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quinta-feira, 25 de junho de 2026

O IPO de 1602 e a corrida espacial de 2026: por que o futuro sempre pertence aos obstinados

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Em 1602, um grupo de investidores decidiu financiar algo que jamais havia sido feito. Sob a liderança do estadista holandês Johan van Oldenbarnevelt, eles colocaram dinheiro em uma empresa que prometia navegar por oceanos desconhecidos, atravessar tempestades imprevisíveis e alcançar terras que poucos acreditavam existir. 

Mais de quatro séculos depois, investidores fizeram algo semelhante. Apostaram bilhões em uma empresa cujo objetivo não era cruzar mares, mas conquistar o espaço. Separadas por 424 anos, a Companhia Holandesa das Índias Orientais (VOC) e a SpaceX contam, na essência, a mesma história: a história de pessoas que transformaram o impossível em uma oportunidade de investimento. É também a história da obstinação humana, essa capacidade de seguir adiante mesmo quando o caminho parece incerto. 

A tecnologia mudou. Os meios mudaram. Mas a natureza humana permanece a mesma. O progresso sempre foi financiado por aqueles que acreditaram antes das provas definitivas. Em outras palavras, por aqueles que tiveram a coragem de agir com obstinação quando a maioria preferiu esperar. 

Quando a VOC foi criada, em 1602, o mundo era muito diferente. Não existiam bolsas de valores modernas, fundos de investimento ou mercados globais. Uma viagem da Europa até a Ásia podia durar mais de oito meses. Tempestades destruíam embarcações, doenças matavam tripulações inteiras e piratas atacavam rotas comerciais. 

Mesmo assim, havia um prêmio gigantesco esperando do outro lado. Especiarias como pimenta, canela, noz-moscada e cravo tinham valor extraordinário na Europa, chegando a ser negociadas por preços equivalentes ao ouro. O problema era o financiamento. Nenhum comerciante individual possuía capital suficiente para bancar expedições tão arriscadas. 

Foi então que Oldenbarnevelt ajudou a viabilizar uma ideia revolucionária: unir seis companhias rivais e dividir o risco entre milhares de investidores. A VOC captou aproximadamente 6,5 milhões de florins holandeses, uma quantia monumental para a época. Pela primeira vez na história, pessoas comuns podiam adquirir participação em uma empresa e compartilhar seus lucros. 

Nascia o mercado de capitais moderno. Mais do que uma inovação financeira, era uma inovação de confiança. Hoje, quando um investidor compra ações pelo celular em poucos segundos, é difícil compreender o nível de incerteza existente em 1602. 

Os acionistas da VOC não recebiam relatórios trimestrais. Não havia internet. Não havia comunicação instantânea. Muitas vezes, passavam anos sem saber se uma frota havia chegado ao destino ou desaparecido no mar. Era um investimento baseado em visão. Era preciso acreditar antes de ver. Era preciso, acima de tudo, ter obstinação. 

Quatro séculos depois, o oceano deixou de ser o principal desafio e o novo território desconhecido passou a ser o espaço. Quando Elon Musk fundou a SpaceX, em 2002, a empresa parecia um projeto improvável. A indústria aeroespacial era dominada por governos e gigantes centenários. Especialistas afirmavam que foguetes reutilizáveis eram economicamente inviáveis. 

Entre 2006 e 2008, os três primeiros lançamentos do Falcon 1 fracassaram. Após o terceiro desastre, a empresa estava próxima da falência e tinha recursos para apenas mais uma tentativa. Se o quarto lançamento falhasse, provavelmente deixaria de existir. Mas ele funcionou e mudou a história. 

Aquele momento se tornou um exemplo emblemático de que grandes transformações raramente nascem da conveniência. Elas nascem da obstinação de continuar tentando quando todos os indicadores sugerem desistência. 

A grande inovação da SpaceX não foi apenas construir foguetes. Foi tornar o acesso ao espaço muito mais barato por meio da reutilização. O resultado foi uma revolução econômica que transformou a empresa em uma das mais valiosas do mundo e protagonista da nova corrida espacial. 

À primeira vista, uma empresa marítima do século XVII e uma companhia espacial do século XXI parecem não ter relação alguma. Mas possuem mais semelhanças do que diferenças. Ambas nasceram para explorar territórios desconhecidos. Ambas precisaram captar recursos para financiar jornadas extremamente arriscadas. E ambas exigiram investidores e líderes obstinados, capazes de enxergar décadas à frente. 

Os continentes asiáticos eram a grande fronteira dos investidores da VOC. Marte representa esse mesmo conceito para os investidores da SpaceX. A geografia mudou, mas a mentalidade não. 

O futuro nunca é construído pelos que esperam garantias absolutas. A VOC não possuía mapas completos e a SpaceX não possuía certeza de sucesso. Os grandes avanços surgem quando alguém decide agir antes que todas as respostas estejam disponíveis. 

Vivemos uma época semelhante. A inteligência artificial, a biotecnologia, a computação quântica e a nova economia digital estão criando oportunidades comparáveis às grandes revoluções do passado. Muitos observam essas mudanças com medo. Outros observam com curiosidade. Mas poucos têm coragem de investir tempo, energia e recursos para participar delas. 

Historicamente, são esses poucos que mudam o mundo. São os obstinados que enxergam possibilidades onde a maioria vê obstáculos. O verdadeiro otimismo não é ingenuidade. É a confiança de que vale a pena construir algo mesmo sem garantias. 

No fim das contas, a história não recompensa quem prevê o futuro. Ela recompensa quem ajuda a criá-lo. E eu acredito profundamente que a diferença entre sonhadores e realizadores não está no tamanho da visão. Está na capacidade de convencer outras pessoas a acreditarem nela. 

Johan van Oldenbarnevelt fez isso em 1602. Elon Musk faz isso no século XXI. E todo empreendedor que constrói algo relevante precisa aprender a fazer o mesmo. 

Porque o futuro, ontem como hoje, continua pertencendo aos obstinados.

 

Janguiê Diniz - Fundador, controlador e presidente do conselho de administração do grupo Ser Educacional; presidente do Instituto Êxito de Empreendedorismo, da JD Business Academy e da Mentor Capital Group; diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES); secretário-executivo do Brasil Educação - Fórum Brasileiro da Educação Particular

 

Golpe do falso advogado avança com uso de inteligência artificial e dados judiciais reais

O volume de fraudes preocupa a OAB e tribunais, pois os criminosos utilizam dados reais de processos, perfis falsos e IA para enganar vítimas. Diante do aumento das fraudes, o Cerus, fintech especializada em condomínios, reforça orientações de prevenção e segurança para gestores e moradores

 

O avanço das fraudes digitais no Brasil tem levado autoridades e entidades do sistema de Justiça a reforçarem o alerta para o chamado “golpe do falso advogado”, uma prática criminosa que tem feito milhares de vítimas em todo o país. Levantamentos recentes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) apontam que o número de denúncias relacionadas a este tipo de crime cresceu de modo significativo nos últimos dois anos, o que levou a entidade a criar campanhas nacionais de conscientização e canais específicos para recebimento de relatos. Além disso, tribunais de Justiça em diversos estados também passaram a emitir comunicados frequentes sobre a fraude diante do aumento das ocorrências registradas por cidadãos que possuem ações judiciais em andamento.

Nesse tipo de fraude, os criminosos se passam por advogados ou representantes de escritórios para enganar pessoas que possuem processos em andamento e induzi-las a realizar pagamentos indevidos. De acordo com a OAB e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), os golpistas utilizam dados reais de processos judiciais (números de ações, nomes das partes e andamento) para tornar a abordagem mais convincente.

“Nos alertas emitidos pela OAB e pelos tribunais estaduais, uma das principais características do golpe é o uso de informações processuais verdadeiras obtidas em consultas públicas, o que faz com que muitas vítimas acreditem estar falando efetivamente com seu advogado ou com integrantes do escritório responsável pela ação”, explica Matheus Nogueira, advogado do Cerus.

Segundo ele, a partir dessas informações, os golpistas entram em contato com as vítimas, geralmente por aplicativos de mensagens, informando falsamente que houve ganho de causa ou liberação de valores judiciais. Na sequência, eles criam um senso de urgência e afirmam que, para liberar o suposto valor, é necessário o pagamento antecipado de taxas, custas processuais ou impostos. Os valores costumam ser solicitados via PIX ou transferência bancária para contas de terceiros, prática que não condiz com a atuação regular da advocacia.

O golpe tem se tornado cada vez mais sofisticado. Há registros do uso de documentos falsificados, linguagem jurídica, perfis fraudulentos em redes sociais e até mesmo áudios e mensagens que simulam a identidade de profissionais reais, o que dificulta a identificação imediata da fraude. “Em casos mais recentes, criminosos passaram a utilizar recursos de inteligência artificial para reproduzir vozes, criar documentos visualmente semelhantes aos emitidos por órgãos públicos e até falsificar logotipos de escritórios de advocacia e tribunais, aumentando a credibilidade das abordagens fraudulentas. Os gestores dos condomínios nacionais precisam ficar muito atentos para não serem vítimas”, detalha Nogueira.

Diante desse cenário, o Cerus, fintech focada na gestão financeira de condomínios, reforça que a principal forma de prevenção é a cautela diante de contatos inesperados. A recomendação é desconfiar de qualquer mensagem ou ligação que informe liberação de valores mediante pagamento antecipado, especialmente quando acompanhada de urgência. “É fundamental confirmar qualquer informação diretamente com a empresa responsável pela cobrança, utilizando canais já conhecidos, e nunca realizar transferências para contas indicadas por terceiros sem a devida verificação. Outro ponto de atenção é a verificação da identidade do profissional, que pode ser feita pela própria OAB, que disponibiliza ferramentas para consulta de registro de advogados, além de orientar que cidadãos entrem em contato com as seccionais em caso de suspeita”, explica o executivo do Cerus.

A entidade, inclusive, tem atuado em conjunto com o Ministério da Justiça e órgãos de segurança pública para fortalecer o combate a esse tipo de crime, que já é tratado como uma questão nacional de segurança.

Em diversas seccionais da OAB foram criados observatórios e grupos de monitoramento dedicados exclusivamente ao golpe do falso advogado, com compartilhamento de informações entre escritórios, polícias civis e órgãos de investigação para identificar quadrilhas especializadas nesse tipo de fraude.

Caso a pessoa perceba que foi vítima do golpe, é essencial agir rapidamente. A orientação é interromper qualquer contato com o golpista, comunicar imediatamente ao banco para tentar bloquear ou rastrear a transação, registrar um boletim de ocorrência e informar o caso à OAB do seu estado. Essas medidas aumentam as chances de investigação e podem ajudar a evitar novas vítimas. “Os criminosos se aproveitam de dados reais e da confiança das pessoas para aplicar golpes cada vez mais sofisticados. Por isso, é fundamental desconfiar de qualquer solicitação de pagamento antecipado e sempre validar as informações diretamente com o advogado responsável pelo caso”, ressalta Nogueira.

Com o crescimento desse tipo de crime, o alerta é direto: nenhuma liberação de valores judiciais exige pagamento prévio ao cliente. Em caso de dúvida, a orientação é sempre verificar, confirmar e evitar decisões precipitadas que possam resultar em prejuízos financeiros.


O fim da carreira linear: por que cada vez mais profissionais estão redefinindo o significado de sucesso?

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Estudo da PwC mostra que 65% dos trabalhadores consideram a realização pessoal tão importante quanto o crescimento profissional; especialista aponta o autoconhecimento como fator decisivo nessa mudança 

 

Durante décadas, o sucesso profissional esteve associado a uma fórmula associada a conquistar promoções, assumir cargos de liderança, aumentar a remuneração e alcançar posições de prestígio. Hoje, porém, esse modelo é questionado por um número crescente de profissionais que passaram a valorizar fatores como propósito, qualidade de vida, autonomia e equilíbrio emocional. 

A transformação aparece em pesquisas recentes, como o estudo Workforce Hopes and Fears, da PwC, que aponta que cerca de 65% dos trabalhadores afirmam que a realização pessoal é tão importante quanto o avanço profissional. O dado revela uma mudança significativa na forma como as pessoas avaliam suas carreiras e definem suas prioridades. 

Para Saulo Nardelli, mestre em Automestria e Conhecimento Vivo e autor do livro “As 4 Chaves do Cristo”, essa revisão está diretamente relacionada ao aumento da busca por autoconhecimento e por escolhas mais alinhadas aos valores individuais. “Durante muito tempo fomos condicionados a acreditar que sucesso significava chegar ao topo. Mas poucas pessoas se perguntavam se aquele topo realmente correspondia ao que desejavam viver. O problema não está em crescer profissionalmente, mas em perseguir metas que foram definidas por expectativas externas e não por uma compreensão genuína de quem somos”, afirma. 

Na prática, a mudança pode ser observada em diferentes movimentos do mercado. Há profissionais que recusam promoções para preservar a qualidade de vida, executivos que deixam grandes corporações para empreender, pessoas que optam por jornadas mais flexíveis ou que decidem migrar para áreas mais alinhadas aos seus interesses e propósitos. 

Segundo Nardelli, essas escolhas refletem uma compreensão mais ampla sobre o que significa desenvolvimento profissional. “Quando uma pessoa entende melhor seus valores, seus limites e aquilo que realmente considera importante, ela passa a tomar decisões mais conscientes. Nesse contexto, crescimento profissional deixa de ser apenas uma questão de cargo ou salário e passa a incluir bem-estar, autonomia, coerência e sentido”, explica. 

As reflexões apresentadas por Nardelli dialogam com os temas centrais de “As 4 Chaves do Cristo”, lançado pela Editora Gente. Na obra, o autor propõe uma análise sobre o esgotamento emocional e o sentimento de vazio que marcam a vida contemporânea, argumentando que grande parte desse sofrimento está associada ao distanciamento da própria essência. 

“Ao abordar conceitos como identidade, consciência e presença, o livro convida o leitor a questionar padrões, condicionamentos e expectativas acumuladas ao longo da vida. Sob essa perspectiva, a redefinição do sucesso profissional surge como uma consequência natural do autoconhecimento: quando a validação externa deixa de ser o principal parâmetro, as escolhas de carreira tendem a refletir com mais fidelidade aquilo que gera realização e significado para cada indivíduo”, finaliza.
 
 

Saulo Nardelli - um Sadhguru contemporâneo, mestre em Automestria e Conhecimento Vivo, que já impactou mais de 160 mil vidas por meio de ensinamentos diretos da Consciência Realizada. É fundador da Sangha Platina Solaris e da The Golden Walk Foundation, iniciativas dedicadas à integração entre consciência, bem-estar emocional, transformação humana e impacto social. Desde 2019, seus programas, jornadas e ações comunitárias já impactaram mais de 165 mil pessoas no Brasil e no exterior, por meio de mais de 4 mil atendimentos terapêuticos e da condução de mais de 6 mil práticas meditativas. As iniciativas incluem ainda mais de 500 ações sociais e de bem-estar, além de 3.450 horas de conteúdo gratuito disponibilizado. Ao todo, mais de 1.650 voluntários já foram mobilizados, com atuação em 18 estados brasileiros, 56 cidades e dois países da Europa. Em 2023, passou a integrar o Board Consultivo em Cura Social da Cátedra UNESCO de Sustentabilidade (UNESCO-SOST), vinculada à Universitat Politècnica de Catalunya. Em 2024, recebeu o reconhecimento de Benfeitor da Humanidade por sua contribuição em projetos de transformação social e expansão da consciência.



O tempo da vítima e a justiça: ampliação do prazo para denúncia de violência doméstica reforça proteção às mulheres

Amaury Andrade, advogado criminalista, analisa a Lei nº 15.438/2026, que amplia o prazo para representação em casos de violência doméstica e busca adequar o sistema penal à realidade das vítimas

 

A sanção da Lei nº 15.438/2026 ampliou de seis para doze meses o prazo para que vítimas de violência doméstica possam apresentar representação criminal contra o agressor, alterando também o marco inicial da contagem para o momento em que a vítima identifica a autoria do crime.

A mudança é vista como um avanço no enfrentamento à violência de gênero ao reconhecer que a denúncia nem sempre ocorre de forma imediata, especialmente em contextos marcados por dependência emocional, financeira e vínculos com o agressor.

Segundo o advogado criminalista Amaury Andrade, a legislação corrige uma distorção histórica do sistema penal.

“A vítima nem sempre consegue denunciar de imediato. Muitas estão presas em ciclos de medo, dependência e tentativa de reconciliação”, afirma.

Dados do Ministério das Mulheres mostram a dimensão do problema: em 2025, o Ligue 180 registrou mais de 155 mil denúncias de violência contra mulheres, com cerca de 70% dos casos ocorrendo dentro do ambiente doméstico. O país também registrou aproximadamente 1.568 casos de feminicídio no mesmo período.

Para o especialista, o novo prazo reforça a ideia de que o tempo da vítima não é o mesmo do processo penal.

“Muitas mulheres só conseguem buscar ajuda depois de apoio psicológico ou acolhimento familiar. O sistema precisa considerar essa realidade”, diz Amaury.

A nova lei não altera garantias do acusado nem o devido processo legal, segundo o especialista, mas apenas amplia o prazo para exercício do direito de representação.

“O Estado não está enfraquecendo o sistema penal, está tornando-o mais compatível com a realidade da violência doméstica”, concluiu.

 

Processos seletivos estão virando jogos e isso está mudando a forma como empresas contratam

Com uma geração acostumada a recompensas instantâneas, empresas apostam em gamificação para reduzir abandono em processos seletivos

Formulários longos, etapas repetitivas, dinâmicas desconfortáveis e semanas de espera por uma resposta faziam parte de uma espécie de ritual corporativo silenciosamente aceito pelo mercado. Agora, algumas empresas começam a inverter essa lógica: em vez de transformar a contratação em um teste de paciência, estão tentando fazer dela uma experiência.
 

A mudança passa por um conceito que há alguns anos parecia restrito ao universo do entretenimento: gamificação. Plataformas de recrutamento passaram a incorporar desafios interativos, rankings, testes em formato de missões, recompensas simbólicas e jornadas mais parecidas com aplicativos do que com antigos processos de RH. O objetivo não é “infantilizar” a contratação, como parte do mercado ainda acredita. É reduzir atrito. 

Os números ajudam a explicar por que essa linguagem ganhou espaço tão rápido: segundo a Pesquisa Game Brasil (PGB) 2024, 73,9% da população brasileira joga algum tipo de jogo digital. Isso significa que grande parte dos candidatos já está habituada a mecânicas de progressão, metas rápidas, feedback instantâneo e estímulos constantes de interação. O mercado de trabalho começou a perceber que insistir em jornadas frias e burocráticas talvez seja menos eficiente do que adaptar o recrutamento ao comportamento digital das pessoas.

Existe também um fator geracional importante nessa mudança. Profissionais mais jovens cresceram em ambientes digitais onde experiência e usabilidade influenciam praticamente todas as relações de consumo, inclusive a percepção sobre marcas empregadoras. Um processo seletivo confuso ou excessivamente lento passou a produzir o mesmo efeito de um aplicativo ruim: abandono. 

Para Patricia Suzuki, Diretora de RH da Redarbor Brasil, detentora do Pandapé, o avanço da gamificação não acontece só porque as empresas decidiram tornar o recrutamento divertido, mas porque entenderam que o engajamento também influencia na contratação. “O candidato não avalia apenas salário e cargo, avalia experiência. Um processo seletivo pode aumentar o interesse pela empresa ou gerar rejeição antes mesmo da contratação”, afirma. 

A executiva observa que “Não se trata de criar jogos aleatórios dentro do recrutamento. O ponto é construir jornadas mais fluidas, interativas e menos desgastantes, sem perder profundidade na avaliação”, diz Suzuki. 

O mercado já começa a perceber os efeitos concretos dessa mudança. Dados da TalentLMS apontam que 89% dos profissionais acreditam que dinâmicas gamificadas aumentam senso de pertencimento e propósito. Em recrutamento, isso significa algo importante: candidatos mais engajados tendem a concluir processos com mais frequência e desenvolver conexão emocional mais forte com a marca empregadora. 

Ao mesmo tempo, a gamificação ajuda empresas a observarem comportamentos difíceis de capturar em entrevistas tradicionais. Capacidade de resolução de problemas, colaboração, velocidade de raciocínio e tomada de decisão sob pressão podem aparecer de forma mais espontânea em ambientes interativos do que em perguntas ensaiadas numa videochamada de 40 minutos. 

“O crescimento da gamificação talvez revele algo maior sobre o próprio mercado de trabalho. Empresas passaram anos tentando descobrir como tornar equipes mais engajadas depois da contratação. Agora começam a perceber que talvez essa experiência precise começar antes mesmo do primeiro dia de trabalho”, conclui Suzuki.


Ipsos: Controle e corte de gastos públicos é tema com pior avaliação do governo Lula

Avaliação do governo Lula segue estável, com leve melhora em áreas específicas como educação e combate ao desemprego, com pressão persistente na economia e nos desembolsos governamentais


Pesquisa Ipsos-Ipec divulgada nesta terça-feira (23/06) mostra um cenário geral de estabilidade na avaliação da atuação do governo do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em diversas áreas. Segundo a diretora do instituto, Márcia Cavallari, a pesquisa revela uma recuperação discreta na imagem do governo em áreas importantes, "mas os altos patamares de reprovação mostram que a população ainda aguarda resultados concretos, especialmente na economia e nos gastos públicos".

De acordo com a amostra, o controle e corte de gastos públicos continuam sendo os maiores desafios do governo, apresentando os piores índices de avaliação e sem sinais de melhora significativa.

No combate à inflação, a aprovação do desempenho do governo mantém-se em 23%, enquanto a reprovação oscila de 50% para 49%. A área continua sendo um dos principais desafios do governo. Já a atuação do governo no controle e corte de gastos públicos aparece como o tema com pior avaliação, apesar da estabilidade em relação aos resultados de março, com a aprovação mantendo-se em 20% e a reprovação em 51%.

A percepção positiva sobre a atuação do governo no combate ao desemprego vai de 31% para 32%, enquanto a regular vai de 23% para 26%, e a negativa varia de 43% para 40%. Na área da política externa e da relação do governo com outros países, a avaliação ruim ou péssima volta ao patamar de dezembro, quando registrava 39% (em março eram 43%). A avaliação ótima ou boa passa de 27% para 28% e a regular cresce de forma mais significativa, de 21% para 26%.

A Educação segue como a área mais bem avaliada do governo, mesmo com a oscilação negativa de 36% em março para 35% para este mês de junho, a reprovação se mantém estável em 38%. No combate à fome e à pobreza, há uma oscilação negativa na avaliação ótima/boa, variando de 35% para 33%, interrompendo a tendência de crescimento ocorrida dezembro de 2025. A avaliação ruim/péssima permanece estável em 41%, e a regular passou de 22% para 24%.

A atuação do governo federal na área do meio ambiente também é estável, a aprovação vai de 28% para 29%, ao passo que a reprovação oscila de 39% para 37% entre março e junho e a regular de 27% para 29% no mesmo período. Já a avaliação da atuação do governo na área segurança pública também é estável, a avaliação positiva oscila de 25% para 26%, a regular de 23% para 25% e a negativa de 49% para 47%.

O desempenho do governo na área da saúde não apresenta alteração estatisticamente relevante em relação ao levantamento anterior, diz a Ipsos/Ipec, mesmo com a oscilação de 46% para 43% na medida negativa de avaliação. Os que aprovam a atuação do governo na área vão de 28% para 29% e os que a consideram regular passam de 24% para 26%.

A pesquisa foi realizada entre os dias 13 e 17 de junho de 2026, de forma presencial com dois mil eleitores em 130 municípios do país. A margem de erro estimada é de dois pontos porcentuais para mais ou para menos, o nível de confiança utilizado é de 95%.



Estadão Conteúdo

Fonte: https://www.dcomercio.com.br/publicacao/s/ipsos-controle-e-corte-de-gastos-publicos-e-tema-com-pior-avaliacao-do-governo-lula

 

Simulado gratuito do Enem abre inscrições para estudantes de todo o Brasil


Imagem: Poliedro
Participantes terão acesso a 180 questões inéditas, redação e análise de desempenho baseada na TRI, metodologia utilizada pelo exame


 

Estudantes de todo o país já podem se inscrever gratuitamente para uma nova edição do Simulado Aberto Enem, promovido pelo Poliedro Curso. Sem custos para os participantes e realizada em formato online, a iniciativa busca reproduzir a dinâmica do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), permitindo que os candidatos testem conhecimentos, pratiquem a gestão do tempo e avaliem o nível de preparação antes da prova oficial. 

A aplicação será dividida em dois momentos, seguindo a estrutura tradicional do exame. O primeiro dia poderá ser realizado entre 17 e 20 de julho, enquanto o segundo ficará disponível entre 24 e 27 de julho. Ao todo, o simulado reúne 180 questões inéditas e uma proposta original de redação, distribuídas entre as áreas de Linguagens, Ciências Humanas, Ciências da Natureza e Matemática. 

Aberto a estudantes de qualquer região do Brasil, o simulado será realizado em plataforma digital e busca oferecer uma experiência próxima à encontrada no Enem. Além de revisar conteúdos, os participantes poderão identificar pontos fortes, dificuldades e aspectos relacionados à estratégia de prova, como ritmo de resolução e administração do tempo. 

Após a realização do exame, os candidatos receberão um relatório individual de desempenho com análises por área de conhecimento e indicadores desenvolvidos com base na Teoria de Resposta ao Item (TRI), metodologia utilizada na correção oficial do Enem. Também serão disponibilizados o gabarito e materiais de correção para aprofundamento da análise dos resultados. 

Segundo Marcio Guedes, coordenador pedagógico do Poliedro Curso, o simulado pode funcionar como um importante termômetro da preparação nesta fase do ano. “Muitos estudantes dedicam meses ao estudo dos conteúdos, mas nem sempre têm a oportunidade de avaliar como esse conhecimento se traduz em desempenho em uma prova longa e com características específicas como o Enem. O simulado permite que o candidato tenha uma visão mais clara do estágio atual da preparação e organize melhor os próximos meses de estudo.” 

O especialista destaca que a experiência vai além da quantidade de acertos. “Além de verificar o domínio dos conteúdos, o estudante consegue observar aspectos como ritmo de resolução, administração do tempo e desempenho em diferentes áreas do conhecimento. Essas informações ajudam a direcionar esforços e tornam a preparação mais estratégica até a data da prova.” 

As inscrições ficam abertas até 16 de julho e devem ser realizadas pelo site do Poliedro.
 

Serviço 

Simulado Aberto Enem – Poliedro 
Inscrições abertas: Simulado Aberto Enem 2026 do Poliedro
Dia 1: de 17 a 20 de julho
Dia 2: de 24 a 27 de julho
Formato: on-line e gratuito

 

Poliedro Curso


A operação de e para a Venezuela


A Avianca se solidariza com as pessoas, famílias e a comunidade aeroportuária que foram impactadas pelo terremoto registrado em Caracas na tarde da última quarta-feira. 

Com o objetivo de garantir a segurança de nossos clientes, tripulações e da operação, a Avianca informa que os voos AV122 de 24 de junho, e AV123, AV142 e AV143 de 25 de junho, na rota Bogotá–Caracas–Bogotá, foram cancelados. 

Para proteger os planos de viagem dos passageiros afetados, a companhia ativou um plano de flexibilização para aqueles que têm reservas de e para Caracas entre 24 de junho e 1º de julho. Os passageiros poderão optar pelas seguintes alternativas, sem custo adicional: 

  • Reagendamento de data: Alteração da data do voo sem cobrança de multa ou diferença tarifária (sujeita à disponibilidade), para voar até 15 dias após a data original.
  • Alteração de rota: Voar de ou para Cúcuta sem custos adicionais e sujeita à disponibilidade, mediante solicitação diretamente por meio do nosso Contact Center.
  • Reembolso: Solicitar a devolução integral dos trechos não utilizados por meio do site avianca.com ou com a agência de viagem onde a compra foi realizada. 

A Avianca recomenda a todos os passageiros que consultem prioritariamente o status de seus voos em avianca.com e permaneçam atentos às notificações enviadas pelos canais oficiais. 

A companhia aérea continuará informando diretamente os passageiros de acordo com a evolução da situação.

 

Após duas décadas sem mudanças, São Paulo endurece penalidades ambientais e fortalece fiscalização

Multas para infrações graves podem superar R$ 10 milhões. Estado também ampliou equipes, intensificou inspeções e passou a utilizar satélites e inteligência artificial no monitoramento ambiental

 

A fiscalização ambiental em São Paulo passou por uma das maiores transformações das últimas décadas. Após cerca de 20 anos sem mudanças estruturais nas regras de penalização, o Estado atualizou as multas para infrações ambientais, reforçou o quadro técnico da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), ampliou as ações de fiscalização e incorporou novas tecnologias de monitoramento, incluindo inteligência artificial e imagens de satélite. 

A atualização das penalidades tornou mais rigorosa a punição para infrações ambientais de maior impacto. Atualmente, as multas para casos graves podem ultrapassar R$ 10 milhões. Dependendo da situação, os valores podem ser multiplicados em até 25 vezes para grandes lançamentos de efluentes e em até três vezes quando constatada baixa eficiência dos sistemas de tratamento. 

O endurecimento das regras foi acompanhado pelo fortalecimento da estrutura operacional da Companhia. Após mais de uma década sem concursos públicos, a Cetesb ampliou em 17% seu quadro de empregados, com a contratação de 284 novos profissionais para áreas estratégicas como fiscalização, monitoramento, licenciamento e controle ambiental. 

Desde 2023, mais de R$ 43 milhões foram destinados à modernização das atividades de fiscalização e monitoramento ambiental. Os investimentos permitiram a aquisição de equipamentos, ampliação da infraestrutura e incorporação de novas ferramentas tecnológicas para apoio às ações de campo. 

Nesse período, a Companhia registrou mais de 19,4 mil infrações ambientais e aplicou cerca de 7 mil multas em todo o território paulista. A fiscalização também passou a atuar com planejamento baseado em risco, direcionando esforços para empreendimentos com maior potencial poluidor e realizando aproximadamente 200 inspeções mensais. 

Recuperar a qualidade ambiental exige capacidade de fiscalização, monitoramento e resposta. Nos últimos anos, a Cetesb fortaleceu suas equipes, modernizou processos e incorporou novas tecnologias para ampliar sua capacidade de atuação. Esse trabalho se soma aos investimentos em saneamento e outras ações estruturantes do governo que vêm sendo realizadas para reduzir as fontes de poluição”, afirma o diretor-presidente, Thomaz Toledo. 

Além das atividades realizadas em campo e nos laboratórios, a Cetesb implementou neste ano um sistema pioneiro de monitoramento ambiental baseado em imagens de satélite e inteligência artificial. A iniciativa tornou o órgão o primeiro do país a utilizar a tecnologia para o acompanhamento sistemático de recursos hídricos em larga escala. 

A ferramenta permite monitorar aproximadamente mil quilômetros de rios e reservatórios paulistas de forma integrada e disponibiliza as informações à população por meio de um painel público e interativo. O sistema também passou a apoiar o monitoramento da balneabilidade de praias de água doce localizadas na bacia do Rio Tietê.

 

Indicadores mostram redução da poluição nos rios

O fortalecimento da fiscalização e do monitoramento ambiental ocorre em paralelo aos investimentos em saneamento e às demais ações de recuperação ambiental realizadas pelo Governo do Estado. Os resultados já começam a aparecer nos indicadores acompanhados pela Cetesb. 

Entre 2024 e 2026, a carga de poluição transportada pelo Rio Tietê caiu 21%, passando de 219 toneladas por dia para 173 toneladas por dia. Na prática, isso significa que cerca de 46 toneladas diárias de matéria orgânica deixaram de percorrer o principal rio paulista. 

A recuperação também pode ser observada nos afluentes monitorados pela Companhia. Dos 30 rios e córregos acompanhados, 14 apresentaram melhora da qualidade da água. Esses cursos d’água representam aproximadamente 70% de toda a área de drenagem monitorada, indicando redução da carga poluidora que chega ao Tietê. 

No Rio Pinheiros, os indicadores também apontam avanços. Entre 2024 e 2026, a concentração de matéria orgânica caiu 55% na Barragem de Pedreira, 29% na Ponte do Socorro e 26% na região da Usina São Paulo. Os resultados preliminares indicam melhora ao longo da maior parte do percurso monitorado do rio. 

Embora a recuperação de rios com a dimensão e a complexidade do Tietê seja um processo gradual e de longo prazo, os dados mais recentes apontam avanços consistentes na redução da carga poluidora e na melhoria da qualidade da água em diferentes regiões da bacia hidrográfica”, acrescenta Toledo.


Paraná-Tietê: a hidrovia que integra três regiões e impulsiona a economia brasileira

 

A Hidrovia Paraná-Tietê atende especialmente áreas produtoras de MT, MS, GO e MG,
 conectando-as ao Porto de Santos, maior complexo portuário da América Latina,
 e a outros mercados estratégicos.
 Foto: Vosmar Rosa - AESCOM/MPor

Com 2.400 quilômetros de extensão, corredor hidroviário fortalece logística multimodal e impulsiona escoamento da produção agrícola rumo aos portos marítimos

 

Entre as lavouras do Centro-Oeste, os parques industriais do Sudeste e as conexões logísticas do Sul, corre uma das mais importantes rotas de transporte do Brasil. A Hidrovia Paraná-Tietê, com seus 2.400 quilômetros de extensão navegável, forma um corredor estratégico que integra regiões responsáveis por parte significativa da riqueza nacional e conecta áreas produtoras aos mercados interno e internacional.

Mais do que uma via de transporte, a hidrovia é um dos pilares da logística brasileira. Ao ligar centros de produção agrícola, polos industriais, terminais portuários e mercados consumidores, contribui para reduzir custos, aumentar a competitividade dos produtos nacionais e ampliar a integração econômica entre estados e países vizinhos. 

“Nossa visão para as hidrovias é de um futuro em que a integração regional seja a norma, onde a eficiência logística otimize o desenvolvimento econômico e onde a sustentabilidade seja uma diretriz permanente”, afirma o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca. 

Situada entre as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, a Paraná-Tietê é formada principalmente pelas hidrovias HN-900 Rio Paraná e HN-913 Rio Tietê. Sua área de influência abrange cerca de 76 milhões de hectares e concentra parte expressiva da atividade econômica brasileira. Ao longo desse território estão distribuídos 12 terminais portuários, além de dezenas de polos industriais, turísticos e de distribuição que se desenvolveram impulsionados pela navegação interior.
 

Um corredor para o desenvolvimento

A força da hidrovia está diretamente ligada ao papel que desempenha no escoamento da produção nacional. Soja, milho, cana-de-açúcar, combustíveis e minério de ferro figuram entre as principais cargas transportadas pelo sistema, que funciona como alternativa eficiente aos corredores rodoviários e ferroviários. 

A via navegável atende especialmente áreas produtoras de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais, conectando-as ao Porto de Santos, o maior complexo portuário da América Latina, e a outros mercados estratégicos. No sentido inverso, favorece a circulação de mercadorias para o interior do país e para importantes centros econômicos do Mercosul.

A dimensão dessa rede pode ser medida por sua abrangência territorial: são 286 municípios distribuídos pelos estados de São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais, incluindo algumas das regiões mais dinâmicas da economia brasileira.
 

Navegação integrada

A Hidrovia Paraná-Tietê reúne 1.600 quilômetros navegáveis nos rios Paraná, Paranaíba e Grande, administrados pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Outros 800 quilômetros da via passam pelos rios Tietê, Piracicaba e São José dos Dourados, sob responsabilidade do Governo de São Paulo. 

Ao longo do percurso, um sistema de eclusas permite superar os desníveis criados pelas barragens existentes na bacia, garantindo a continuidade da navegação e a integração entre diferentes modais de transporte. Essa característica transforma a hidrovia em uma peça fundamental do Corredor Sudeste de Logística, uma das mais relevantes estruturas de movimentação de cargas do país.
 

Investimentos para ampliar a capacidade operacional
 

A importância estratégica da hidrovia também tem motivado investimentos voltados à ampliação de sua capacidade. Um dos principais exemplos é a obra de derrocamento do canal de Nova Avanhandava, no rio Tietê, com entrega prevista para agosto. 

Com investimento de R$ 293,8 milhões, a intervenção permitirá o aprofundamento do canal em 3,5 metros ao longo de 16 quilômetros, ampliando as condições de navegabilidade e possibilitando a circulação de comboios maiores durante todo o ano, inclusive em períodos de estiagem.

“Essa é uma intervenção estruturante, que amplia a capacidade da hidrovia, reduz custos logísticos e fortalece a competitividade do país, ao mesmo tempo em que promove um transporte mais eficiente e sustentável”, destaca o ministro Tomé Franca. 

Para o secretário nacional de Hidrovias e Navegação, Otto Burlier, os benefícios dos investimentos vão além da logística. “Em muitas regiões, especialmente onde os rios são a principal forma de acesso, as melhorias contribuem para fortalecer o abastecimento, ampliar a mobilidade e criar melhores condições para o desenvolvimento das atividades econômicas locais”, afirma. 

Ao conectar produção, indústria, comércio e infraestrutura, a Hidrovia Paraná-Tietê consolida seu papel como um dos principais caminhos logísticos do Brasil. Pelas águas, a rota ajuda a mover a economia nacional e a aproximar regiões, mercados e oportunidades em nível nacional e internacional.

 

Prolata alerta: descarte de "canetas emagrecedoras" no lixo reciclável traz risco a milhares de catadores

Saiba como descartar corretamente as canetas e agulhas utilizadas e proteja a saúde dos profissionais da reciclagem e o meio ambiente

 

Imagine a seguinte cena: um profissional de uma cooperativa passa o dia separando materiais como latas de aço, alumínio e vidro para reciclagem e acaba se ferindo com a agulha de uma seringa ou de um dispositivo usado para injetar medicamentos como Mounjaro ou Ozempic. Infelizmente, com a popularização do uso de medicamentos para diabetes ou obesidade, esse risco tem se tornado cada vez mais comum, colocando em perigo a saúde de catadores e catadoras de materiais recicláveis e outros profissionais da cadeia.

“As medicações injetáveis sempre existiram, mas, na maior parte das vezes, eram utilizadas em hospitais, clínicas, farmácias ou outros estabelecimentos de saúde, que têm um sistema correto de descarte de agulhas e seringas. Com a febre das chamadas canetas emagrecedoras’, esses dispositivos chegaram às residências e estão sendo descartados indevidamente no lixo orgânico ou no reciclável, colocando em risco todos os profissionais que lidam com resíduos”, alerta Thais Fagury, presidente executiva da Associação Prolata Reciclagem, entidade gestora de logística reversa de latas de aço que apoia mais de 1.200 catadores em todo o país, inclusive com o fornecimento de EPIs (Equipamentos de Proteção Individual).

Pesquisa do Instituto Locomotiva mostrou que 62% dos brasileiros afirmam conhecer alguém que faz ou já fez uso desses medicamentos injetáveis destinados ao tratamento de diabetes e obesidade. Em um a cada três domicílios (33%), os entrevistados relataram ter ao menos um morador que usa ou já usou esses remédios.

Thais Fagury alerta que o descarte incorreto de dispositivos com agulha não apenas pode trazer sérios riscos à saúde dos catadores, com possibilidade de contaminação por doenças transmitidas pelo sangue, como hepatites e HIV, e pode causar impactos ambientais. “Resíduos de medicamentos podem atingir o solo e a água e provocar sérios danos ambientais e sanitários”, destaca.


Veja como descartar corretamente as canetas emagrecedoras

  • As canetas plásticas e as agulhas devem ser descartadas separadamente, jamais no lixo orgânico ou no reciclável.
  • Retire a agulha e armazene-a em uma caixa de papelão resistente ou em coletores apropriados, que podem ser adquiridos em farmácias. Depois de cheios, esses recipientes podem ser levados a uma Unidade Básica de Saúde para o descarte correto.
  • As canetas, compostas de plástico — material poluente e não biodegradável —, devem ser armazenadas em um saco transparente e levadas periodicamente aos Pontos de Entrega Voluntária do programa Reciclaneta, criado pela farmacêutica Novo Nordisk, fabricante desses medicamentos.
  • Grandes redes de farmácias, como Drogaria São Paulo, Drogaria Pacheco, Droga Raia e Drogasil, já aderiram ao programa. Em lojas selecionadas no Rio de Janeiro e em São Paulo, há urnas específicas para o descarte seguro das canetas plásticas.
  • Em outras cidades, o ideal é buscar informações no site da prefeitura local, responsável pela coleta de resíduos.
  • No site ReciclaSampa há endereços de pontos de coleta tanto de agulhas quanto das canetas plásticas, além de dicas para descarte de medicamentos vencidos: https://www.reciclasampa.com.br/artigo/projeto-promove-descarte-correto-de-medicamentos-vencidos

 


Prolata Reciclagem
https://www.prolata.com.br/


Pequenas atitudes reduzem conflitos e fortalecem a convivência nos condomínios

Comunicação preventiva ganha espaço como ferramenta de gestão

 

A vida em condomínio exige uma combinação permanente de regras, diálogo e respeito aos espaços coletivos. Em um cenário marcado pela crescente verticalização das cidades brasileiras, especialistas apontam que muitos conflitos entre moradores não surgem de situações complexas, mas de pequenas falhas de convivência que se acumulam ao longo do tempo. Avisos não realizados, ruídos fora de horário, discussões em grupos de mensagens e o desconhecimento das normas internas estão entre as causas mais recorrentes de desentendimentos.

Sete em cada dez conflitos registrados em assembleias de condomínios brasileiros têm origem em problemas cotidianos de convivência, e não em questões administrativas. O dado, levantado pela plataforma Eligo Voto a partir da análise de 3.482 assembleias e quase 188 mil participantes, ajuda a explicar por que especialistas defendem que a prevenção e a comunicação são hoje tão importantes quanto a própria gestão financeira dos empreendimentos.

A percepção tem levado administradoras, síndicos e empresas do setor a reforçarem a importância de ações preventivas. O princípio é simples: quanto mais clara for a comunicação entre os moradores e a administração, menores tendem a ser os atritos. Informar previamente uma reforma, uma mudança ou a realização de um evento com maior circulação de pessoas, por exemplo, reduz o fator surpresa e evita constrangimentos desnecessários. A previsibilidade, nesse contexto, funciona como um mecanismo de preservação das relações de vizinhança.

Dentro desse contexto, Zener Costa, administrador de empresas e CEO da LLZ Garantidora, indica que a prevenção continua sendo a estratégia mais eficiente para evitar conflitos. “Grande parte dos problemas que chegam à administração poderia ser evitada com atitudes simples. Quando o morador comunica uma obra, respeita os horários estabelecidos e procura os canais adequados para apresentar uma reclamação, ele contribui diretamente para a harmonia do condomínio. A convivência coletiva exige responsabilidade individual”, afirma.

Outro ponto frequentemente associado à boa convivência é o respeito aos horários estabelecidos pelo condomínio. Atividades que geram ruído, como obras, mudanças ou o uso de áreas comuns, costumam estar entre os principais motivos de reclamação. O cumprimento das regras não atende apenas a uma exigência formal do regimento interno. Na prática, representa o reconhecimento de que diferentes famílias compartilham o mesmo espaço e possuem rotinas distintas. A observância dessas normas reduz desgastes e contribui para um ambiente mais equilibrado.

“Em muitos empreendimentos, discussões iniciadas em grupos de mensagens acabam ampliando divergências que poderiam ser solucionadas de forma objetiva por meio do síndico ou da administradora. O diálogo institucional tende a oferecer mais transparência, registro formal das demandas e condições adequadas para a busca de soluções. Da mesma forma, evitar interpretações precipitadas e não transformar divergências cotidianas em questões pessoais ajuda a preservar o relacionamento entre vizinhos”, completa Zener.

O conhecimento das regras internas completa o conjunto de medidas que favorecem a convivência. Embora frequentemente associado à burocracia, o regimento interno funciona como um instrumento de organização coletiva, definindo direitos, deveres e limites para todos os moradores. 

“O condomínio é uma pequena comunidade. Quando as pessoas conhecem as regras e entendem que elas existem para proteger o interesse comum, a convivência se torna mais leve e previsível. O resultado é um ambiente mais seguro, organizado e valorizado para todos”, finaliza o CEO da LLZ Garantidora.


Corredores ecológicos da Mata Atlântica paulista impulsionam recorde de registros de fauna em áreas protegidas pelo Governo de SP

Monitoramento da Fundação Florestal aponta mais de 166 mil registros de fauna silvestre e confirma a presença de espécies ameaçadas em Unidades de Conservação, sustentadas por conectividade florestal

 

O Governo de São Paulo, por meio da Fundação Florestal, vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil), reduziu em cerca de 29% o desmatamento da Mata Atlântica entre 2024 e 2025, segundo dados recentes do Atlas da Mata Atlântica, produzido pela Fundação SOS Mata Atlântica em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). O estado passou de 49 hectares desmatados para 35 hectares de vegetação nativa suprimida no período e manteve zerada a perda de áreas de mangue e restinga.

Os resultados refletem o fortalecimento das políticas de conservação ambiental e da proteção territorial em áreas estratégicas do bioma, em um cenário de manutenção e ampliação da conectividade florestal em unidades de conservação que estruturam corredores ecológicos essenciais para a circulação da fauna silvestre. Em um dos biomas mais ameaçados do planeta, que conserva menos de 12% de sua cobertura original no Brasil, esses corredores ecológicos mantidos em áreas protegidas paulistas são determinantes para a sobrevivência de espécies sensíveis à fragmentação, permitindo deslocamento, reprodução e permanência da biodiversidade.

A plataforma "Monitora Bio SP", lançada recentemente pela Fundação Florestal, que entre várias funções monitora a biodiversidade, já reúne mais de 123 mil registros independentes de fauna silvestre e cerca de 166 mil registros de indivíduos em Unidades de Conservação administradas pela Fundação Florestal.

Somente no recorte da Mata Atlântica paulista, o programa contabilizou mais de 43 mil registros independentes de mamíferos silvestres e mais de 74 mil registros individuais de animais, reforçando a presença contínua de fauna em paisagens conectadas por corredores ecológicos. Esses registros incluem espécies altamente sensíveis à fragmentação florestal, como onça-pintada, anta, muriqui-do-sul, bugios e queixadas. A permanência simultânea desses animais em uma mesma paisagem é considerada rara na Mata Atlântica e é um dos principais indicadores de integridade ecológica do bioma.

A plataforma estadual reúne, desde 2022, informações sobre espécies da Mata Atlântica e do Cerrado paulista, permitindo análises mais precisas sobre distribuição, persistência populacional e status de conservação da fauna. Os dados produzidos pelo programa vêm subsidiando a atualização da Lista Estadual de Espécies Ameaçadas e os Planos de Ação Nacional (PANs), fundamentais para estratégias de conservação em todo o país.

Entre as espécies monitoradas estão lobo-guará, cachorro-vinagre, raposinha-do-campo, anta, cervo-do-pantanal, queixadas, mico-leão-preto, mico-leão-da-cara-preta, muriqui-do-sul e felinos silvestres. Com o fortalecimento da base científica e o aumento da robustez dos dados, algumas espécies já apresentam reclassificações positivas no estado.

A proteção desse patrimônio ambiental ocorre em uma rede formada por 157 Unidades de Conservação administradas pela Fundação Florestal, que juntas correspondem a cerca de 20% do território paulista e somam quase 5 milhões de hectares de áreas protegidas, concentrando grande parte dos remanescentes de Mata Atlântica existentes no estado.

“O monitoramento contínuo da fauna silvestre permite entender com mais precisão como as espécies ameaçadas estão distribuídas, quais áreas seguem funcionando como corredores ecológicos e quais estratégias são mais eficientes para conservação da biodiversidade. A Mata Atlântica paulista ainda abriga espécies extremamente sensíveis à fragmentação, e isso demonstra a importância das Unidades de Conservação para manutenção da vida silvestre e do equilíbrio ecológico”, destaca a diretora de biodiversidade da Fundação Florestal, Andrea Pires.

O Monitora Bio SP ampliou o monitoramento de 38 para 48 Unidades de Conservação entre 2023 e 2026, consolidando um dos maiores esforços contínuos de monitoramento de fauna da Mata Atlântica brasileira.

Os resultados mais recentes mostram recorde de registros de espécies emblemáticas da fauna paulista. O muriqui-do-sul, maior primata das Américas e um dos animais mais ameaçados da Mata Atlântica, registrou 253 avistamentos e 1.340 indivíduos monitorados entre 2023 e 2026, com evidências de ocupação contínua no Vale do Ribeira e na Serra do Mar, áreas conectadas por extensos corredores florestais.

Outras espécies fundamentais para o equilíbrio ecológico da floresta também apresentaram números expressivos. As queixadas passaram de 4,4 mil registros em 2023 para mais de 16 mil em 2025, enquanto as antas ultrapassaram 14 mil registros no mesmo período. Já a onça-pintada, espécie símbolo da conservação brasileira e dependente de grandes áreas contínuas de floresta, alcançou mais de 700 registros individuais nas áreas monitoradas da Mata Atlântica paulista.

“Os resultados demonstram que São Paulo possui hoje uma das estruturas de conservação mais relevantes do país. A integração entre proteção territorial, monitoramento científico e gestão ambiental fortalece não apenas a preservação da Mata Atlântica, mas também a capacidade do estado de manter corredores ecológicos funcionais e proteger sua biodiversidade de forma estratégica e permanente”, afirma o diretor-executivo da Fundação Florestal, Rodrigo Levkovicz.

O levantamento do Atlas da Mata Atlântica também aponta que São Paulo possui atualmente 2,3 milhões de hectares preservados, configurando a segunda maior área absoluta de remanescentes do bioma no Brasil. Para a Fundação Florestal, os resultados demonstram que a manutenção da conectividade florestal é decisiva para a sobrevivência de espécies ameaçadas, a continuidade das cadeias ecológicas e a resiliência climática em um dos biomas mais pressionados do planeta.


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