Com menos de 200 cães-guia no país para milhões de pessoas com
deficiência visual, especialista da WeVets alerta para a importância da saúde
desses parceiros
Muito além do
treinamento, o que sustenta o trabalho de um cão-guia no dia a dia é uma rotina
rigorosa de cuidados com a saúde. O Dia Internacional do Cão-Guia é celebrado
na última quarta-feira de abril (29), criado para ampliar a conscientização
sobre o papel dos cães-guia e os desafios ainda enfrentados por quem depende
deles no dia a dia.
Nesta data, a
WeVets chama atenção para esses companheiros que desempenham uma função de alta
exigência física e mental e, por isso, precisam de acompanhamento veterinário
contínuo ao longo de toda a vida ativa.
O Brasil tem
hoje menos de 200 cães-guia em atividade, segundo estimativas de instituições
como o Instituto Adimax. Ao mesmo tempo, mais de 6 milhões de brasileiros têm
algum grau de deficiência visual, de acordo com o IBGE. O contraste revela um
cenário de alta demanda e baixa oferta e reforça um ponto ainda pouco
discutido: a saúde desses parceiros é determinante para garantir autonomia e
segurança a quem depende deles.
“Na prática,
estamos falando de um parceiro que trabalha todos os dias em nível elevado de
concentração e esforço físico. É muito semelhante a um atleta de alta
performance e isso exige monitoramento constante da saúde”, explica Carollina
Marques, médica veterinária na WeVets.
A rotina de
acompanhamento vai além das consultas básicas e inclui uma série de avaliações
preventivas:
Avaliação ortopédica frequente
O impacto repetitivo em superfícies urbanas pode
gerar desgaste articular ao longo do tempo.
Controle nutricional rigoroso
A alimentação é ajustada para manter energia, foco e
peso adequado, evitando sobrecarga nas articulações.
Monitoramento comportamental e emocional
O nível de responsabilidade pode gerar estresse.
Avaliar sinais de fadiga mental é essencial para o bem-estar do parceiro.
Check-ups regulares e medicina preventiva
Exames periódicos ajudam a identificar precocemente
qualquer alteração que possa comprometer o desempenho.
Diferente de um
pet convencional, qualquer alteração física ou comportamental em um cão-guia
pode afetar diretamente a segurança do tutor.
“Uma dor
articular, por exemplo, pode reduzir a disposição para caminhar ou afetar a
precisão dos movimentos. Já o estresse pode impactar a capacidade de
concentração. Por isso, o acompanhamento precisa ser contínuo e integrado”,
reforça a especialista.
Cães-guia passam por treinamento intenso, que pode durar até dois anos, mas o cuidado não termina quando começam a atuar. Ao longo da vida, esses parceiros mantêm uma rotina estruturada, com períodos de trabalho, descanso e acompanhamento de saúde. Em média, um cão-guia atua por cerca de 8 a 10 anos, período em que a manutenção da qualidade de vida é determinante para sua longevidade e desempenho. Além da saúde, a WeVets reforça que o comportamento das pessoas ao redor também influencia diretamente o desempenho desses parceiros. Interações indevidas, como tentar fazer carinho ou distrair o cão durante o trabalho, podem comprometer sua concentração.
“Cuidar de um cão-guia é cuidar de duas vidas ao mesmo tempo. A saúde dele impacta diretamente a qualidade de vida do tutor”, finaliza a médica veterinária.
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