Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o
número de procedimentos em mulheres abaixo de 35 anos quase dobrou em três anos
O relógio biológico feminino diminui as chances de engravidar após os 35 anos. Nessa idade, a probabilidade de a mulher engravidar de maneira natural no decorrer de um ano de tentativas é de 55%, contra 86% aos 25 anos. Quando chega aos 45 anos, as chances são de apenas 6%. Por outro lado, aumenta a possibilidade de infertilidade: se, aos 35 anos, uma mulher tem 10% de chance de se tornar infértil, aos 45 anos, esse índice mais do que quadruplica e atinge 55%.
A diminuição da fertilidade da mulher vai de encontro à crescente tendência de adiamento da maternidade no Brasil, motivada pelas transformações sociais. Dados do IBGE refletem esse fenômeno: o último censo revelou que a idade média ao ter filhos passou de 26 anos, em 2000, para 28 anos, em 2022; e estatísticas do Registro Civil apontam que, nas últimas duas décadas, também cresceu o número de nascimentos gerados por mães com 35 a 39 anos de idade, o que coincide com o momento em que o declínio da fertilidade começa a se acentuar.
Diante dessa nova realidade, as mulheres buscam soluções para realizar o sonho da maternidade no tempo em que consideraram adequado, sem abrir mão de conquistas pessoais e profissionais. “Com isso em vista, é fundamental a realização, o quanto antes, de consulta com um especialista em reprodução assistida para que ele avalie a reserva ovariana da paciente e oriente sobre se há indicação para o congelamento de óvulos”, afirma Dra. Cláudia Navarro, diretora da Clínica Life Search de Medicina Reprodutiva, que é referência da especialidade em Minas Gerais e integra o Fertgroup, maior rede nacional de clínicas especializadas em reprodução humana.
Depois dos 35 anos, se acelera a perda dos folículos, pequenas estruturas localizadas nos ovários que podem dar origem a óvulos maduros, ou seja, prontos para a fecundação. A reserva ovariana é um dos marcadores do potencial reprodutivo da mulher, uma vez que se refere à quantidade remanescente de folículos no ovário. “Nascemos com um determinado número de folículos — um estoque que se reduz continuamente ao longo da vida reprodutiva e não é reposto. “A mulher perde óvulos desde o nascimento, perda que se acelera após os 35 anos e alcança queda ainda mais rápida após os 37 anos. Além da diminuição da quantidade de óvulos, ocorre queda na qualidade, o que torna mais desafiadora a gestação e o nascimento de bebês saudáveis”, explica Dra. Cláudia.
Cresce a adesão ao congelamento de óvulos no Brasil
Inclinadas a terem
filhos mais tarde, as brasileiras recorrem cada vez mais ao congelamento de
óvulos enquanto estão no auge da idade reprodutiva, para garantir maiores
chances de engravidar. “Isso traz segurança a elas em relação ao próprio futuro
reprodutivo, embora o congelamento não seja uma garantia total de gravidez”,
reflete Dra. Cláudia.
De acordo com o Sistema Nacional de Produção de Embriões (SisEmbrio) da Anvisa, o número de ciclos de criopreservação de óvulos quase dobrou entre 2020 e 2023 no Brasil, especialmente entre mulheres com menos de 35 anos. Em 2023, foram 4.340 ciclos, 97,9% a mais do que os 2.193 realizados em 2020, primeiro ano sobre o qual há informações disponíveis.
O momento no qual
uma mulher congela seus óvulos importa muito para as chances de ter um bebê no
futuro. Entre os motivos, está o fato de que o óvulo de pior qualidade irá
gerar embrioes também de pior qualidade, aumentando o risco de aborto
espontâneo. Até os 30 anos, esse risco se mantém estável, em torno de 10%. A
partir dos 35, começa a subir gradualmente. Após os 44 anos, mais de 70% das
gestações terminam em aborto espontâneo. “O recomendável é que o procedimento
seja feito, preferencialmente, até os 34 anos, para aumentar as possibilidades
de sucesso, devido à maior quantidade e melhor qualidade dos óvulos”, ressalta
Dra. Cláudia Navarro.
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