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quarta-feira, 1 de julho de 2026

Gravidez pode mascarar sintomas de outras doenças e exige atenção redobrada

Período marcado por mudanças físicas e hormonais pode esconder outros problemas de saúde

 

A gestação é um período marcado por mudanças físicas e hormonais que provocam sintomas considerados comuns, como náuseas, cansaço, dores e inchaço. No entanto, esses sinais também podem indicar problemas de saúde e exigem atenção quando fogem do padrão esperado. 

A história da professora Elisflavia Rodrigues da Assunção Guimarães, de 37 anos, ilustra como a gravidez pode dificultar a identificação de condições mais graves. Em virtude de alterações atípicas no volume abdominal, a paciente realizou exames mais detalhados, que revelaram um câncer intestinal em estágio avançado, já com metástase nos ovários. O cenário, identificado durante o pré-natal, ilustra como sinais que podem ser atribuídos à gestação exigem investigação cuidadosa e acompanhamento médico rigoroso. 

Diante da gravidade do quadro, uma equipe multidisciplinar precisou reavaliar rapidamente a condução da gestação. O parto foi antecipado, em uma cirurgia de alta complexidade que garantiu o nascimento da bebê prematura, com boa evolução clínica, e permitiu o início do tratamento da mãe. O caso evidencia a importância do pré-natal atento e integrado, capaz de identificar precocemente alterações fora do esperado e tomar decisões que preservem a vida da mãe e do bebê. 

Em paralelo, dados do Ministério da Saúde indicam que cerca de 20% das gestantes apresentam alguma complicação ao longo da gravidez, como anemia, diabetes gestacional, hipertensão e infecções urinárias. Muitas dessas condições começam de forma silenciosa ou com sintomas leves, semelhantes aos desconfortos típicos desse período. 

Entre os sintomas que merecem atenção, estão náuseas e vômitos intensos, que podem indicar hiperêmese gravídica; inchaço, que pode estar relacionado à pré-eclâmpsia; dor de cabeça, possivelmente associada à pressão arterial elevada; dor abdominal, que pode sinalizar infecções ou complicações obstétricas e falta de ar, que pode estar ligada à anemia ou alterações cardiovasculares. 

A preocupação deve surgir quando os sintomas são intensos, persistentes, pioram com o tempo ou aparecem acompanhados de sinais como sangramento, febre, alterações visuais ou dor intensa. 

“As manifestações mais comuns da gravidez nem sempre são apenas adaptações do corpo. Quando fogem do padrão, podem indicar condições que precisam de investigação e acompanhamento adequado”, afirma o ginecologista e obstetra da Hapvida, Clayton Fortunato Filho.

 

Sinais de alerta 

De modo geral, sintomas comuns tendem a ser leves e transitórios. Já os sinais de alerta costumam ser mais intensos, súbitos ou persistentes. Situações como sangramento vaginal, dor abdominal intensa, dor de cabeça forte com alterações visuais, falta de ar importante, febre, diminuição dos movimentos do bebê ou perda de líquido exigem avaliação médica imediata.

 

Complicações mais frequentes 

As principais complicações durante a gravidez incluem diabetes gestacional, pré-eclâmpsia, infecções urinárias e anemia.

 

Risco de parto prematuro 

“Muitas dessas condições começam de forma silenciosa. O acompanhamento adequado permite identificar alterações antes mesmo do aparecimento de sintomas mais graves”, destaca o especialista.

 

Importância do pré-natal

O pré-natal é essencial para a detecção precoce de possíveis problemas e para a redução de riscos para a mãe e o bebê. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o acompanhamento adequado pode reduzir em até 20% as complicações graves na gestação. 

Exames como hemograma, glicemia, sorologias, exame de urina e ultrassonografias são fundamentais ao longo da gravidez. Além disso, grupos de risco, como gestantes com mais de 35 anos, adolescentes, mulheres com doenças prévias, obesidade ou histórico de complicações, exigem acompanhamento ainda mais rigoroso.

 

Prevenção

Manter o pré-natal em dia, seguir as orientações médicas, adotar uma alimentação equilibrada, controlar o ganho de peso e evitar álcool e tabagismo são medidas que ajudam a reduzir riscos. 

“Quando há alguma complicação, o acompanhamento se torna mais próximo, com mais consultas e exames. Em alguns casos, pode ser necessário antecipar o parto para garantir a segurança da mãe e do bebê”, explica Clayton Fortunato Filho.

 

Hapvida


Herpes-zóster em adultos jovens: fatores que podem influenciar a reativação do vírus

Shutterstock
Levantamento mostra que a doença também ocorre em pessoas com menos de 50 anos, enquanto especialista alerta que a semelhança dos sintomas iniciais com outras condições pode atrasar o diagnóstico e o tratamento. 

 

Casos de herpes zóster em jovens e adultos abaixo de 50 anos têm sido cada vez mais frequentes. Estudos epidemiológicos utilizados pelo Centers for Disease Control and Prevention (CDC), mostram que cerca de quatro a cinco em cada 1.000 pessoas entre 40 a 49 anos desenvolvem a doença anualmente. A doença ocorre pela reativação do vírus varicela-zóster, favorecida por fatores que comprometem a resposta imunológica, como o envelhecimento, doenças crônicas, imunossupressão e, possivelmente, situações de estresse prolongado1 . “Hoje não é incomum observar casos em adultos mais jovens. Estresse crônico, privação de sono e outros fatores que afetam o sistema imunológico podem favorecer a reativação do vírus”, confirma o médico Thiago Zinsly, infectologista da rede credenciada da Care Plus. 

Diferentemente do que ocorre na população acima dos 50 anos, em que o risco de herpes zoster aumenta principalmente em decorrência do envelhecimento do sistema imunológico, o surgimento da doença em adultos mais jovens costuma estar associado a fatores que podem comprometer a resposta imunológica. Entre eles estão algumas doenças crônicas, condições de imunossupressão e, possivelmente, situações de estresse prolongado, privação de sono e sobrecarga física ou emocional. Esses fatores podem reduzir a capacidade do organismo de manter o vírus varicela-zóster em estado latente, favorecendo sua reativação. 

Após o contato inicial na infância - seja pela infecção natural (catapora) ou pela vacinação, o vírus permanece em estado latente nos gânglios do sistema nervoso. Ou seja, quem teve contato com o vírus permanece com ele ‘adormecido’ no corpo. Quando ocorre uma redução da imunidade celular, esse vírus pode ser reativado e se manifestar na forma de herpes-zóster. 

De acordo com Zinsly, embora o avanço dos casos entre jovens adultos seja um movimento documentado antes da pandemia de covid-19, o cenário atual intensificou os gatilhos associados ao risco. “Hoje vemos uma população mais exposta a níveis elevados de desgaste emocional, condições que podem favorecer a reativação viral”, observa o médico. 

Um dos principais desafios associados ao herpes-zoster em adultos jovens é o reconhecimento precoce da doença. Por ser classicamente associada ao envelhecimento, os sinais iniciais podem ser confundidos com condições comuns da vida adulta, como dores musculares, desconfortos relacionados ao estresse ou reações alérgicas na pele. 

“As lesões nem sempre aparecem logo no início, o que pode atrasar o diagnóstico. O primeiro alerta geralmente é uma dor localizada, em faixa e unilateral, acompanhada de ardência, formigamento, hipersensibilidade ou sensação de choque”, detalha o infectologista. 

Essa dor geralmente surge de dois a cinco dias antes do aparecimento das lesões cutâneas características. Em seguida, podem surgir áreas de vermelhidão e pequenas bolhas agrupadas, distribuídas ao longo do trajeto de um nervo e limitadas a um lado do corpo.

 

Indicações para a vacinação 

No contexto da imunização, a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) recomenda a vacina contra o herpes-zóster prioritariamente para pessoas a partir dos 50 anos. O imunizante também é indicado para adultos imunocomprometidos a partir dos 18 anos. 

Para a população fora dessas indicações regulatórias, não há restrição absoluta, mas o acesso exige avaliação clínica. “Para quem está fora das indicações formais, a decisão deve ser individualizada e discutida com o médico, considerado histórico clínico e fatores de risco. E vale lembrar que quem já teve herpes-zóster também deve conversar com um especialista sobre vacinação”, orienta Zinsly. 

Além da vacinação, manter hábitos de vida saudáveis contribui para o bom funcionamento do sistema imunológico e para a saúde geral. “Sono de qualidade, alimentação equilibrada, atividade física regular e manejo do estresse são essenciais. O sistema imunológico responde diretamente à forma como vivemos e reduzir fatores estressores faz diferença para a saúde como um todo”, conclui o infectologista.

  

Care Plus Medicina


7 curiosidades sobre a doação de sangue que quase ninguém conhece

Do potencial de uma doação salvar até quatro vidas ao papel decisivo das plaquetas no tratamento do câncer, conheça os fatos pouco conhecidos sobre esse gesto que pode fazer toda a diferença para milhares de pacientes

 

A doação de sangue é um dos atos mais simples de solidariedade, mas ainda cercado por dúvidas, mitos e informações pouco conhecidas. Embora seja um procedimento seguro e relativamente rápido, muitas pessoas desconhecem, por exemplo, que uma única bolsa pode beneficiar mais de um paciente ou que alguns componentes do sangue têm validade de apenas cinco dias. 

A conscientização é especialmente importante para instituições que dependem diariamente de transfusões, como o A.C.Camargo Cancer Center. Especializado no tratamento do câncer, o hospital mantém um banco de sangue próprio e utiliza hemocomponentes em diversas etapas do cuidado oncológico, desde cirurgias e quimioterapias até transplantes e atendimentos de alta complexidade. 

Segundo a instituição, os estoques operam constantemente no limite e dependem da solidariedade de doadores voluntários para garantir a continuidade dos tratamentos.
 

1.Uma única doação pode ajudar até quatro pessoas?

Muita gente imagina que uma bolsa de sangue será utilizada por apenas um paciente. Na prática, após a coleta, o material é separado em diferentes hemocomponentes, como hemácias (glóbulos vermelhos), plasma, plaquetas e crioprecipitado. Como cada componente pode ser destinado a um paciente diferente, uma única doação tem potencial para beneficiar até quatro pessoas. No A.C.Camargo, esse processo é fundamental para atender necessidades específicas de cada paciente oncológico ao longo do tratamento.

 

2. Como o sangue pode beneficiar o paciente?

Quando a bolsa chega ao laboratório, ela é fracionada para que cada componente tenha uma finalidade, atendendo a necessidade específica de cada paciente.

As hemácias, responsáveis pelo transporte de oxigênio pelo corpo, costumam ser usadas em pacientes com anemias graves ou perdas sanguíneas em cirurgias.

As plaquetas atuam diretamente no processo de coagulação, indicadas para prevenir ou tratar sangramentos em pacientes com baixa contagem de plaquetas.

O plasma é rico em proteínas e fatores de coagulação, serve para tratar distúrbios de coagulação e corrigir deficiências múltiplas desses fatores.

O crioprecipitado contém altos níveis de fibrinogênio e Fator VIII, sendo utilizado no tratamento de distúrbios de sangramento e reposição de fatores específicos de coagulação. 

Isso faz com que uma mesma doação tenha impacto em diversas frentes da assistência médica, muito importante no tratamento em oncologia.

 

3. Qual a validade do sangue após a doação?

Após a separação do sangue, as hemácias duram de 35 a 42 dias (em refrigeração de 2°C a 6°C), o plasma de 12 a 24 meses (congelado) e o crioprecipitado 12 meses (congelado).

Entre todos os componentes do sangue, as plaquetas estão entre os elementos mais difíceis de manter em estoque. Sua validade é de apenas cinco dias, o que exige reposição constante. Para pacientes com câncer, elas são particularmente importantes porque ajudam na coagulação e frequentemente precisam ser transfundidas após sessões de quimioterapia ou em casos de comprometimento da medula óssea. No A.C.Camargo, cerca de 60% das transfusões realizadas são de plaquetas.
 

4. Adolescentes também podem ser doadores?

Ao contrário do que muitos imaginam, a doação de sangue não é exclusiva para maiores de idade. Jovens de 16 e 17 anos podem doar, desde que apresentem autorização formal dos pais ou responsáveis e atendam aos demais critérios exigidos pelos hemocentros. A medida amplia o universo de potenciais doadores e contribui para a formação de uma cultura de doação desde cedo.

 

5. Existe idade máxima para começar a doar?

Pouca gente sabe, mas há uma diferença entre ser doador e iniciar a vida como doador. Pessoas entre 60 e 69 anos podem continuar doando sangue, desde que já tenham realizado pelo menos uma doação anteriormente. Isso significa que existe uma idade limite para a primeira doação, antes de completar 61 anos, uma regra criada para garantir maior segurança ao doador.

 

6. É seguro doar sangue?

A doação de sangue é um ato seguro. Uma triagem clínica é realizada antes de cada doação para garantir a segurança do doador, além de garantir a segurança do paciente que receberá este sangue como tratamento. Todo o material utilizado na doação é estéril e de uso único, não havendo risco de contaminação. Além disso, todo o atendimento é realizado por equipe especializada e treinada, para oferecer o atendimento com segurança.

 

7. O organismo repõe rapidamente o volume doado? 

Uma doação convencional retira aproximadamente 450 ml de sangue, não ultrapassando 8 ml/kg para mulheres e 9 ml/kg para homens. Apesar de parecer muito, o organismo recompõe rapidamente o volume líquido perdido. Além disso, é realizado um intervalo mínimo entre as doações, de 2 (dois) meses para os homens e de 3 (três) meses para as mulheres, tempo suficiente para a reposição de todos os componentes do sangue doado. Por isso, a doação é considerada segura para pessoas saudáveis que atendam aos critérios estabelecidos pelos serviços de hemoterapia.


Julho Amarelo reforça prevenção e alerta para hepatites virais

Especialista conscientiza sobre a importância da prevenção, diagnóstico precoce e tratamento das hepatites virais, com destaque para a vacinação e sinais de alerta em crianças

 

Julho é marcado pela campanha Julho Amarelo, iniciativa nacional voltada para a conscientização sobre as hepatites virais. A infectologista pediátrica Carolina Brites ressalta que a prevenção começa pela vacinação: “As hepatites que a gente tem em vacina, hepatite A e hepatite B, é de suma importância que haja prevenção vacinal, essa é a primeira situação”. 

Segundo a especialista, a hepatite A é transmitida pela via fecal-oral, exigindo cuidados com a água e alimentos contaminados. Já as hepatites B e C estão mais relacionadas à transmissão sanguínea, podendo ocorrer por via sexual, transfusões, canal de parto ou via placentária. 

Entre os sinais de alerta, a médica destaca a icterícia, o “amarelão” nos olhos e na pele, como característica facilmente observada pelos pais. Outros sintomas incluem inapetência, febre, mal-estar, distensão abdominal e aumento do fígado. 

A vacinação contra a hepatite B é aplicada desde o nascimento e deve ser mantida conforme o calendário vacinal. “É de suma importância que os pais apliquem a vacina da hepatite B ao nascer e depois corrijam o calendário de forma adequada”, reforça Brites. 

Ela lembra ainda que, a partir dos dois anos de idade, é essencial que adultos avaliem a sorologia para verificar a imunidade contra a hepatite B e, se necessário, realizem a vacinação. 

No caso das crianças, o tratamento das hepatites virais é voltado principalmente para o controle dos sintomas, com hidratação, repouso e acompanhamento médico.

 

Carolina Brites - CRM-SP: 115624 | RQE: 122965 - concluiu sua graduação em Medicina na Universidade Metropolitana de Santos (UNIMES) em 2004. Especializou-se em Pediatria pela Santa Casa de Santos entre 2005 e 2007, onde obteve o Título de Pediatria conferido pela Sociedade Brasileira de Pediatria. Posteriormente, especializou-se em Infectologia infantil pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e completou uma pós-graduação em Neonatologia pelo IBCMED em 2020. Em 2021, concluiu o mestrado em Ciências Interdisciplinares em Saúde pela UNIFESP. Atualmente, é professora de Pediatria na UNAERP em Guarujá e na Universidade São Judas em Cubatão. Trabalha em serviço público de saúde na CCDI – SAE Santos e no Hospital Regional de Itanhaém. Além disso, mantém um consultório particular e assiste em sala de parto na Santa Casa de Misericórdia de Santos. Ministra aulas nas instituições de ensino onde é professora.



Pubalgia ligada ao quadril afeta até 19% dos jogadores de futebol e pode exigir tratamento especializad

Médico ortopedista e cirurgião especialista em cirurgia de quadril, Dr. Thiago Fuchs alerta para a relação entre a pubalgia e alterações articulares do quadril que podem comprometer o desempenho esportivo e a qualidade de vida

 

A pubalgia é considerada uma das principais causas de dor crônica na virilha entre atletas. Estudos internacionais apontam que sua prevalência varia entre 4% e 19% em jogadores profissionais de futebol, dependendo da modalidade e do nível de competição. Além disso, pesquisas mostram que grande parte desses casos pode estar relacionada a alterações mecânicas do quadril, tornando o diagnóstico preciso fundamental para o sucesso do tratamento. 

O alerta é do médico ortopedista e cirurgião especialista em quadril, Dr. Thiago Fuchs, que observa um aumento na procura por atendimento de pacientes com dores persistentes na virilha, púbis e quadril. 

Segundo o especialista, muitas pessoas passam meses ou até anos tratando apenas a musculatura da região sem identificar corretamente a verdadeira origem do problema. 

“Hoje sabemos que uma parcela importante dos casos de pubalgia está associada a alterações do quadril, especialmente o impacto femoroacetabular. Quando existe essa alteração mecânica, o organismo passa a compensar os movimentos, gerando sobrecarga nas estruturas da pelve, da virilha e da musculatura adutora e do reto abdominal”, explica Dr. Thiago Fuchs. 

A relação entre pubalgia e alterações do quadril tem sido cada vez mais documentada pela literatura científica. Um estudo com atletas portadores de dor púbica identificou sinais de impacto femoroacetabular em até 86% dos pacientes avaliados, demonstrando a forte conexão entre as duas condições. 

Uma revisão científica publicada na revista Frontiers in Surgery mostrou que muitos atletas com pubalgia também apresentam alterações no quadril, especialmente o impacto femoroacetabular. Segundo os pesquisadores, quando o quadril perde parte de sua mobilidade, a região da virilha e do púbis passa a receber uma sobrecarga maior durante corridas, chutes e mudanças de direção, favorecendo o aparecimento da dor.

 

55% dos atletas apresentam dor na região do quadril ou virilha 

Outro levantamento epidemiológico recente apontou que aproximadamente 55% dos atletas apresentam algum episódio de dor na região do quadril ou da virilha ao longo de um ano, evidenciando a relevância do problema para a medicina esportiva. 

Além dos atletas profissionais, corredores, praticantes de beach tennis, tênis, artes marciais, cross training e esportes de quadra também figuram entre os grupos mais acometidos. Os sintomas geralmente começam de forma discreta, manifestando-se após treinos intensos, mas podem evoluir para dor durante corridas, mudanças de direção, chutes, saltos e até mesmo durante atividades cotidianas. 

Quando o diagnóstico é realizado precocemente, o tratamento normalmente inclui fisioterapia especializada, fortalecimento muscular, exercícios de mobilidade e correção dos movimentos que provocam sobrecarga. Nos casos em que existe uma alteração estrutural do quadril, pode ser necessária uma abordagem cirúrgica. 

A artroscopia do quadril, procedimento minimamente invasivo realizado por pequenas incisões, apresenta taxas de retorno ao esporte de aproximadamente 90%. Além do alívio da dor, os pacientes costumam recuperar movimentos, desempenho físico e qualidade de vida. 

Os resultados são bastante positivos. Estudos mostram que a maioria dos atletas consegue retornar ao esporte após a correção das alterações do quadril. A melhora da mobilidade da articulação reduz a sobrecarga na região do púbis e contribui para o desaparecimento da dor. 

“A dor na virilha não deve ser considerada normal, principalmente quando persiste por semanas ou meses. Quanto mais cedo identificamos a causa, maiores são as chances de evitar a progressão da lesão, preservar a articulação do quadril e devolver ao paciente uma vida ativa e sem limitações”, afirma Dr. Thiago Fuchs. 

Para prevenir o problema, Dr. Thiago Fuchs recomenda fortalecimento adequado da musculatura do CORE e do quadril, treinamento de mobilidade, correção de desequilíbrios musculares e avaliação especializada sempre que houver dor persistente na região da virilha ou do quadril. 

“Hoje dispomos de recursos diagnósticos avançados e tratamentos altamente eficazes. O mais importante é não normalizar a dor e procurar ajuda especializada o quanto antes”, conclui. 

 

Dr. Thiago Fuchs - médico ortopedista e cirurgião do joelho e do quadril, com atuação no diagnóstico e tratamento de lesões esportivas, pubalgia, impacto femoroacetabular, artroscopia e artroplastia do quadril. Atua no atendimento de atletas e pacientes que buscam recuperar mobilidade, eliminar a dor e retornar às suas atividades com segurança e qualidade de vida.


Performance não é só para atletas: o que a Copa ensina sobre metabolismo, hormônios e longevidade feminin

Enquanto o mundo acompanha jogadores sendo analisados por velocidade, resistência, recuperação muscular, sono, hidratação e capacidade de decisão sob pressão, uma pergunta quase nunca aparece fora dos campos: por que a medicina ainda trata a performance da mulher comum como assunto secundário?


Durante a Copa do Mundo, a palavra performance ganha espaço em todas as conversas. Cada detalhe importa: preparo físico, composição corporal, tempo de recuperação, carga de treino, alimentação, desgaste emocional, qualidade do sono e resposta ao estresse. Nada é visto de forma isolada. Se um atleta perde rendimento, ninguém resume o problema a “falta de vontade”. Investiga-se o corpo, a rotina, os dados, os exames e o contexto. 

Mas, quando uma mulher depois dos 35 anos diz que está cansada, sem força, com metabolismo mais lento, sono ruim, queda de libido, dificuldade para emagrecer e perda de foco, muitas vezes a resposta ainda vem simplificada: é estresse, é idade, é fase, é falta de disciplina. 

Segundo o Dr. Cláudio Mutti, médico nutrólogo, essa diferença de olhar revela um problema importante. “A performance feminina ainda é muito mal compreendida. Quando falamos em performance, não estamos falando apenas de esporte ou estética. Estamos falando da capacidade da mulher de ter energia, força, massa muscular, libido, clareza mental, bom sono e metabolismo funcionando. Isso é saúde.” 

A comparação com o universo esportivo ajuda a iluminar algo que a medicina convencional nem sempre explica bem: o corpo não rende quando está desorganizado. E, no caso das mulheres, essa desorganização pode começar antes da menopausa, ainda na perimenopausa, quando os hormônios passam a oscilar e o organismo começa a responder de forma diferente ao treino, à alimentação, ao sono e ao estresse. 

A partir da segunda metade dos 30 anos, muitas mulheres começam a perceber mudanças que parecem pequenas no início. O treino que antes dava resultado já não modifica tanto o corpo. A gordura abdominal aparece com mais facilidade. A recuperação fica mais lenta. A disposição diminui. O sono perde qualidade. A libido cai. A memória e o foco oscilam. Não é que o corpo “desistiu”. Ele entrou em outra fase fisiológica. 

Um dos pontos mais importantes nessa mudança é a massa muscular. No esporte, músculo é potência, proteção, velocidade e resistência. Na saúde feminina, deveria ser visto da mesma forma. Massa magra não é apenas uma questão estética: ela participa diretamente do metabolismo, da sensibilidade à insulina, da proteção óssea, da autonomia física e da longevidade.

Quando a mulher perde massa muscular, ela também perde parte da capacidade de gastar energia, controlar glicose, sustentar postura, prevenir quedas no futuro e manter vitalidade. Esse processo pode ser silencioso, mas tem impacto profundo. 

O problema é que muitas mulheres ainda tentam resolver mudanças hormonais e metabólicas com estratégias antigas: comer cada vez menos, fazer mais cardio, ignorar o sono e se culpar quando o corpo não responde. Esse modelo, além de pouco eficiente, pode piorar a perda de músculo e aumentar o estresse fisiológico. 

“A mulher que entra na perimenopausa ou na menopausa tentando emagrecer apenas com restrição calórica pode perder exatamente o tecido que mais precisa preservar: o músculo. Sem massa magra, o metabolismo fica menos eficiente, a gordura abdominal aumenta e a longevidade fica comprometida”, comenta o médico Cláudio Mutti. 

Essa mudança de raciocínio é essencial. Em vez de pensar apenas em perder peso, a mulher precisa pensar em construir um corpo metabolicamente mais forte. Isso envolve treino resistido, ingestão adequada de proteínas, sono de qualidade, controle do estresse, avaliação hormonal e acompanhamento que considere fase de vida, composição corporal e sintomas. 

A Copa torna essa discussão mais fácil de entender porque o esporte escancara algo que vale para qualquer corpo: desempenho depende de sistema. Um jogador não entra em campo apenas com talento. Ele depende de recuperação, nutrição, força, estratégia, hidratação, sono e equilíbrio emocional. A mulher também. 

A diferença é que, na rotina feminina, esses sinais costumam ser normalizados. Cansaço vira “vida adulta”. Baixa libido vira “fase do casamento”. Insônia vira “ansiedade”. Ganho de gordura vira “idade”. Perda muscular vira “corpo mudando”. E assim, sintomas que deveriam abrir investigação acabam sendo tratados como destino. 

Na prática clínica, o olhar para performance feminina precisa incluir alguns pilares: hormônios sexuais, tireoide, insulina, cortisol, massa muscular, intestino, sono e inflamação. Não porque toda mulher precise de um protocolo complexo, mas porque tratar sintomas isolados sem entender o sistema costuma gerar frustração. 

Um exemplo claro é a queda do estrogênio. Esse hormônio tem papel importante na distribuição de gordura, na saúde vascular, na proteção óssea, na sensibilidade à insulina e na regulação da temperatura corporal. Já a testosterona, muitas vezes esquecida na saúde feminina, participa da libido, energia, força e massa magra. Quando esses hormônios caem ou oscilam, o corpo sente. 

A progesterona também entra nessa equação, especialmente pelo impacto sobre sono, ansiedade e sensação de estabilidade. Uma mulher que dorme mal não recupera bem, não regula bem o apetite, não treina bem e não sustenta bem o humor. O sono ruim não é detalhe: ele é um dos sabotadores mais subestimados da performance feminina. 

É por isso que a ideia de performance precisa ir além do campo esportivo e entrar definitivamente na saúde da mulher. Não como obsessão por produtividade ou corpo perfeito, mas como capacidade funcional. Performance é conseguir subir escadas sem exaustão. É manter massa muscular aos 50. É ter desejo sexual sem vergonha de falar sobre isso. É acordar com energia. É não viver refém de oscilações de humor, fadiga e metabolismo travado. 

O conceito também muda a forma de pensar envelhecimento. A pergunta deixa de ser apenas “como emagrecer?” e passa a ser, que corpo essa mulher está construindo para os próximos 20, 30 ou 40 anos? 

Para o Dr. Cláudio Mutti, esse é o ponto central. “A mulher precisa parar de olhar para saúde apenas quando adoece ou quando engorda. O ideal é pensar em performance e longevidade antes da perda de autonomia. Se um atleta cuida de cada detalhe para render bem em campo, a mulher também merece esse nível de atenção para viver bem fora dele.”

 

Beber pouca água pode prejudicar a saúde dos dentes? Dentista explic

Freepik
A desidratação pode reduzir a produção de saliva e favorecer problemas como cáries, mau hálito e inflamações na gengiva

 

A hidratação é essencial para o bom funcionamento do organismo, mas poucas pessoas sabem que ela também desempenha um papel importante na saúde bucal. Isso porque a saliva atua como uma espécie de proteção natural da boca, ajudando a neutralizar ácidos, controlar bactérias e prevenir problemas como cáries e doenças na gengiva. 

Segundo a dentista Andressa Zaccaro, coordenadora do curso de Odontologia da Faculdade Anhanguera, a ingestão insuficiente de água pode comprometer esse mecanismo de defesa e favorecer o surgimento de diferentes alterações na cavidade oral. 

“A saliva é responsável por manter a boca úmida, auxiliar na digestão e proteger os dentes e tecidos bucais contra a ação de bactérias. Quando há redução na sua produção, a pessoa fica mais suscetível a problemas como mau hálito, cáries e inflamações gengivais”, explica. 

A seguir, a professora destaca alguns sinais de que a falta de água pode estar afetando a saúde bucal.
 

1. Boca seca com frequência

A sensação constante de boca seca é um dos principais indícios de desidratação. A redução da saliva favorece a proliferação de bactérias e aumenta o risco de problemas bucais.
 

2. Mau hálito persistente

A saliva ajuda a eliminar resíduos alimentares e controlar os microrganismos presentes na boca. Quando sua produção diminui, as bactérias responsáveis pelo mau odor encontram um ambiente mais favorável para se desenvolver.
 

3. Maior incidência de cáries

Além de limpar naturalmente a cavidade oral, a saliva contribui para a remineralização dos dentes. Com menos saliva, a ação dos ácidos produzidos pelas bactérias se intensifica, favorecendo o aparecimento de cáries.
 

4. Sensibilidade nos dentes

A desidratação pode favorecer o desgaste do esmalte dentário e aumentar a exposição das estruturas mais sensíveis dos dentes, causando desconforto ao consumir alimentos quentes, frios ou doces.
 

5. Gengivas inflamadas

A falta de hidratação também pode contribuir para o acúmulo de placa bacteriana, favorecendo quadros de gengivite e outras doenças periodontais.
 

Como manter a saúde bucal em dia?
Além de manter uma rotina adequada de higiene oral e visitar regularmente o dentista, a ingestão adequada de água é uma medida simples que ajuda a preservar a produção de saliva e a saúde da boca como um todo.

“Em muitos casos, pequenos hábitos do dia a dia fazem diferença. Manter-se hidratado é uma forma de contribuir não apenas para a saúde geral, mas também para a prevenção de diversas doenças bucais”, finaliza.

 


Anhanguera
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Uso de canetas emagrecedoras pode favorecer problema no ouvido: especialista explica sintomas e tratamento da tuba patent

Imagem de stefamerpik no Magnific
Condição está relacionada à perda de peso acelerada, que reduz estruturas responsáveis pelo funcionamento adequado da tuba auditiva e provoca desconforto e alterações na percepção dos sons

 

Em busca do emagrecimento rápido, muitas pessoas têm recorrido às chamadas canetas emagrecedoras. Embora os benefícios desses medicamentos sejam conhecidos quando utilizados com indicação médica, poucos sabem que a perda acelerada de peso também pode favorecer o surgimento de um problema no ouvido chamado tuba patente. A condição ocorre quando a tuba auditiva, estrutura responsável por conectar a orelha média à parte nasal da faringe, permanece aberta por tempo prolongado, provocando sintomas que interferem diretamente na qualidade de vida. 

Segundo a Dra. Kátia Virginia, otorrinolaringologista do Hospital de Olhos de Pernambuco (HOPE), a tuba auditiva normalmente permanece fechada durante quase todo o tempo, abrindo apenas em situações específicas. "A tuba auditiva é um canal que liga a orelha média à parte nasal da faringe. Ela permanece fechada na maior parte do tempo e só se abre durante a deglutição, o bocejo e a mastigação. Quando esse mecanismo falha e ela permanece aberta de forma anormal, ocorre a chamada tuba patente", explica. 

A especialista destaca que os sintomas costumam ser bastante incômodos e, muitas vezes, confundem o paciente. "A principal manifestação é a autofonia, quando a pessoa passa a ouvir a própria voz de forma muito intensa. Também é comum perceber a própria respiração, sons da mastigação, da deglutição, além da sensação de ouvido tampado, pressão ou plenitude na orelha. Esses sintomas podem ser contínuos ou variar ao longo do dia e acabam provocando bastante desconforto e até ansiedade." 

Entre os fatores que favorecem o aparecimento da condição, a perda rápida de peso é considerada a principal causa. Isso acontece porque a redução do tecido de gordura localizado ao redor da tuba auditiva diminui o suporte necessário para que ela permaneça fechada em repouso. 

"Existe um coxim adiposo (tecido de gordura) chamado coxim de Ostmann, que ajuda a manter a tuba fechada. Quando ocorre um emagrecimento muito rápido, esse tecido diminui, reduzindo o suporte da cartilagem da tuba e favorecendo que ela permaneça aberta por mais tempo", afirma a médica. 

É justamente por esse mecanismo que o uso das canetas emagrecedoras pode estar relacionado ao problema. Segundo a otorrinolaringologista, a medicação não age diretamente sobre a tuba auditiva. 

"As canetas emagrecedoras, como os agonistas do receptor de GLP-1, promovem uma perda de peso significativa em pouco tempo. O medicamento não causa diretamente a tuba patente, mas o emagrecimento acelerado provocado por ele pode favorecer esse quadro por reduzir o tecido de gordura responsável por ajudar no fechamento da tuba", esclarece. 

Além da perda de peso, outros fatores também podem contribuir para o desenvolvimento da doença. "Gravidez, desidratação, alterações neuromusculares, radioterapia na região da cabeça e pescoço, alterações anatômicas, algumas doenças sistêmicas e o uso prolongado de diuréticos e descongestionantes nasais também podem estar associados ao surgimento da tuba patente. Em alguns casos, inclusive, não conseguimos identificar uma causa específica", ressalta. 

Por apresentar sintomas semelhantes aos de outras doenças do ouvido, o diagnóstico exige avaliação especializada. "A tuba patente pode ser confundida com problemas que realmente provocam perda auditiva, como obstrução da tuba auditiva, doença de Menière, otosclerose, perda auditiva súbita, otites médias e até alterações da articulação temporomandibular. A diferença é que, na maioria das vezes, a audiometria do paciente com tuba patente permanece normal", explica. 

A confirmação do diagnóstico é feita principalmente pela história clínica e pelo exame físico. "O relato de autofonia, da percepção da própria respiração e dos sintomas que melhoram quando o paciente se deita são pistas importantes. Durante o exame, podemos observar a movimentação da membrana timpânica sincronizada com a respiração. Também utilizamos exames como audiometria, impedanciometria e nasofibroscopia para complementar a avaliação e descartar outras doenças", detalha. 

O tratamento depende da intensidade dos sintomas e da causa identificada. Em muitos casos, medidas conservadoras já proporcionam melhora significativa. 

"Quando a perda de peso é o fator desencadeante, muitas vezes aguardamos a estabilização do peso ou, quando clinicamente possível, parte da recuperação ponderal. Também orientamos boa hidratação e o uso de soluções fisiológicas nasais para melhorar as condições dos tecidos da região. Nos casos mais graves e resistentes ao tratamento clínico, existem procedimentos endoscópicos minimamente invasivos e outras alternativas que podem ser consideradas pelo especialista", conclui a Dra. Kátia Virginia.


Internações de adolescentes por ansiedade no Brasil crescem 9 vezes em 10 anos

 Para cada adolescente menino internado por ansiedade,
 quase 4 meninas são internadas.
Imagem ilustrativa, gerada por IA
Estudo que utiliza dados de operadoras de planos de saúde aponta meninas de 10 a 19 anos como o grupo de crescimento mais acelerado nas internações por transtornos de ansiedade no país 

 

Um estudo do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) revela que as internações de adolescentes por transtornos de ansiedade na saúde suplementar brasileira cresceram nove vezes entre 2015 e 2024. Este foi o maior salto entre todas as faixas etárias analisadas. A taxa passou de 1,03 para 9,60 internações por 100 mil beneficiários no grupo de 10 a 19 anos, superando proporcionalmente o crescimento observado entre adultos e idosos. 

O levantamento, baseado em mais de 30 mil registros de internação extraídos do Padrão TISS (D-TISS/ANS) ao longo de uma década, também mostra que a participação dos adolescentes no total de internações por ansiedade saltou de 2,8% em 2015 para um patamar entre 9% e 12% nos últimos anos. 

Entre as meninas, o fenômeno é ainda mais acentuado: para cada adolescente do sexo masculino internado por ansiedade em 2024, foram registradas 3,71 internações de adolescentes do sexo feminino, razão que era de 1,95 no ano de 2015. O estudo ainda aponta que a média anual de internações de meninas adolescentes saltou de 91 entre os anos de 2015 a 2019 para 453 entre 2022 e 2024.

 

Por que as meninas?

Para o psiquiatra Roberto Ratzke, professor e coordenador de Psiquiatria do Hospital Heidelberg, em Curitiba, os números captam, em sua manifestação mais grave (a internação hospitalar), um fenômeno que vem sendo descrito internacionalmente desde a pandemia de Covid-19: o aumento expressivo de sintomas ansiosos entre adolescentes, com magnitude maior entre meninas mais velhas. 

Fatores como exposição prolongada a redes sociais, pressão acadêmica, mudanças na rotina escolar e familiar, e maior tendência de meninas verbalizarem sofrimento psíquico ajudam a explicar a diferença entre os sexos. “Estamos vendo adolescentes chegarem ao hospital depois de meses ou anos de sofrimento que poderia ter sido identificado antes, na escola ou na família. A internação é a ponta visível de um problema que começa muito antes.” 

Entre os sinais que costumam passar despercebidos, Ratzke cita irritabilidade constante, queixas físicas recorrentes sem causa médica identificada (dores de cabeça e de estômago), isolamento social progressivo, queda no desempenho escolar e dificuldade para dormir. “Pais e professores costumam atribuir isso à 'fase da adolescência', mas quando esses sinais se acumulam e duram semanas, é hora de procurar avaliação especializada”, afirma. 

A diferença entre os sexos, segundo o psiquiatra, também tem raízes biológicas e sociais que se somam aos fatores já citados. As alterações hormonais da puberdade afetam de forma mais intensa os circuitos cerebrais ligados à regulação emocional em meninas, tornando-as mais vulneráveis a quadros ansiosos nessa fase da vida. Ao mesmo tempo, pesquisas têm associado o uso intenso de redes sociais a um efeito mais pronunciado sobre meninas, especialmente pela comparação social constante e pela exposição a padrões de aparência e desempenho. 

Jaqueline Cenci, médica psiquiatra do Hospital Heidelberg, especializada em infância e juventude, também explica porquê as meninas sentem mais a depressão e ansiedade que os meninos. 

“Sabemos que quadros de ansiedade podem aumentar o risco de sintomas depressivos e que meninas tendem a relatar mais medo e preocupações do que meninos, resultado de uma interação complexa entre fatores biológicos, psicológicos e sociais. Além disso, novas formas de sofrimento relacionadas ao mundo contemporâneo, como a ecoansiedade (caracterizada por preocupações intensas com as mudanças climáticas e o futuro do planeta) vêm sendo descritas como fatores que podem contribuir para o agravamento da ansiedade em jovens vulneráveis”, analisa a médica. 

Essa ressalta que, diante desse cenário, além de oferecer acolhimento e tratamento, é fundamental investir em estratégias de prevenção, fortalecendo recursos emocionais, vínculos familiares e ações que promovam saúde mental no cotidiano.

 

Papel da escola e da família na ansiedade em adolescentes

Para Ratzke, é fundamental que famílias e profissionais de saúde saibam diferenciar a ansiedade que faz parte do desenvolvimento normal (desafios de relacionamento, expectativas com o futuro, primeiras responsabilidades) daquela que já configura um transtorno clínico. 

“A ansiedade típica da adolescência é pontual e não impede a rotina. Quando o medo ou a angústia passam a interferir na escola, nas amizades, no sono ou na alimentação de forma persistente, isso já é sinal de alerta”, explica.

 

Quando um adolescente deve ser internado?

A internação, segundo o Dr. Ratzke, é indicada apenas quando há risco iminente, como ideação suicida, crises de pânico incapacitantes ou comprometimento grave do funcionamento do adolescente, e funciona como uma etapa de estabilização clínica antes da retomada do tratamento ambulatorial. 

“Internar não é o objetivo do cuidado, é uma ponte para que o paciente saia em condições de seguir o tratamento fora do hospital. Quanto mais cedo identificamos, menor a chance de chegar à internação. O hospital deveria ser a exceção, não a regra”, pontua. 



Hospital Heidelberg
Rua Padre Agostinho, 687 - bairro Mercês – Curitiba
Telefone: (41) 3320-4900 / WhatsApp: (41) 98869-0436.


Tirzepatida manipulada avança no Brasil e movimenta cadeia fria

Ampolas produzidas por farmácias magistrais chegam com valores inferiores ao Mounjaro e ganham espaço entre pacientes que buscam alternativas acessíveis. 

 

Enquanto o lançamento do Ozivy, o "Ozempic brasileiro", dominou os noticiários nas últimas semanas, outro segmento do mercado de emagrecedores cresceu de forma expressiva: o de tirzepatida manipulada. Diferentemente do Mounjaro, caneta autoinjetável industrializada que chegou às farmácias em maio de 2025 por valores a partir de R$ 1.400 mensais após o reajuste de 2026, a versão produzida por magistrais chega ao paciente em ampolas de vidro, com dose personalizada conforme prescrição médica, a uma fração do custo.

"Os fabricantes começam vendendo em torno de 200 pedidos e rapidamente, quando atingem seu público-alvo e firmam parcerias com médicos, chegam a 600, 800, 1.000 entregas por mês. É um crescimento de aproximadamente 20% a cada 30 dias", afirma Ricardo Canteras, diretor Comercial e de Operações da Temp Log, única operadora de cadeia fria do Brasil especializada no transporte de produtos para a medicina estética e que registrou aumento significativo no último ano. 

A operação começa quando os laboratórios recebem o insumo farmacêutico ativo, a maioria importado da China por distribuidores intermediários, e produzem as ampolas individuais conforme prescrição médica. “Coletamos os pedidos já embalados e os entregamos diretamente na residência do paciente, em todo o país. Um frasco equivale a aproximadamente quatro semanas de tratamento”, comenta Canteras.

O deslocamento, porém, exige cuidados específicos já que, ao contrário das versões industrializadas, os recipientes de vidro são mais frágeis e demandam acondicionamento reforçado para evitar danos no percurso. 

"As canetas praticamente não apresentam risco de avaria já com as ampolas, o cuidado precisa ser redobrado. Os laboratórios têm utilizado, além do plástico bolha, estruturas de proteção mais robustas para garantir que o frasco chegue intacto ao destino", explica. As exigências de temperatura são as mesmas, ou seja, manutenção entre 2°C e 8°C do início ao fim da distribuição.

A permissão para produzir a tirzepatida no Brasil foi consolidada pela Nota Técnica 92/2024 da Anvisa, que estabelece que a substância pode ser feita por farmácias magistrais desde que atendidas as Boas Práticas de Manipulação com receita individualizada e controle de qualidade e rastreabilidade. 

A patente do Mounjaro segue válida até 2036, o que torna o modelo personalizado a única alternativa acessível disponível para pessoas que buscam o tratamento sem arcar com o custo do produto industrializado. 

"Enquanto a Anvisa permitir a manipulação, acredito que esse mercado continuará em expansão, pois a demanda é real e o acesso pela via magistral ainda é a principal porta de entrada para grande parte dos pacientes", conclui Ricardo.

 


TEMP LOG
www.templog.net


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