Mulheres maduras lideram mudança na forma de encarar o envelhecimento e os tratamentos faciais
Mais ativas e com rotina intensa, mulheres acima dos 50 anos
têm ampliado a procura por procedimentos faciais. Nos consultórios, o que se vê
não é apenas o desejo de parecer mais jovem, mas de alinhar a aparência à fase
de vida.
A administradora Silvania Estela Radin, 59, relata que o
incômodo surgiu justamente nesse descompasso. “Eu estava em um momento ótimo da
vida, cheia de energia, mas meu rosto parecia sempre cansado. Aquilo começou a
me incomodar”, diz.
Segundo especialistas, essa percepção tem se tornado
frequente. A demanda, porém, mudou de perfil. Em vez de intervenções pontuais,
cresce o interesse por abordagens mais amplas e duradouras.
Para o cirurgião plástico Vinicius Julio Camargo, o
desconforto vai além da estética. “Essa paciente está em uma fase de
realização. O desconforto surge quando o rosto passa uma imagem de cansaço ou
envelhecimento que não corresponde ao que ela sente”, afirma.
Dados da International Society of Aesthetic Plastic Surgery
colocam o Brasil entre os países que mais realizam procedimentos estéticos no
mundo, com milhões de intervenções anuais. Dentro desse cenário, médicos apontam
aumento na busca por tratamentos faciais mais completos, especialmente entre
mulheres maduras.
Antes de optar por mudanças mais estruturais, muitas
pacientes percorrem um caminho de tentativas com procedimentos isolados. “Eu
fiz alguns procedimentos ao longo dos anos, mas eram coisas pontuais. Melhorava
um detalhe, mas o conjunto continuava me incomodando”, conta Silvania.
De acordo com o cirurgião plástico, esse padrão é comum.
“Com o avanço da idade, não estamos lidando apenas com rugas ou perda de volume.
Existe flacidez e queda das estruturas faciais. Quando tratamos só pontos
isolados, o resultado tende a ser limitado”, diz.
A mudança de abordagem ocorre quando a paciente passa a
considerar o rosto de forma global. Nesse contexto, técnicas como o lifting
facial ganham espaço por promover reposicionamento mais amplo.
“É possível promover um rejuvenescimento de 10 a 15 anos com
naturalidade, respeitando as características individuais. O objetivo não é
transformar, mas recuperar o equilíbrio”, afirma o médico.
Após optar por um procedimento mais completo, a percepção
também muda. “Hoje eu me reconheço no espelho. Não é sobre parecer mais jovem,
é sobre parecer comigo mesma de novo”, diz Silvania.
Para
especialistas, o movimento reflete uma mudança de comportamento. “Elas não
querem mudar quem são. Querem que a imagem acompanhe a fase que estão vivendo”,
conclui Dr. Vinicius.

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