em 10,6% a prevalência média de canhotos. A proporção pode variar de acordo com a população estudada e, principalmente, com a forma utilizada para avaliar a preferência manual.

A influência genética também foi investigada em um dos maiores estudos já realizados sobre o tema. Publicada na Nature Human Behaviour, a pesquisa analisou dados genéticos de mais de 1,7 milhão de pessoas e identificou 41 regiões do genoma associadas à canhotice, além de outras sete relacionadas à ambidestria. Os resultados reforçam que a preferência manual é uma característica poligênica, ou seja, influenciada pela ação conjunta de diferentes variantes genéticas.

Os pesquisadores também encontraram associações entre algumas dessas regiões genéticas e mecanismos relacionados ao desenvolvimento e funcionamento do sistema nervoso, ajudando a compreender a relação entre genética, cérebro e preferência manual.

“A lateralidade é uma característica complexa e não pode ser explicada por um único gene. A genética tem um papel importante, mas diferentes variantes podem contribuir para essa característica, em conjunto com fatores relacionados ao desenvolvimento e ao ambiente”, explica Ricardo Di Lazzaro, médico, doutor em genética e fundador da Genera, marca da Dasa.


Ter pais canhotos aumenta a chance de o filho também ser?

A resposta é sim, mas não significa que uma criança de pais canhotos necessariamente será canhota. A preferência pela mão esquerda pode aparecer com maior frequência em algumas famílias justamente porque existe uma componente genética envolvida.

Como a característica é poligênica, porém, não há um padrão simples de herança. Em vez de um único gene determinar o resultado, diferentes variantes genéticas podem contribuir para aumentar ou diminuir a probabilidade de uma pessoa desenvolver preferência por uma das mãos.


O ambiente também pode influenciar

A genética não conta toda a história. Fatores ambientais, culturais e relacionados ao desenvolvimento também podem influenciar a forma como a preferência manual se manifesta.

Durante muito tempo, crianças canhotas foram incentivadas — e, em alguns casos, obrigadas  a utilizar a mão direita para escrever ou realizar determinadas atividades. Esse tipo de pressão cultural pode inclusive interferir na identificação da lateralidade em estudos populacionais.

O próprio ambiente cotidiano também é predominantemente pensado para destros. Tesouras, carteiras escolares, instrumentos musicais e outros objetos podem exigir adaptações de quem utiliza a mão esquerda.

Pesquisas também investigam a influência de fatores presentes ainda durante a gestação e o desenvolvimento fetal. No entanto, esses elementos não devem ser interpretados isoladamente: a preferência manual resulta da combinação de múltiplos fatores, e nenhum deles, sozinho, determina se uma pessoa será canhota ou destra.


O que o DNA revela sobre ser canhoto?

Estudar a lateralidade ajuda a entender um aspecto importante da genética humana: características do nosso cotidiano podem ter uma arquitetura biológica muito mais complexa do que aparentam.

A identificação de dezenas de regiões genéticas associadas à canhotice mostra que o DNA pode contribuir para características relacionadas ao desenvolvimento e ao funcionamento do organismo sem que exista uma relação simples de causa e efeito.

“Quando falamos sobre genética, é importante fugir da ideia de que existe um único gene responsável por cada característica. Ser canhoto não é resultado de um único fator: diferentes variantes genéticas participam desse processo, em combinação com aspectos do desenvolvimento e do ambiente. É justamente essa interação que torna a lateralidade um exemplo tão interessante da complexidade da genética”, finaliza Di Lazzaro.

 

Referências:

https://www.nature.com/articles/s41562-020-00956-y

https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC7116623/

 

Quando o câncer do sangue não dá sinais: o desafio das leucemias crônicas

Sem considerar os tumores de pele não melanoma,
a leucemia é o 13 câncer mais comum no Brasil.

Essas doenças muitas vezes são descobertas em exames de rotina ou que investigam a origem de outros problemas de saúde, alerta o hematologista Pedro Neffá, da Oncologia D’Or.

 

Depois do linfoma, a leucemia é o câncer de sangue mais comum em todo o mundo. Só em 2023, foram cerca de 573 mil novos casos1. De 2016 a 2026, o número de brasileiros diagnosticados por ano com a doença cresceu 21%, saltando de 10.0702 para 12.2203. Nesse período, a alta da taxa populacional foi inferior a 4%4,5. O envelhecimento da população e a melhoria do diagnóstico explicam a curva ascendente da enfermidade que pode ser classificada como aguda ou crônica, segundo a sua progressão. Essa última requer chama atenção por ser silenciosa.    

“Essas neoplasias crônicas se desenvolvem muito lentamente e nem sempre provocam sintomas”, afirma o hematologista Pedro Neffá, da Oncologia D’Or. “Por isso, muitas vezes, são descobertas em exames de rotina, como o hemograma completo, ou que investigam as causas de outras queixas”, complementa o médico. 

Sem considerar os tumores de pele não melanoma, a leucemia ocupa o 13º lugar entre os cânceres mais incidentes no País3. Ocorre quando uma mutação genética provoca a multiplicação desordenada dos glóbulos brancos, que passam a substituir os outros componentes vitais do sangue. A doença de origem crônica é mais comum a partir da quinta década de vida, principalmente nos homens. 
  

Leucemias linfocítica e mieloide

Além da progressão, a enfermidade é classificada de acordo com a origem da célula afetada. Se atingir os linfócitos (células de defesa), é denominada leucemia linfocítica. Caso acometa outras células do sangue, como os glóbulos brancos e vermelhos e as plaquetas, chama-se leucemia mieloide.  

A leucemia linfocítica crônica é o tipo de leucemia mais comum no mundo ocidental. Nos Estados Unidos, representa mais de 30% dos novos casos de leucemia por ano6. Cerca de 70% deles ocorre após os 65 anos de idade. Três em cada dez pacientes são assintomáticos7

Já a leucemia mieloide crônica se caracteriza pela presença do cromossomo Philadelphia. Ela representa 15% de todos os novos casos de leucemia no território norte-americano por ano7. Metade dos pacientes é assintomática.

Os homens a partir dos 50 anos são os mais
 suscetíveis à leucemia crônica. 

Os sintomas das leucemias crônicas, quando surgem, são febre, fadiga, palidez e perda de peso, sangramento e suor noturno. A leucemia linfocítica crônica causa ainda o aumento dos gânglios. E a mieloide crônica, o aumento do baço. 

 

Tratamento

Nas últimas duas décadas, o tratamento das leucemias crônicas sofreu grandes avanços, com destaque para as terapias-alvo, que atingem um ou mais pontos específicos do organismo.  Esses medicamentos substituíram a quimioterapia indicada até 15 anos atrás para pacientes com leucemia linfocítica crônica.  

Até os anos 2000, a leucemia mieloide crônica era a principal indicação para o transplante alogênico de medula. Hoje os pacientes são tratados com um medicamento oral, os inibidores de tirosina-quinase.  

Segundo o médico Pedro Neffá, esse tipo de leucemia é um protótipo das doenças oncológicas. “Ela possui um evento molecular dominante, que marca o início e o crescimento do câncer. O medicamento bloqueia essa alteração genética específica, conseguindo reverter a doença”, explica.  Em certos casos, é possível parar o tratamento sem a evolução do quadro. O paciente convive com a doença por muitos anos e tem uma boa qualidade de vida. 

As chances de desenvolver leucemias crônicas aumentam com a idade. Na leucemia linfocítica crônica, os grupos de risco são formados por indivíduos do sexo masculino, com histórico familiar para a doença ou ancestralidade branca/europeia. Na leucemia mieloide crônica, a exposição a altas doses de radiação ionizante é o principal fator ambiental reconhecido3

O hematologista da Oncologia D’Or afirma que um porcentual significativo de pacientes com leucemia linfocítica crônica têm familiares de primeiro grau com a doença. “De 5 a 10% dos pacientes podem ter algum familiar com a enfermidade”, avalia o especialista. 

A prática de atividade física, a adoção de uma dieta saudável e um sono restaurador são recomendados para prevenir as leucemias crônicas. “A consulta anual ao médico e a realização de um hemograma podem auxiliar na detecção precoce da enfermidade”, observa Pedro Neffá.   
 

Oncologia D'Or

 

Referências 

  1. The Global, Regional, and National Burden of Cancer, 1990-2023, With Forecasts to 2050: A Systematic Analysis for the Global Burden of Disease Study 2023. GBD 2023 Cancer Collaborators. Lancet (London, England). 2025;406(10512):1565-1586.
  2. Estimativa 2016: incidência de câncer no Brasil / Instituto Nacional de Câncer. Rio de Janeiro, INCA, 2016.
  3. Estimativa 2026: incidência de câncer no Brasil / Instituto Nacional de Câncer.  Rio de Janeiro, INCA, 2026.
  4. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Disponível em:  Link
  5. IBGE. Disponível em: Link 
  6. American Cancer Society. Disponível em: Link 
  7. Leukemia: What Primary Care Physicians Need to Know. Gbenjo JTC, McCrary GLM, Wilson SE. American Family Physician. 2023;107(4):397-405.

Obesidade, ovários policísticos e fertilidade: o que a cirurgia bariátrica tem a ver com o desejo de engravidar

Rubia Azevedo ao lado do marido e dos três filhos, frutos
de duas gestações após a cirurgia bariátrica
(Foto: Arquivo pessoal)
Síndrome ovariana recentemente redefinida como SOMP pode ser controlada com o procedimento, aumentando as chances de uma gestação bem-sucedida

 

A farmacêutica, esteticista e professora universitária Rubia Azevedo, de 41 anos, encontrou na cirurgia bariátrica um caminho para a realização do sonho de ser mãe. Ela enfrentava questões de saúde que comprometiam seriamente suas chances de engravidar: endometriose, ovários policísticos e obesidade. Antes da operação — indicada por sua ginecologista como parte do tratamento para uma futura gestação —, ela chegou a pesar quase 100 kg, mesmo tentando perder peso de diversas formas. Hoje, com 64 kg, comemora a decisão ao olhar o filho Joaquim e as gêmeas Júlia e Laura brincando juntos. 

A história de Rubia ilustra uma conexão que ainda surpreende muitas mulheres: a relação entre obesidade, saúde hormonal e fertilidade. A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) — renomeada em maio pela comunidade científica para Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP) — é uma das condições que mais se agravam com o excesso de peso, justamente porque a obesidade intensifica a resistência à insulina e o desequilíbrio hormonal que suprimem a ovulação, explica o cirurgião bariátrico César De Fazzio, diretor do ICD (Instituto de Cirurgia Digestiva), em Brasília. 

A nova nomenclatura da síndrome busca refletir com maior clareza seus impactos em todo o corpo. “O antigo nome escondia o que o novo revela: essa nunca foi apenas uma doença ginecológica. É uma doença do metabolismo que se manifesta também no ovário”, esclarece o médico.
 

Reprogramação metabólica 

O mecanismo pelo qual a bariátrica favorece a fertilidade não passa apenas pela perda de peso. Com importante atuação sobre o metabolismo, a intervenção no trato gastrointestinal provoca uma reprogramação endócrina que melhora a sensibilidade à insulina, reduz a inflamação sistêmica e reequilibra os hormônios sexuais. No caso da SOMP, pode restaurar ciclos menstruais irregulares e melhorar a resposta a tratamentos de fertilidade em mulheres com indicação cirúrgica. 

Apesar de a melhora do quadro ocorrer bem antes de uma perda mais acentuada de peso, De Fazzio ressalta ser fundamental observar um intervalo mínimo entre a cirurgia e a tentativa de gestação. “Trabalho com a lógica da estabilização: gestação liberada quando o peso parou de cair, os exames nutricionais estão normais e a paciente já aderiu a uma alimentação com densidade adequada. Isso costuma acontecer entre 12 e 18 meses após o procedimento. A cirurgia prepara o terreno. Mas o processo exige acompanhamento rigoroso e, sobretudo, paciência”, afirma. 

Rubia levou esse conselho a sério. Mesmo após receber a liberação médica, esperou mais alguns meses. “Eu estava preparando a casa. Me dediquei à atividade física, à dieta, a concentrar os meus esforços em estar bem de saúde para conseguir engravidar”, conta. Quando se sentiu segura para tentar, a gravidez veio rápido. E a segunda, com gêmeas, chegou pouco tempo depois. 

O médico ressalta que a cirurgia não é indicada para todas as mulheres com SOMP e desejo de engravidar. A decisão envolve uma avaliação clínica profunda e criteriosa, feita em conjunto com a paciente. Só após um diagnóstico completo o especialista apresenta as possibilidades de tratamento.

A farmacêutica acredita que a cirurgia foi a melhor opção para o seu caso e, segundo ela, a transformação proporcionada pela intervenção vai muito além da balança. “Passei a ter juízo, consciência, responsabilidade e educação alimentar necessárias para que a cirurgia fosse um sucesso. Eu renasci. E o maior presente foi viver a graça da maternidade com saúde e disposição. Afinal, três lindas crianças exigem”, reflete. 

 

César De Fazzio é cirurgião bariátrico (Foto: Victor Moura)


Nova portaria moderniza doação de sangue no Brasil e fortalece a segurança do paciente

Após 12 anos sem uma atualização estrutural, o Ministério da Saúde publicou o novo regulamento técnico da hemoterapia no Brasil. O texto substitui as normas de 2014 para incorporar inovações tecnológicas e elevar a segurança transacional tanto no SUS quanto na rede privada. 

Para explicar e aprofundar os principais temas e mudanças trazidos pela norma, o Instituto Pró-Hemo (IPH) lançou uma série especial em seu podcast Conexão HemoSaúde, convidando profissionais que são referência na área. Entre os pontos destacados no debate, estão a digitalização da triagem clínica, a permissão para doadores frequentes acima de 70 anos sob avaliação médica e regras mais rígidas para conter contaminação bacteriana em plaquetas. A norma também exige o teste molecular (NAT) para malária em todo o país e proíbe a filtragem de sangue à beira do leito, priorizando a leucoredução prévia nos hemocentros. 

De acordo com a coordenadora-geral do Ministério da Saúde, Dra. Luciana Carlos, o texto organiza a legislação e cria um roteiro claro para os serviços e a vigilância sanitária. “O regulamento também fortalece a doação voluntária ao proibir o uso da doação como pena alternativa ou como exigência para a realização de cirurgias”, destaca.  

O Dr. Luiz Amorim, do Instituto Estadual de Hematologia (Hemorio), ressalta que os novos critérios comportamentais focam na análise individual de risco, garantindo uma triagem mais justa e segura. A portaria adota o Patient Blood Management (PBM) para evitar transfusões desnecessárias e cria protocolos de prevenção à lesão pulmonar grave (TRALI).  

Para o Dr. Alfredo Mendrone, da Fundação Pró-Sangue, a atualização representa um passo necessário para acompanhar a evolução da medicina e garantir que os procedimentos relacionados à doação e à transfusão de sangue estejam alinhados às novas demandas da área. Os hemocentros terão prazo de 90 dias para adequar seus processos operacionais e sistemas às novas diretrizes, período destinado à implementação das mudanças e à adaptação das equipes.


O que o seu corpo tenta te dizer nos pequenos sintomas do dia a dia

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 Do cansaço contínuo às alterações no sono e no intestino, entender os sinais do organismo é fundamental para descobrir alterações de saúde precocemente 

 

Sintomas comuns, como cansaço persistente, alterações intestinais e dores recorrentes, muitas vezes são incorporados à rotina e acabam passando despercebidos. No entanto, quando esses sinais persistem por semanas, se intensificam ou passam a interferir na qualidade de vida, podem indicar que algo não está funcionando bem no organismo e precisam ser investigados. 

O diagnóstico precoce e o acompanhamento médico adequado são apontados pelo Ministério da Saúde como estratégias importantes para reduzir complicações relacionadas às doenças crônicas1, que estão entre as principais causas de morte no Brasil. 

A fadiga é um dos exemplos mais comuns. Sentir cansaço após um dia intenso é esperado, mas o alerta surge quando o descanso deixa de ser suficiente para recuperar as energias. A chamada fadiga persistente pode estar relacionada a diferentes fatores, como sono inadequado, anemia, alterações hormonais, doenças cardiovasculares, transtornos de ansiedade e burnout. 

"O cansaço que não melhora após uma boa noite de sono ou aparece acompanhado de falta de ar, dor no peito, palpitações ou tonturas merece investigação médica", afirma Carlos Rassi, cardiologista e coordenador de Cardiologia do Hospital Sírio-Libanês em Brasília. 

Para o médico, o sintoma costuma ser um dos primeiros sinais de diferentes doenças e, por isso, não deve ser tratado apenas como consequência da rotina acelerada.

 

O intestino também dá sinais importantes 

Prisão de ventre frequente, estufamento, dor abdominal e a alternância entre diarreia e intestino preso costumam ser encarados como algo comum por grande parte da população. Contudo, a persistência desses desconfortos não deve ser ignorada. 

"Sangue nas fezes, perda de peso sem causa aparente, dores intensas ou quadros que se prolongam por semanas representam sinais de alerta que exigem diagnóstico especializado", reforça Alexandre de Sousa Carlos, gastroenterologista do Hospital Sírio-Libanês. 

De acordo com o especialista, o sistema digestivo funciona como um importante indicador da saúde geral. Embora alimentação inadequada, sedentarismo e estresse ajudem a explicar episódios pontuais, alterações contínuas no padrão do trânsito intestinal pedem avaliação médica.

 

Dor não deve fazer parte da rotina 

Cefaleia frequente, dores nas costas, nos joelhos e cólicas incapacitantes estão entre as queixas mais comuns da população. Ainda assim, a busca constante pela automedicação faz com que muitos convivam com o problema por anos, o que adia o diagnóstico de condições sérias. 

"É importante não normalizar a dor, principalmente quando ela interfere nas atividades do dia a dia", afirma Cláudia Simões, anestesiologista do Hospital Sírio-Libanês. 

A médica orienta que os pacientes detalhem a intensidade do sintoma e o impacto na rotina durante as consultas, informações fundamentais para direcionar a investigação clínica e acelerar o início do tratamento adequado.

 

Dormir mal é mais do que falta de descanso 

Ronco alto, acordar diversas vezes durante a noite e a sensação de cansaço logo ao acordar são sinais frequentes de que a saúde precisa de atenção. Entre as causas mais comuns dessas queixas estão a apneia obstrutiva do sono, o estresse, a ansiedade e outras condições clínicas que comprometem o descanso. 

"O sono é um dos principais indicadores da nossa saúde. Quando ele deixa de ser reparador, vale a pena investigar", afirma Renato Stefanini, otorrinolaringologista e especialista em medicina do sono do Hospital Sírio-Libanês. 

Além do esgotamento físico, a privação contínua de um sono de qualidade pode prejudicar a memória, a concentração, o humor, a imunidade e o equilíbrio hormonal.

 

Quando a mente afeta o organismo 

O estresse nem sempre se manifesta apenas por preocupação ou ansiedade. Quando se torna crônico, pode favorecer alterações cardiovasculares e metabólicas, como hipertensão, obesidade e diabetes, aumentando o risco de infarto, AVC e outros problemas de saúde. Essas condições também estão associadas a um maior risco de declínio cognitivo e demência ao longo do envelhecimento. 

"O estresse biológico é uma resposta natural do organismo a desafios psicológicos e ambientais. Quando essa resposta permanece ativada por muito tempo, aumenta o risco de alterações cardiovasculares e metabólicas. Por isso, controlar os fatores de risco e adotar hábitos saudáveis é essencial para proteger tanto a saúde do coração quanto a do cérebro", afirma Sérgio Ricardo Hototian, psiquiatra do Hospital Sírio-Libanês. 

Para reduzir os impactos do estresse crônico, o médico recomenda investir em atividade física, psicoterapia, técnicas de relaxamento e no controle dos fatores de risco, medidas que contribuem para prevenir complicações e preservar a qualidade de vida.



Hospital Sírio-Libanês
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Amamentação sem mitos: especialista da FEBRASGO esclarece seis dúvidas comuns

No Agosto Dourado, médica explica o que realmente interfere na produção de leite, quando a dor merece atenção e por que apoio adequado faz diferença desde a maternidade

 

O tamanho das mamas interfere na produção de leite? A cesariana impede o aleitamento? Sentir dor intensa nos primeiros dias é normal? Essas são dúvidas frequentes entre gestantes e puérperas e, muitas vezes, informações incorretas aumentam a insegurança, justamente, quando a mulher precisa de acolhimento e orientação.

 

Em referência ao Agosto Dourado, mês dedicado à conscientização sobre o aleitamento materno, e ao Dia Mundial da Amamentação, celebrado em 1º de agosto, a Dra. Silvia Regina Piza, presidente da Comissão Nacional Especializada em Aleitamento Materno da FEBRASGO - Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, esclarece seis mitos e verdades sobre o tema.

 

1. Mulheres que tiveram pouco aumento das mamas na gravidez produzem menos leite.

Mito. Durante a gestação, as mamas passam por alterações na circulação, nos ductos e nos tecidos, preparando-se para o aleitamento. No entanto, o volume mamário não determina a capacidade de produção de leite. “A produção está diretamente relacionada ao estímulo provocado pela sucção do recém-nascido. Quanto maior e mais adequado esse estímulo, maior tende a ser a produção”, explica a médica.

 

2. A cesariana pode atrasar a descida do leite, mas não impede o sucesso da amamentação.

Verdade. O parto cesáreo pode atrasar a apojadura — nome dado ao aumento da produção e à descida do leite nos primeiros dias —, mas isso não significa que a amamentação será prejudicada. Segundo a especialista, algumas medidas ajudam a favorecer o processo, como evitar sedação excessiva na assistência ao parto, realizar o contato pele a pele e o aleitamento ainda na sala de parto, preferencialmente antes da primeira hora de nascimento.

 

“O contato imediato e a busca espontânea do bebê pela mama já contribuem para os estímulos hormonais envolvidos na produção de leite”, afirma.

 

3. Dor intensa nos primeiros dias deve ser considerada normal.

Mito. Algum desconforto inicial pode ocorrer por causa da descida do leite, do ingurgitamento das mamas ou da adaptação da mãe e do bebê. Dor forte, porém, não deve ser ignorada. “A dor intensa precisa ser avaliada, pois pode indicar pega inadequada, favorecendo a ocorrência de fissuras, inflamação ou outras dificuldades que exigem correção e acompanhamento”, orienta Dra. Silvia.

 

4. Obesidade, diabetes e síndrome dos ovários policísticos podem dificultar o início da amamentação.

Verdade. Alterações hormonais e metabólicas associadas à obesidade, ao diabetes e à síndrome dos ovários policísticos podem interferir no início da produção de leite. Porém isso não significa que essas mulheres não possam amamentar. “Com acompanhamento, orientação e medidas adequadas, essas dificuldades podem ser superadas”, ressalta a especialista.

 

5. Oferecer fórmula na maternidade pode interferir na amamentação exclusiva.

Verdade. Em partos de risco habitual, quando mãe e bebê apresentam boas condições clínicas, a recomendação é manter o recém-nascido em alojamento conjunto e oferecer o peito sempre que houver sinais de fome. A introdução de fórmula sem indicação clínica pode reduzir a frequência das mamadas e, consequentemente, o estímulo necessário para a produção de leite.

 

“O bebê deve permanecer próximo da mãe e ser amamentado em livre demanda, desde o nascimento até a alta hospitalar. A fórmula só deve ser utilizada quando houver necessidade devidamente avaliada”, explica Dra. Silvia.

 

6. A pega correta é mais importante do que o formato do mamilo.

Verdade. O formato do mamilo pode gerar preocupação, especialmente nos casos de mamilos planos ou invertidos, mas não é, por si só, um impedimento para amamentar. O bebê precisa abocanhar não apenas o mamilo, mas boa parte da aréola. Uma pega adequada favorece a retirada do leite, evita dor e lesões e aumenta as chances de continuidade do aleitamento.

 

“Com orientação correta, é possível ajustar a posição e a pega, inclusive quando existem características anatômicas que inicialmente parecem dificultar a amamentação”, conclui.




Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO)
https://www.febrasgo.org.br/pt/
@febrasgooficial
@feitoparaelaoficial


Aero Service realiza campanha de doação durante o Agosto Lilás

 A Aero Service realiza, até 31 de agosto, a campanha “Toda Mulher Merece Um Novo Destino”, criada em apoio ao Agosto Lilás. A iniciativa arrecada produtos de higiene feminina que serão destinados, na primeira semana de setembro, a instituições sem fins lucrativos que prestam atendimento a mulheres em situação de vulnerabilidade ou vítimas de violência.

Podem ser doados pacotes de absorventes, shampoo ou condicionador, desodorantes, sabonetes, escovas de dente e creme dental. Os produtos devem ser novos, lacrados e estar em boas condições de conservação.

As doações são recebidas no escritório da Aero Service, na Avenida Dr. Timóteo Penteado, 1841, Vila Hulda, em Guarulhos (SP). Os produtos são armazenados em um espaço destinado exclusivamente à campanha. Durante o período de arrecadação, cada doação é registrada em uma planilha com data, horário, identificação do doador, item e quantidade recebida.

Após o encerramento da campanha, os produtos passarão por conferência e triagem para verificar as condições dos itens e definir a distribuição entre as instituições selecionadas.

A campanha também terá acompanhamento público pelas redes sociais da Aero Service. A empresa manterá no Instagram um Termo de Transparência com informações sobre a iniciativa e, ao final, divulgará a prestação de contas e os registros das entregas, respeitando a autorização das instituições para sua identificação. A iniciativa terá também uma parceria com a área de Políticas para Mulheres de Guarulhos.

A ação integra as iniciativas institucionais da Aero Service, empresa especializada em transporte executivo, Meet & Assist e serviços de apoio a passageiros em aeroportos. A companhia atua em aeroportos como Guarulhos, Congonhas, Viracopos, Santos Dumont, Galeão, Brasília, Salvador, Porto Alegre, Recife, Fortaleza, Curitiba, Florianópolis, Confins, Goiânia e Natal.

Mais informações: www.aeroservice.tur.br ou entre em contato pelos canais agendamento@aeroservice.tur.br e (11) 2382-6089

 

Por que pequenos movimentos ao longo do dia ajudam a proteger a saúde vascular


Longos períodos sentado comprometem a circulação sanguínea e, quando associados a outros fatores de risco, podem favorecer o desenvolvimento da trombose

 

O dia começa em frente ao computador. Depois vêm as reuniões online, o almoço rápido e mais algumas horas sentado entre tarefas, estudos ou compromissos. No fim do dia, para relaxar, mais um tempo no celular ou na televisão. Para muitos brasileiros, essa rotina se repete cinco dias por semana e, muitas vezes, sem pausas para levantar da cadeira. O resultado é um estilo de vida cada vez mais sedentário, que acende um alerta para a saúde vascular.

 

No Brasil, 47% dos adultos são sedentários e, entre os jovens, esse índice chega a 84%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para a Dra. Gabriella Casais, cirurgiã vascular e professora da Afya Unigranrio, permanecer muitas horas consecutivas sem se movimentar compromete a circulação sanguínea e, quando esse comportamento se associa a fatores como obesidade, tabagismo, uso de anticoncepcionais hormonais, predisposição genética ou outras condições clínicas, aumenta o risco de tromboembolismo venoso (TEV), condição que engloba a trombose venosa profunda (TVP) e a embolia pulmonar.

 

"Nosso corpo foi feito para se movimentar. Hoje, passamos boa parte do dia alternando entre computador, celular e televisão, quase sempre sentados. Quando esse comportamento se torna rotina, a circulação das pernas fica mais lenta. Em pessoas que já apresentam outros fatores de risco, esse cenário favorece a formação de coágulos", explica a médica.

A trombose venosa profunda ocorre quando um coágulo se forma, geralmente nas veias das pernas, dificultando a circulação do sangue. Os principais sinais incluem dor persistente na panturrilha, inchaço em apenas uma das pernas, vermelhidão, aumento da temperatura local e sensação de peso. Se esse coágulo se desprender e migrar para os pulmões, pode provocar uma embolia pulmonar, considerada uma emergência médica.

 

Embora seja mais frequente em idosos, a doença também pode acometer adultos jovens quando diferentes fatores de risco se acumulam. Entre eles estão obesidade, tabagismo, uso de anticoncepcionais hormonais contendo estrogênio, gravidez, puerpério, histórico familiar de trombose, trombofilias hereditárias, doenças inflamatórias e, principalmente, longos períodos de imobilidade.


 

Movimento não acontece só na academia


Fazer atividade física regularmente continua sendo uma das principais recomendações para a saúde cardiovascular e vascular. Mas especialistas chamam a atenção para outro hábito igualmente importante: reduzir o tempo passado sentado. Esse conceito é conhecido como NEAT (Non-Exercise Activity Thermogenesis), termo utilizado para descrever todos os movimentos realizados fora da prática estruturada de exercícios físicos, como subir escadas, levantar para buscar água, caminhar enquanto fala ao telefone ou fazer pequenas pausas durante o expediente.

 

"Esses movimentos podem parecer simples, mas fazem diferença para a circulação. Eles ajudam a interromper longos períodos de imobilidade, ativam a musculatura das pernas e estimulam o retorno do sangue ao coração. Não substituem a prática de atividade física, mas complementam um estilo de vida mais saudável e contribuem para reduzir o risco de diversas doenças associadas ao sedentarismo, incluindo a trombose", afirma a Dra. Gabriella Casais.


 

Cinco hábitos que ajudam a proteger a circulação no dia a dia

 

Levante-se antes que o corpo peça


Se a rotina exige muitas horas sentado, programe pausas a cada 60 minutos para caminhar por dois ou três minutos. Pequenas interrupções ajudam a ativar a circulação das pernas.

 

Aproveite o NEAT no dia a dia


Prefira escadas ao elevador, caminhe enquanto fala ao telefone, levante para buscar água ou vá até a mesa de um colega em vez de enviar uma mensagem. Pequenos deslocamentos, repetidos ao longo do dia, fazem diferença.

 

Durante viagens, movimente as pernas


Em voos, ônibus ou viagens longas de carro, procure levantar sempre que possível. Quando isso não for viável, faça movimentos com os tornozelos e flexione os pés para estimular a circulação.

 

Conheça seus fatores de risco


Pessoas com obesidade, fumantes, usuárias de anticoncepcionais hormonais, gestantes, puérperas ou com histórico familiar de trombose devem conversar com um médico sobre medidas preventivas individualizadas.

 

Fique atento aos sinais de alerta


Dor persistente, inchaço, vermelhidão ou sensação de calor em apenas uma das pernas não devem ser ignorados, especialmente após longos períodos de imobilidade. O diagnóstico precoce reduz o risco de complicações graves.

"A prática de exercícios continua sendo essencial para a saúde. Mas também precisamos olhar para o restante do dia. Pequenas pausas para caminhar, subir escadas ou simplesmente levantar da cadeira fazem parte de uma rotina mais ativa e ajudam a cuidar da circulação. São mudanças simples, que podem trazer benefícios importantes para a saúde vascular ao longo da vida", conclui a Dra. Gabriella Casais.



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