Aumento dos casos de influenza aviária e impactos sobre exportações, produção e cadeias do agro ampliam o debate sobre monitoramento e diagnóstico precoce
O
alerta recente da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação
(FAO) sobre o aumento do risco de disseminação da influenza aviária na América
Latina reacendeu o debate sobre a importância da vigilância contínua em saúde
animal na região¹.
Segundo
a FAO, a atividade do vírus H5N1 tem se intensificado em países da América
Latina e do Caribe, com registros em aves silvestres e domésticas e potenciais
impactos sobre cadeias produtivas, biodiversidade, saúde pública e comércio
internacional¹. A organização recomenda o fortalecimento da vigilância, da
biossegurança e da detecção precoce, em coordenação entre países.
O
cenário recente ajuda a ilustrar esses efeitos. No Brasil, o Ministério da
Agricultura prorrogou, em março de 2026, o estado de emergência zoossanitária
por mais 180 dias² — medida que permite a adoção de ações emergenciais de
prevenção e controle da doença em nível nacional. Já países como Chile e
Argentina registraram a suspensão temporária de exportações avícolas após a
identificação de focos da doença³⁴.
Em
2025, o Brasil também enfrentou restrições comerciais impostas por importadores
após a confirmação de casos de influenza aviária em aves silvestres no Rio
Grande do Sul, o que levou à suspensão temporária de exportações por alguns
mercados, posteriormente normalizadas de forma gradual⁵⁶ — um episódio que
evidenciou a sensibilidade do comércio internacional a eventos sanitários,
mesmo sem impacto direto sobre a produção comercial.
Vigilância em saúde animal: uma agenda estrutural
Embora
a influenza aviária esteja no centro das atenções, a vigilância sanitária é um
desafio estrutural que envolve diferentes cadeias produtivas, como bovinos,
suínos e aves.
Na
pecuária bovina, por exemplo, doenças infecciosas podem permanecer por longos
períodos sem sinais clínicos evidentes — as chamadas infecções subclínicas —
impactando indicadores como fertilidade, produção de leite e ganho de peso.
Além disso, animais portadores podem disseminar agentes infecciosos sem
apresentar sintomas, dificultando o controle sanitário.
“A
discussão que emerge com esse tipo de alerta não deve ser limitada a um evento
específico, mas entendida como parte de um movimento mais amplo de
fortalecimento da vigilância em saúde animal”, afirma Carolina Torres Alejo,
especialista de agronegócios para a América Latina da Thermo Fisher Scientific.
“Hoje,
muitos riscos sanitários se desenvolvem de forma silenciosa. Por isso, o
monitoramento contínuo e o diagnóstico precoce são fundamentais para apoiar
decisões mais assertivas, tanto no campo quanto em políticas públicas”,
completa.
Nesse
contexto, o avanço de tecnologias diagnósticas e estratégias de monitoramento
tem ampliado a capacidade de detecção precoce e acompanhamento sanitário dos
rebanhos. A Thermo Fisher Scientific atua nesse campo com soluções baseadas em
métodos moleculares, que incluem desde a extração de ácidos nucleicos até
técnicas altamente sensíveis de detecção, como PCR em tempo real e PCR digital,
além da tipificação por sistemas de sequenciamento capilar e de nova geração.
Esses recursos, aliados a programas de vigilância em larga escala, vêm sendo
incorporados gradualmente em diferentes cadeias produtivas.
“Mais
do que responder a surtos, o desafio atual é antecipar riscos”, enfatiza
Carolina.
A
Organização Mundial de Saúde Animal (WOAH) destaca que a disseminação de
doenças como a influenza aviária ocorre em um contexto complexo, envolvendo
aves migratórias, sistemas produtivos e fluxos comerciais, o que exige
abordagens coordenadas e baseadas em ciência⁷.
Na
prática, o uso dessas tecnologias permite monitorar doenças de forma contínua,
identificar agentes infecciosos com precisão e apoiar decisões mais rápidas e
assertivas no campo. Nesse cenário, a saúde animal se consolida como um
componente estratégico para a segurança alimentar, a sustentabilidade da
produção e a estabilidade do comércio internacional na América Latina.
Thermo Fisher Scientific
Referências Bibliográficas:
- FAO. FAO Alert on avian influenza – risk of upsurge and regional
spread through wild birds in Latin America and the Caribbean
(08/04/2026)
Link - Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). Brasil prorroga
emergência zoossanitária por gripe aviária por 180 dias (26/03/2026)
Link - CNN Brasil. Chile confirma foco de gripe aviária e suspende
exportações avícolas (01/04/2026)
Link - Exame. Argentina detecta surto de gripe aviária e suspende
exportações (24/03/2026)
Link - Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). Atualização sobre
suspensão de exportações por gripe aviária (28/05/2025)
Link - Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). Países retiram
restrições à carne de aves brasileira (25/08/2025)
Link - WOAH – World Organisation for Animal Health. Avian Influenza
Link
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