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sábado, 16 de maio de 2026

Além da genética: por que a calvície está atacando jovens cada vez mais cedo?

Dermatologista da Unifran destaca o impacto de fatores emocionais, hormonais e relacionados ao estilo de vida no aumento dos casos e a importância do diagnóstico precoce

 

A calvície masculina, ou alopecia androgenética, tem sido historicamente associada a fatores genéticos. No entanto, o cenário atual revela um aumento notável na manifestação precoce da condição em homens jovens, impulsionado por uma complexa interação entre predisposição e fatores contemporâneos, conforme aponta Ariane Maywald, médica dermatologista e docente do curso de Medicina da Universidade de Franca (Unifran). 

"Embora o componente genético seja forte, observamos casos cada vez mais precoces de alopecia androgenética", explica Maywald. "Isso não significa que ela esteja mais frequente, mas sim que está se manifestando mais cedo e sendo mais percebida por uma população mais jovem." 

Além da genética e da ação da di-hidrotestosterona (DHT), a especialista da Unifran destaca que o estilo de vida moderno e o uso indiscriminado de certas substâncias estão acelerando o processo. Entre eles, estão o estresse crônico, a privação de sono, dietas inadequadas, tabagismo e a exposição a poluentes. Um ponto de crescente preocupação é o uso de anabolizantes e terapias hormonais sem acompanhamento médico, que elevam os níveis de andrógenos e podem desencadear ou acelerar a perda capilar em indivíduos predispostos. 

O impacto da perda capilar em homens jovens vai muito além da estética. "Estamos falando de uma fase em que imagem, identidade e autoconfiança estão em construção", ressalta Maywald. A condição pode levar a uma queda significativa da autoestima, ansiedade social, insegurança em relacionamentos e, em casos mais graves, até sintomas depressivos. "Por isso, o tratamento não deve ser apenas físico. A escuta e o acolhimento são fundamentais”. 

Muitos pacientes buscam ajuda tardiamente, ignorando os primeiros sinais, como aumento progressivo da queda, afinamento dos fios, entradas mais evidentes ou rarefação na coroa. A alopecia androgenética é progressiva e o diagnóstico e tratamento precoces são cruciais para o sucesso. "Existe um 'ponto de não retorno' quando o folículo piloso atrofia de forma irreversível e, nesse estágio, as opções clínicas são limitadas", alerta a médica. 

Ela enfatiza que existem diversas abordagens terapêuticas eficazes que atuam em diferentes mecanismos da doença. Estas incluem tratamentos medicamentosos (tópicos e sistêmicos), procedimentos em consultório como microagulhamento, drug delivery/MMP capilar, Laser capilar (alta e média potência) e LLLT. O transplante capilar é uma excelente ferramenta para casos avançados, mas deve ser complementado com acompanhamento dermatológico contínuo e terapias adicionais para preservar os fios nativos. 

"A calvície precoce tem tratamento, mas não há milagre. O maior erro é esperar. Diagnóstico precoce e acompanhamento dermatológico fazem toda a diferença", conclui a médica da Unifran. "Tão importante quanto tratar o cabelo é cuidar da forma como esse jovem se enxerga. Porque, no fim, estamos tratando não somente fios, como também autoestima e qualidade de vida".

 

Unifran
www.unifran.edu.br


Além das tranças: penteados juninos ganham leitura fashion e autoral em 2026

Expert propõe releituras modernas para sair do óbvio nas festas, com textura, acessórios e styling contemporâneo


Das quadrilhas às bandeirinhas, a estética da festa junina segue firme como um dos códigos mais afetivos do calendário brasileiro. Mas, quando o assunto é cabelo, 2026 marca uma virada: o tradicional dá espaço a interpretações mais sofisticadas e alinhadas às tendências globais de beleza. À frente desse movimento, a hair stylist Bruna Scharf, da rede Walter’s Coiffeur, aposta em penteados que equilibram referência cultural e informação de moda, sem perder o espírito lúdico da data.

Segundo a especialista, a proposta é atualizar elementos clássicos com novas texturas, acabamentos e proporções. “A festa junina continua sendo um território de experimentação. O que muda é a forma como a gente traduz isso hoje: menos caricatura e mais estilo”, afirma.

A seguir, a expert reuniu sete penteados com passo a passo prático para sair do lugar-comum.

 

Estilo cowgirl

Uma das maiores apostas da temporada, o visual cowgirl vai além das botas e do jeans. A tendência mistura feminilidade, liberdade e um toque rústico sofisticado, trazendo uma estética inspirada no universo western para os cabelos.

Como fazer: tranças laterais, coques baixos despojados e cabelos soltos com ondas naturais são algumas das principais escolhas para incorporar a tendência ao look junino.

Dica da expert:
“O estilo cowgirl funciona muito bem porque transmite personalidade e conversa com essa estética mais natural e moderna que está em alta”, explica Bruna. Para completar, o chapéu surge como peça-chave da produção. “Além de estiloso, ele valoriza o rosto e funciona tanto com fios presos quanto soltos, trazendo um acabamento marcante ao visual.”

 

Penteados com lenços

Coloridos, versáteis e cheios de personalidade, os lenços se consolidam como um dos acessórios mais fortes das festas juninas de 2026.

Como fazer: o acessório pode aparecer em tranças, rabos de cavalo, coques desconstruídos ou até nos cabelos soltos, criando movimento e um ar mais divertido à produção.

Dica da expert:
“O lenço transforma completamente o penteado e faz o cabelo virar parte importante do figurino”, comenta Bruna. Segundo ela, a peça pode tanto protagonizar o look quanto complementar produções já coloridas. “É um acessório extremamente democrático e perfeito para quem quer trazer informação de moda ao visual junino.”

 

Rabo de cavalo com tranças

A proposta aqui é transformar o clássico rabo alto em um penteado com mais textura e informação de moda.
Como fazer: prenda o cabelo no alto da cabeça e, a partir do comprimento, divida o rabo em mechas médias. Trance cada seção individualmente, criando um mix de espessuras para um efeito mais moderno.

Dica da expert: “Evite deixar todas as tranças iguais. Variar o tamanho traz movimento e um ar mais despojado”, sugere Bruna. Para finalizar, aposte em elásticos coloridos, presilhas ou fitas para reforçar o mood festivo.

 

Maria-chiquinha trançada

Uma releitura cool de um dos penteados mais icônicos das festas juninas.
Como fazer: divida o cabelo ao meio, com risca central bem marcada, e faça duas tranças ao longo do comprimento, prendendo cada lado separadamente.

Dica da expert: “O diferencial está na altura e no acabamento. Mais altas deixam o look divertido; mais baixas, mais sofisticado”, explica. Finalize com acessórios como fitas, fivelas ou grampos estratégicos para dar personalidade.

 

Coroa de trança

Romântica e atemporal, a coroa de trança é perfeita para quem quer um visual mais elaborado — sem complicação.
Como fazer: divida o cabelo ao meio e faça duas tranças laterais tradicionais. Em seguida, cruze-as sobre o topo da cabeça, formando uma “coroa”, e prenda com grampos discretos ao longo do percurso.

Dica da expert: “Incorporar fitas junto à trança traz um toque junino imediato e eleva o visual”, destaca. Para maior fixação, finalize com spray ou um leve toque de gel.

 

Tranças embutidas no topo da cabeça

Ideal para quem busca um visual mais moderno e com pegada urbana.
Como fazer: separe duas mechas no topo da cabeça, criando divisões retangulares. Em cada lado, faça uma trança embutida começando pela frente e seguindo em direção ao topo, adicionando fios gradualmente. Ao chegar ao fim da área separada, finalize com trança tradicional até as pontas.

Dica da expert: “Esse penteado funciona muito bem com fitas coloridas entrelaçadas ou elásticos aparentes, criando um contraste interessante”, indica Bruna.

 

Trancinhas na franja

Delicadas e cheias de atitude, são o detalhe que transforma o look.
Como fazer: com o cabelo seco e alinhado, separe pequenas mechas na região frontal e faça tranças finas, próximas ao rosto.

Dica da expert: “É um styling simples, mas que muda completamente a produção. Perfeito para quem quer entrar no clima de forma sutil”, comenta. Para finalizar, prenda com minis elásticos ou arremate com fitinhas nas pontas.


Prolongar o efeito: especialista revela os hábitos que fazem botox e ácido hialurônico durarem mais

Exposição solar, cigarro, estresse e falta de hidratação podem reduzir a duração dos procedimentos estéticos, enquanto hábitos saudáveis ajudam a prolongar os resultados 


A durabilidade de procedimentos como aplicação de toxina botulínica ou preenchimento com ácido hialurônico, não depende apenas da técnica ou da qualidade do produto utilizado. Hábitos do dia a dia, como exposição solar, hidratação, alimentação, tabagismo e até a frequência das expressões faciais, influenciam diretamente no tempo de ação das substâncias. 

O organismo metaboliza o botox e o ácido hialurônico de maneira diferente em cada pessoa. Metabolismo acelerado, musculatura mais forte e rotina intensa podem reduzir o tempo de duração dos procedimentos. A boa notícia é que alguns cuidados simples ajudam a preservar os efeitos e até a aumentar o intervalo entre as manutenções.
 

Protetor solar é indispensável

Entre os principais cuidados está o uso diário de protetor solar. A exposição excessiva aos raios UV acelera o envelhecimento da pele, degrada o colágeno e favorece o aparecimento precoce de linhas e marcas de expressão. 

“Protetor solar todos os dias, mesmo quando o tempo está nublado, é essencial para quem quer prolongar o efeito do botox e dos preenchedores. A pele exposta ao sol envelhece mais rápido e responde pior aos procedimentos”, explica Melissa Brum, especialista em estética avançada. Segundo ela, o calor excessivo e a radiação solar também podem aumentar processos inflamatórios na pele e acelerar o desgaste do resultado.
 

Hidratação e skincare ajudam a manter os resultados

A hidratação adequada faz diferença tanto para o botox quanto para o ácido hialurônico. Isso porque o ácido hialurônico possui capacidade de atrair água para os tecidos, mantendo volume e sustentação da pele. Beber água regularmente e utilizar produtos indicados para o tipo de pele ajudam a preservar elasticidade, viço e função de barreira cutânea. 

“Skincare não é luxo, é manutenção. O paciente que investe em limpeza, hidratação e proteção da pele tende a ter resultados mais duradouros”, afirma Melissa Brum. Ela destaca ainda que o acompanhamento profissional é importante para definir ativos anti-idade e produtos adequados para cada caso.
 

Expressões faciais influenciam na duração

Quem costuma franzir muito a testa, apertar os olhos ou fazer expressões intensas com frequência pode perceber uma duração menor do botox. Isso acontece porque a musculatura mais ativa quebra o efeito da toxina com mais rapidez. O mesmo vale para pacientes com bruxismo ou forte contração da mandíbula.
“Quanto mais a musculatura é exigida, maior tende a ser o consumo da toxina pelo organismo. Pacientes muito expressivos normalmente precisam de manutenção em intervalos menores”, explica a especialista.
 

Cigarro, álcool e estresse estão entre os vilões

O tabagismo compromete a circulação sanguínea e reduz a oxigenação dos tecidos, prejudicando a regeneração da pele. Já o consumo excessivo de álcool pode acelerar o metabolismo e interferir no tempo de ação do botox. 

O estresse também entra na lista de fatores que reduzem a durabilidade dos procedimentos estéticos. Além de favorecer o envelhecimento precoce, ele aumenta a tensão muscular involuntária, principalmente na testa e na região da mandíbula. “Dormir bem, controlar o estresse e manter hábitos saudáveis ajudam diretamente na preservação dos resultados. O corpo responde melhor quando existe equilíbrio”, afirma Melissa Brum.
 

Aplicações frequentes podem aumentar a duração

Segundo a especialista, pacientes que realizam aplicações regulares costumam perceber um aumento gradual na durabilidade do botox ao longo do tempo. Isso ocorre porque a musculatura vai sendo reeducada e perde parte da força de contração. “Com o tempo, o músculo se acostuma a contrair menos. Isso cria uma espécie de memória muscular e faz o resultado durar mais entre uma sessão e outra”, explica.
 

O pós-procedimento também interfere no resultado

Os cuidados nas primeiras horas e dias após a aplicação são considerados fundamentais para garantir a eficácia do procedimento. Evitar deitar logo após o botox, não realizar exercícios intensos nas primeiras 24 horas e não massagear a região ajudam a impedir a migração da toxina. 

No caso do ácido hialurônico, a recomendação inclui evitar calor excessivo, sauna e exposição solar intensa durante os primeiros dias. “Não existe fórmula milagrosa. O que realmente faz diferença é a soma entre técnica adequada, bons hábitos e disciplina no cuidado diário. Quando o paciente entende que o estilo de vida faz parte do tratamento, os resultados ficam mais naturais e duradouros”, conclui Melissa Brum.


Febre das figurinhas: o que o hábito de colecionar pode estimular no cérebro de crianças e adolescentes?

Neuropsicóloga explica como o fenômeno dos álbuns da Copa do Mundo vai além da brincadeira e pode contribuir para desenvolvimento cognitivo e social

 

A cada edição da FIFA World Cup, uma tradição volta a mobilizar crianças, adolescentes e até adultos: colecionar figurinhas. Trocas nas escolas, busca pelas “raras” e o desafio de completar o álbum transformam a brincadeira em um verdadeiro fenômeno cultural — e, segundo especialistas, a experiência pode trazer benefícios importantes para o desenvolvimento infantil.

De acordo com a neuropsicóloga Aline Graffiette, o hábito de colecionar estimula diferentes áreas cognitivas e emocionais, principalmente em crianças e adolescentes.

“Apesar de parecer apenas entretenimento, colecionar figurinhas envolve memória, organização, atenção, planejamento e interação social. O cérebro trabalha diversas habilidades durante esse processo”, explica.

A especialista destaca que o simples ato de procurar números repetidos, identificar espaços vazios no álbum e organizar as páginas já estimula funções executivas importantes para o desenvolvimento cognitivo.

Além disso, a troca de figurinhas favorece habilidades sociais e emocionais. “A criança aprende negociação, espera, frustração, comunicação e convivência. Existe um aspecto coletivo muito forte nessa experiência”, afirma Aline Graffiette.

Outro ponto observado pela profissional é o impacto afetivo e nostálgico do hábito. “Colecionar também cria memória emocional. Muitos adultos revivem experiências da infância através dos álbuns, o que ajuda a explicar por que a febre das figurinhas atravessa gerações”, diz.

Em um cenário dominado por telas e estímulos digitais rápidos, atividades físicas e interativas como essa ganham ainda mais relevância. “É uma brincadeira que promove interação presencial, troca entre amigos e senso de pertencimento, algo muito importante principalmente para crianças e adolescentes”, destaca.

A neuropsicóloga ressalta, porém, que os pais devem acompanhar a experiência para evitar excessos ligados ao consumo ou frustração exagerada. “O ideal é que a atividade seja vivida de forma leve e divertida, sem transformar o álbum em motivo de ansiedade ou competição extrema”, explica.

Benefícios que o hábito de colecionar figurinhas pode estimular

·         atenção e concentração;

·         memória visual;

·         organização;

·         raciocínio lógico;

·         habilidades sociais;

·         tolerância à frustração;

·         interação fora das telas.

Para Aline Graffiette, o sucesso das figurinhas mostra que experiências simples continuam despertando interesse mesmo na era digital. “Existe um valor emocional e social muito grande nesse tipo de brincadeira. Ela conecta pessoas, gera troca e estimula habilidades importantes de forma natural e prazerosa”, finaliza.

 

Crianças e adolescentes com deficiência seguem mais expostos à violência sexual no Brasil

Baixa qualidade dados, o capacitismo e seus reflexos no acesso limitado à rede de proteção e descrédito reforçam o silenciamento de vítimas com deficiência.

  • Crianças e adolescentes com deficiência estão mais vulneráveis à violência sexual e têm mais dificuldades para denunciar
  • O capacitismo e as barreiras físicas, de comunicação e atitudinais na rede de proteção limitam o acesso à justiça e ao acolhimento
  • Especialistas alertam para a necessidade de políticas públicas inclusivas
  • O Programa de Atenção e Prevenção à Violência promovido pelo IJC é fundamental para encaminhar casos e realizar a articulação com serviços da rede de proteção, serviços públicos e Instituições parceiras, garantindo apoio, acompanhamento e proteção
  • É necessário fortalecer a prevenção à violência por meio de políticas públicas integradas, baseadas em evidências, com articulação entre governos e demais atores estratégicos, definição clara de responsabilidades e garantia de inserção das ações de prevenção nos instrumentos de planejamento e orçamento público, incluindo o PPA, a LDO e a LOA


No Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, em 18 de maio, especialistas alertam para um fenômeno ainda subpautado e invisibilizado: a violência sexual contra crianças e adolescentes com deficiência. Em um cenário já marcado pela subnotificação (notificar menos casos do que o número real existente), as barreiras enfrentadas por crianças e adolescentes com deficiência podem ampliar a vulnerabilidade e dificultar o acesso à denúncia, à proteção e ao acolhimento. 

Algumas formas de violência permanecem invisibilizadas, não sendo identificadas em dados, denúncias ou relatórios oficiais. Barreiras de comunicação, linguagem e acesso à informação comprometem o reconhecimento e a nomeação de determinadas experiências como violência. Além disso, a dependência e o referenciamento exclusivo a adultos responsáveis pelo cuidado podem ampliar a vulnerabilidade, especialmente quando o autor da violência integra o círculo de confiança da vítima, dificultando a denúncia e contribuindo para a perpetuação do silêncio. 

Segundo estudo publicado pela The Lancet em 2026, no Brasil, estima-se que 15,5% das pessoas com mais de 15 anos tenham sido vítimas de violência sexual ainda na infância. O país ocupa a 50ª posição no ranking mundial de violência sexual contra meninas e a 91ª em relação aos meninos, grupo em que a subnotificação é ainda maior. 

O Instituto Jô Clemente (IJC), Organização da Sociedade Civil sem fins lucrativos que promove saúde, qualidade de vida, inclusão e defesa de direitos para pessoas com Deficiência Intelectual, Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Doenças Raras, atua também na atenção e prevenção à violência contra pessoas com deficiência. Por meio do Jurídico Social e do Programa de Atenção e Prevenção à Violência, a Instituição conta com uma equipe multidisciplinar, formada por assistentes sociais e psicólogos, que realiza atendimentos a pessoas com deficiência e familiares. A atuação envolve escuta qualificada, identificação de necessidades, orientação sobre acesso a benefícios, serviços e políticas públicas, além do encaminhamento de situações de violência ou violação de direitos em articulação com a rede de proteção, serviços públicos e Instituições parceiras. O objetivo é garantir apoio, acompanhamento e proteção às pessoas atendidas.

 

Violência invisível e naturalizada 

O tema se insere em um contexto mais amplo de violação de direitos na infância. O Censo Demográfico de 2022 aponta que 34.202 crianças e adolescentes de 10 a 14 anos viviam em união estável no Brasil, sendo 77% meninas, evidenciando como práticas como o casamento infantil ainda expõem jovens a diferentes formas de violência. 

O enfrentamento à violência contra pessoas com deficiência não deve ocorrer de forma isolada ou fragmentada, em disputa por atenção institucional, orçamento ou prioridade política. O desafio consiste em assegurar que normas, planos e campanhas já existentes, como a campanha “Faça Bonito”, do 18 de maio, incorporem uma perspectiva inclusiva, superem a lógica capacitista e contemplem os recursos de acessibilidade necessários para que o marcador social da deficiência seja efetivamente reconhecido e considerado nas respostas estatais.

“Embora haja amplo acúmulo de evidências e experiências exitosas que demonstram a possibilidade concreta de prevenir a violência contra crianças e adolescentes com deficiência, ainda predominam concepções e práticas institucionais que perpetuam sua invisibilidade e vulnerabilização. A ideia de que uma mesma resposta estatal atende de forma homogênea todas as crianças e adolescentes desconsidera a diversidade humana e invisibiliza as especificidades da deficiência. Crianças e adolescentes não verbais, por exemplo, enfrentam barreiras significativas entre a denúncia e o acesso à justiça, especialmente pela ausência de recursos de acessibilidade, comunicação alternativa e abordagens humanizadas. A insuficiência desses mecanismos produz barreiras atitudinais e institucionais que dificultam o reconhecimento da violência, o acesso à proteção e a efetivação de direitos.”, afirma João Victor Salge, Supervisor de Advocacy do Instituto Jô Clemente (IJC).

 

Barreiras no acesso à proteção 

Mas, o que impede que crianças e adolescentes com deficiência tenham acesso a uma rede de proteção? 

“Há múltiplas barreiras que se sobrepõem à violência sexual contra crianças e adolescentes com deficiência, como o capacitismo, a violência institucional, descredibilização dos relatos e a ausência de recursos acessíveis que garantam compreensão, comunicação adequada e acesso à informação. Soma-se a isso a frequente não identificação de deficiências não aparentes, como a Deficiência Intelectual e o Transtorno do Espectro Autista (TEA), especialmente no momento do registro da denúncia. Também é fundamental falar sobre prevenção dentro de casa, nas escolas, nos serviços de saúde, nas organizações e em todos os espaços de convivência, fortalecendo a autonomia, identidade e compreensão sobre o próprio corpo desde a infância, de forma adequada a cada faixa etária. Esse processo também passa pelo reconhecimento de crianças e adolescentes com deficiência como sujeitos de direitos, evitando abordagens que os infantilizem e dificultem o acesso à informação, proteção e autonomia, garantindo prioritariamente a comunicação acessível. Crianças e adolescentes com deficiência precisam ser incluídos nas ações de prevenção e proteção contra a violência sexual”, informa Mônica Rocha, Supervisora do Programa de Atenção e Prevenção à Violência do Instituto Jô Clemente (IJC). 

Especialistas reforçam que o enfrentamento à violência é um problema sistêmico e exige respostas compatíveis com a complexidade da questão, incluindo, de forma estruturante, a incorporação do recorte da deficiência nas políticas públicas e nas estratégias de proteção, bem como a previsão orçamentária necessária para sua efetiva implementação. 

“Mais do que incorporar o marcador social da deficiência apenas em nível conceitual em materiais, políticas e campanhas, é necessário transformar evidências em ação pública concreta, com compromisso institucional e decisão política. Isso implica a adoção de respostas mais qualificadas, coerentes e efetivas, com a inclusão das ações de prevenção nos instrumentos de planejamento e orçamento público, incluindo o PPA, a LDO e a LOA”, finaliza Daniela Farias, Supervisora de Projetos na área de Defesa e Garantia de Direitos.



*: PPA (Plano Plurianual), LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) e LOA (Lei Orçamentária Anual) são os três principais instrumentos de planejamento orçamentário do setor público brasileiro.

 

Instituto Jô Clemente - IJC

Para mais informações, entre em contato pelo telefone (11) 5080-7000 ou visite o site do IJC (ijc.org.br), o primeiro do Brasil 100% acessível e com Linguagem Simples. Aproveite para seguir o IJC nas redes sociais.

 

NR-1 entra em nova fase e obriga empresas a tratar saúde mental como gestão de risco, alerta psiquiatra

Especialista afirma que programas de bem-estar, sozinhos, não atendem às exigências da norma e podem gerar falsa sensação de conformidade

 

A partir de 26 de maio, empresas brasileiras passam a ter de incluir fatores psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), conforme determina a atualização da NR-1 pela Portaria MTE 1.419/2024. A mudança coloca pressão sobre áreas de RH, Saúde e Segurança do Trabalho e liderança corporativa, exigindo que saúde mental deixe de ser tratada apenas como ação de bem-estar e passe a integrar efetivamente a gestão de riscos ocupacionais.

Segundo o médico psiquiatra pela Unifesp Rafael Latorraca, especialista em saúde mental de profissionais de alta performance, com participação em pesquisas clínicas psiquiátricas, muitas empresas ainda confundem promoção de bem-estar com gerenciamento de risco psicossocial — e isso pode gerar problemas trabalhistas, previdenciários e regulatórios.
 

“A NR-1 exige gerenciamento de risco, não apenas iniciativas de bem-estar. Aplicativos de meditação, palestras e programas de wellness podem ajudar como apoio complementar, mas não substituem intervenções organizacionais sobre carga de trabalho, autonomia, metas, liderança e previsibilidade operacional”, afirma.


De acordo com o especialista, a lógica é semelhante à já aplicada em ergonomia. “Ninguém resolve um problema estrutural de LER apenas oferecendo massagem para quem já desenvolveu tendinite. A empresa precisa atuar na origem do risco. Com saúde mental, a lógica é exatamente a mesma”, explica.


A atualização da NR-1 ocorre em um momento de crescimento expressivo dos afastamentos relacionados a transtornos mentais. Em 2024, mais de 540 mil benefícios previdenciários foram concedidos no Brasil por esse motivo, criando uma base epidemiológica que tende a ampliar fiscalização e judicialização nas empresas.


Para Latorraca, três questões devem orientar imediatamente a revisão das estratégias corporativas:

A empresa conhece, de forma estruturada e validada, os fatores psicossociais presentes na operação?

Existem ações organizacionais documentadas para reduzir os riscos identificados?

A liderança está preparada para atuar como fator de proteção — e não de adoecimento?

O psiquiatra destaca que a própria metodologia de avaliação muda com a nova exigência. “A norma não propõe investigar a saúde mental individual dos funcionários, mas sim as condições de trabalho que podem gerar adoecimento. Isso exige instrumentos validados, aplicação técnica e integração ao PGR”, afirma.


Segundo ele, outro ponto crítico é o risco jurídico de empresas que fazem diagnósticos organizacionais sem implementar mudanças efetivas. “Um PGR que reconhece fatores psicossociais e não documenta medidas corretivas pode funcionar como prova de que a empresa sabia do problema e não agiu”, alerta.


Entre as medidas consideradas prioritárias pela literatura científica e pelos referenciais técnicos estão revisão de metas, clareza de papéis, autonomia decisória, previsibilidade de escalas, qualidade da supervisão e apoio social no ambiente de trabalho.


“Treinar liderança apenas em escuta empática, sem rever como ela distribui demanda, oferece feedback ou conduz decisões, gera uma falsa percepção de conformidade. O risco psicossocial nasce muito mais da dinâmica organizacional do que do indivíduo”, diz.


Apesar das críticas ao uso isolado de programas de wellness, Latorraca ressalta que essas iniciativas continuam relevantes como estratégia complementar de suporte. “O problema é quando elas ocupam o lugar da intervenção estrutural que a norma exige”, conclui.

 

Rafael Latorraca - médico psiquiatra em São Paulo, formado pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp), com atuação em saúde mental de profissionais de alta performance e subinvestigador em pesquisas clínicas psiquiátricas


A Geração Alpha está pronta para viver 100 anos?

Grupo mais conectado da história enfrenta fatores que podem impactar diretamente a forma como envelhecerá nas próximas décadas
 

Formada por pessoas nascidas a partir de 2010, a chamada Geração Alpha já nasce inserida em um ambiente cercado por tecnologia, informações instantâneas e novas formas de socialização. Segundo dados do IBGE, crianças e adolescentes de até 14 anos já representam quase 20% da população brasileira, evidenciando a importância dos mais jovens na construção do futuro do país. Como uma parcela populacional que cresce em um contexto de avanços médicos constantes, maior expectativa de vida e transformações profundas no mercado de trabalho e nas relações humanas, surge uma pergunta: essa geração está sendo preparada para envelhecer? 

Em um cenário em que a longevidade não é mais um tema restrito aos mais idosos e em que o envelhecimento populacional deixa de ser um desafio distante para ocupar papel central nas transformações sociais e econômicas, a expectativa de vida no Brasil já ultrapassa os 75 anos e, com isso, cresce também a necessidade de pensar o futuro de forma mais estruturada desde cedo. 

Ao mesmo tempo, o fácil acesso à tecnologia e à informação avança rapidamente entre a Geração Alpha, contribuindo para o desenvolvimento de pessoas mais informadas e engajadas com a sustentabilidade, diversidade e bem-estar. Nesse contexto, especialistas alertam que viver mais exige preparo contínuo, desenvolvimento de habilidades socioemocionais, educação financeira, relação equilibrada com a tecnologia e o incentivo à autonomia. Todos esses aspectos, em conjunto, podem impactar diretamente a forma como essa geração chegará às próximas décadas. 

Para o Instituto de Longevidade MAG, discutir envelhecimento com a Geração Alpha é abrir espaço para olhar o futuro sob uma perspectiva preventiva e, principalmente, educativa. “A longevidade deixou de ser uma pauta apenas associada ao envelhecimento e passou a representar uma jornada que começa ainda na infância. A Geração Alpha vem crescendo em um cenário de maior expectativa de vida, mas também de mudanças constantes e desafios de adaptação. Viver mais significa desenvolver uma maior consciência sobre saúde, relações sociais, planejamento financeiro e propósito de vida desde cedo”, afirma Antonio Leitão, gerente institucional do Instituto de Longevidade MAG. 

Para instituições e empresas, é imprescindível compreender a maneira como esse público deixa de ser uma aposta no futuro e passa a representar também uma necessidade estratégica, já que nos próximos anos, a Geração Alpha não apenas influenciará padrões de consumo, mas também deverá redefinir relações de trabalho, educação e planejamento financeiro, especialmente diante de uma sociedade que terá uma vida mais longa. 

“A Geração Alpha tem nos feito repensar não apenas produtos e serviços, mas a forma como nos relacionamos com o futuro de maneira geral. Estamos falando sobre indivíduos que estão crescendo em um mundo diferente do que costumávamos conhecer, em um contexto de avanços tecnológicos constantes e mudanças sociais profundas. É fundamental nos prepararmos para essa nova realidade, para construir soluções mais sustentáveis e alinhadas às próximas décadas”, destaca Leitão. 

Entre os fatores que devem ganhar protagonismo na construção de uma longevidade saudável para a Geração Alpha, podem ser destacados:

  • Saúde mental e emocional: com crianças e adolescentes enfrentando um ambiente de hiperestimulação digital, pressão social e excesso de informação, pode haver impacto direto na ansiedade, autoestima e saúde como um todo.
  • Desenvolvimento de hábitos mais saudáveis: alimentação equilibrada, prática de atividade física e qualidade do sono, por exemplo, tendem a influenciar diretamente a saúde física, emocional e mental.
  • Educação e planejamento financeiro: viver mais também significa lidar com ciclos de carreira mais longos, mudanças profissionais e necessidade de preparo econômico, logo é importante estar sempre antenado a essas mudanças.
  • Relações sociais: em uma era cada vez mais digital, a capacidade de construir vínculos reais e conexões mais fortes ganha importância para o bem-estar ao longo da vida.

Essa discussão também passa pela responsabilidade das famílias, escolas, empresas e instituições públicas e privadas em ampliar o debate sobre futuro e bem-estar da população. Investindo em conhecimento, inovação e proximidade com esse público, diferentes setores reforçam seu compromisso com o desenvolvimento de uma sociedade mais consciente, inclusiva e preparada para os desafios a serem enfrentados nas próximas décadas.

Para o Instituto de Longevidade MAG, entidade com dez anos de atuação que estuda os impactos do aumento da longevidade na população brasileira, a sociedade precisa deixar de lado a ideia de apenas viver mais e passar a apresentar o conceito de viver melhor, permitindo que a sociedade enxergue o envelhecimento não como uma etapa distante, mas como uma construção positiva que acompanha as pessoas ao longo da vida.

  

Instituto de Longevidade MAG  

Grupo MAG | Grupo GBR
mag@gbr.com.br


Ser mãe ou não? 5 perguntas para quem tem dúvidas sobre a maternidade

No mês em que o mundo celebra as mães, especialista alerta: a decisão mais importante da vida adulta feminina começa muito antes da gravidez

 

Maio é conhecido internacionalmente como o mês das mães e nesse contexto, é comum vir à tona as perguntas que muitas mulheres carregam em silêncio: quero ser mãe? Estou pronta? É isso que sinto ou é o que esperam de mim? Num mês carregado de homenagens e expectativas, a sociedade costuma celebrar a maternidade que já aconteceu, mas raramente abre espaço para falar sobre a maternidade que ainda está sendo considerada. Para o psicanalista e especialista em comportamento humano Lucas Scudeler, essa lacuna tem um custo alto. "A pergunta mais honesta que uma mulher pode se fazer não é se ela quer ou não parir. É o que ela quer nutrir, cuidar e deixar no mundo", afirma. 

A maternidade nunca foi um tema simples. Mas nas últimas décadas, ele se tornou ainda mais complexo: mais mulheres têm acesso à informação, mais liberdade de escolha e, ao mesmo tempo, mais pressão vinda de todos os lados. O resultado é uma geração de mulheres que, muitas vezes, não sabe distinguir o que deseja do que foi ensinada a desejar. Por isso, antes de chegar a qualquer resposta, Scudeler propõe cinco perguntas que toda mulher deveria se fazer com tempo, com calma e sem julgamento.


  1. O que você quer nutrir, cuidar e deixar no mundo?

Esta é, segundo Scudeler, a pergunta mais honesta que existe e a mais ignorada. Antes de pensar em gravidez, em filhos ou em maternidade biológica, há uma questão anterior e mais profunda: qual é o seu desejo de cuidado? "Uma mulher pode nunca ter engravidado e exercer maternidade de forma profunda, seja através de um legado, da adoção, do cuidado com quem precisa. E uma mulher pode ter cinco filhos e nunca ter sido mãe de verdade", explica o psicanalista. Perguntar o que se quer nutrir é perguntar sobre valores, sobre propósito, sobre o tipo de presença que você quer ter no mundo.


  1. Você quer ser mãe, ou sente que deveria querer?

A pressão sobre mulheres sem filhos é real e, muitas vezes, invisível. Ela vem da família que pergunta "é para quando?", das amigas que já são mães, das redes sociais que romantizam a maternidade e de uma cultura que ainda associa feminilidade à reprodução. Para Scudeler, distinguir um desejo genuíno de um condicionamento cultural é um dos exercícios mais difíceis e mais necessários que uma mulher pode fazer. "Existe uma diferença enorme entre querer ser mãe e sentir que se deve querer. Uma nasce de dentro. A outra nasce do olhar do outro", afirma.


  1. Você tem ou busca um ambiente seguro para exercer a maternidade?

O especialista aponta um dado que raramente entra no debate público: um número crescente de mulheres não rejeita a maternidade por falta de desejo, mas porque não encontra as condições mínimas para exercê-la com dignidade. "Quando a mulher sente que vai carregar tudo sozinha, a maternidade deixa de ser desejo e vira peso", alerta Scudeler. Ele complementa que parceria real, rede de apoio, estabilidade emocional e condições financeiras básicas não são luxo, mas sim parte da equação. 

Por isso, avaliar honestamente o ambiente em que se vive não significa adiar indefinidamente. Significa ter clareza sobre o que existe, o que pode ser construído e o que precisa mudar antes de dar um passo que não tem volta.


  1. Você está pronta para se transformar e ser transformada?

Existe um equívoco muito comum sobre a maternidade, de que ela se encaixa na vida que já existe. Na prática, ela reorganiza tudo: identidade, prioridades, relacionamentos, tempo, corpo, sonhos. Muitas mulheres chegam à maternidade esperando continuar sendo quem eram, mas com um bebê ao lado. No entanto, a transformação é inevitável. A prontidão para a maternidade, nesse sentido, tem menos a ver com condições externas e mais com a disposição interna de atravessar uma mudança radical.


  1. Você já fez as pazes com a sua própria infância?

Toda mulher chega à maternidade carregando a história que viveu como filha. "A transmissão geracional é um fenômeno real e silencioso. Repetimos o que não elaboramos. E, quando não entendemos de onde viemos, tendemos a reproduzir o que nem percebemos que carregamos", explica Scudeler. 

Isso não significa que é preciso ter uma infância perfeita para ser uma boa mãe. Significa que olhar para a própria história, de preferência com apoio terapêutico, é um dos gestos mais responsáveis que uma mulher pode ter antes, e não depois, de tomar a decisão. 

Nenhuma dessas cinco perguntas tem uma resposta certa. E esse é exatamente o ponto. Scudeler não propõe um roteiro para decidir se tornar mãe ou não, mas sim um convite ao autoconhecimento num momento em que a pressão cultural, o calendário biológico e o julgamento alheio costumam falar mais alto do que a própria voz interna. 

No mês em que o mundo para para celebrar as mães, talvez o gesto mais bonito que uma mulher possa fazer por si mesma seja sentar com as próprias perguntas antes de buscar respostas prontas. “Seja qual for a resposta que vier, o que importa é que ela nasça de dentro. Não da expectativa do outro, não da data no calendário, não do medo do julgamento”, finaliza.


No mês das noivas: Escolhas que definem destinos


Profissão e casamento exigem mais consciência do que aprovação social

 

Maio, tradicionalmente conhecido como o mês das noivas, costuma reforçar ideias ligadas ao relacionamento perfeito, estabilidade e construção de futuro. Mas, em meio às celebrações e expectativas sociais, especialistas alertam para um problema cada vez mais comum: escolhas afetivas feitas mais para atender padrões externos do que por conexão emocional verdadeira. O mesmo comportamento, segundo psicólogos, também se repete na escolha da profissão.

Em uma sociedade fortemente influenciada por status, aparência e validação social, muitas pessoas acabam direcionando suas decisões para aquilo que parece admirável aos olhos dos outros. Carreiras associadas a prestígio financeiro e parceiros que representam um ideal coletivo de sucesso continuam sendo priorizados, mesmo quando não existe identificação real ou compatibilidade emocional.

Segundo o psicólogo, escritor e palestrante Fefo Milléo, a pressão social tem levado muitas pessoas a construírem trajetórias desconectadas da própria essência. “Existe uma tendência muito forte de buscar aprovação o tempo inteiro. Isso acontece tanto na profissão quanto nos relacionamentos. Muitas pessoas escolhem o que parece certo socialmente, mas acabam vivendo uma realidade frustrante emocionalmente”, afirma.

De acordo com o especialista, esse comportamento fica ainda mais evidente no campo afetivo, especialmente em períodos como o mês das noivas, quando o ideal do relacionamento perfeito ganha ainda mais destaque. “Muitas vezes, a escolha é baseada apenas em aparência, status ou validação externa. O encantamento inicial pode esconder ausência de maturidade emocional, responsabilidade e capacidade de construir uma relação saudável”, explica o psicólogo.

Fefo destaca que a dificuldade em contrariar expectativas externas está no centro dessas decisões. “Ter coragem de não seguir apenas o que os outros esperam é, muitas vezes, o primeiro passo para construir uma vida mais verdadeira e alinhada com quem você realmente é”, ressalta Milléo.

A longo prazo, segundo o psicólogo, escolhas feitas para agradar terceiros tendem a gerar frustração, ressentimento e sensação de vazio, tanto no trabalho quanto nos relacionamentos. Em contrapartida, decisões alinhadas aos próprios valores aumentam significativamente as chances de estabilidade emocional e realização pessoal.

Para Fefo, o grande desafio da atualidade é aprender a escolher com consciência em uma sociedade que ainda valoriza excessivamente o “parecer”. “As pessoas precisam entender que sucesso não é apenas reconhecimento externo. Uma vida equilibrada passa pela coragem de fazer escolhas coerentes com a própria identidade”, conclui.



Fefo Milléo - Psicólogo, escritor e palestrante
@fefomilleo


Raio-X da Geração Z: jovens brasileiros estão mais tradicionais nos relacionamentos

Levantamento do happn mostra uma geração dividida entre a fadiga digital e desejos tradicionais: 53% não veem benefícios em relacionamentos abertos

 

Uma nova pesquisa do happn, o aplicativo de relacionamentos da vida real, revelou um raio-X dos hábitos de namoro da Geração Z no Brasil, desmistificando mitos sobre mudanças nas estruturas de relacionamento. Apesar de todo o hype em torno da não-monogamia, os resultados mostram uma geração que permanece na tradição: 55% se identificam como estritamente monogâmicos e mais da metade (53%) não vê benefício em relacionamentos abertos. Essa abordagem também vem acompanhada de uma forte autocrítica, já que 36% dos respondentes veem a própria geração como desinteressados em compromisso e 30% a descrevem como confusa sobre o amor.

 

A pesquisa também destaca uma mudança significativa em direção a relacionamentos mais intencionais, nos quais a clareza é a nova medida de atração. Para a Geração Z, a transparência sobre o que uma pessoa está procurando é agora tão importante quanto a aparência física, com 34% priorizando intenções claras na hora de dar o like. Esse desejo por honestidade é uma resposta direta às "red flags" modernas: o comportamento mais detestado é a demora intencional para responder mensagens para parecer desinteressado (35%), seguido de linguagem agressiva ou preconceituosa, que é um fator decisivo para o desinteresse para 35% das mulheres. Consequentemente, o objetivo principal para esses jovens não é necessariamente um relacionamento sério ou uma ficada casual, mas sim conexões "sem pressão" (35%), permitindo que elas evoluam organicamente.

 

O bem-estar digital também é um pilar central da Geração Z: quase metade dos jovens (47%) admite que as redes sociais impactam negativamente sua visão sobre o amor, porque podem incentivar expectativas tóxicas e idealizadas.


Essa fadiga digital pode explicar a adoção cautelosa de novas tecnologias: embora 83% ainda não tenham integrado a IA em suas vidas amorosas, muitos usuários a estão utilizando como uma consultora de relacionamentos. Em vez de apenas gerar cantadas, eles aproveitam a IA para buscar conselhos comportamentais (47%) e usam ferramentas no próprio aplicativo, como o Perfect Date, para planejar encontros (21%), demonstrando o desejo de usar a tecnologia para estreitar a lacuna entre o match digital e a conexão no mundo real.


“Esses resultados nos mostram uma geração que está navegando em um paradoxo profundo: eles estão digitalmente sobrecarregados, mas são profundamente tradicionais em seus desejos centrais. Os solteiros da Geração Z são muito intencionais em suas escolhas e querem que sua experiência de relacionamento permaneça transparente e humana, priorizando a responsabilidade no mundo real em vez do 'hype' de novos rótulos. No happn, estamos comprometidos em ajudá-los a redescobrir essas conexões autênticas e locais”, diz Karima Ben Abdelmalek, CEO e Presidente do happn.


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