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segunda-feira, 4 de maio de 2026

Saúde íntima em cada fase da vida: o que muda dos 20 aos 50+

Alterações hormonais, estilo de vida e envelhecimento influenciam diretamente o bem-estar íntimo feminino ao longo dos anos


A saúde íntima feminina passa por transformações significativas ao longo da vida, influenciadas principalmente por fatores hormonais, comportamentais e pelo próprio envelhecimento do corpo. Dos 20 aos 50 anos ou mais, cada fase apresenta necessidades específicas que impactam desde a libido até a prevenção de doenças, reforçando a importância do acompanhamento ginecológico contínuo e do acesso à informação de qualidade.

Na faixa dos 20 anos, o início ou a consolidação da vida sexual costuma trazer dúvidas sobre métodos contraceptivos e prevenção de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Dados do Ministério da Saúde mostram que os jovens estão entre os grupos mais vulneráveis às ISTs, especialmente devido ao uso inconsistente de preservativos. A orientação adequada nesse período é essencial para evitar tanto a gravidez não planejada quanto infecções que podem trazer consequências a longo prazo.

Já entre os 30 e 40 anos, muitas mulheres passam por mudanças relacionadas à rotina, estresse e, em alguns casos, à maternidade. Essas alterações podem impactar diretamente o desejo sexual e o equilíbrio hormonal. Além disso, é uma fase em que o planejamento reprodutivo ganha ainda mais relevância, seja para quem deseja engravidar ou para quem busca métodos contraceptivos de longa duração. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o acesso a métodos contraceptivos seguros e informação adequada é fundamental para garantir autonomia e saúde reprodutiva ao longo da vida.

A partir dos 40 e 50 anos, o corpo feminino entra em uma fase de transição para a menopausa, com queda na produção de estrogênio e possíveis impactos na saúde íntima, como ressecamento vaginal, redução da libido e maior predisposição a infecções urinárias. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer, é também nessa fase que se intensifica a necessidade de exames preventivos, como o papanicolau, essencial para o rastreamento do câncer de colo do útero.

Segundo a Dra. Larissa Cassiano, médica parceira da DKT South America, empresa de planejamento familiar, entender essas mudanças é fundamental para manter a qualidade de vida em todas as fases. “Cada momento da vida da mulher exige um olhar específico para a saúde íntima. O mais importante é manter o acompanhamento médico regular e adaptar os cuidados às necessidades de cada fase, seja na escolha do método contraceptivo, na prevenção de doenças ou no cuidado com o bem-estar sexual”, explica.

Além das questões físicas, fatores emocionais e comportamentais também exercem influência significativa na saúde íntima. Estresse, rotina intensa e mudanças na autoestima podem impactar diretamente a vida sexual e o bem-estar geral. Por isso, especialistas reforçam que o cuidado com a saúde feminina deve ser visto de forma integral, considerando corpo e mente.

Com informação, prevenção e acompanhamento adequado, é possível atravessar todas as fases da vida com mais segurança, conforto e autonomia. Entender o próprio corpo e suas transformações é um passo essencial para promover não apenas a saúde íntima, mas o bem-estar como um todo.


DKT South America
DKT Salú
DKT Academy
Use Prudence.


Dia Mundial de Combate à Asma: controle contínuo para uma vida plena

Pneumologista da Unifran desmistifica a doença como sazonal e destaca a importância do diagnóstico precoce para a saúde pulmonar

 

Com a chegada do Dia Mundial de Combate à Asma, em 05 de maio, a Profa. Dra. Patrícia Macedo Bernardino, Pneumologista e docente do curso de Medicina da Unifran, alerta para a importância do diagnóstico precoce e do manejo contínuo da asma, com o intuito de desmitificar a ideia de que a doença é apenas sazonal ou se manifesta somente em crises. 

A asma, uma doença inflamatória crônica das vias respiratórias, afeta milhões de pessoas globalmente, mas seus sintomas muitas vezes são subestimados ou confundidos com outras condições. "Os principais sinais de alerta que indicam que uma pessoa pode ter asma incluem falta de ar, chiado no peito, tosse persistente, principalmente à noite ou ao acordar, e sensação de aperto no peito", explica a Dra. Patrícia. Esses sintomas podem ser intermitentes e piorar com esforço físico, exposição à poeira, mudanças de clima ou infecções respiratórias. 

A especialista ressalta que a asma pode surgir em qualquer idade, não sendo exclusiva da infância. "Em adultos, muitas vezes é subdiagnosticada porque os sintomas são atribuídos a sedentarismo, ansiedade ou outras condições", afirma. 

O diagnóstico precoce é fundamental, pois permite iniciar o tratamento adequado antes que a doença evolua, evitando a inflamação contínua das vias aéreas e a piora progressiva da função pulmonar. "Com o diagnóstico correto, conseguimos controlar os sintomas, reduzir crises e proporcionar uma melhor qualidade de vida ao paciente", completa.
 

Asma: uma condição crônica que exige cuidado contínuo

Uma percepção comum, mas equivocada, é a de que a asma seria uma condição 'sazonal' ou que requer atenção apenas durante as crises. A especialista desmistifica essa ideia. "A asma é uma doença inflamatória crônica das vias respiratórias, o que significa que a inflamação está presente mesmo quando o paciente está sem sintomas. Por isso, o tratamento contínuo é essencial, atuando no controle dessa inflamação, prevenindo crises e evitando agravamentos", detalha. 

A falta de tratamento adequado e regular pode levar a sérias complicações a longo prazo. "Quando o paciente trata apenas os episódios agudos e não faz o uso regular das medicações de controle, a doença tende a se tornar mais instável", adverte a pneumologista. 

Os riscos incluem crises graves que exigem atendimento de urgência, hospitalizações, limitação das atividades do dia a dia e uma perda progressiva da função pulmonar. Há também um impacto direto na qualidade de vida, no sono e até na produtividade no trabalho.
 

Qualidade de vida plena com o tratamento adequado

A boa notícia é que, com o tratamento e acompanhamento médico adequados, a perspectiva de qualidade de vida para pacientes com asma é extremamente favorável. "Atualmente, com o tratamento adequado, a grande maioria dos pacientes com asma pode levar uma vida completamente normal. Isso inclui praticar atividades físicas, trabalhar, estudar e ter uma rotina sem limitações significativas", assegura a Dra. Patrícia. 

Para alcançar esse controle, a adesão ao tratamento é um pilar fundamental. "O controle da asma depende principalmente de três pilares: uso correto das medicações prescritas, especialmente os inaladores, acompanhamento médico regular e identificação de fatores que desencadeiam as crises, como poeira, mofo, fumaça ou mudanças bruscas de temperatura", explica a docente. É crucial que o paciente não interrompa a medicação ao se sentir melhor, pois isso pode levar à perda do controle da doença. 

A medicina tem avançado significativamente nesse campo. "Felizmente, houve avanços importantes nos últimos anos. Hoje contamos com medicações inalatórias mais eficazes e seguras, além de tratamentos modernos, como os imunobiológicos, indicados para casos mais graves. Esses avanços têm permitido um controle muito mais eficiente da doença, reduzindo crises e melhorando significativamente a qualidade de vida dos pacientes", conclui a especialista.
  


UNIFRAN
www.unifran.edu.br


Mulheres no centro da ciência: um avanço contra a padronização androcêntric

Em 2026, um marco simbólico e científico expõe, mais uma vez, as lacunas históricas da produção de conhecimento: o clitóris feminino foi mapeado em três dimensões com precisão inédita, permitindo uma compreensão mais detalhada de sua estrutura, inervação e funcionalidade. O fato, comandando pela pesquisadora Ju Young Lee, da universidade UMC, por si só, não deveria soar surpreendente, mas soa. Isso porque estruturas análogas do corpo masculino, como o pênis, já haviam sido amplamente descritas e modeladas há décadas, evidenciando um desequilíbrio persistente na agenda científica. 

Esse avanço não se limita ao campo da sexualidade. Trata-se de um reposicionamento epistemológico: reconhecer que o corpo feminino foi, durante séculos, subinvestigado e, muitas vezes, interpretado a partir de parâmetros masculinos. A chamada “neutralidade científica” revelou-se, na prática, uma padronização androcêntrica, na qual o masculino foi assumido como norma e o feminino como variação. 

Esse episódio ilumina uma questão estrutural mais ampla: a invisibilização do corpo feminino na pesquisa científica. Durante décadas, mulheres foram sistematicamente excluídas de ensaios clínicos, seja por questões hormonais consideradas “variáveis demais”, seja por uma lógica de simplificação metodológica. Como consequência, parâmetros diagnósticos, dosagens medicamentosas e protocolos terapêuticos foram amplamente baseados em organismos masculinos, gerando distorções que impactam diretamente a saúde feminina. 

A lacuna se torna ainda mais evidente em áreas como a menopausa, saúde mental e dor crônica, historicamente negligenciadas ou tratadas de forma insuficiente. A escassez de estudos robustos nessas frentes não apenas dificulta a prática clínica baseada em evidências, como também perpetua estigmas e desinformação. Produzir ciência a partir das especificidades femininas não é um recorte identitário, mas uma exigência de rigor metodológico e de justiça sanitária. 

Outra área que podemos esperar avanços nos próximos tempos é em relação a estudos sobre a mente feminina. A neurociência tem avançado de forma galopante quanto a anatomia e funções do cérebro. E quanto mais se estuda mais se percebe que o funcionamento cerebral das mulheres e dos homens é diferente. As mulheres têm uma integração entre os hemisférios muito maior que a dos homens e, portanto, conectam lógica e emoção com mais facilidade. Mulheres são mais empáticas (sistema límbico mais ativo). E vou matar uma curiosidade de muitos agora, a mulher é multitarefa enquanto o homem tem o que chamamos de visão em túnel, isto é, focam na resolução de uma coisa por vez. Compreender estas diferenças podem mudar a forma nas condutas terapêuticas e psicológicas. 

A ciência funciona assim: um estudo embasa o outro. Imagine quantos saberes sobre a sexualidade e saúde feminina podem se desdobrar a partir destes estudos? Inúmeros. A cada descoberta aumentamos a chance de mulheres terem qualidade de vida e saúde. Uma pesquisa como esta, então, não deve ser celebrada somente pela descoberta, mas por também ser uma porta para uma nova direção para outros estudos para mulheres. 

Mais do que um fato isolado, trata-se de um indicativo de mudança de paradigma. Incorporar o feminino como eixo central e não periférico na ciência é ampliar a precisão do conhecimento, reduzir desigualdades em saúde e reconhecer, de forma concreta, que não há universalidade possível quando metade da população é historicamente negligenciada. 

A ciência que inclui as mulheres não é uma ciência segmentada. É, finalmente, uma ciência completa.

 

Karina Rodrigues - neurocientistas e doutoranda em Psicologia dos Arquétipos Femininos e Menopausa pela UNINI no México. Autora do livro “O Ano do Cavalo”.


Erros comuns aumentam casos de doenças respiratórias no outono; saiba quais

 Pneumologista do Hospital Santa Catarina - Paulista alerta para hábitos que aumentam a transmissão de vírus respiratórios dentro de casa e orienta quando os sintomas podem indicar quadros mais graves

 

Durante o outono, hospitais e unidades de saúde vivenciam o aumento dos casos de doenças respiratórias impulsionado por mudanças de temperatura, maior circulação de vírus e piora na qualidade do ar. Para além dos fatores sazonais, um comportamento comum no dia a dia tem contribuído para a disseminação dessas infecções, especialmente nas próprias famílias. 

Segundo o pneumologista do Hospital Santa Catarina - Paulista, Dr. Alberto Cukier, o principal erro está em manter convívio próximo com outras pessoas mesmo diante de sintomas gripais. O hábito favorece a transmissão em cadeia entre diferentes faixas etárias e representa um potencial risco para os mais vulneráveis ao contágio, como crianças e idosos. 

“É bem comum que crianças levem vírus da escola para casa e, na rotina das famílias, acabem sendo cuidadas pelos avós. Esse contato, embora natural, aumenta a possibilidade de transmissão para pessoas que estão fragilizadas e que podem desenvolver quadros mais graves, assim como amplia o raio de contaminação”, explica. 

Outra prática frequente é a tendência de manter as atividades normalmente, mesmo com sinais de gripe e resfriado. “Muitas pessoas continuam trabalhando gripadas ou circulando socialmente, sem proteção, o que aumenta a disseminação. São comportamentos que parecem inofensivos, mas têm impacto direto na alta dos casos nesta época do ano”, completa o pneumologista.

 

Quando é mais que uma gripe?

Embora a maioria dos quadros seja leve e autolimitada, é fundamental estar atento à evolução dos sintomas. O especialista do Hospital Santa Catarina - Paulista explica que, em geral, manifestações como dor de garganta, coriza, febre baixa e mal-estar tendem a melhorar em um ou dois dias com medidas simples, como repouso, hidratação e uso de antitérmicos. 

“Alguns sinais, no entanto, indicam a necessidade de avaliação médica. Quando o paciente apresenta falta de ar, chiado no peito, febre persistente ou piora progressiva após os primeiros dias, é recomendado procurar atendimento. Esses podem ser indícios de complicações, como pneumonia, que exigem investigação e, em alguns casos, até internação”, alerta o médico. 

Quem faz parte do grupo de maior risco, como idosos e pessoas com doenças respiratórias prévias (asma ou doença pulmonar obstrutiva crônica - DPOC, por exemplo) devem redobrar a atenção. “Pessoas que já têm dificuldades respiratórias, tendência a ter falta de ar, desconforto ao fazer atividades, podem piorar se forem acometidas por qualquer um desses fenômenos infecciosos”, lembra.

 

Uso inadequado de antibióticos

O uso indiscriminado de medicamentos, especialmente antibióticos, é um ponto de atenção. “A maioria das infecções respiratórias nessa época é causada por vírus, e antibióticos não têm resultado nesses casos. O uso inadequado, além de não trazer benefício, pode causar efeitos colaterais e contribuir para a resistência bacteriana, um problema crescente de saúde pública”, destaca o Dr. Alberto Cukier. 

“Preciso comprar remédio, fazer uso de alguma medicação forte? A resposta é não. Em situações como dor de garganta, nariz escorrendo ou desconforto, a adoção de medidas caseiras, como lavagem nasal ou uso de antitérmico, já é suficiente. Fora isso, ficar em repouso e se manter hidratado e alimentado, seja com chá, canja, o que for natural. Medicação em excesso piora a situação e ajuda a mascarar sintomas”, pontua.

 

O que de fato ajuda a prevenir

Disponibilizada pelo SUS, a vacina contra a gripe é uma aliada nesta época. Ela contribui para a redução de casos e, principalmente, de formas graves da doença. “A população toda deveria se vacinar contra influenza. Mesmo que não impeça 100% a infecção, a vacina diminui a circulação do vírus e reduz significativamente o risco de complicações. Assim, conseguimos diminuir os quadros gripais”. 

O especialista recomenda aproveitar as campanhas anuais para manter a vacinação em dia e reforçar a proteção. Para além disso, intensificar medidas simples e já incorporadas durante a pandemia, como lavar ou higienizar as mãos com frequência, usar máscaras e, ao tossir ou espirrar, evitar que essas gotículas fiquem pelo ar e contaminem outras pessoas. Confira as orientações:

  • Manter a vacinação contra influenza em dia
  • Evitar contato próximo com pessoas doentes
  • Higienizar as mãos com frequência
  • Cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar
  • Utilizar máscara em caso de sintomas
  • Manter ambientes ventilados
     

Do sintoma ignorado ao diagnóstico tardio: os riscos de não investigar sinais do corp

Especialista alerta que sinais aparentemente simples podem indicar problemas de saúde mais sérios quando negligenciados


 

Sintomas como cansaço frequente, dor abdominal, alterações no intestino ou pequenos sangramentos costumam ser ignorados na rotina corrida. No entanto, o que muitas vezes é tratado como algo passageiro pode ser um alerta do organismo para condições que exigem atenção médica. A negligência desses sinais pode atrasar diagnósticos e comprometer a eficácia do tratamento.

De acordo com o Dr. Carlos Alberto Reyes Medina, Diretor Médico da Carnot Laboratórios, o corpo costuma dar sinais antes que doenças se agravem. Ignorar esses sintomas pode fazer com que condições inicialmente simples evoluam para quadros mais complexos. O acompanhamento médico e a investigação adequada são fundamentais para identificar precocemente possíveis alterações.

Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) mostram que muitos tipos de câncer, como o colorretal e o de colo do útero, apresentam maiores chances de cura quando diagnosticados precocemente, podendo ultrapassar 90% de sucesso no tratamento em estágios iniciais. Apesar disso, grande parte dos diagnósticos ainda ocorre em fases mais avançadas, justamente pela ausência de sintomas evidentes ou pela demora na busca por avaliação médica.

A Organização Mundial da Saúde também destaca que o diagnóstico precoce é um dos principais fatores para reduzir a mortalidade por doenças crônicas e infecciosas. Segundo a entidade, a identificação rápida de sinais de alerta permite intervenções mais eficazes e menos invasivas, além de melhorar significativamente a qualidade de vida dos pacientes.

Entre os sintomas que merecem atenção estão perda de peso sem causa aparente, fadiga persistente, febre recorrente, alterações no hábito intestinal, dor contínua e sangramentos fora do padrão. Embora nem sempre indiquem doenças graves, esses sinais devem ser avaliados, especialmente quando persistem por vários dias ou semanas.

Outro ponto importante é o hábito da automedicação, que pode mascarar sintomas e atrasar ainda mais o diagnóstico correto. O uso indiscriminado de medicamentos sem orientação profissional pode aliviar momentaneamente o desconforto, mas não resolve a causa do problema.

A recomendação é manter uma rotina de check-ups periódicos e buscar orientação médica sempre que houver mudanças no funcionamento do organismo. O cuidado com a saúde deve ser contínuo e baseado na atenção aos sinais que o corpo apresenta.

Para o especialista, ouvir o próprio corpo é um dos primeiros passos para a prevenção. O diagnóstico precoce não apenas aumenta as chances de tratamento eficaz, mas também reduz complicações e melhora o prognóstico em diversos tipos de doenças.

 

Carnot® Laboratórios


Câncer e sexo: o que ninguém te conta dentro do hospita

 

Enfermeira decide quebrar um dos maiores tabus da oncologia brasileira

 

Falar de sexo já é difícil. Falar de sexo durante um tratamento de câncer, então, é quase um tabu absoluto. Mas é exatamente esse silêncio que a enfermeira e sexóloga Drª Íris Bazílio decidiu romper. Há anos, dentro de um dos maiores institutos oncológicos do país, ela vivencia um sepultamento da sexualidade da mulher com Câncer de mama, e isso não é respeito nem cautela, mas negligência.

A realidade que Íris encontra nos corredores do Instituto Nacional do Câncer (INCA) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) é dura, mas também cheia de histórias que ninguém está acostumado a ouvir. Mulheres que nunca sentiram um orgasmo. Corpos que passaram décadas servindo ao prazer alheio sem receber nada em troca. E um diagnóstico de câncer que, paradoxalmente, pode ser o momento em que tudo isso vem à tona.


"Sexo e câncer não são água e óleo"

Existe um senso comum de que pensar em prazer durante um tratamento oncológico é egoísmo. Íris discorda diretamente deste pensamento. "O sexo com prazer, com vontade, é altamente produtivo: aumenta a imunidade, alivia a dor, controla a insônia. Tudo que um paciente precisa", afirma.

O problema, segundo a especialista, não está na doença em si, mas na visão que a sociedade construiu sobre ambos os temas, câncer e sexo, de forma separada e cheia de julgamentos. Quando os dois se encontram, o tabu se multiplica e o silêncio vira protocolo “não oficial”.


O luto que ninguém vê: perder o próprio corpo

Para Dra. Íris, o impacto mais profundo que o câncer deixa nas mulheres não é físico, é identitário. Ela relata ouvir com frequência frases que partem o coração: "Sempre me achei feia, sempre fui gordinha, mas na balada ficava com os caras mais bonitos, porque meu peito era meu cartão de visita. Agora perdi tudo."

Esse luto do corpo, especialmente após a mastectomia, que é a retirada da mama, é concreto e muitas vezes invisível para o sistema de saúde. Mulheres que não conseguem se olhar no espelho, que evitam passar a mão na própria cicatriz, que vivem um luto em vida. "Falam muito desse luto", conta Íris. E o sistema, em geral, não tem nem espaço nem preparo para acolhê-lo.


 Quando a libido some antes mesmo do diagnóstico

Um dado que chama atenção nas consultas da Dra. Íris é que a perda da libido, em muitos casos, começa antes do câncer aparecer. Só que ninguém pergunta sobre isso, e as mulheres também não contam. Com o tratamento hormonal, esse quadro piora: ressecamento vaginal, dispareunia (dor genital), queda na autoestima e uma imagem de si mesma cada vez mais fragmentada.

"A falta de libido é a consequência de tudo isso junto", explica Íris. E o tratamento que o sistema costuma oferecer para essa equação complexa é, quase sempre, simplista: "Tem ressecamento vaginal? Usa lubrificante, usa óleo de coco". Uma resposta que ignora décadas de história, crenças, traumas e silêncios acumulados.


Um ambulatório pioneiro, uma missão incômoda

Foi justamente para romper com esse modelo que a Dra. Íris criou, no HC III do INCA, um ambulatório de sexualidade voltado para mulheres com câncer de mama, pioneiro no Brasil. A proposta era trabalhar não apenas os sintomas físicos, mas toda a trajetória da mulher: sua criação, suas crenças, sua infância, seus relacionamentos, sua história com o próprio corpo.

"Uma consulta completa, que trabalhe crenças, traumas, história familiar, criação, infância, adolescência, juventude, até os dias atuais", é como ela descreve o que deveria ser padrão na oncologia, mas não é. Ainda.

O silêncio dos profissionais da saúde, que persiste nos hospitais, segundo Dra Íris, tem duas origens: falta de preparo e tabu cultural. "Não falamos da nossa sexualidade. Como falar da sexualidade dos pacientes?", questiona. E completa sobre o silêncio médico: "Não são preparados e têm tabus." Os dois problemas coexistem.


"Ela me perguntou o que era isso"

Entre os relatos que ficaram gravados na memória de Íris, um se destaca. Durante uma consulta de enfermagem, ela perguntou a uma paciente quando havia sido seu último orgasmo. A resposta foi uma pergunta de volta: "O que é isso?"

Íris explicou. E a paciente entendeu, mas revelou que nunca havia sentido. "Meu marido subia em cima de mim, fazia as coisas, acabava e virava para o lado." A paciente em questão, tinha 40 anos de casada.

Para a doutora, essa história não é exceção. É sintoma de uma cultura que ainda violenta as mulheres de duas formas: quando elas não sentem prazer, e quando elas o buscam. "Se a mulher sai dessa formatação e busca seu prazer, não aceita um sexo egoísta, ela é rotulada. Assim, a violência perdura", diz ela.


A redescoberta é possível

 Apesar da dureza do que vê todos os dias, Íris não trabalha com pessimismo. Sua função, como ela mesma define, é mostrar que redescobrir a sexualidade depois da dor é possível. "É isso que faço. Essa é a minha função. Os relatos são surpreendentes."

Além do atendimento presencial no INCA e na UFRJ, ela leva o tema para além dos muros do hospital por meio de palestras, eventos e conteúdo digital, acreditando que democratizar o acesso à informação sobre sexualidade na oncologia é também uma forma de cuidado.

Atualmente, as consultas em sexualidade para pessoas com Câncer de mama foram ampliadas. Ela criou uma metodologia online e atende pacientes de vários lugares do Brasil com câncer de mama para uma sexualidade plena, os resultados são surpreendentes.


Quem é a enfermeira que quebrou os tabus?

Íris Bazílio é enfermeira há quase três décadas, mestre e doutora em Enfermagem pela UERJ e UFRJ, com especialização em Oncologia pela UFRJ/INCA, Neurociências pela PUC, Sexologia pela Universidade UNINASSAU. Também é Terapeuta Holística e Reprogramadora Mental.

Atua como enfermeira líder no Instituto Nacional do Câncer e na Maternidade Escola da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Criou o Ambulatório de Sexualidade do HC III do INCA, pioneiro no país no atendimento à sexualidade de mulheres com câncer de mama. Também fundou o Instituto Iris Bazilio, uma plataforma de cursos online, mentorias, palestras, com conteúdos gratuitos na área de desenvolvimento humano (Instituto Iris Bazilio)

Pesquisa os impactos emocionais e neurobiológicos da sexualidade feminina e atua também como palestrante e terapeuta holística, com foco em desbloqueio do prazer e recuperação da autoestima para mulheres em tratamento oncológico.


Menos cliques, mais medicina: como a automação pode reduzir o burnout médic

Com uso de inteligência artificial e comandos por voz, novas tecnologias prometem reduzir o desgaste psicológico dos médicos e devolver horas à rotina clínica

 

A sobrecarga de tarefas administrativas tem se consolidado como um dos principais fatores de desgaste na rotina médica. Entre preenchimento de prontuários, prescrições, sistemas fragmentados e registros digitais, profissionais de saúde passam boa parte do dia diante de telas, muitas vezes mais focados em cliques do que no paciente. O impacto desse cenário já é conhecido: o burnout médico, reconhecido pela Organização Mundial da Saúde como um fenômeno ocupacional, cresce em diferentes países e especialidades.

Dados ajudam a dimensionar o problema. Um estudo publicado na Annals of Internal Medicine mostra que médicos podem gastar quase duas horas em tarefas administrativas para cada hora de atendimento direto ao paciente, especialmente em ambientes com alto nível de digitalização. Já a consultoria McKinsey & Company estima que até 30% das atividades administrativas na saúde podem ser automatizadas com as tecnologias disponíveis atualmente.

É nesse contexto que a automação começa a ganhar espaço como aliada da prática médica. Soluções baseadas em inteligência artificial vêm sendo desenvolvidas para reduzir o tempo gasto com documentação clínica, permitindo que o profissional volte a concentrar sua atenção na consulta.

Na prática, isso significa menos digitação e mais conversa. Segundo o Dr. João Ladeia, médico e porta-voz da Mediccos Health, a mudança na rotina pode ser significativa. “Antes, eu saía da clínica por volta das 22h30. Hoje, consigo encerrar o dia por volta das 20h30. Com a automação, eu simplesmente falo o que preciso e o sistema organiza tudo”, afirma.

A tecnologia utilizada permite que o médico conduza a consulta normalmente, informando diagnóstico, medicação e orientações por meio de comando de voz. A inteligência artificial, então, transforma essas informações em prontuário estruturado e prescrição médica em PDF, assinada digitalmente, em poucos segundos. Todo o processo ocorre sob comando do profissional, sem interferência no raciocínio clínico.

“O ouro está no áudio. Falar é muito mais rápido do que digitar. Você conduz a consulta, dá os comandos, e em segundos o documento está pronto”, explica Ladeia.

Segundo ele, além do ganho de tempo, há impacto direto na saúde mental do profissional. “A gente estima uma redução de até 90% do desgaste psicológico relacionado à burocracia. Quando você elimina o retrabalho e a necessidade de digitar tudo, o atendimento fica mais leve e mais fluido”, diz.

A empresa afirma que a automação completa do fluxo, do prontuário à prescrição, pode representar mais de duas horas economizadas por dia na rotina médica. Em termos financeiros, isso também pode refletir em maior capacidade de atendimento. Considerando uma consulta média de R$ 500, o tempo recuperado pode representar um potencial adicional de receita ao longo do dia, além de reduzir custos indiretos ligados à ineficiência operacional.

Especialistas apontam que esse tipo de solução acompanha um movimento global de transformação da saúde, em que a tecnologia deixa de ser apenas um suporte e passa a atuar diretamente na organização da prática clínica. Relatório da Gartner indica que o uso de inteligência artificial no setor deve continuar crescendo nos próximos anos, com foco em eficiência, redução de custos e melhoria da experiência do paciente.

Ao mesmo tempo, o avanço dessas ferramentas reforça a necessidade de manter o médico no centro das decisões. “A tecnologia não substitui o profissional. Ela só tira da frente aquilo que não deveria ocupar o tempo dele. Quando isso acontece, a medicina volta a ser mais humana”, conclui o Dr. João Ladeia.

 

Especialista brasileira ganha destaque mundial ao suprir falha no cuidado pós-câncer no país

Procedimento pouco difundido ajuda a resgatar imagem pessoal e qualidade de vida 

 

Mais de 40% dos brasileiros adultos convivem com doenças crônicas, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do IBGE, e o país registra cerca de 704 mil novos casos de câncer por ano, de acordo com estimativas do INCA. Apesar da legislação garantir reconstrução mamária e acompanhamento psicológico pelo SUS, dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) e do DATASUS mostram que o acesso ainda está aquém da demanda, com filas e desigualdades regionais. Procedimentos complementares, como a micropigmentação paramédica, seguem fora da estrutura regular da rede pública.

É nesse cenário que a atuação da especialista Flávia Souza, 42 anos, se destaca ao trabalhar na reconstrução da imagem e da autoestima de pacientes que passaram por cirurgias, doenças ou traumas. A principal característica da técnica desenvolvida por Flávia é o efeito tridimensional, que simula luz e sombra para dar profundidade e realismo, tornando a reconstrução praticamente indistinguível da natural. 

Após ficar um ano acamada devido a um acidente que causou fraturas nas duas pernas e pés, a empreendedora redirecionou sua trajetória profissional. Formada na área da saúde, havia interrompido a carreira após o nascimento das filhas gêmeas, em 2012, que enfrentaram complicações nos primeiros meses de vida. O período de imobilização e os dois anos de reabilitação marcaram o início de uma nova atuação voltada ao cuidado emocional de pacientes.

“Passei por um momento de fragilidade emocional muito grande. Foi ali que surgiu o desejo de ajudar pessoas que também estavam vivendo o mesmo que eu”, afirma.

A micropigmentação paramédica utiliza pigmentos aplicados na pele para reconstruir características afetadas por tratamentos médicos, como sobrancelhas, lábios e aréolas mamárias. Flávia buscou formação internacional, incluindo especialização pela Phiacademy, e passou a atuar com foco em reconstrução areolar. Em 2025, conquistou o título de campeã mundial na técnica e desenvolveu o método próprio Aréola Thera, voltado à reprodução da anatomia da região.

No Brasil, a falta de acesso a esse tipo de procedimento impacta diretamente pacientes que passaram por cirurgias que deixam cicatrizes impactantes. Maria Luisa Marques, 53 anos, advogada, relata que deixou de se reconhecer após uma intervenção. “De repente eu estava deformada. Evitava o espelho. Não me sentia bonita”, afirma. Segundo ela, a falta de informação sobre a micropigmentação prolongou esse processo. Após o procedimento, relata mudança na percepção do próprio corpo. “Hoje eu me sinto mulher novamente. Fiz as pazes com o espelho. Eu me vejo inteira”, completa.

Situação semelhante foi vivida por Marilei Ribeiro do Vale Montagnoli, 51 anos, que passou por tratamento de câncer de mama e cirurgias posteriores. Após a perda da aréola, afirma que não se reconhecia mais. A reconstrução marcou um ponto de mudança. “Ela devolveu muito mais do que a aréola ao meu corpo. Devolveu a minha identidade como mulher”, revela.

No Brasil, a micropigmentação paramédica ainda não integra de forma estruturada os serviços públicos de saúde e está concentrada na rede privada ou em iniciativas pontuais. A ausência desse tipo de atendimento amplia o impacto emocional do pós-tratamento, dificultando a retomada da vida social de muitos pacientes. O Projeto de Lei n.º 892/2023, de autoria da Deputada Silvia Waiãpi, propõe a integração da dermopigmentação funcional (também conhecida como micropigmentação paramédica) como um serviço oficial do SUS. 

Flávia afirma que o trabalho atua nesse intervalo em que o tratamento médico já foi concluído, mas os impactos emocionais e na imagem corporal ainda permanecem. “Não se trata apenas de aparência. É devolver identidade e qualidade de vida para pessoas que passaram por esses processos”, conclui. 

  

Flávia Souza - especialista em micropigmentação paramédica, com atuação voltada à reconstrução da autoestima de pacientes oncológicos e pessoas com doenças autoimunes. Com formação inicial na área da saúde, encontrou na técnica uma forma de unir conhecimento técnico e propósito de vida após enfrentar um grave acidente que a deixou acamada por um ano. Desde então, dedica-se a devolver identidade, confiança e bem-estar por meio de procedimentos que vão além da estética, acompanhando uma tendência crescente de humanização do cuidado.


Acidentes de trânsito seguem como principal causa de traumas cerebrais e de coluna no Brasil

Campanha Maio Amarelo alerta que lesões neurológicas graves podem deixar sequelas permanentes; especialistas reforçam que prevenção ainda é o caminho mais eficaz


Os acidentes de trânsito continuam entre as principais causas de lesões cerebrais e da coluna no Brasil, muitas delas com impacto irreversível na vida dos pacientes. Em meio à campanha do Maio Amarelo, a Sociedade Brasileira de Neurocirurgia chama a atenção para a gravidade desses traumas e reforça a importância de medidas preventivas diante de um cenário ainda preocupante no país. 

Dados do Observatório Nacional de Segurança Viária apontam que, em média, seis pessoas morrem por hora em sinistros de trânsito no Brasil. Já levantamento da Polícia Rodoviária Federal indica que milhares de acidentes são registrados todos os anos nas rodovias federais, com alto número de feridos graves, muitos deles com traumatismo cranioencefálico ou lesões na coluna. Motociclistas estão entre as principais vítimas, concentrando uma parcela significativa dos casos mais severos. 

“O que vemos nos hospitais são histórias que poderiam ter sido evitadas. Muitas vezes, são pacientes jovens, economicamente ativos, que passam a conviver com sequelas graves após um acidente”, afirma a Dra. Vanessa Milanese, Diretora de Comunicação da SBN. “A neurocirurgia tem um papel fundamental no atendimento desses casos, mas há limites. Nem sempre é possível reverter os danos causados ao cérebro ou à medula.” 

Segundo a especialista, a gravidade das lesões está diretamente relacionada a fatores como alta velocidade, uso de celular ao volante e ausência de equipamentos de segurança. “O cérebro e a coluna são estruturas extremamente sensíveis. Um impacto mais intenso pode causar desde concussões até lesões irreversíveis. Em casos de trauma medular, por exemplo, o paciente pode evoluir para paraplegia ou tetraplegia”, explica. 

Apesar dos avanços no atendimento emergencial, o principal desafio ainda está na prevenção. “A mensagem é simples, mas precisa ser repetida: usar cinto de segurança, respeitar os limites de velocidade, não dirigir sob efeito de álcool e evitar distrações ao volante salvam vidas. São atitudes que reduzem drasticamente o risco de lesões graves”, reforça a médica. 

Com o tema “Pare, pense e prossiga”, a campanha da SBN deste ano busca justamente estimular uma mudança de comportamento no trânsito. Para a Dra.., a conscientização precisa ser contínua. “Não podemos tratar o Maio Amarelo como uma ação pontual. O impacto desses acidentes é diário, e a prevenção também precisa ser. Cada decisão no trânsito pode definir o futuro de uma pessoa.” 

A Sociedade Brasileira de Neurocirurgia destaca que, embora a neurocirurgia seja essencial no tratamento de vítimas de trauma, evitar o acidente ainda é a forma mais eficaz de preservar vidas e reduzir o número de pacientes com sequelas permanentes no país.
 

 

Sociedade Brasileira de Neurocirurgia –SBN

WFNS – World Federation of Neurosurgical Societies.

 portalsbn.org

Instagram sbn.neurocirurgia


Maio Roxo: área de nutrição da Nestlé reforça a importância do diagnóstico precoce e o cuidado nutricional para doenças inflamatórias intestinais

 

O mês de maio é marcado pelo “Maio Roxo”, uma iniciativa global dedicada à conscientização das Doenças Inflamatórias Intestinais (DII). Com a prevalência crescente dessas condições crônicas que afetam o trato digestivo, a Nestlé se une ao movimento para combater a desinformação, fomentar o diálogo e destacar a importância do diagnóstico precoce e do manejo nutricional adequado. 

As DIIs, que incluem principalmente a Doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa, caracterizam-se por uma inflamação persistente no intestino. “Essas condições podem gerar dor, desconforto abdominal, alterações no hábito intestinal e um impacto significativo na absorção de nutrientes e na qualidade de vida dos pacientes”, explica Livia Modesto, Nutricionista e Especialista em MKT Medical Nutrition da Nestlé Health Science. Por serem crônicas, as DIIs demandam acompanhamento contínuo por uma equipe multidisciplinar ao longo de toda a vida do paciente. 

Embora ambas sejam DIIs, a Doença de Crohn pode acometer qualquer parte do trato digestivo, da boca ao ânus, com inflamação que atinge diversas camadas da parede intestinal. Já a Retocolite Ulcerativa se caracteriza por uma inflamação contínua que começa no reto e se estende progressivamente por todo o cólon, afetando apenas a camada mais superficial (mucosa). Apesar das distinções, ambas compartilham manifestações clínicas e exigem um manejo individualizado.
 

Sinais de alerta: quando procurar ajuda? 

Muitas pessoas ignoram ou subestimam sintomas intestinais recorrentes, tratando-os como algo passageiro. No entanto, é crucial estar atento a sinais como dor e desconforto abdominal persistentes, diarreia crônica, perda de peso inexplicável, fadiga constante, impacto significativo na qualidade de vida, anemia, febre, sangue nas fezes e até mesmo estar atento às manifestações extra-intestinais. A persistência desses sintomas é um forte indicativo de que é hora de buscar avaliação médica especializada para um diagnóstico preciso e o início do tratamento. 

A nutrição desempenha um papel central no cuidado das DIIs, não apenas para combater a desnutrição, mas também para controlar a inflamação e prevenir complicações a longo prazo. “A inflamação pode comprometer seriamente a absorção de nutrientes, levando a deficiências, facilitando infecções e aumentando o risco de cirurgias e até mesmo de câncer colorretal”, destaca a especialista. Estratégias nutricionais baseadas em evidências, conduzidas por profissionais especializados, são essenciais para o manejo da doença, controle de sintomas e manutenção da remissão, contribuindo para uma melhor evolução do paciente. 

Com décadas de experiência, a área de nutrição da Nestlé Brasil investe globalmente e continuamente em ciência, educação e soluções nutricionais baseadas em evidências para pessoas que vivem com DII. A atuação da empresa vai além do desenvolvimento de fórmulas nutricionais, abrangendo análises e estudos clínicos que avaliam não apenas a desnutrição, mas também a remissão clínica, endoscópica e histológica destes pacientes. 

A Nestlé também se dedica à produção ética e responsável de materiais educativos, direcionados tanto a profissionais de saúde quanto a pacientes e suas famílias. Em parceria com sociedades científicas e de pacientes, a empresa oferece apoio técnico-científico, aliando a nutrição ao cuidado integral na jornada do paciente.


Doenças cardiovasculares seguem como principal causa de morte no Brasil e reforçam alerta para prevenção

Especialista aponta que falta de prevenção e piora no estilo de vida mantêm doenças do coração no topo das mortes no país

 

Mesmo com os avanços da medicina, as doenças cardiovasculares continuam liderando as causas de morte no Brasil, respondendo por cerca de 30% dos óbitos, segundo o Ministério da Saúde. O dado reforça um problema que vai além do tratamento: a prevenção ainda é insuficiente. 

Para a médica Dra. Fernanda Douradinho, o cenário é resultado direto dessa falha. “Mesmo com grandes avanços no diagnóstico e no tratamento, as doenças cardiovasculares continuam liderando as mortes principalmente porque estamos tratando mais, mas prevenindo menos”, afirma. 

O envelhecimento da população contribui, mas não explica tudo. Hábitos como alimentação inadequada, sedentarismo, estresse crônico e o aumento da obesidade têm pesado cada vez mais. “O estilo de vida da população piorou e isso pesa muito”, destaca.

Outro ponto crítico é o caráter silencioso dessas doenças. “A hipertensão pode evoluir por anos sem sintomas, e quando o paciente descobre, muitas vezes já houve algum dano”, alerta a especialista. 

A médica também chama atenção para a mudança no perfil dos pacientes. Casos têm surgido mais cedo e atingido mais mulheres. “Estamos observando pacientes mais jovens com infarto e aumento de doenças cardiovasculares em mulheres, especialmente após a menopausa”, diz. 

Segundo ela, ainda há dificuldade no diagnóstico feminino. “Os sintomas muitas vezes são atípicos, o que pode atrasar o reconhecimento”, explica. Além disso, o acúmulo de fatores de risco agrava o quadro. “O paciente de hoje reúne múltiplos riscos ao mesmo tempo, o que eleva o risco global.” 

Apesar do cenário, a prevenção segue sendo altamente eficaz. “Praticar atividade física, manter uma alimentação equilibrada, controlar o peso, dormir bem, reduzir o estresse, não fumar e fazer check-ups podem reduzir em mais de 80% o risco de eventos cardiovasculares”, afirma. 

Para a especialista, a mensagem é direta. “Prevenção ainda é o melhor tratamento. Muitas pessoas só procuram ajuda depois de um infarto, mas a maioria desses casos pode ser evitada.” 

 

Fernanda Douradinho da Rocha Silva - médica cardiologista, formada em 2007 pela Faculdade de Ciências Médicas de Santos (Centro Universitário Lusíadas). Realizou residência em Clínica Médica (2008–2010) e Cardiologia (2010–2012) no Hospital Ana Costa, em Santos. Possui título de especialista em Cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia desde 2013. Atualmente, atua como médica diarista nas Unidades de Terapia Intensiva de Cardiologia do Hospital Guilherme Álvaro, e também coordenadora da UTI cardiológica do Hospital Guilherme Álvaro, professora da disciplina de Urgência e Emergência da Faculdade de Medicina da UNAERP e mantém seu consultório de cardiologia na Av. Ana Costa, em Santos.

 

Poluição sonora nas grandes cidades pode causar, além de perda auditiva, diversos problemas de saúde

 

A poluição sonora nos grandes centros urbanos representa um problema crescente e ainda subestimado. Embora frequentemente associada apenas à perda auditiva e ao zumbido, a exposição contínua ao ruído ambiental também pode provocar alterações fisiológicas, distúrbios do sono, estresse, aumento da pressão arterial e outros agravos à saúde.

“Apesar de muitas vezes negligenciada por não ser visível, a poluição sonora causa impactos reais e mensuráveis na saúde da população. Portanto, é fundamental ampliar a conscientização sobre os prejuízos do ruído ambiental”, alerta a fonoaudióloga Mariene Terumi Umeoka Hidaka (CRFa 2-5323), do Conselho Regional de Fonoaudiologia da 2ª Região (CREFONO2).

Durante o “I Encontro Brasileiro pela Despoluição Sonora”, realizado no ano passado pela Fundação Getulio Vargas, a capital paulista foi apontada como a sétima metrópole mais barulhenta do mundo. Entre os principais fatores que contribuem para esse cenário estão o tráfego intenso de veículos, máquinas industriais em operação, atividades da construção civil e a realização de eventos com música amplificada e grande aglomeração de pessoas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece a poluição sonora como a segunda maior causa de poluição no mundo e um importante problema de saúde pública. E enquanto em países como Japão, Alemanha, China, Portugal e Estados Unidos já existem legislações nacionais ou políticas estruturadas de controle e redução do ruído ambiental, por aqui o tema ainda recebe atenção insuficiente nas políticas públicas brasileiras.

No entanto, na capital paulista, movimentos da sociedade civil, órgãos públicos e entidades privadas têm promovido ações conjuntas e discutido propostas legislativas para enfrentamento do problema. Como exemplo, recentemente foi realizada a 4ª Conferência Municipal sobre Ruído, Vibração e Perturbação Sonora, com o tema “São Paulo rumo à Despoluição Sonora - INAD 2026”.

Para a fonoaudióloga do CREFONO2, é urgente que o tema avance na agenda pública: “É preciso que gestores municipais, estaduais e federais desenvolvam estratégias específicas para mitigar a poluição sonora nas cidades, especialmente nos grandes centros urbanos. Reduzir o ruído é uma medida de proteção coletiva à saúde e um passo essencial para cidades mais sustentáveis.”


Câncer de ovário: sintomas silenciosos ainda desafiam diagnóstico precoc

As manifestações persistentes não devem ser ignoradas; quando detectada com antecedência, a condição tem altas taxas de cura

 

O câncer de ovário segue como um dos tumores ginecológicos mais desafiadores quando o assunto é diagnóstico precoce. Muitas vezes silenciosa nos seus estágios iniciais, a doença pode apresentar sintomas inespecíficos que acabam confundidos com problemas gastrointestinais, o que contribui para que a detecção aconteça de forma tardia. A proximidade do Dia Mundial do Câncer de Ovário, celebrado em 08 de maio, reforça a importância de ampliar o conhecimento da população sobre a condição. 

De acordo com a oncologista do Instituto de Oncologia de Sorocaba (IOS), Bruna Carone, distensão abdominal (a popular “barriga inchada”), sensação de plenitude, dor abdominal ou pélvica, alterações no hábito intestinal (constipação ou diarreia), fadiga inexplicada e mudanças de peso sem causa aparente estão entre os principais sintomas da doença. “O problema é que essas manifestações são comuns a diversas condições benignas, o que pode atrasar a investigação adequada”, explica. 

A especialista destaca, porém, que há diferenças importantes entre sintomas benignos e aqueles que merecem maior atenção. “Os quadros não graves tendem a oscilar, melhorar espontaneamente ou ter relação clara com alimentação ou ciclo menstrual. Já os sintomas de alerta persistem diariamente ou quase todos os dias, duram semanas, podem piorar com o tempo e não respondem a medidas habituais”, afirma. 

Um ponto de atenção importante, segundo a médica, é a duração e a frequência dos sintomas. “Se um sintoma persiste por mais de duas a três semanas e aparece com frequência ao longo do mês, especialmente, se for algo novo, é fundamental buscar avaliação médica”, orienta.
 

Será que existe um exame eficaz para todas as mulheres? 

Não. Um mito comum envolve a ideia de que existem exames eficazes para todas as mulheres. “Infelizmente, ainda não temos um rastreamento universal eficiente para o câncer de ovário. O ultrassom transvaginal pode ajudar a identificar alterações suspeitas, mas a sua indicação depende de sintomas, achados no exame físico ou histórico familiar”, esclarece a oncologista. 

Entre os principais fatores de risco, estão a idade, especialmente, após a menopausa, o histórico familiar de câncer de ovário ou mama, as mutações genéticas, a nuliparidade (ausência de filhos), a obesidade, o tabagismo e o uso de terapia de reposição hormonal. A identificação desses fatores pode ajudar na definição de estratégias de acompanhamento mais individualizadas.

Apesar dos desafios, há uma importante verdade que traz esperança: quando diagnosticado precocemente, o câncer de ovário tem altas taxas de cura. “No estágio inicial, as chances podem chegar a 90%. O grande desafio é que, por ser uma doença silenciosa no começo, muitos casos são descobertos em fases avançadas, exigindo tratamentos mais complexos que vão além da cirurgia”, conclui a Dra. Bruna.

 

Instituto de Oncologia de Sorocaba
 

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