Trabalho integrado de glúteos, abdômen e estabilizadores distribui melhor as forças e melhora capacidade do corpo de proteger a coluna em movimentos comuns
A dor nas costas está entre as principais causas de
incapacidade no mundo, segundo estudo publicado pelo periódico científico The
Lancet Rheumatology, especializado em reumatologia. Na maioria dos casos, não
está ligada a doenças graves, mas a fatores mecânicos e comportamentais
acumulados ao longo do tempo, como sedentarismo, sobrecarga física, ganho de
peso, estresse e longos períodos sentado, bem como alterações naturais do
envelhecimento, explica o médico fisiatra especialista em coluna João Amadera.
O exercício físico é uma das principais formas de
prevenir e controlar esse tipo de dor. “A coluna não funciona sozinha. Ela
depende de um sistema de suporte formado pela musculatura do tronco, quadril e
membros inferiores. Quando esse sistema está fraco, a carga do dia a dia é mal
distribuída, favorecendo dor e recorrência”, diz Amadera
Segundo o treinador da Smart Fit Lucas Florêncio,
os exercícios de força melhoram a chamada estabilidade dinâmica, ou seja, a
capacidade do corpo de sustentar e proteger a coluna durante movimentos comuns,
como sentar, levantar ou carregar peso.
A rotina moderna afeta principalmente as regiões
lombar e cervical. Ficar muito tempo sentado enfraquece os glúteos e encurta os
músculos da parte frontal do quadril, o que altera o alinhamento do corpo e
aumenta a pressão na lombar. Exercícios que fortalecem a musculatura profunda
do abdômen e das costas ajudam a estabilizar a coluna e diminuir essa
sobrecarga.
Nesse contexto, é importante diferenciar
desconfortos esperados de sinais de alerta. A dor muscular que surge entre 24 e
48 horas após o treino é comum. Já dores intensas, localizadas ou que irradiam
para braços ou pernas, especialmente quando acompanhadas de formigamento, perda
de força ou limitação de movimento, exigem avaliação profissional.
Esse entendimento também ajuda a desfazer um
mito comum: exercícios como agachamento e levantamento terra não são perigosos
para a coluna quando executados com técnica adequada e progressão gradual de
carga. Ajustes na execução e variações mais simples permitem adaptar o treino
para diferentes níveis de condicionamento e histórico de dor.
Para proteger a coluna, o treino deve
priorizar o trabalho integrado do chamado complexo lombo-pélvico-quadril, que
inclui glúteos, abdômen e músculos estabilizadores profundos. Quando esses
grupos atuam em conjunto, há melhor distribuição de forças e menor risco de
sobrecarga.
Confira o treino preparado por Lucas Florêncio,
treinador da Smart Fit:
|
Exercício |
Séries x Reps |
Foco Biomecânico |
|
Perdigueiro alternado |
3 x 12 (lados) |
Estabilidade antirotacional
e ativação de multífidos. |
|
Abdominal infra |
3 x 15 |
Controle da pressão
intra-abdominal e manutenção da lombar neutra. |
|
Agachamento sumô |
3 x 12 |
Carga anterior para forçar
a verticalidade do tronco e poupar a lombar. |
|
elevação pelvica maquina |
4 x 10 |
Fortalecimento do glúteo
máximo (principal protetor da lombar). |
|
Remada curvada supinada
barra |
3 x 12 |
Fortalecimento de romboides
sem sobrecarga axial excessiva. |
|
Prancha isométrica |
3 x 45 seg |
Resistência à fadiga dos
músculos estabilizadores. |
Grupo Smart Fit

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