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quinta-feira, 2 de julho de 2026

A epidemia silenciosa das bets e a responsabilidade diante da ludopatia

 

Durante muito tempo, perder dinheiro em jogos de azar foi tratado apenas como consequência de uma decisão individual equivocada. A imagem do jogador irresponsável, incapaz de controlar os próprios impulsos, ainda domina o imaginário popular. Com a explosão das apostas online no Brasil, essa percepção continua presente. Basta surgir a notícia de alguém que perdeu o patrimônio, comprometeu a renda da família ou acumulou dívidas em plataformas de apostas para que apareçam julgamentos rápidos: faltou força de vontade, sobrou ganância, a culpa é exclusivamente de quem apostou. 

A medicina, porém, oferece uma explicação muito mais complexa. A Organização Mundial da Saúde e a Associação Americana de Psiquiatria reconhecem oficialmente o transtorno do jogo, conhecido popularmente como ludopatia, como uma doença mental. Não se trata de um desvio moral nem de falta de caráter, mas de um transtorno aditivo que compromete os mesmos circuitos cerebrais de recompensa envolvidos na dependência de álcool e outras drogas. A diferença é que, nesse caso, o estímulo não é uma substância química, mas o próprio ato de apostar. 

Esse reconhecimento muda profundamente a forma como a sociedade deve enfrentar o problema. Se estamos diante de uma doença, a resposta não pode ser construída apenas com reprovação moral ou discursos sobre responsabilidade individual. É preciso compreender que existe uma parcela de pessoas que perde, progressivamente, a capacidade de interromper um comportamento que passa a ser compulsivo. 

Os critérios médicos são objetivos. O diagnóstico considera sinais como a necessidade de apostar valores cada vez maiores para experimentar a mesma sensação, a ansiedade quando a pessoa tenta interromper o jogo, as repetidas tentativas fracassadas de parar e um comportamento bastante conhecido entre especialistas: a perseguição das perdas. O apostador acredita que conseguirá recuperar rapidamente o dinheiro perdido e, justamente por isso, continua apostando. Em vez de reverter o prejuízo, normalmente amplia o endividamento. Mentiras à família, empréstimos para continuar jogando, abandono do trabalho, dos estudos ou do convívio social também fazem parte desse quadro. 

É importante destacar que as apostas online não criaram a ludopatia. O transtorno existe há décadas e sempre esteve associado a cassinos, bingos e outras modalidades de jogo. O ambiente digital, contudo, elevou significativamente o potencial de risco. Hoje, qualquer pessoa carrega um cassino permanente no bolso. As plataformas funcionam vinte e quatro horas por dia, aceitam depósitos instantâneos por Pix, oferecem bônus e promoções exatamente quando o usuário perde dinheiro, enviam notificações constantes e disponibilizam jogos extremamente rápidos, nos quais dezenas de apostas podem ser realizadas em poucos minutos. 

Toda essa arquitetura tecnológica foi desenvolvida para reduzir o tempo entre uma aposta e outra. A pausa para refletir, fundamental para qualquer decisão racional envolvendo dinheiro, praticamente desaparece. Para quem já apresenta predisposição ao transtorno, esse ambiente funciona como um poderoso acelerador da compulsão. 

Os impactos extrapolam, em muito, a esfera patrimonial. A ludopatia frequentemente provoca desestruturação financeira das famílias, rompimento de relacionamentos, afastamento do mercado de trabalho, ansiedade, depressão e, em situações extremas, ideação suicida. Trata-se, portanto, de um problema de saúde pública que gera consequências sociais, econômicas e jurídicas. 

Foi justamente essa mudança de percepção que levou diversos países a abandonar o antigo modelo baseado exclusivamente na liberdade individual para adotar políticas de jogo responsável. O Brasil seguiu esse caminho ao regulamentar o setor por meio da Lei nº 14.790/2023. Ao contrário do que muitos imaginam, essa legislação não trata apenas de arrecadação tributária. Ela também estabelece deveres específicos para as empresas que exploram apostas de quota fixa. 

As operadoras passaram a ter obrigação de disponibilizar mecanismos de autoexclusão, permitir que os usuários estabeleçam limites financeiros e temporais para utilização da plataforma e desenvolver políticas de prevenção ao transtorno do jogo. Mais do que isso, espera-se que utilizem a enorme quantidade de dados que coletam para identificar padrões compatíveis com comportamento compulsivo. 

Essa discussão leva inevitavelmente ao campo jurídico. A relação entre apostador e plataforma é uma típica relação de consumo. Assim como ocorre em qualquer outro serviço, quem oferece uma atividade potencialmente danosa assume deveres de segurança, informação e prevenção. Não basta disponibilizar ferramentas formais se, paralelamente, a própria empresa incentiva a continuidade das apostas por meio de bônus personalizados, cashback e campanhas direcionadas justamente aos usuários que apresentam comportamento de maior risco. 

É exatamente essa a discussão que começa a chegar aos tribunais brasileiros. As primeiras decisões judiciais revelam uma tendência relevante: quando existem provas robustas de que a plataforma tinha condições objetivas de perceber um padrão de comportamento compulsivo e, ainda assim, continuou estimulando a atividade, cresce a possibilidade de responsabilização civil. 

Não significa, evidentemente, que toda perda financeira será automaticamente ressarcida. O Direito não elimina a autonomia do indivíduo nem transforma as empresas em seguradoras universais das escolhas de seus consumidores. Cada caso exige análise cuidadosa das circunstâncias concretas, do diagnóstico médico, do histórico de apostas e das medidas efetivamente adotadas pela operadora. 

Por isso, as ações judiciais têm demonstrado que a prova é elemento decisivo. Laudos psiquiátricos, registros de tratamento, histórico de depósitos, comprovantes de Pix, mensagens promocionais enviadas pela plataforma, pedidos de autoexclusão e documentos que demonstrem o agravamento da situação financeira podem fazer diferença significativa na avaliação da responsabilidade de cada parte. 

Essa evolução jurídica reflete uma mudança mais ampla de paradigma. Durante muitos anos, a responsabilidade recaía exclusivamente sobre o jogador. Hoje se reconhece que empresas que utilizam algoritmos sofisticados para conhecer detalhadamente o comportamento de seus consumidores também possuem deveres proporcionais ao risco inerente à atividade econômica que exploram. 

O debate não é sobre proibir apostas. Milhões de brasileiros apostam eventualmente sem desenvolver qualquer transtorno. A regulamentação parte justamente desse pressuposto: o jogo pode existir como atividade lícita para quem exerce sua liberdade de forma consciente. O desafio surge quando essa liberdade é progressivamente comprometida por uma doença reconhecida pela medicina. 

Nesse ponto, o equilíbrio é indispensável. Não faz sentido tratar todo apostador como incapaz, da mesma forma que seria injusto considerar toda plataforma automaticamente responsável por qualquer prejuízo financeiro. A resposta jurídica deve ser construída a partir da análise concreta da capacidade de cada agente prevenir o dano. 

Também não cabe às famílias responderem com julgamentos morais. Reconhecer a ludopatia como doença não significa eliminar a responsabilidade pessoal, mas compreender que a recuperação exige tratamento especializado, apoio familiar e ambiente social menos estigmatizante. Da mesma forma, empresas que obtêm lucros bilionários explorando uma atividade reconhecidamente capaz de produzir dependência não podem ignorar os sinais evidentes de que determinado consumidor deixou de jogar por entretenimento e passou a agir sob compulsão. 

O Supremo Tribunal Federal ainda examina diversos aspectos da regulamentação das apostas no Brasil, inclusive questões relacionadas à publicidade e à proteção de grupos vulneráveis. Independentemente do resultado dessas discussões, um consenso já começa a se formar. O enfrentamento da ludopatia não pode ficar restrito ao campo da saúde nem ao campo do Direito. Trata-se de um fenômeno que exige atuação conjunta do Estado, das famílias, das empresas e do sistema de Justiça. 

O Brasil ainda está aprendendo a conviver com um mercado que cresce em velocidade extraordinária. Quanto mais cedo abandonarmos a falsa ideia de que toda compulsão por apostas decorre apenas de fraqueza moral, maiores serão as chances de construir uma regulação capaz de preservar a liberdade de quem joga por lazer e, ao mesmo tempo, proteger aqueles para quem apostar deixou de ser uma escolha e passou a ser uma doença. 

 

Ricardo Menegatto - advogado especializado em direito do consumidor e sócio do escritório Menegatto Advogados


Reforma tributária pode reduzir investimentos sociais em R$ 1,6 bilhão

Setor filantrópico acompanha regulamentação e defende ajustes para evitar aumento de custos e preservar recursos destinados a projetos sociais

 

O Brasil registrou, em 2025, o maior volume de investimentos sociais viabilizados por incentivos fiscais da série histórica: R$ 7,5 bilhões destinados a projetos nas áreas de saúde, educação, cultura, esporte e assistência social. Apesar do recorde, o setor projeta uma possível retração. Mudanças relacionadas à regulamentação da reforma tributária podem reduzir esses recursos em pelo menos R$ 1,6 bilhão até 2033.

Segundo o levantamento Panorama dos Incentivos Fiscais 2026, lançado pela Simbi, o impacto está relacionado principalmente à extinção progressiva do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e do Imposto sobre Serviços (ISS) — que servem de base para leis estaduais e municipais de incentivo fiscal — e à redução dos limites de dedução do Imposto de Renda para empresas.

Para instituições que atuam na prestação de serviços essenciais, a reforma tributária altera a estrutura de custos no novo modelo de créditos e tributação sobre o consumo, com efeito direto sobre a sustentabilidade de atividades nas áreas de saúde, educação e assistência social.

“A reforma tributária traz uma mudança estrutural no sistema de tributação e precisa considerar as particularidades das instituições filantrópicas. Essas organizações têm uma lógica própria de atuação, baseada no reinvestimento integral dos recursos em serviços essenciais. Sem regras claras para o aproveitamento de créditos no novo modelo, há risco de aumento dos custos operacionais e redução da capacidade de atendimento à população”, afirma a diretora de Relações Institucionais e Governamentais do Grupo Marista, Carmem Murara.

Esse cenário tem mobilizado o Fórum Nacional das Instituições Filantrópicas (Fonif), que articula propostas no Congresso Nacional para preservar a neutralidade tributária das entidades no novo sistema. Entre elas estão o Projeto de Lei Complementar nº 26/2026, em tramitação na Câmara dos Deputados, e o Projeto de Lei Complementar nº 45/2026, no Senado Federal. As propostas tratam de mecanismos para evitar o aumento indireto dos custos operacionais e garantir o aproveitamento de créditos tributários no modelo da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS).

“A regulamentação da reforma tributária tem reunido instituições filantrópicas, entidades representativas e parlamentares. O Grupo Marista acompanha as propostas em tramitação e participa desse debate para defender a sustentabilidade das instituições filantrópicas e a continuidade dos serviços em saúde, educação e assistência social”, destaca.

Embora mantenham a imunidade tributária, as entidades filantrópicas podem enfrentar aumento de custos indiretos no novo sistema, sobretudo na aquisição de bens e serviços essenciais, caso não sejam criadas regras específicas para compensação de créditos. Estudo técnico da LCA Consultoria Econômica, encomendado pelo Fonif, estima um aumento indireto de custos de 4,2% na educação, 11,2% na assistência social e 1,8% na saúde. Apenas na compra de equipamentos e dispositivos médicos por hospitais filantrópicos, o custo adicional anual pode chegar a R$ 172 milhões.

A situação é ainda mais crítica em regiões com menor cobertura de saúde pública. Levantamento da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) mostra que 725 municípios brasileiros dependem exclusivamente de hospitais beneficentes como única alternativa de atendimento hospitalar. Isso significa que cerca de 20 milhões de pessoas ficariam sem outra opção caso essas instituições reduzissem sua capacidade operacional.

“Quando os custos operacionais aumentam, a capacidade de investimento em infraestrutura, tecnologia e ampliação do atendimento diminui. No fim, são recursos que deixam de ser convertidos em serviços diretos à população”, aponta Carmem.

 

Bugio-preto ameaçado de extinção ganha novo lar no Paraná após voar com o Avião Solidário da LATAM

Fêmea de bugio-preto passa a integrar um grupo social de  bugios-pretos
no Zoológico de Cascavel (PR).
 Créditos: Ana Flávia A. da Silva, estagiária
em medicina veterinária do Zoo Cascavel

Transporte gratuito a partir do Rio de Janeiro reduziu em até 18 horas o tempo de deslocamento do animal para programa de conservação da espécie


Uma fêmea adulta de bugio-preto (Alouatta caraya), espécie ameaçada de extinção, ganhou um novo lar no Paraná após ser transportada gratuitamente pelo programa Avião Solidário, da LATAM. O animal, de seis anos de idade, foi apreendido no Rio de Janeiro pela Polícia Federal após ser identificado como oriundo de origem ilegal e encaminhado ao Centro de Primatologia do Estado do Rio de Janeiro, onde recebeu cuidados especializados. 

Agora, a fêmea passa a integrar um grupo social já estabelecido de bugios-pretos no Zoológico de Cascavel (PR), em um ambiente adequado para seu bem-estar e para os esforços de conservação da espécie. 

O apoio logístico da LATAM permitiu realizar o transporte de forma mais rápida e segura em comparação ao deslocamento terrestre, reduzindo em até 18 horas o tempo de viagem. A operação também garantiu condições adequadas durante todo o trajeto, incluindo a realização do voo em período matutino e em temperatura amena, respeitando as necessidades da espécie. 

“Cada transporte realizado pelo Avião Solidário representa uma oportunidade de gerar impacto positivo. Ver um animal ameaçado de extinção chegar com segurança ao seu novo lar e contribuir para um programa de conservação mostra como a conectividade pode apoiar iniciativas importantes para a preservação da biodiversidade brasileira”, afirma Raquel Argentino, gerente de Sustentabilidade e Impacto Social da LATAM Brasil.

 

CONSERVAÇÃO E MANEJO DA ESPÉCIE 

A chegada da fêmea ao Zoológico de Cascavel integra um programa coordenado de conservação do bugio-preto, espécie nativa da América do Sul e fundamental para a manutenção dos ecossistemas florestais devido ao seu papel na dispersão de sementes. 

A cooperação entre centros de conservação, zoológicos, órgãos ambientais e empresas privadas é essencial para viabilizar ações de manejo responsável, ampliar as chances de sucesso dos programas de conservação e contribuir para a preservação da biodiversidade para as futuras gerações.

 

AVIÃO SOLIDÁRIO: IMPACTO POSITIVO AO ENCURTAR DISTÂNCIAS DO BRASIL 

Há 14 anos, o programa Avião Solidário da LATAM coloca a conectividade da companhia a serviço de causas sociais, ambientais e humanitárias em todo o Brasil. Nesse período, já transportou gratuitamente 868 toneladas de cargas, 4,6 mil animais em ações de conservação e 282 milhões de vacinas contra a Covid-19. 

Somente em 2025, o programa viabilizou o transporte de 48 toneladas de doações e 835 voluntários em ações sociais e ambientais realizadas em diferentes regiões do país. 

Atualmente, o programa mantém parcerias com organizações como Amigos do Bem, Movimento União BR, Gastromotiva, SOS Mata Atlântica e AZAB, entre outras instituições que atuam em projetos de interesse público. 

Ao conectar diferentes regiões e apoiar iniciativas de conservação, assistência humanitária e desenvolvimento social, o Avião Solidário reforça o compromisso da LATAM com a sustentabilidade, o desenvolvimento regional e a geração de valor para a sociedade brasileira.



Grupo LATAM
www.latam.com


Por que é tão difícil falar o nome de alguns jogadores?

Especialista explica como a origem dos idiomas influencia a forma correta de pronunciar atletas do mundo inteiro 


Além dos gols, das disputas e das grandes estrelas, o maior evento esportivo do mundo traz um desafio curioso para torcedores, narradores e comentaristas, a pronúncia correta dos nomes de jogadores e técnicos das mais diferentes seleções. Com atletas vindos de todos os continentes, o torneio reúne idiomas, sons e grafias pouco familiares aos brasileiros, tornando comum que alguns nomes gerem dúvidas ou até rendam momentos inusitados durante as transmissões. 

Segundo Marcos Penteado, professor de Língua Portuguesa da Estácio, a principal explicação está na enorme diversidade linguística presente na competição. "Como um evento mundial, a Copa reúne culturas originárias de todos os continentes e, consequentemente, nomes com origens muito diferentes. Os vindos de línguas românicas, como espanhol e italiano, costumam soar mais familiares porque o português também faz parte desse grupo. Já nomes de línguas semíticas, como árabe e hebraico, de idiomas eslavos, como russo, sérvio e polonês, ou de línguas africanas, como o xhosa, apresentam sons que simplesmente não fazem parte do nosso repertório", diz. 

O especialista explica que algumas dificuldades surgem porque determinadas letras e sinais gráficos possuem sons completamente diferentes daqueles usados em português. "No nome do técnico da Sérvia, Veljko Paunović, por exemplo, o 'J' tem som de 'I' e o sinal sobre o 'Ć' indica um som de 'TCH', o que resulta em algo próximo de 'Veliko Paunovitch'. Já o atacante senegalês Ibrahim Mbaye teria uma pronúncia aproximada de 'Ibrarrim Baiê'. Mesmo assim, alcançar a pronúncia exata só seria possível com a orientação de um falante nativo. Nós fazemos o melhor que podemos". 

Mas, segundo Penteado, a dificuldade não acontece apenas com os brasileiros. O processo é exatamente o mesmo para estrangeiros quando tentam pronunciar nomes comuns no Brasil. "Para muitos eslavos, asiáticos e africanos, sobrenomes como Silva, Santos, Carvalho e Oliveira também representam um desafio. Sons nasais, muito comuns no português, são difíceis para russos e sérvios. Já falantes de japonês, por exemplo, não possuem o som da letra 'V', o que explica por que o sobrenome Sugawara costuma ser pronunciado como 'Sugauara'", afirma. 

Para o professor, essas diferenças fazem parte da riqueza cultural do futebol. "Os nomes dos jogadores sempre despertam estranhamento, curiosidade e até boas risadas, tanto para nós quanto para pessoas de outros países tentando falar nomes brasileiros. O evento também é um encontro entre idiomas e culturas. No fim, mais importante do que a pronúncia perfeita é respeitar essa diversidade e aproveitar o espetáculo que o futebol proporciona", conclui.



Estácio
estacio.br

 

PEC da Flexibilidade como alternativa à discussão sobre escala de trabalho

Tratar o brasileiro como incapaz de assinar um contrato de trabalho que reflita sua própria vontade é uma afronta à sua dignidade. Já a PEC defendida pelo sistema associativista protege o trabalhador e o empreendedor pois não é uma proposta de um contra o outro e sim uma que une, agrega e amplia

 

O debate sério que o Brasil precisa ter se quiser fazer alterações constitucionais nas escalas de trabalho está, agora, nas mãos do Senado Federal. Uma responsabilidade enorme de se evitar um mal à toda economia do país por pura motivação eleitoral. É também no Senado que aguarda votação a chamada PEC da Flexibilidade, apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL/RN). Ela parte de um pressuposto básico das relações de trabalho em vigor no Brasil: o negociado prevalece sobre o legislado.

Essa premissa – consagrada com a reforma trabalhista de 2017 – é a base da PEC que, como o próprio nome diz, traz flexibilidade e possibilidade de adequações, o que é muito mais viável em um país do tamanho do nosso, com regiões, demandas e empreendedores de tão diferentes espectros.

A PEC da Flexibilidade não revoga nada. Ela acrescenta. Oferece ao trabalhador o direito de escolher o regime com todos os direitos fundamentais preservados pela Constituição Federal, como férias, 13º salário, FGTS e outros benefícios, calculados sobre a carga horária que o próprio trabalhador decidiu cumprir.

Pelo texto da PEC, o trabalhador que quiser trabalhar mais horas e ganhar mais, pode. O que preferir uma jornada menor com remuneração proporcional, também pode. Aquele que precisar ajustar a rotina para estudar, cuidar da família ou empreender, também tem esse direito. Ninguém perde. Todo mundo ganha a possibilidade de decidir. E é o negociado que fica valendo.

A PEC aprovada recentemente na Câmara, que cria a escala 5 x 2 de forma compulsória e uniforme, carrega um vício jurídico grave: ela rompe acordos coletivos firmados anteriormente entre trabalhadores e empregadores, ferindo o princípio constitucional da segurança jurídica e o ato jurídico perfeito.

Convenções coletivas são contratos. Contratos não se desfazem por decreto político. Esse ponto sozinho já seria suficiente para que o Senado rejeitasse o texto da Câmara e passasse a discutir a PEC da Flexibilidade.

Essa sim é uma PEC justa e bem fundamentada, que troca o atraso pela vanguarda; o engessamento pela flexibilidade; a falta de liberdade pelo direito de escolher. Quando o contrato é livremente pactuado entre trabalhador e empregador, respeitados os pisos constitucionais, há um acordo mais justo do que qualquer norma imposta pelo parlamento, que parece não conhecer a realidade de cada setor, cada empresa, cada trabalhador.

Tratar o brasileiro como incapaz de assinar um contrato de trabalho que reflita sua própria vontade é uma afronta à sua dignidade. O setor associativista, por meio desse manifesto, pede que os senadores brasileiros tenham cautela e prudência. Avaliem com rigor o que está escrito na proposta da Câmara dos Deputados e não pactuem com propostas eleitoreiras, que terão graves consequências ao país.

A PEC da Flexibilidade protege o trabalhador e o empreendedor. Ela não é uma proposta de um contra o outro. Ela une, agrega e amplia.



**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio**


Alfredo Cotait Neto - presidente da CACB e Facesp

Fonte: https://www.dcomercio.com.br/publicacao/s/pec-da-flexibilidade-como-alternativa-a-discussao-sobre-escala-de-trabalho

 

Zebu brasileiro é solução para o desenvolvimento da pecuária africana

 

Quando olho para a África de hoje, vejo um continente diante de uma das maiores oportunidades econômicas e produtivas do século. São 55 países, cerca de 1,4 bilhão de habitantes e uma população majoritariamente jovem, com enorme capacidade de trabalho, consumo e transformação social. Ao mesmo tempo, trata-se de uma região que precisa acelerar a produção de alimentos, estruturar cadeias agroindustriais e gerar eficiência no campo para sustentar o crescimento que já está em curso. É justamente nesse ponto que acredito que o Brasil tem muito a oferecer. 

Tenho defendido, com convicção, que o zebu brasileiro é uma das respostas mais consistentes para o desenvolvimento da pecuária africana. Não se trata de retórica comercial, mas de uma constatação técnica, construída ao longo de décadas de seleção genética, adaptação tropical e resultados concretos. O nosso rebanho zebuíno aprendeu a produzir em clima quente, enfrentando desafios sanitários, nutricionais e ambientais muito semelhantes aos encontrados em grande parte do território africano atualmente. 

A África possui, hoje, algo em torno de 300 milhões de cabeças de gado. É um número relevante, mas insuficiente diante do tamanho da população atual e, sobretudo, do crescimento demográfico projetado para as próximas décadas. Além disso, em muitos países, ainda predominam animais sem melhoramento genético consistente, sistemas extensivos ineficientes, baixa produtividade e limitada integração tecnológica. Em diversas regiões, rebanhos percorrem 800 km em busca de água e alimento, o que reduz o desempenho e dificulta a organização da atividade pecuária. 

Quando afirmo que o zebu brasileiro pode ajudar a transformar esse cenário, falo de algo concreto: é a ferramenta para produção de bovinos adaptados ao calor, mais resistentes, férteis e produtivos. Resultado de um pacote tecnológico completo, construído ao longo de seis décadas de seleção e que ajudou a colocar o Brasil no topo das exportações de carne bovina. A grande vantagem para os países africanos é que não precisarão refazer esse percurso do zero. 

Nos últimos anos, acompanhamos o interesse crescente de empresários e produtores dauele continente por essa solução brasileira. Eles perceberam que a tropicalização da pecuária feita no Brasil criou um know-how raro no mundo. Enquanto muitos centros tradicionais de genética bovina se desenvolveram em climas temperados, nós construímos eficiência nos trópicos. Isso faz toda a diferença. 

Outro ponto essencial é que exportar genética não significa apenas vender embriões, sêmen ou animais. Significa transferir conhecimento. Defendo que o verdadeiro impacto em qualquer atividade ocorre quando levamos também tecnologia, capacitação, protocolos reprodutivos, manejo nutricional e assistência técnica. A tecnologia só prospera quando encontra pessoas preparadas para utilizá-la. 

Tenho visto profissionais africanos visitarem fazendas, centrais genéticas e laboratórios brasileiros, buscando aprender sobre inseminação, fertilização in vitro, sincronização reprodutiva, transferência embrionária e gestão. Da mesma forma, temos ido ao continente africano implantar programas reprodutivos diretamente nas propriedades. Essa troca cria pontes duradouras e acelera resultados. 

Há ainda um aspecto geopolítico pouco debatido. O Brasil pode ocupar um espaço estratégico como parceiro do desenvolvimento agropecuário africano. Somos uma potência agrícola e pecuária, dominamos a produção de alimentos nos trópicos e temos experiência crescer com competitividade. Em vez de olhar apenas para mercados tradicionais, precisamos compreender a África, e também a Ásia, como parceiras naturais de longo prazo. 

Se a população africana dobrar nas próximas décadas, como indicam as projeções internacionais, a demanda por proteína animal e leite crescerá ainda mais. Quem fizer parte desta realidade desde agora estará participando de um processo histórico. 

Por isso, o avanço da genética zebuína brasileira pela savana não é um episódio isolado. É o começo de uma agenda econômica, tecnológica e diplomática muito maior. O Brasil tem condições reais de contribuir para a segurança alimentar de continentes inteiros, ao mesmo tempo em que amplia mercados, gera valor agregado e fortalece sua presença global. 

Poucas vezes tivemos diante de nós uma oportunidade tão clara. A África precisa produzir mais, o Brasil sabe como fazer isso e o nosso zebu pode ser a ponte entre essas duas realidades.

 

Bento Mineiro - sócio-fundador da Zebuembryo, sediada em Uberaba (MG), especializada na exportação de embriões zebuínos para África, Ásia, América do Sul e outras regiões no eixo tropical do planeta.

 

Um terço dos golpes digitais no Brasil envolve Pix: especialistas explicam como se proteger e recuperar o dinheiro

 Estudo aponta que Pix já é o principal meio utilizado por criminosos para obter recursos das vítimas; especialistas explicam como evitar fraudes e o que fazer após cair em um golpe

 

O Pix transformou a forma como os brasileiros realizam pagamentos, transferências e compras. Mas a popularidade da ferramenta também chamou a atenção dos criminosos. Um levantamento divulgado pelo Observatório Lupa revelou que um terço dos golpes digitais aplicados no Brasil utiliza o Pix como principal meio para obtenção de dinheiro das vítimas. O estudo analisou mais de uma centena de conteúdos fraudulentos que circularam no país nos últimos dois anos e identificou que 33% dos golpes exigiam pagamentos exclusivamente via Pix. Além disso, 74% exploravam a credibilidade de empresas, marcas ou personalidades conhecidas para dar aparência de legitimidade às fraudes.

Para especialistas em segurança digital, o dado reforça uma constatação importante: o problema não está na tecnologia do Pix, mas na forma como os criminosos conseguem manipular o comportamento das vítimas. “Na prática, os criminosos exploram muito mais falhas no comportamento dos usuários do que vulnerabilidades técnicas do Pix. O sistema em si é seguro, com camadas robustas de criptografia e autenticação. O que vemos com mais frequência são golpes de engenharia social, em que a vítima é convencida a autorizar a própria transferência acreditando que está realizando uma operação legítima”, explica Géssica Ribeiro, Analista Sênior de Governança de TI da Trio Grupo Financeiro e especialista em Segurança da Informação.

Segundo ela, a sofisticação dos golpes tem aumentado porque os criminosos não se limitam mais a ataques tecnológicos, passando também a explorar fatores emocionais como urgência, medo e confiança para aumentar suas chances de sucesso.


Falsos atendentes, WhatsApp clonado e QR Codes adulterados lideram fraudes

Entre os golpes mais comuns atualmente estão falsas centrais de atendimento bancário, clonagem de contas de WhatsApp, anúncios fraudulentos em plataformas de venda, QR Codes adulterados e falsas oportunidades de investimento. O padrão costuma ser semelhante: o criminoso cria uma situação de urgência ou apresenta uma oportunidade aparentemente vantajosa para convencer a vítima a transferir recursos rapidamente.

“O objetivo é fazer com que a própria pessoa realize a transação acreditando que está resolvendo um problema ou aproveitando uma oportunidade legítima. Por isso, é fundamental confirmar a identidade da pessoa ou empresa envolvida antes de qualquer pagamento”, afirma Géssica Ribeiro. O próprio estudo do Observatório Lupa mostra que 71% dos golpes analisados prometiam algum tipo de benefício financeiro, como indenizações, promoções, brindes, vagas de emprego ou descontos inexistentes.


Como evitar cair em um golpe via Pix

Especialistas recomendam que os usuários adotem uma série de cuidados simples antes de confirmar qualquer transferência. A primeira medida é verificar atentamente o nome e o CPF ou CNPJ vinculados à chave Pix. Também é importante desconfiar de pedidos de dinheiro recebidos por mensagens ou ligações inesperadas, especialmente quando há pressão para que a transferência seja feita rapidamente.

“Em muitos casos, alguns segundos de atenção antes de concluir a operação são suficientes para evitar prejuízos. É importante utilizar apenas os canais oficiais das instituições financeiras, evitar clicar em links recebidos por aplicativos de mensagens e manter o celular protegido com senha, biometria e atualizações de segurança”, orienta Géssica.

Outro recurso que pode aumentar significativamente a proteção é a autenticação multifator. “O uso de biometria, reconhecimento facial e autenticação em múltiplas etapas adiciona camadas extras de segurança. Mesmo que um criminoso obtenha a senha do usuário, ele ainda precisará passar por outras validações para acessar a conta”, explica a especialista.


O Pix continua sendo seguro?

Apesar do crescimento das tentativas de fraude, especialistas ressaltam que o Pix continua sendo um sistema seguro. “O Pix foi desenvolvido com criptografia de ponta, autenticação mútua e tráfego exclusivo dentro da Rede do Sistema Financeiro Nacional”, afirma Andressa Lipski, Diretora de Governança da Trio Grupo Financeiro.

Segundo ela, a segurança também é reforçada pela atuação constante do Banco Central. “O Banco Central exige que bancos e instituições de pagamento implementem mecanismos antifraude, limites transacionais por horário, alertas de fraude e controles rigorosos na abertura de contas. Além disso, responsabiliza instituições que não adotam medidas adequadas de prevenção”, explica.


Caiu em um golpe? Ainda é possível recuperar o dinheiro

Uma das principais dúvidas de quem sofre uma fraude é se existe alguma chance de recuperar os valores transferidos. A resposta é sim, mas a velocidade da reação faz toda a diferença. “Atualmente existe o Mecanismo Especial de Devolução, conhecido como MED, que permite às instituições financeiras solicitar o bloqueio e analisar valores transferidos em situações de fraude. Quanto mais rápido o caso for comunicado ao banco, maiores são as chances de recuperação”, explica Géssica.

Andressa Lipski lembra que existe um prazo relativamente amplo para registrar a ocorrência. “A vítima tem até 80 dias após a realização do Pix para registrar uma notificação de infração junto à sua instituição financeira por meio do MED”, afirma. No entanto, ela alerta que a devolução não é automática. “Quando os recursos já foram movimentados ou distribuídos para múltiplas contas, a recuperação se torna mais complexa. Por isso, agir rapidamente é fundamental”, ressalta.

O Banco Central já trabalha em novas camadas de segurança para o sistema. Entre elas está o chamado MED 2.0, que permitirá rastrear e bloquear com maior rapidez recursos transferidos para diversas contas, além de ampliar o compartilhamento de informações entre instituições financeiras. “O principal desafio da governança do Pix daqui para frente é encontrar o equilíbrio entre velocidade e segurança. Quanto mais mecanismos de proteção são adicionados, maior tende a ser o atrito na experiência do usuário. O desafio será continuar oferecendo conveniência sem comprometer a proteção dos clientes”, conclui Andressa Lipski.

Enquanto novas ferramentas são implementadas, especialistas reforçam que a principal barreira contra os golpes continua sendo a informação. “Em um cenário em que os criminosos exploram cada vez mais a confiança e o comportamento das pessoas, atenção e cautela permanecem sendo as melhores formas de proteção”, completa Géssica.

 

Trio Grupo Financeiro
www.trio.com.br
Instagram: @trio.fin


Sul da Espanha: conheça a Costa do Sol, que tem mais de 300 dias de sol por ano


MeMarbella-Zone Puerto Banus Beach

Málaga e Marbella oferecem experiências distintas dentro do mesmo roteiro

 

Julho e agosto na Andaluzia têm temperatura média de 32°C, céu límpido por mais de 300 dias no ano e duas cidades que dividem o mesmo litoral mediterrâneo. Málaga e Marbella, separadas por 60 quilômetros na Costa do Sol, oferecem experiências distintas, tornando-se uma excelente combinação para um mesmo roteiro de viagem.Málaga é a porta de entrada da região e oferece uma agenda própria de experiências culturais e urbanas. A cidade, facilmente explorada a pé, abriga a Alcazaba, uma fortaleza-palácio de origem islâmica situada nas encostas do Monte Gibralfaro, considerada a atração mais emblemática da cidade, ao lado do Museu Picasso. O museu reúne mais de 200 obras do artista, nascido na cidade, exibidas em exposições de longa duração no Palácio de Buenavista, no coração do centro histórico. A Calle Marqués de Larios, principal rua da cidade, conecta o porto ao centro histórico, passando por mercados, bares de tapas e espaços ao ar livre que concentram boa parte da vida noturna no verão. 

Já Marbella guarda ruas estreitas empedradas, igrejas históricas e praças cercadas por flores, com a Plaza de los Naranjos como ponto central. A poucos quilômetros, Puerto Banús concentra lojas de marcas como Gucci, Dior e Louis Vuitton, restaurantes de alta gastronomia, vida noturna e uma marina repleta de iates de luxo, tornando-se um dos destinos preferidos de personalidades internacionais. Ao longo de seus 27 km de litoral, com praias que vão da Guadalmina até Cabopino, sendo a Playa de la Fontanilla entre as mais frequentadas pelos moradores e turistas no centro da cidade. 

A Espanha está no top 10 dos destinos favoritos dos brasileiros. De acordo com o Global Data, quase 600 mil turistas do Brasil devem desembarcar no país em 2026.
 

Onde se hospedar
Para quem busca vivenciar a rica história e a vibrante cena cultural de Málaga, o ME Málaga, da Meliá Hotels International, é a escolha ideal. Localizado na Calle Victoria 6, a apenas um quilômetro do centro histórico, o hotel fica estrategicamente posicionado ao lado da Plaza de la Merced e a poucos passos de marcos icônicos como a Alcazaba, o Teatro Romano e o Museu Picasso. 

Este sofisticado cinco estrelas impressiona por sua infraestrutura de excelência:

  • Vista Panorâmica: Um rooftop exclusivo com piscina de borda infinita e vista 360° deslumbrante da cidade e do porto.
  • Alta Gastronomia: Dois restaurantes e bares, com destaque para o aclamado Cañitas Maite, assinado pelos renomados chefs Javier Sanz e Juan Sahuquillo.
  • Comodidades: Academia moderna e equipada, transfer cortesia de ida e volta para o aeroporto e hotel pet-friendly.
  • Experiencias únicas: O Museo Thyssen abre exclusivamente para convidados ME, oferecendo uma visita guiada em ambiente tranquilo e sem multidões. A experiência termina no terraço, com bebidas e petiscos e vista noturna para o centro histórico de Málaga.

Se o objetivo é desfrutar do glamour e espírito mediterrâneo em Marbella, o ME Marbella, também da rede Meliá, é a escolha ideal. Situado no exclusivo Puerto Banús, o hotel oferece acesso direto à praia, uma atmosfera sofisticada com camas balinesas e três opções de restaurantes e bares. 

O grande diferencial do ME Marbella está em suas experiências sensoriais imersivas, criadas para conectar o hóspede à cultura local:

  • Ritual do Azeite: um tour guiado de cuidados com criação de um produto a partir de ingredientes naturais, seguido de degustação de 12 azeites harmonizados com uma taça de vinho, unindo gastronomia e bem-estar de forma natural.Conexão Artística: oficina de confecção de peças em barro com a artista Ana Ortiz, compartilhando sua visão de luxo artesanal enraizada na tradição e no Wabi SabiConforto: o hotel também oferece comodidades exclusivas, serviço de transfer para o aeroporto e recepção calorosa para os pets com o programa PetFriendly).


ME by Meliá
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Mais informações em ME, Hotels with expression | Melia.com.

  

Estação Engenheiro Goulart da CPTM recebe ação de saúde nesta quinta-feira (02)

Haverá testagem rápida para HIV, Sífilis e Hepatites B e C, além de orientação sobre saúde sexual

 

A Estação Engenheiro Goulart da CPTM vai receber ação de saúde voltada à prevenção, orientação e diagnóstico precoce das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). 

Realizada pela SAE (Serviço de Atenção Especializada) Fidelis Ribeiro, a ação acontece nesta quinta-feira (02/07), 8h30 às 12h, com serviço de testagem rápida de HIV, Sífilis e Hepatites B e C com laudo em 15 minutos, caso haja resultado positivo, haverá encaminhamento ao serviço de saúde. 

Durante a atividade, haverá também distribuição de preservativos e gel lubrificante, além de orientação sobre o uso do autoteste para HIV e promoção à saúde sexual.

 

Serviço


Ação de saúde
Local: Estação Engenheiro Goulart, que atende as linhas 12-Safira e 13-Jade
Data: quinta-feira (02/07)
Horário: das 8h30 às 12h


quarta-feira, 1 de julho de 2026

Saúde Reprodutiva Masculina e Estilo de Vida


O que o homem precisa saber sobre o "fator invisível": Estilo de vida e fragmentação de DNA


          Quando falamos em reprodução assistida, o foco recai quase inteiramente sobre a mulher. No entanto, em cerca de 50% dos casos de dificuldade de concepção, o fator masculino está presente. As principais causas genéticas da infertilidade masculina estão frequentemente associadas à diminuição drástica no número de espermatozoides ou à ausência total de espermatozoides no sêmen. Porém, mais do que a simples contagem de espermatozoides, a ciência moderna nos alerta para um detalhe crucial e invisível ao olho nu: a integridade do DNA espermático.

          “Em casos de dificuldade de concepção, é sempre recomendada a avaliação por um especialista em reprodução assistida. Além disso, sempre que existe suspeita de infertilidade masculina, espermograma alterado ou algo na história do casal que sugira necessidade de avaliação de fragmentação de DNA espermático é interessante que o homem procure um médico andrologista. Esse especialista será de grande valia para indicar o melhor tratamento e estar atento aos detalhes da fertilidade masculina”, afirma a médica ginecologista e especialista em fertilidade da Clínica Origen BH, Dra. Bruna Coimbra.

          O espermatozoide carrega metade da carga genética do futuro bebê. Quando o DNA dentro dessa célula está "quebrado" — fenômeno que chamamos de fragmentação de DNA espermático — as chances de gravidez diminuem e o risco de abortos de repetição aumenta. Ao contrário de outros problemas masculinos, isso não aparece no espermograma convencional: um homem pode ter quantidade, motilidade e morfologia normais e ainda assim ter DNA comprometido.

          Um DNA fragmentado dificulta a fecundação e, mesmo quando ela ocorre, compromete o desenvolvimento inicial do embrião. O óvulo tem mecanismos para reparar pequenos danos, mas quando a fragmentação é alta, esses mecanismos são insuficientes. O resultado pode ser uma gravidez que não se desenvolve ou um aborto nas primeiras semanas — muitas vezes sem que o casal entenda o motivo.

          Para entender o que ocorre é que dentro de cada espermatozoide existe uma fita de DNA — o material genético que será herdado pelo bebê. Quando essa fita sofre quebras ou danos, dizemos que houve fragmentação do DNA espermático. Estudos mostram que quando o Índice de Fragmentação de DNA fica acima de 25%, as taxas de gravidez natural e por inseminação caem significativamente, e o risco de aborto espontâneo pode dobrar.

          E as causas da fragmentação do DNA podem ter como causa: febre alta, tabagismo, estresse oxidativo, varicocele, idade avançada, alguns tipos de medicamentos, radioterapia, quimioterapia e calor excessivo. O diagnóstico é feito por meio do teste de fragmentação de DNA espermático e é recomendado para casais com histórico de abortos recorrentes, falhas repetidas em fertilização in vitro ou infertilidade sem causa aparente após espermograma normal.

          A boa notícia é que em muitos casos, a fragmentação do DNA espermático é reversível com mudanças nos hábitos de vida (parar de fumar, parar de fumar, evitar calor excessivo na região genital, reduzir o álcool e melhorar a alimentação); uso de antioxidantes, tratamento da varicocele e técnicas de reprodução assistida.


Antes de imitar seus ídolos da Copa, saiba quais lesões mais afastam amadores dos gramados

 Entorses, lesões musculares e traumas no joelho lideram os atendimentos; especialista alerta para os riscos do "atleta de fim de semana"

 

A Copa do Mundo de 2026 movimenta torcedores em todo o planeta e, além de reunir milhões de pessoas diante da televisão, também costuma despertar a vontade de voltar aos gramados. Seja em campeonatos amadores, partidas entre amigos ou tradicionais peladas de fim de semana, o futebol ganha ainda mais espaço na rotina dos brasileiros durante grandes competições. Mas o entusiasmo nem sempre vem acompanhado de preparo físico adequado, aumentando o risco de lesões que podem comprometer a saúde e afastar praticantes do esporte por semanas ou até meses. 

Segundo o ortopedista e traumatologista Dr. Luis Marcelo Muller, do Hospital Regina, as lesões mais frequentes no futebol recreativo afetam principalmente os membros inferiores. Entorses de tornozelo, lesões musculares na parte posterior da coxa, contusões e traumas no joelho estão entre os problemas mais comuns observados nos atendimentos. "O futebol é uma atividade que exige mudanças rápidas de direção, acelerações, desacelerações e contato físico. Quando o praticante não está adequadamente condicionado, o risco de lesão aumenta significativamente", explica. 

Entre os principais fatores de risco está o perfil conhecido como "atleta de fim de semana", ou seja, aquela pessoa que passa boa parte da semana sedentária e concentra esforços intensos em uma única partida. A combinação de falta de condicionamento, aquecimento insuficiente, poucas horas de sono e, em alguns casos, consumo de álcool antes da atividade cria um cenário propício para lesões musculares e articulares. 

Os números reforçam a preocupação. Estudos mostram que tornozelos e joelhos concentram a maior parte das lesões relacionadas ao futebol. Em jovens atletas, essas duas regiões respondem por mais de um terço dos casos registrados. Além disso, embora menos frequentes, fraturas e rupturas ligamentares podem gerar afastamentos prolongados e demandar tratamentos mais complexos. 

Entre todas as ocorrências, as lesões no joelho continuam sendo as mais preocupantes, na visão dos especialistas. A ruptura do ligamento cruzado anterior (LCA), por exemplo, pode exigir cirurgia e um período de recuperação que frequentemente ultrapassa nove meses. "As lesões ligamentares do joelho merecem atenção especial porque podem gerar instabilidade articular, limitar a prática esportiva e favorecer o desenvolvimento precoce de artrose quando não tratadas adequadamente", destaca o médico. 

A escolha dos equipamentos também influencia diretamente na segurança durante a prática esportiva. Chuteiras inadequadas e campos em más condições aumentam o risco de quedas, torções e lesões ligamentares. O alerta vale inclusive para gramados sintéticos, que exigem cuidados específicos de manutenção para oferecer condições seguras aos atletas.

 

Quando é hora de parar

Quando uma lesão acontece durante a partida, a orientação é interromper imediatamente a atividade e adotar medidas simples de primeiros socorros. O protocolo conhecido como PRICE (proteção, repouso, gelo, compressão e elevação do membro afetado) ajuda a controlar a dor e o inchaço nas primeiras horas após o trauma. No entanto, situações que envolvam incapacidade de caminhar, deformidades, instabilidade articular ou dor intensa exigem avaliação médica imediata. 

Outro ponto importante é evitar negligenciar sintomas aparentemente leves. Entorses graves de tornozelo, rupturas ligamentares, fraturas não diagnosticadas e até lesões musculares importantes podem deixar sequelas permanentes quando não recebem tratamento adequado. "Muitas pessoas acreditam que a dor vai desaparecer sozinha e continuam jogando. Esse comportamento pode transformar uma lesão simples em um problema crônico e dificultar o retorno ao esporte", alerta.


Aprenda a evitar lesões

A boa notícia é que grande parte das lesões pode ser evitada com medidas relativamente simples: aquecimento nos 15 minutos que antecedem a atividade, prática regular de exercícios físicos, fortalecimento muscular, hidratação adequada e períodos suficientes de descanso são algumas das estratégias mais eficazes para reduzir os riscos. 

Retomar o contato com a bola aos poucos é outra recomendação válida. “Começar com controle de bola, dribles e chutes a gol. Depois, iniciar jogos de pequenas durações e, assim, evoluir progressivamente. Para evitar lesões, é essencial adequar intensidade e regularidade nesse início”, orienta o ortopedista Emerson Garms, do Hospital Santa Catarina - Paulista. 

Com a devida atenção aos cuidados básicos, a prática esportiva agrega benefícios e deve ser motivada. "Quem deseja aproveitar o clima da Copa para voltar a jogar futebol deve encarar o esporte da mesma forma que qualquer atividade física: com preparação, responsabilidade e respeito aos limites do próprio corpo", reforça.


Cinco lesões mais comuns no futebol recreativo

  1. Entorse de tornozelo
    Ocorre geralmente após mudanças bruscas de direção ou pisadas inadequadas.
     
  2. Lesões musculares na posterior da coxa
    Relacionadas principalmente a arrancadas, sprints e falta de condicionamento físico.
     
  3. Contusões
    Provocadas por choques entre jogadores ou quedas durante a partida.
     
  4. Lesões no joelho
    Incluem desde entorses até rupturas ligamentares, como a do ligamento cruzado anterior (LCA).
     

Fraturas


Menos frequentes, mas potencialmente graves, principalmente em situações de impacto direto ou torções intensas.



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