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quinta-feira, 23 de julho de 2026

Dias frios reforçam a importância da lavagem nasal correta em crianças para prevenir complicações respiratórias

Presidente da Academia Brasileira de Otorrinolaringologia Pediátrica explica como o procedimento deve ser realizado e alerta que a técnica inadequada pode reduzir os benefícios e causar desconfortos

 

As baixas temperaturas registadas nos últimos dias têm agravado os casos de gripes, resfriados e crises respiratórias, especialmente em crianças. Diante desse cenário, a lavagem nasal, um cuidado simples e eficaz ganha ainda mais importância, principalmente quando realizada corretamente, pois ajuda a remover secreções, alérgenos, vírus e partículas inaladas, facilitando a respiração e melhorando também o funcionamento natural do nariz. No entanto, o procedimento ainda gera algumas dúvidas e, quando feito de maneira inadequada, pode perder sua eficácia e provocar desconforto. 

De acordo com a Dra. Carolina Miura, otorrinolaringologista e presidente da Academia Brasileira de Otorrinolaringologia Pediátrica (ABOPe), vinculada à Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), a lavagem nasal é uma importante aliada na prevenção e no tratamento de doenças respiratórias, especialmente durante o Inverno, quando aumenta a circulação de vírus e as pessoas permanecem por mais tempo em ambientes fechados. Ela explica que o objetivo da lavagem nasal é limpar as fossas nasais, remover o excesso de secreção e manter a mucosa hidratada, favorecendo o funcionamento adequado do sistema de defesa natural do nariz. “Esse cuidado pode aliviar sintomas como nariz entupido, reduzir o acúmulo de secreções e proporcionar mais conforto à criança”, comenta.

 

Como fazê-la?

A especialista orienta que o posicionamento adequado da criança durante a lavagem depende da faixa-etária. Em bebês de zero a seis meses, o procedimento pode ser realizado com o bebê deitado. Entre os seis meses e os dois anos, a criança pode permanecer sentada, com a cabeça em posição neutra. Já nas crianças maiores, a lavagem pode ser feita sentada ou em pé, com o tronco levemente inclinado para a frente, a cabeça virada para o lado, a narina que receberá o bico do dispositivo voltada para cima e a boca aberta. 

Outro ponto importante é o volume adequado do soro. Segundo a médica, pequenas gotas podem ser suficientes para umidificar o nariz do bebê menor de seis meses. Já nos acima de seis meses até dois anos, pode-se utilizar a seringa com 3ml a 20ml de soro fisiológico 0,9% ou o dispositivo de jato contínuo por três a dez segundos. “A partir dos dois anos, além da seringa e do spray de jato contínuo, pode ser utilizada a garrafinha plástica compressível, com o volume dependendo da indicação médica e da tolerância da criança”, revela, ao comentar que é recomendável realizar a lavagem nasal de duas a três vezes por dia, podendo aumentar ou diminuir esse número de acordo com a quantidade de secreção e os sintomas da criança. 

Apesar de ser um procedimento seguro, alguns erros costumam ser frequentes, como aplicar uma quantidade insuficiente de soro quando há grande acúmulo de secreção e utilizar pressão excessiva ou posicionar a criança de forma equivocada, provocando dor, sensação de ouvido tampado, tosse e desconforto durante a atividade. Dra. Carolina ressalta que a lavagem nasal não deve provocar sofrimento intenso e, quando realizada com a técnica adequada, respeitando a idade da criança e utilizando os materiais corretos, é bastante benéfica.

 

Atente-se!

De acordo com a presidente da ABOPe, embora a lavagem nasal seja um recurso importante para aliviar os sintomas, ela não substitui a avaliação médica quando há sinais de gravidade. Febre persistente; dificuldade para respirar; recusa alimentar; sonolência excessiva; dor intensa no ouvido ou sintomas que não melhoram após alguns dias necessitam de investigação de um especialista. “A lavagem nasal faz parte dos cuidados diários com a saúde respiratória infantil, especialmente durante os períodos de maior circulação de vírus, e associada à hidratação, à vacinação em dia e a ambientes bem ventilados, ela pode reduzir o desconforto causado pelas doenças típicas do Inverno, favorecendo uma recuperação mais rápida”, atesta.

 

Mitos e verdades

Mito: Quanto menor a quantidade de soro, melhor para a criança.

Verdade: Para uma limpeza eficaz, especialmente quando há acúmulo de secreção, podem ser necessários volumes maiores de soro fisiológico, respeitando a idade da criança e a orientação do otorrinolaringologista. Apenas algumas gotas podem não ser suficientes para remover o muco em crianças maiores.

 

Mito: A lavagem nasal deve ser feita apenas quando a criança está gripada.

Verdade: Embora seja muito utilizada durante gripes e resfriados, a lavagem nasal também pode fazer parte da rotina de crianças com rinite alérgica, exposição à poluição ou ressecamento das vias aéreas, sempre conforme orientação médica.

 

Mito: Qualquer posição da cabeça serve durante a lavagem.

Verdade: A posição influencia o conforto e a eficácia do procedimento. O ideal é manter a cabeça levemente inclinada para a frente ou para o lado, evitando jogá-la totalmente para trás, com exceção de bebês até seis meses, idade em que ela pode ser realizada com a criança deitada.

 

Mito: Se a criança reclamar, é melhor interromper definitivamente a lavagem.

Verdade: É comum que algumas crianças estranhem o procedimento nas primeiras vezes. Com a técnica correta, volume adequado e uma abordagem tranquila, a lavagem tende a se tornar mais confortável. Se houver dor intensa ou dificuldade persistente, a criança deve ser avaliada por um especialista.

 

Mito: A lavagem nasal pode causar otite.

Verdade: Quando realizada corretamente, a lavagem nasal não causa otite. No entanto, aplicar o soro com pressão excessiva ou de forma inadequada pode provocar desconforto e favorecer a passagem de secreções para a região da tuba auditiva, principalmente em crianças pequenas.

 

Mito: Água da torneira pode substituir o soro fisiológico.

Verdade: Não. A lavagem nasal deve ser feita com soro fisiológico 0,9% ou soluções próprias para irrigação nasal. O uso de água da torneira não é recomendado, pois ela não é estéril e pode conter microrganismos e impurezas.

 

Mito: Quanto mais força na aplicação, melhor será a limpeza.

Verdade: O excesso de pressão pode causar dor, desconforto e irritação da mucosa nasal. O mais importante é utilizar o volume adequado com uma técnica correta e delicada.

 

Mito: A lavagem nasal vicia o nariz.

Verdade: A lavagem nasal não causa dependência. Ao contrário dos descongestionantes nasais, ela apenas promove a limpeza e a hidratação da mucosa, podendo ser utilizada com segurança quando houver indicação.

 

Dra. Carolina Miura - CRM-SP 134104 - RQE 51122

Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial - ABORL-CCF

 

Gripe nas férias escolares: como evitar que toda a família adoeça

 

Médico alerta que a quebra de rotina nas férias escolares e o aumento da convivência em ambientes fechados favorecem a transmissão de vírus respiratórios dentro de casa e orienta sobre medidas simples de prevenção

 

O período de férias escolares costuma trazer mudanças importantes na rotina das famílias: viagens, encontros, maior circulação em espaços fechados e convivência prolongada entre crianças e adultos. Esse cenário, somado ao inverno em grande parte do país, cria condições ideais para o aumento dos casos de gripe e outras síndromes respiratórias.

De acordo com o Ministério da Saúde, a influenza é uma infecção respiratória aguda altamente transmissível, com circulação sazonal e tendência de aumento de casos nos períodos mais frios do ano, especialmente no outono e inverno no hemisfério sul.

Além disso, estimativas da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) indicam que a gripe afeta anualmente entre 5% e 10% dos adultos e até 20% a 30% das crianças em todo o mundo, podendo levar a complicações e hospitalizações, principalmente em grupos de risco.

Segundo o Dr. Carlos Alberto Reyes Medina, Diretor Médico da Carnot Laboratórios, o período de férias exige atenção redobrada com medidas básicas de prevenção, especialmente dentro de casa, onde o contágio entre familiares é mais frequente.

“Durante as férias escolares, há uma mudança significativa na rotina e um aumento do contato próximo entre as pessoas. Crianças brincando juntas, viagens em grupo e ambientes fechados favorecem a disseminação dos vírus respiratórios, especialmente quando medidas simples de prevenção não são reforçadas”, explica.

A gripe é causada pelo vírus influenza e pode provocar sintomas como febre alta, dor no corpo, dor de cabeça, tosse seca e cansaço intenso. Em muitos casos, toda a dinâmica familiar pode ser impactada quando mais de um membro é infectado ao mesmo tempo.

Um dos principais fatores de risco durante o período é a permanência prolongada em ambientes fechados e pouco ventilados, condição que facilita a transmissão de vírus respiratórios por gotículas e aerossóis.

“Ambientes fechados e com pouca circulação de ar aumentam a concentração de vírus no ambiente. Quando somamos isso à maior interação entre crianças e adultos nas férias, o risco de transmissão cresce de forma importante”, destaca o especialista.

Para reduzir a propagação do vírus dentro de casa, algumas medidas simples fazem diferença significativa. Entre as principais recomendações estão a higienização frequente das mãos, a manutenção dos ambientes bem ventilados, evitar o compartilhamento de objetos de uso pessoal e reforçar a etiqueta respiratória, como cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar.

Outra orientação importante é a atenção aos primeiros sintomas. Em casos suspeitos, o ideal é reduzir o contato próximo com outras pessoas da casa para evitar a disseminação do vírus.

“A prevenção continua sendo a ferramenta mais eficaz para evitar que a gripe se espalhe entre familiares. Pequenas atitudes do dia a dia ajudam a quebrar a cadeia de transmissão e protegem especialmente os mais vulneráveis”, reforça o Dr. Carlos.

Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas estão entre os grupos com maior risco de complicações. Segundo o Ministério da Saúde, esses públicos concentram a maior parte dos casos graves de influenza e devem ter atenção redobrada durante os períodos de maior circulação viral.

“Os sintomas iniciais muitas vezes são subestimados, mas a gripe pode evoluir e gerar complicações, principalmente em grupos de risco. Por isso, é importante observar sinais persistentes e buscar orientação médica quando necessário”, alerta o especialista.

Embora as férias escolares sejam um período de descanso e convivência familiar, especialistas reforçam que a adoção de cuidados simples pode evitar que a gripe se torne um problema coletivo dentro de casa e ajudar a manter a saúde de todos em dia. 

 

Carnot® Laboratórios


Saúde da viajante: exames femininos e cuidados essenciais antes das férias ou de viagens


Planejar uma viagem vai muito além de escolher o destino e organizar o roteiro. Especialistas alertam que cuidar da saúde antes de embarcar é uma etapa fundamental para garantir bem-estar e evitar contratempos longe de casa. Para as mulheres, esse cuidado deve incluir não apenas o check-up clínico geral, mas também exames ginecológicos e avaliações específicas, que ajudam a identificar possíveis alterações e permitem viajar com mais segurança e tranquilidade. 

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a consulta pré-viagem deve ser realizada entre quatro e oito semanas antes da partida — período suficiente para atualizar vacinas, ajustar medicações e planejar cuidados específicos conforme o destino.¹
 

Exames femininos recomendados

Daniella Campos, diretora médica da Clínica Elsimar Coutinho, destaca que manter os exames ginecológicos em dia é fundamental, especialmente para mulheres que enfrentarão longos deslocamentos ou atividades físicas intensas. Entre os principais exames recomendados, estão:

  • Papanicolau (preventivo) – essencial para o rastreamento do câncer do colo do útero.
  • Ultrassonografia transvaginal – identifica cistos, miomas, alterações endometriais e inflamações.
  • Mamografia ou exame clínico das mamas – indicados conforme idade, densidade mamária e histórico familiar.
  • Exames para DST/IST – HIV, sífilis, hepatites, clamídia e gonorreia.
  • Avaliação hormonal – útil para ajustes de anticoncepcionais, DIU hormonal, implantes e terapia de reposição hormonal, quando indicada.
  • Urocultura – especialmente indicada para mulheres com histórico de cistite recorrente.
  • Avaliação da microbiota vaginal – importante para prevenir vaginites que podem ser desencadeadas por piscina, calor e longos períodos com biquíni úmido.

Atenção especial: mulheres com endometriose, síndrome dos ovários policísticos (SOP), miomas, histórico de trombose, varizes ou que fazem uso de anticoncepcional oral, terapia de reposição hormonal (TRH) ou implantes devem reforçar a avaliação médica, sobretudo porque voos longos aumentam o risco de tromboembolismo venoso (TEV).
 

Exames gerais antes da viagem

Além dos exames ginecológicos, o check-up básico inclui:

  • Hemograma completo
  • Glicemia e perfil lipídico
  • Avaliação da função renal e hepática
  • Avaliação cardiovascular (pressão arterial, eletrocardiograma e risco trombótico)
  • Função tireoidiana
  • Dosagem de vitamina D e vitamina B12 (conforme indicação clínica)
  • Testes alérgicos, quando necessários
  • Avaliação nutricional e de composição corporal, especialmente para quem utiliza medicamentos da classe GLP-1 ou fará viagens longas com esforço físico

Essas informações ajudam a identificar alterações silenciosas que podem se manifestar em situações de estresse ou mudança de rotina.
 

Vacinas e prevenção

O Ministério da Saúde recomenda a revisão do cartão de vacinas, com atenção especial para:

  • Febre amarela (obrigatória em alguns destinos)
  • Tétano, difteria e coqueluche
  • Hepatites A e B
  • Gripe e Covid-19
  • HPV (para quem ainda não completou o esquema vacinal)
  • Meningocócica, conforme o destino

Em viagens internacionais, pode ser exigida a apresentação do Certificado Internacional de Vacinação.
 

Pontos que muitas mulheres esquecem, mas são essenciais
 

1. Prevenção de trombose em voos longos

  • Levantar-se e caminhar a cada uma ou duas horas
  • Utilizar meias de compressão
  • Manter boa hidratação
  • Evitar consumo excessivo de álcool
  • Avaliar a necessidade de anticoagulação profilática em casos de risco elevado

2. Ciclo menstrual e viagem

  • Planejar possíveis alterações do ciclo
  • Ajustar o uso de anticoncepcionais, se necessário
  • Levar medicações para cólicas ou fluxo intenso
  • Considerar a antecipação ou postergação da menstruação em situações específicas

3. Saúde intestinal e microbiota

Viagens podem desencadear constipação, diarreia e distensão abdominal. Recomenda-se:

  • Uso de probióticos
  • Ingestão adequada de fibras e água
  • Evitar alimentos crus em destinos de maior risco sanitário
  • Levar medicação para diarreia e reposição eletrolítica

4. Infecções urinárias

Calor, desidratação, roupas molhadas e longos períodos sentada aumentam o risco de cistite. Para mulheres com histórico recorrente, recomenda-se:

  • Realizar urocultura previamente
  • Ter medicação de uso emergencial, conforme orientação médica
  • Intensificar a hidratação
  • Redobrar os cuidados com roupas úmidas e biquíni

5. Saúde íntima

Piscinas, praias e roupas apertadas podem alterar o pH vaginal. É indicado levar:

  • Sabonete íntimo adequado
  • Probióticos vaginais, em casos selecionados
  • Creme calmante ou hidratante vaginal, especialmente para mulheres em TRH

6. Uso de medicamentos da classe GLP-1 (semaglutida, tirzepatida)
  • Avaliar ajuste de dose antes da viagem (náusea associada ao movimento pode intensificar enjoos)
  • Checar exames de função renal e hepática
  • Planejar a alimentação para evitar hipoglicemia em dias de atividade intensa
  • Transportar a medicação em embalagem térmica adequada

7. Jet lag e sono

  • Ajustar gradualmente os horários antes da viagem
  • Evitar cafeína à noite
  • Considerar o uso de melatonina com orientação médica
  • Priorizar a exposição à luz natural ao chegar ao destino

8. Atividades físicas intensas

Para quem pretende caminhar longas distâncias, mergulhar, fazer trilhas ou praticar esportes:

  • Avaliação muscular e cardiovascular prévia
  • Suplementação adequada (como creatina e eletrólitos)
  • Atenção à hidratação e à prevenção de insolação

Quem deve ter atenção redobrada

  • Gestantes
  • Puérperas
  • Mulheres que estão tentando engravidar
  • Portadoras de doenças crônicas (cardiovasculares, renais, hepáticas ou autoimunes)
  • Imunossuprimidas
  • Usuárias de medicamentos da classe GLP-1 ou injetáveis
  • Mulheres com histórico de trombose ou alterações de coagulação
  • Viajantes que realizarão atividades intensas, trilhas, mergulho ou longos deslocamentos

Preparação final antes de embarcar

Montar um kit de saúde inteligente, contendo:

  • Medicações de uso contínuo
  • Estoque extra de anticoncepcionais e reposição hormonal
  • Analgésicos, antialérgicos e antieméticos
  • Antissépticos, curativos e repelente
  • Prescrição médica de emergência, se necessário
  • Lista de alergias e doenças crônicas
  • Protetor solar e hidratante
  • Probióticos, eletrólitos e reposição de magnésio, quando indicado

A mensagem final da especialista

Para Daniella Campos, a prevenção é fundamental para garantir uma viagem tranquila: “cuidar da saúde antes de embarcar reduz riscos e permite que a mulher aproveite plenamente suas férias. Pequenas medidas antes da viagem fazem uma grande diferença no bem-estar longe de casa.” 

 

Dra. Daniella Campos Oliveira - ginecologista e obstetra, diretora médica da Clínica Elsimar Coutinho, em São Paulo. Possui residência médica em Ginecologia e Obstetrícia pela Santa Casa de São Paulo e especialização em Cirurgia Minimamente Invasiva. Também é especialista em Ultrassonografia Geral e em Ginecologia e Obstetrícia pelo IBCC, além de Ginecologia Regenerativa Funcional e Estética pela ABGRE. Sua formação e atuação são pautadas em cirurgia minimamente invasiva, implantes hormonais e em temas voltados à saúde integral da mulher.



Pesquisadores da FMUSP validam teste rápido de baixo custo que identifica "superbactérias" em poucas horas e otimiza isolamento em UTIs

Conjunto de estudos demonstra como inovação reduz tempo de diagnóstico laboratorial em até 60 horas


Pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e do Hospital das Clínicas da FMUSP (HCFMUSP) desenvolveram e validaram uma estratégia inovadora e de baixo custo capaz de detectar a presença de "superbactérias" no intestino de pacientes internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs).

A abordagem utiliza um teste rápido semelhante aos testes de farmácia (como os de Covid-19 ou gravidez), chamado teste imunocromatográfico (ICT). Os resultados mostram que a nova técnica consegue identificar os pacientes carregando esses microrganismos em apenas seis horas, reduzindo o tempo de diagnóstico tradicional em até 60 horas e gerando grande economia aos cofres públicos. 


Superbactérias

As chamadas Enterobactérias Resistentes a Carbapenêmicos (ERC) são classificadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma das ameaças globais mais críticas à saúde humana. Trata-se de bactérias intestinais comuns que desenvolveram resistência aos antibióticos mais potentes do mercado (os carbapenêmicos), principalmente pela produção de enzimas destruidoras de remédios (as carbapenemases). No Brasil, infecções generalizadas (sepse) causadas por ERC chegam a registrar uma taxa de mortalidade de até 63,8%.

Muitos pacientes carregam essas bactérias no intestino sem apresentar nenhum sintoma – o que a medicina chama de "colonização". No entanto, eles podem transmiti-las silenciosamente para outros pacientes vulneráveis dentro do ambiente hospitalar ou desenvolver infecções graves posteriormente. Por isso, os hospitais realizam exames de triagem na admissão das UTIs.


Método convencional

O grande problema atual é que o método convencional, baseado no cultivo das bactérias em laboratório (cultura), demora de dois a três dias para liberar o resultado. Enquanto esperam, os pacientes precisam ficar em isolamento preventivo individual, utilizando aventais e luvas descartáveis para evitar o contágio. Isso gera um desperdício massivo de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), sobrecarrega as equipes de enfermagem e estressa o paciente isolado sem real necessidade. Testes genéticos moleculares (como o PCR) são rápidos e precisos, mas são caros e exigem equipamentos complexos, o que os torna inviáveis para a maioria dos hospitais públicos.

Para resolver esse impasse, o grupo de pesquisadores validou e aplicou uma rotina na qual a amostra do paciente (coletada via swab retal) é colocada em um caldo nutritivo por apenas seis horas e depois aplicada diretamente no teste rápido.

Teste rápido

Segundo o professor colaborador da FMUSP Matias Chiarastelli Salomão, um dos autores dos estudos, o teste rápido validado pelo grupo funciona como uma ferramenta democrática de controle de infecção. "Ele oferece a velocidade de um teste molecular caro, mas por uma fração do preço e sem necessidade de máquinas complexas. Isso abre as portas para que qualquer hospital público ou laboratório com recursos limitados no Brasil e no mundo consiga identificar pacientes portadores de forma precoce, economize recursos retirando isolamentos desnecessários e proteja os pacientes internados", afirma.

Embora o teste rápido melhore o fluxo dos hospitais e reduza gastos com isolamentos desnecessários, os pesquisadores alertam que o controle definitivo dessas superbactérias em ambientes de alta prevalência exige um cuidado contínuo que vai além do isolamento. Medidas como o uso correto e controlado de antibióticos por parte dos médicos e os cuidados rígidos com a higiene são fundamentais para conter o avanço do problema.

Os estudos foram publicados nos periódicos científicos Journal of Hospital Infection, Microbiology Spectrum e Brazilian Journal of Infectious Diseases.

Os artigos completos estão disponíveis em: 

1. Admission status is not destiny: serial surveillance reveals ecologic and in-hospital drivers of carbapenem-resistant Enterobacterales colonization in critical care

2. Impact of rapid carbapenemase detection using immunochromatographic testing and polymerase chain reaction on carbapenem-resistant enterobacterales acquisition and infection control in two intensive care unit

3. Rapid screening for carbapenemase-producing carbapenem-resistant Enterobacterales: clinical implementation of an immunochromatographic test using broth-enriched rectal swabs

4. Validation of immunochromatographic test in broth-enriched rectal swab specimens


Milhões podem conviver com hepatite sem saber

Magnific
No Julho Amarelo, Afya alerta para os riscos das hepatites B e C, que podem permanecer assintomáticas por décadas; teste rápido gratuito no SUS é a principal estratégia para evitar evolução para cirrose, câncer de fígado e transplante hepático

 

Enquanto muitas doenças dão sinais claros de que algo não vai bem, as hepatites virais B e C costumam seguir um caminho diferente. Silenciosas, podem permanecer décadas sem provocar sintomas, permitindo que a inflamação do fígado avance lentamente até causar complicações graves, como cirrose, insuficiência hepática e câncer de fígado¹. 

Em aproximadamente 70% dos casos, a infecção torna-se crônica e, sem diagnóstico e tratamento, entre 15% e 30% dos pacientes podem desenvolver cirrose ao longo de cerca de 20 anos. Além disso, o vírus aumenta significativamente o risco de carcinoma hepatocelular, principal tipo de câncer.² 

Além da testagem dos grupos de risco, alterações em exames laboratoriais que avaliam o funcionamento do fígado também merecem atenção. Mesmo pequenas elevações das enzimas hepáticas não devem ser consideradas normais e precisam ser investigadas, especialmente porque as lesões provocadas pelas hepatites virais podem ser discretas nas fases iniciais. 

"Muitas vezes o paciente apresenta apenas alterações leves nos exames de fígado e, justamente por serem discretas, elas acabam sendo subestimadas. Nenhuma alteração persistente deve ser considerada normal sem investigação, porque esse pode ser o primeiro sinal de uma hepatite viral ou de outra doença hepática que precisa de diagnóstico e tratamento", explica a Dra. Carolina Pimentel, hepatologista e coordenadora da pós-graduação em gastroenterologia da Afya Educação Médica. 

Embora a hepatite C tenha cura em mais de 95% dos casos quando diagnosticada precocemente, o maior desafio continua sendo encontrar as pessoas que convivem com o vírus sem saber. Um estudo publicado no Brazilian Journal of Infectious Diseases³ demonstra que a eliminação da doença no Brasil até 2030 só será possível com a ampliação da testagem, do diagnóstico e do acesso ao tratamento e que, sem essas medidas, o país tende a registrar mais casos de cirrose, câncer hepático e necessidade de transplante, enquanto a identificação precoce dos pacientes reduz complicações e os custos para o sistema de saúde. 

Já a hepatite B é uma doença que pode ser amplamente prevenida por meio da vacinação. Trata-se de uma vacina segura, altamente eficaz e disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), capaz de conferir proteção duradoura contra a infecção e suas complicações, como cirrose e câncer de fígado. 

“É fundamental fortalecer continuamente as estratégias de vacinação e conscientizar a população sobre a importância de manter o esquema vacinal em dia, já que essa é a medida mais eficaz para reduzir a circulação do vírus e prevenir novos casos", reforça a Dra. Carolina.


Um exame simples pode mudar o prognóstico

O Ministério da Saúde recomenda que todas as pessoas com 40 anos ou mais realizem o teste para hepatite C pelo menos uma vez na vida, mesmo sem sintomas. Também devem ser testadas pessoas que receberam transfusão de sangue nos últimos 30 anos, passaram por procedimentos cirúrgicos antigos, fizeram tatuagens ou piercings em locais sem condições adequadas de biossegurança ou apresentam outros fatores de risco. O teste rápido é gratuito e está disponível nas unidades do Sistema Único de Saúde (SUS). 

Segundo a especialista, essa estratégia permite interromper a evolução silenciosa da doença antes que ocorram danos irreversíveis ao fígado. "O diagnóstico precoce transforma completamente o prognóstico. Hoje dispomos de medicamentos altamente eficazes, com elevadas taxas de cura. Quanto mais cedo o paciente inicia o tratamento, menor a chance de desenvolver cirrose, câncer hepático ou necessitar de transplante", destaca a Dra. Carolina 

As hepatites B e C são transmitidas principalmente pelo contato com sangue contaminado. No caso da hepatite B, também ocorre transmissão sexual e existe vacina disponível gratuitamente pelo SUS. Já para a hepatite C, não há vacina, tornando a testagem uma das principais ferramentas de controle da doença.

Entre os possíveis fatores de exposição estão:

  • Transfusão de sangue realizada antes de 1993;
  • Procedimentos médicos antigos;
  • Tatuagens e piercings realizados sem adequada esterilização;
  • Compartilhamento de objetos perfuro cortantes, como alicates, lâminas de barbear e escovas de dentes;
  • Compartilhamento de seringas e agulhas.

 

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Referências

1. Ministério da Saúde. Hepatite C (dados sobre evolução silenciosa, risco de cirrose, tratamento e testagem). Ministério da Saúde – Hepatite C
Link

2. Ministério da Saúde. Recomendação de testagem para pessoas com 40 anos ou mais e grupos de risco. Brasil avança no combate à hepatite C Link

3. The epidemiological scenario of hepatitis C in Brazil in the context of the National Plan for the Elimination of Hepatitis C by 2030 Link


Câncer de cabeça e pescoço: 80% dos diagnósticos no Brasil ocorrem já em fase avançada; sintomas discretos atrasam procura por atendimento médico

Em alusão à campanha Julho Verde, especialista explica quando é necessário procurar ajuda


Segundo a International Agency for Research on Cancer (IARC) e a World Health Organization (WHO), os cânceres de cabeça e pescoço continuam entre os tumores cuja incidência preocupa globalmente. O grupo engloba tumores que podem surgir na boca, garganta, laringe, nariz, glândulas salivares e tireoide. Entre os principais fatores associados ao aumento da doença, estão a persistência do tabagismo e do consumo excessivo de álcool; o crescimento dos tumores relacionados ao HPV, especialmente os de orofaringe, que têm acometido adultos cada vez mais jovens, além do envelhecimento da população.

No Brasil, o cenário também exige atenção. Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam que o país registra cerca de 39,5 mil novos casos de cânceres de cabeça e pescoço por ano. Apesar dos avanços no tratamento, o diagnóstico ainda costuma ocorrer tardiamente, com aproximadamente oito em cada dez pacientes descobrindo a doença em estágio avançado. Entre os casos analisados pelo estudo do Instituto, 78,2% foram diagnosticados nos estágios III ou IV.

Para o Dr. Alexandre Martins, médico otorrinolaringologista e professor na Afya Centro Universitário Itaperuna, um dos principais desafios é justamente o fato de que muitos pacientes demoram a procurar atendimento por acreditarem que os sintomas são passageiros.

"Rouquidão que passa de duas semanas nunca deve ser encarada como algo sem importância. É o sintoma que mais vejo sendo ignorado no consultório. Junto dela, outros sinais merecem atenção, como dor de garganta persistente, dificuldade para engolir, ferida na boca que não cicatriza e caroço no pescoço que não dói. Justamente por não causar dor, esse nódulo costuma passar despercebido. Minha regra é direta: sintoma que insiste por mais de duas semanas merece uma consulta", alerta.

O especialista explica que o câncer de cabeça e pescoço não corresponde a uma única doença, mas sim a um conjunto de tumores que afetam diferentes regiões do organismo. "Historicamente, a maior parte desses cânceres surgiu após anos de agressão provocada pelo cigarro e pelo álcool. Mas hoje observamos um novo perfil de pacientes, com crescimento dos tumores de orofaringe relacionados ao HPV, atingindo pessoas mais jovens e, muitas vezes, sem histórico de tabagismo", destaca.

Embora a confirmação do diagnóstico dependa de exames específicos, a investigação costuma começar de forma simples e pode ser realizada ainda no consultório médico. "O exame clínico, associado à palpação do pescoço e à nasofibrolaringoscopia, permite identificar alterações suspeitas em poucos minutos e sem dor. Quando necessário, a biópsia confirma o diagnóstico, enquanto exames de imagem ajudam a avaliar a extensão da doença", explica o médico.

Segundo o Dr. Alexandre, identificar o tumor precocemente faz toda a diferença no prognóstico do paciente. "O diagnóstico precoce compra tempo. Quando o câncer de cabeça e pescoço é descoberto nas fases iniciais, as chances de cura podem chegar a 90%. Já nos casos avançados, o tratamento costuma ser mais agressivo e o prognóstico piora consideravelmente."


Prevenção ainda é a principal aliada

O especialista da Afya reforça que grande parte dos casos pode ser evitada com mudanças de hábitos. Abandonar o cigarro continua sendo a medida mais importante para reduzir o risco da doença, seguido da redução do consumo de bebidas alcoólicas. Quando esses dois fatores estão associados, o perigo é ainda maior. "Se existisse um único conselho, seria: não fume. O tabagismo é o fator de risco mais determinante para esse grupo de cânceres. O álcool em excesso vem logo atrás, e a combinação dos dois multiplica o risco, não apenas soma", afirma o otorrinolaringologista.

Além disso, manter uma boa higiene bucal, adotar uma alimentação rica em frutas e vegetais, utilizar proteção labial contra a exposição solar e manter a vacinação contra o HPV em dia são medidas que contribuem para a prevenção.

Para o docente, porém, existe um comportamento que pode salvar vidas: não ignorar os sinais do próprio corpo. "O hábito que mais protege, na prática, é não empurrar com a barriga um sintoma que insiste em ficar. Quanto mais cedo o paciente procura avaliação médica, maiores são as possibilidades de um tratamento menos agressivo e de uma cura bem-sucedida", conclui.

 

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