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sexta-feira, 12 de setembro de 2025

ATENÇÃO, PASSAGEIROS COM DESTINO AO ENEM


Eis que se aproxima mais uma edição do Exame Nacional do Ensino Médio - Enem. E, novamente, lá vem ela: a temida redação! O adjetivo se faz cada vez mais coerente, quando levamos em consideração o número de candidatos que alcançam a nota 1.000 em cada edição. Em 2024, foram apenas 12, em um universo de mais de quatro milhões de participantes. 

O fato é que o ato de escrever não deveria ser tão assustador. Isso porque, ao longo da sua formação na educação básica, o estudante recebe conteúdo suficiente para a produção de um bom texto. Cabe ressaltar que, particularmente em relação à construção e à ampliação de repertório, esses movimentos não se restringem ao cotidiano escolar: envolve as vivências do jovem para além “dos muros da escola”. 

Acerca desse aspecto, costumo comparar a produção textual com uma viagem. Ao planejar a jornada, convém que a pessoa considere o perfil do passeio e o tempo de duração, o clima no local de destino, entre outros quesitos, a fim de definir, por exemplo, o tipo e a quantidade de roupas que levará. 

De posse dessas informações, vem o desafio de fazer a mala, considerando, obviamente, as determinações da companhia aérea. Já no local de destino, vem a tarefa de combinar as peças da melhor maneira possível em cada ocasião. Quem tem mais roupa na bagagem encontra mais caminhos para obter o melhor resultado.
 

Fazendo as malas…

Na transposição dessa analogia para o contexto da produção textual, temos que o destino é o processo seletivo; o perfil, o tempo de duração, o clima etc. são as circunstâncias que caracterizam o certame; a mala é o repertório técnico e conceitual do candidato. 

Em se tratando do Enem, o candidato tem de considerar que a produção textual divide espaço com 45 questões de Linguagens e suas Tecnologias e 45 questões de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, tudo a ser feito em até cinco horas e trinta minutos. Ou seja, o tempo médio para a redação é de uma hora. Fica claro que é preciso ter agilidade de raciocínio e de produção. 

Além disso, deve saber que o texto será corrigido com base nestas cinco competências, que correspondem a 20% da nota cada uma: C1: Demonstrar domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa; C2: Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos de várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema dentro dos limites do texto dissertativo-argumentativo; C3: Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista; C4: Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação; C5: Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos. 

Que diferencia a redação do Enem das dos demais processos seletivos? Grosso modo, seria a exigência da apresentação de proposta de intervenção. Senão, vejamos! O domínio da escrita formal; a compreensão da proposta; a estruturação do texto dissertativo-argumentativo; a seleção e organização das ideias e argumentos; e o uso adequado dos elementos coesivos para a construção textual configuram aspectos técnicos inerentes a qualquer boa produção. De igual modo, a apresentação de repertório responde à necessidade de familiaridade com o tema, a ser abordado por meio de uma interessante estratégia argumentativa que evidencie, também, conhecimento de mundo. Como se vê, a peculiaridade da proposta de redação do Enem está na exigência de formulação de proposta de intervenção articulada à discussão proposta.

 

Embarque iniciado!

Conhecidas as circunstâncias do exame, o candidato tem condições de imprimir mais eficiência e eficácia no processo de preparação. No treinamento, há de sanar as dúvidas gramaticais; há de aprimorar a técnica de construção do texto dissertativo-argumentativo; há de investir na tessitura da argumentação; e, especialmente, há de dedicar-se ao estudo de temas que admitam propostas de intervenção, isto é, questões objetivas relacionadas à vida em sociedade, notadamente na realidade brasileira. Assim, ganham relevância temáticas de áreas como meio ambiente, segurança, educação, saúde, cultura, cidadania, tecnologia e economia. 

Ilustram essa orientação os temas que figuraram nas últimas quinze edições do certame, sintetizadas a seguir: 2024 – A valorização da herança africana no Brasil; 2023 – A invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil; 2022 – A valorização de comunidades e povos tradicionais no Brasil; 2021 – Invisibilidade e registro civil: garantia de acesso à cidadania no Brasil; 2020 – O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira; 2019 – Democratização do acesso ao cinema no Brasil; 2018 – Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet; 2017 – Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil; 2016 – Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil; 2015 – A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira; 2014 – Publicidade infantil em questão no Brasil; 2013 – Efeitos da implantação da Lei Seca no Brasil; 2012 – O movimento imigratório para o Brasil no século XXI; 2011 – Viver em rede no século XXI: os limites entre o público e o privado; 2010 – O trabalho na construção da dignidade humana.
 

Embarque encerrado! 

Então, caro estudante, mãos à obra. As passagens já estão compradas. Agora é tratar de abastecer e organizar a mala-repertório para, no momento da viagem-prova, dispor de belas peças-ideias que possibilitem um interessante arranjo em busca da almejada nota 1000. E, por favor, muita atenção ao relógio para não perder o voo! Bom Enem!


Ênio César de Moraes Fontes - Poeta e professor. Atualmente é coordenador pedagógico do ensino médio do Colégio Presbiteriano Mackenzie Brasília (CPMB)



*O conteúdo dos artigos assinados não representa, necessariamente, a opinião do Mackenzie.

 

Uso da vírgula: entenda de uma vez por todas e veja dicas para nunca mais errar

Dominar o uso da vírgula é essencial para garantir clareza na comunicação escrita. Professor de português explica os principais erros e orienta como acertar de forma definitiva


A vírgula é um dos sinais de pontuação mais utilizados na língua portuguesa — e, curiosamente, também um dos mais temidos. Muita gente, inclusive adultos, tem dúvidas na hora de usá-la corretamente, o que pode comprometer a clareza do texto e até gerar interpretações equivocadas. Seja na escola, em redações para exames como o Enem, ou no ambiente profissional, escrever com a pontuação adequada é um diferencial importante para transmitir mensagens com precisão. 

“Um dos maiores mitos sobre a vírgula é a ideia de que ela serve apenas para marcar pausas na leitura. Esse conceito, apesar de difundido, é incompleto e pode levar a muitos erros”, diz Juliane Pagamice, docente da Escola Internacional de Alphaville, de Barueri (SP). Ela explica, por exemplo, que a vírgula pode ter diferentes funções, dependendo de como se olha para ela: para quem lê, ajuda na fluidez da leitura; para quem escreve, organiza as partes da frase e dá sentido ao texto. “A vírgula tem função sintática, ou seja, está relacionada à estrutura das orações. Entendê-la como um elemento organizador do pensamento na escrita é o primeiro passo para usá-la com propriedade”, completa.
 

Segundo a docente, os três erros mais comuns no uso da vírgula são: 

Separar o sujeito (que realiza ou sofre a ação) do predicado (declara algo sobre o sujeito).
Exemplo: “O aluno, foi para a escola.”
 

Inseri-la entre verbo e complemento.
Exemplo: “Ela comprou, um presente.”
 

Ignorar a necessidade de vírgula em orações adjetivas explicativas (explica ou acrescenta uma informação extra).
Exemplo: “Os alunos que estudam passam no vestibular”, quando o correto seria “Os alunos, que estudam, passam no vestibular”, caso a ideia seja generalista.
 

QUANDO USAR A VÍRGULA 

A vírgula deve ser usada para separar elementos que possuem funções diferentes dentro da frase. Veja alguns exemplos clássicos:
 

Vocativo: quando nos dirigimos a alguém diretamente.
Exemplo: “Pedro, venha aqui.”
 

Enumerações: para listar itens ou ideias.
Exemplo: “Comprei maçã, banana, uva e melão.”
 

Adjunto adverbial deslocado: quando indicamos tempo, lugar ou modo no início ou no meio da frase.
Exemplo: “No final do dia, todos estavam cansados.”
 

Orações coordenadas: quando conectamos orações independentes.
Exemplo: “Ele chegou cedo, mas foi embora antes do almoço.”
 

Orações explicativas e aposto: quando há um comentário adicional ou explicação.
Exemplo: “Carlos, meu melhor amigo, passou no concurso.”
 

Para indicar elipse: quando um termo (geralmente o verbo) é omitido (elipse) por já ter sido citado anteriormente.
Exemplo: João gosta de cinema; Maria, de teatro. (Neste caso, a vírgula substitui “gosta”)
 

Orações subordinadas adverbiais intercaladas: quando a oração adverbial aparece no meio da principal.
Exemplo: A prova, embora difícil, foi bem resolvida pelos alunos.
 

Expressões explicativas ou conectivos: usa-se vírgula para isolar expressões como: isto é, ou seja, por exemplo, afinal, além disso, portanto, contudo, aliás, inclusive etc.

Exemplos:
Ela se atrasou, ou seja, perdeu a apresentação.
Estudou muito, portanto, foi bem na prova.
 

Em datas e endereços: para separar elementos em datas e locais.

Exemplos:
São Paulo, 31 de julho de 2025.
Rua das Flores, 123, Centro, Belo Horizonte.
 

QUANDO NÃO USAR A VÍRGULA 

A vírgula não deve ser usada para separar elementos que pertencem à mesma estrutura essencial da frase:
 

Entre sujeito e predicado:

Errado: “A professora, explicou a matéria.”
Certo: “A professora explicou a matéria.”
 

Entre verbo e complemento:

Errado: “Ele leu, o livro todo.”
Certo: “Ele leu o livro todo.”
 

Entre nome e adjunto adnominal:

Errado: “As crianças, da escola, chegaram.”
Certo: “As crianças da escola chegaram.”
 

QUANDO O USO É FACULTATIVO 

Em alguns casos, a vírgula pode ser usada de forma opcional, dependendo do efeito desejado, da ênfase ou do ritmo da leitura:
 

Adjunto adverbial de curta extensão:

“Hoje vamos estudar gramática.” ou “Hoje, vamos estudar gramática.”
 

Antes de orações coordenadas com sujeito diferente:

“Joana estudou para a prova e Pedro descansou.” ou “Joana estudou para a prova, e Pedro descansou.”
 

Expressões intercaladas:

“O filme, na minha opinião, foi excelente.” ou “O filme na minha opinião foi excelente.”
 

A docente da Escola Internacional de Alphaville finaliza dizendo que o uso da vírgula vai muito além de seguir regras decoradas, é um exercício de estruturação do pensamento e de respeito ao leitor. “Com atenção à função dos termos dentro da oração, é possível escrever com mais confiança e evitar os tropeços mais comuns da pontuação”, completa.
  


Juliane Pagamice - professora de Português para os anos finais do Ensino Fundamental e de Redação no Exponential High School da Escola Internacional de Alphaville. Formada em Letras pela Universidade de São Paulo (USP) e pós-graduada em Metodologias Ativas pelo Instituto Singularidades, é dedicada ao estudo e ao ensino da língua portuguesa, da leitura e da escrita. Apaixonada pela educação, concentra sua prática na formação de estudantes críticos, criativos e conscientes de seu papel no mundo.


Demissões no Itaú expõem a crise do home office e do modelo híbrido


O Itaú monitorou e analisou dados de atividade dos funcionários por seis meses antes de decidir pela demissão de cerca de mil trabalhadores nesta segunda-feira, 8. Os desligamentos foram motivados por baixa produtividade. Os casos mais críticos chegaram até o comitê executivo do banco, e alguns colaboradores chegaram a ser advertidos antes da medida extrema. 

A produtividade foi avaliada com base em métricas digitais, como uso da memória do computador, quantidade de cliques, abertura de abas, inclusão de tarefas no sistema e criação de chamados. Funcionários ouvidos afirmaram não saber que o nível de monitoramento era tão detalhado — o que revela outro ponto crucial: muitas vezes os trabalhadores ainda não perceberam que as empresas contam hoje com ferramentas altamente tecnológicas para acompanhar sua performance, mesmo em regime remoto ou híbrido. 

Esse episódio joga luz sobre uma discussão que parecia superada: afinal, o home office e o trabalho híbrido estão em crise?
 

Home office e híbrido em crise?

No auge da pandemia, o home office foi declarado como o futuro do trabalho. Em seguida, fortaleceu-se o modelo híbrido, com dias em casa e outros na empresa. Hoje, porém, a realidade é bem diferente. Cada vez mais organizações estão exigindo o retorno ao trabalho totalmente presencial. No Brasil, o movimento também ganha força: empresas que adotaram o home office retornam ao presencial, e mesmo aquelas que optaram pelo híbrido estão pedindo mais dias na sede. 

Embora o home office e o híbrido sejam apontados em pesquisas como desejo de muitos colaboradores, a prática mostra-se mais complexa do que o esperado. A implementação enfrenta barreiras culturais, legais, estruturais e de produtividade.
 

Desafios na implementação do home office e trabalho híbrido

Segundo Mourival Boaventura Ribeiro, sócio da Boaventura Ribeiro Advogados Associados, “depois da pandemia, as empresas passaram do trabalho remoto para o híbrido, e agora precisam adaptar-se às novas regras legais”. Ele lembra que a Lei nº 14.442/22, que regulamenta o trabalho híbrido e remoto, trouxe mudanças importantes, mas a adaptação tem sido lenta e difícil para muitas companhias. 

Além da legislação, o desafio passa por infraestrutura e segurança da informação. Carol Lagoa, co-founder da Witec, alerta: “Quando um colaborador trabalha remotamente, a empresa precisa garantir que seu equipamento esteja protegido contra vírus e outros riscos. Caso contrário, o risco de ataques cibernéticos pode comprometer a segurança da companhia”.

 

Resistência e reconfiguração da gestão

Outro ponto sensível é a resistência de empregadores. Muitos líderes ainda não se sentem confortáveis em gerir equipes à distância, o que compromete engajamento e colaboração. Tatiana Gonçalves, CEO da Moema Medicina do Trabalho, ressalta que a escolha de quem pode adotar o modelo híbrido ou remoto deve ser avaliada pelos gestores diretos, levando em conta as condições de trabalho de cada colaborador. 

Ela também reforça a necessidade de atenção às Normas Regulamentadoras, como a NR 17 (ergonomia), além de laudos e programas de prevenção, que garantem segurança e reduzem riscos de doenças ocupacionais.


O futuro: equilíbrio ou retrocesso?

O caso do Itaú mostra que o monitoramento da produtividade já é uma realidade e que o colaborador que não se adapta pode ser surpreendido por consequências severas. Por outro lado, revela que empresas ainda buscam o equilíbrio entre flexibilidade e resultados. 

Apesar das dificuldades, home office e híbrido continuam no radar como alternativas para retenção de talentos e satisfação dos profissionais. Mas sua consolidação depende de uma equação complexa: adaptação legal, investimentos em infraestrutura, mudança cultural e clareza de expectativas entre empresas e colaboradores.

Em 2025, o futuro do trabalho está em aberto — e pode pender tanto para mais flexibilidade quanto para um retorno massivo ao presencial. O que já parece claro é que os modelos híbridos e remotos não sobrevivem sem responsabilidade, disciplina e alinhamento constante entre empregadores e empregados.

 

Dia do Cliente: do ruído à relevância — decisões práticas para empresários

O Dia do Cliente costuma trazer uma enxurrada de promoções. Do ponto de vista de quem lidera um negócio, esse volume levanta uma questão incômoda: o quanto essas iniciativas realmente melhoram a experiência e a fidelização? Em um mercado de margens pressionadas, eficiência que não resulta em melhor jornada vira custo invisível. A boa notícia é que já temos tecnologia e métodos para simplificar processos e elevar a taxa de resolução. O alerta é que isso exige decisões de gestão, não apenas ferramentas.

A primeira decisão é mudar a régua de sucesso. Por muito tempo, indicadores como tempo médio de resposta e número de tickets fechados dominaram o debate. Continuam úteis, mas não contam a história toda. Para o cliente, o que pesa é resolver de primeira, sem ter de repetir informações e sem recontato desnecessário. Para a empresa, elevar a primeira resolução e reduzir retrabalho é o que altera a economia do relacionamento.

A segunda decisão é orquestrar inteligência artificial e atendimento humano de forma intencional. Em muitas operações, agentes virtuais já conseguem resolver, de ponta a ponta, uma fatia relevante das demandas recorrentes. Isso libera as equipes para o que exige empatia, negociação e julgamento. Essa orquestração tem dois cuidados práticos: garantir que o bot fale na voz da marca (clareza e tom consistentes) e que, ao transferir para um humano, leve todo o contexto coletado, impulsionando a produtividade, padronização e qualidade no atendimento — sem precisar recomeçar a conversa do zero. 

A terceira decisão é a governança. A chamada “IA paralela” — quando áreas passam a usar ferramentas sem homologação — parece acelerar no curto prazo, mas cobra um preço alto depois: riscos de segurança e compliance, dados espalhados e processos fragmentados. O que também pode gerar uma perda de credibilidade da marca, já que é mais difícil e custoso manter a padronização do atendimento e o tom do atendimento com ferramentas dispersas. Por isso, o caminho sustentável passa por política corporativa de IA, trilhas de auditoria, integração com fontes de dados e capacitação dos times. Sem isso, a empresa empilha provas de conceito que não escalam.

Do lado da priorização, vale reconhecer que B2C e B2B começam de pontos diferentes. Em B2C, as conversas tendem a ser mais repetitivas (status, trocas, pagamentos), portanto mais automatizáveis. Em B2B, as demandas são mais técnicas; a automação começa menor — e tudo bem. O importante é começar onde há volume e fricção, ganhar confiança e evoluir por ondas, sempre com dados acessíveis no ponto de contato.


Do ruído à prática: 90 dias que mudam o jogo

Em vez de aumentar o fluxo de mensagens neste mês, empresários podem focar em um plano de 90 dias com quatro frentes. Primeiro, alinhar estratégia e indicadores: além de produtividade, medir primeira resolução, recontato, esforço do cliente e satisfação ao longo da jornada (não apenas no fim). Segundo, selecionar um caso de alto volume e baixo risco para automatizar — por exemplo, dúvidas frequentes e atualizações de status — garantindo integração às bases internas para dar contexto ao bot e ao agente humano. Terceiro, padronizar identidade conversacional e a passagem com contexto: o cliente precisa sentir coerência de ponta a ponta. Quarto, revisar governança e encerrar a IA paralela, com ferramentas oficiais, política de uso e treinamento.

Há ainda um componente econômico a considerar: modelos de contratação que associam parte do valor ao problema resolvido — e não só ao uso — tendem a alinhar melhor incentivos entre fornecedores e clientes corporativos, sobretudo em ambientes regulados. Isso facilita a adoção e traz previsibilidade de custo.

Por fim, uma palavra sobre cultura. O ganho de produtividade aparece quando as equipes confiam na IA como copiloto, não como uma “caixa-preta”. Transparência de indicadores, canais de feedback e autonomia para sair do roteiro em favor do cliente criam as condições para uma boa recuperação de serviço, ou seja, o fortalecimento da relação a partir de um problema. É esse tipo de experiência — simples, clara e respeitosa — que o cliente lembra.

Neste Dia do Cliente, o convite é direto: faça da experiência uma disciplina econômica. Orquestre tecnologia e pessoas para resolver (e não apenas responder), trate dados e governança como ativos estratégicos e alinhe métricas e incentivos ao desfecho. Quando eficiência, empatia e autonomia caminham juntas, a diferenciação deixa de estar no que se promete e passa a estar no que, de fato, se entrega.



Rafael Lameirão - vice-presidente de vendas da Zendesk para o Brasil


Especialistas revelam 7 estratégias com inteligência artificial que estão alavancando negócios em 2025

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Com 67% das empresas priorizando o uso da tecnologia, táticas ganham protagonismo nos investimentos neste ano, segundo estudo da Bain & Company

 

Em 2025, a inteligência artificial se firmou como uma das principais apostas do mercado corporativo brasileiro: 67% das empresas já a consideram prioridade estratégica, e 17% a colocam no centro de seus investimentos, segundo estudo da Bain & Company. O movimento reflete um cenário de transformação acelerada, impulsionando ganhos em produtividade e performance financeira. 

No entanto, transformar essa prioridade em resultados concretos ainda é um desafio para muitas organizações. Para ajudar nesse caminho, especialistas compartilham X estratégias com inteligência artificial que já estão alavancando negócios em 2025. Veja a seguir:

 

1 - Uso de IA para melhorar a experiência do cliente em setores tradicionalmente burocráticos
 

Pier, seguradora focada em mudar a relação dos brasileiros com os seguros, têm usado Inteligência Artificial para simplificar um processo conhecido por sua burocracia: o reembolso de seguro celular. “Estamos comprometidos em transformar a experiência do cliente por meio da tecnologia. Com o uso de IA, conseguimos automatizar boa parte do processo de reembolso, oferecendo respostas em aproximadamente um segundo, um salto significativo em relação ao padrão do setor, que ainda opera em dias ou até semanas. Isso representa agilidade real em um momento de estresse e perda, e melhora de forma concreta a jornada do usuário”, afirma Igor Mascarenhas, CEO da Pier. 

 

2 - Prevenção de fraudes digitais 

A Nethone, solução de prevenção a fraudes digitais, utiliza modelos de IA para analisar o comportamento do usuário em tempo real, aproveitando sinais como padrão de digitação, geolocalização, tipo de dispositivo e muito mais. Essa análise contínua não apenas reduz a necessidade de revisões manuais, como também melhora ao longo do tempo conforme novos dados são processados e novas ameaças surgem. “Embora a adoção no Brasil ainda seja limitada, a tendência é: o aumento dos ataques e a pressão por eficiência levarão mais empresas a buscar soluções autônomas, inteligentes e escaláveis. O segredo está em adotar essa tecnologia com uma abordagem estratégica e dados de qualidade, analisa Thiago Bertacchini, Head de Vendas da Nethone.



3 - Utilização de IA para impulsionar conformidade organizacional 

SoftExpert, referência em soluções para gestão integrada da conformidade, inovação e transformação digital, conta com recursos de IA em sua solução SoftExpert Suite. Entre as inovações destaca-se o SoftExpert Copilot, uma ferramenta de IA projetada para impulsionar a transformação digital e a conformidade organizacional. Esta solução é projetada para eliminar tarefas repetitivas e aumentar a produtividade, utilizando IA Generativa para revolucionar a gestão de processos, documentos e riscos nas empresas. “Nesse contexto, a IA também analisa o contexto do processo e define automaticamente as próximas etapas que devem ser seguidas, além de poder identificar potenciais riscos e sugerir ações de controle, o que facilita a gestão dos processos e agiliza a tomada de decisões”, reforça Marcelo Becher, PMM da companhia.



4 - Automatização de documentos logísticos 

Com o propósito de atribuir mais eficiência e competitividade à logística, a nstech, maior empresa de software para supply chain da América Latina, utiliza IA em várias das 100 soluções do ecossistema. Uma delas é a desenvolvida para automatizar o reconhecimento de canhotos, essenciais para a conformidade e a gestão financeira. A solução identifica automaticamente se um documento é canhoto ou não, se está datado, se contém uma assinatura válida e se o número da nota fiscal foi entregue no local correto. De acordo com Vasco Oliveira, CEO e fundador da nstech, “essa ferramenta é extremamente importante para o compliance das grandes corporações e auxilia significativamente na área financeira para o reconhecimento preciso de receitas”.



5 - IA como facilitadora na tomada de decisões
  

Quod, datatech que transforma dados em inteligência, desenvolveu uma plataforma que integra todas as soluções da empresa em um ambiente único, focado em automação, eficiência e usabilidade. O Quod Studio combina a inteligência de dados com tecnologia de ponta para proporcionar mais agilidade e visibilidade de métricas e performance, viabilizando análises completas e customização de processos. A partir da plataforma, os clientes podem avaliar, em tempo real e com segurança, informações estratégicas que apoiam a tomada de decisões em seus negócios e transformam a experiência do usuário. “Ao aliarmos nosso trabalho a ferramentas de IA, nosso objetivo é facilitar o acesso a informações, dentro de uma estratégia de plataformização e valorização da cultura data-driven”, explica o CTO da Quod, Marcelo Clara.


 

6 - IA como aliada no processo de fidelização de clientes

Loyalme, startup que nasceu dentro da Cuponeria para oferecer soluções de fidelização, tem apostado na Inteligência Artificial Preditiva para transformar a forma como empresas se relacionam com seus consumidores. Ao utilizar análises estatísticas para identificar padrões de comportamento e antecipar preferências, a tecnologia permite oferecer benefícios personalizados e mais relevantes para cada perfil de cliente. “Com a IA preditiva, conseguimos entregar experiências de fidelização que realmente fazem sentido para o consumidor, como um cashback exclusivo no momento ideal. Isso aumenta o engajamento, gera mais valor para as marcas, além de reduzir custos operacionais com estratégias mais assertivas”, explica Nara Iachan, CMO e cofundadora da Loyalme. 

 

7 - IA como facilitadora na coleta e análise de dados em larga escala

PiniOn, empresa de pesquisa de mercado especializada em dados comportamentais e competitivos, tem adotado inteligência artificial para transformar a forma como as marcas acessam e interpretam a opinião dos consumidores. Combinando IA e engajamento via app, a empresa consegue captar milhares de áudios de todo o Brasil em poucas horas, estruturar essas informações e gerar análises profundas com agilidade. “É uma revolução na forma de ouvir as pessoas - conseguimos transformar sentimentos e percepções em dados prontos para decisão”, afirma Talita Castro, CEO do PiniOn. A IA entra como aliada ao organizar as falas espontâneas, identificar padrões e acelerar as percepções, promovendo ganhos reais de escala e custo-benefício.

 

Dia do Cerrado: às véspera da COP da Amazônia, Cerrado sofre com desmatamento legal e sub-representação no Congresso

Bioma sofre com desmatamento acelerado e falta de políticas públicas capazes de unir conservação e produção em áreas privadas, que já ocupam quase 60% dos remanescentes de vegetação nativa.

 

A Conferência do Clima das Nações Unidas, COP30, que será em novembro, em Belém, traz a Amazônia para o centro da discussão global sobre o clima, mas não pode deixar de fora debates e propostas sobre o Cerrado, alerta policy brief desenvolvido por cientistas do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia). Com o avanço do desmatamento, o bioma necessita cada vez mais de soluções adaptadas à realidade da savana, destacam os pesquisadores. 

Apesar de ser a savana mais biodiversa do planeta e concentrar 60% da produção agrícola brasileira, o Cerrado segue sub-representado nas políticas nacionais e na agenda climática internacional. Atualmente, dos mais de 30 mil Projetos de Lei, Emendas Constitucionais e Medidas Provisórias em tramitação na Câmara dos Deputados, apenas oito tratam da proteção ou da criação de áreas de conservação específicas para o bioma. 

De acordo com o Código Florestal Brasileiro, o percentual de Reserva Legal é de 20% para propriedades no Cerrado; e de 35% para áreas de Cerrado localizadas na Amazônia Legal. Na prática, isso significa que, embora cerca de 45% da área total das propriedades privadas ainda esteja coberta por vegetação nativa, até 31 milhões de hectares, equivalente à área da Polônia ou sete vezes a área do Estado do Rio de Janeiro, permanecem passíveis de desmatamento legal. 

"As vegetações savânicas e campestres são historicamente negligenciadas e o seu fortalecimento e inclusão no escopo das legislações anti-desmatamento, nacionais e internacionais, são fundamentais para regular o clima e manter os ciclos hidrológicos no Cerrado. Sem isso, a própria competitividade do agronegócio brasileiro pode ser posta em xeque no longo prazo, ameaçando setores chave da economia e aumentando o risco de insegurança hídrica e alimentar”, relembra Dhemerson Conciani, pesquisador do IPAM e um dos autores do policy brief. 

Desde 1985, segundo dados da Rede MapBiomas, da qual o IPAM faz parte, o Cerrado perdeu 40 milhões de hectares de vegetação nativa, tornando-se um dos principais vetores das emissões brasileiras de gases de efeito estufa. As áreas rurais privadas concentraram 72% de todo o desmatamento do bioma no período, que já acumula mais de 14 milhões de hectares de pastagens degradadas, um indicativo do uso pouco eficiente da terra. 

No mesmo período, quase metade do bioma já foi queimada pelo menos uma vez, superando a marca de 89 milhões de hectares atingidos pelo fogo. Apenas em 2024, foram mais de 9,7 milhões de hectares atingidos pelas queimadas, uma área superior à do estado de Santa Catarina. Já em 2025, mesmo no início do período mais intenso de incêndios, o fogo já havia atingido 1,2 milhão de hectares. Os dados do MapBiomas também apontam que o uso recorrente do fogo é responsável por 58% da área queimada em propriedades privadas. 

"Juntos, a Amazônia e o Cerrado responderam por 83% do desmatamento em 2024, sendo que o Cerrado responde por mais da metade de todo o desmatamento do país. São ecossistemas interdependentes, que precisam ser considerados em conjunto nas políticas de mitigação e adaptação. Espera-se que a COP seja um instrumento que amplifique essa interdependência e ajude a construir soluções para a savana mais biodiversidade do planeta", completa Conciani.

 

Pagamento pela conservação 

Como medida importante para a proteção dos remanescentes de vegetação nativa no bioma, o policy brief sugere a implementação de políticas de pagamento por serviços ambientais, com foco em estimular a conservação de áreas e combater o desmatamento legal. Linhas de crédito específicas para a intensificação da produção, que desestimulem a abertura de novas áreas, além do fortalecimento da Política Nacional de PSA (Lei 14.119/2021), poderiam criar um ambiente propício para investimentos públicos e privados em conservação, acelerando a transição para uma economia rural mais sustentável, defendem os pesquisadores. 

Programas como o Conserv, mecanismo financeiro criado pelo IPAM que remunera produtores rurais da Amazônia Legal pela manutenção de áreas de vegetação nativa além do exigido pelo Código Florestal e que poderiam ser legalmente desmatadas, têm apresentado resultados promissores na redução do desmatamento legal. Mesmo após o fim dos pagamentos da primeira etapa do programa, produtores seguem preservando áreas para além do exigido por lei. 

Desde 2020, o projeto já assinou 32 contratos com proprietários rurais e empresas nos Estados de Mato Grosso, Pará e Maranhão. No total, mais de 27 mil hectares de vegetação além da Reserva Legal foram protegidos, evitando a emissão de mais de 2 milhões de toneladas de CO e contribuindo para serviços ecossistêmicos essenciais à produção agrícola, como o regime de chuvas e a previsibilidade climática.

 

Antecipar ações, fortalecer presença online e incentivar PIX: como o varejo já pode se preparar para a Black Friday?

FecomercioSP elabora guia com orientações para empresariado se antecipar nas estratégias para uma das datas mais relevantes do calendário do País


 

Depois de uma Black Friday de sucesso em 2024 – com uma alta de 11,1% no faturamento do varejo paulista somente no mês de novembro, segundo dados da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) – o contexto para a data de 2025 é mais desafiador do que o do ano passado.

Faltando pouco mais de dois meses para o período mais relevante do varejo nacional, a conjuntura é marcada por juros altos (a Selic está em 15%, a quarta maior taxa nominal do planeta), desaceleração da atividade econômica, inflação ainda acima do teto da meta (o IPCA acumula elevação de 5,23% nos últimos 12 meses até julho para uma meta de 3%) e, por fim, pelas incertezas profundas causadas pelas tarifas dos Estados Unidos a um conjunto de produtos brasileiros, entre outros fatores do ambiente internacional que volatizaram o câmbio.

Por outro lado, o mercado de trabalho bem permanece aquecido (a taxa de desemprego ficou em 5,8% no segundo trimestre de 2025, segundo o IBGE, (a menor da série histórica), o que significa que há um aumento no contingente de pessoas com capacidade de consumir e que a injeção de recursos do 13º salário na economia neste ano será maior.

Nesse cenário, como as empresas podem atuar para aproveitar oportunidades oferecidas pela Black Friday?

A FecomercioSP preparou um guia com algumas orientações que já podem ser seguidas desde já. O material está
disponível no Portal da Entidade.



Antecipar ações

A principal dica é começar a elaborar as ações promocionais agora e, então, ter tempo suficiente para colocar as estratégias em prática nas semanas antes da data.

O chamado “esquenta” tem sido cada vez mais comum e envolve, sobretudo, a realização de lives para apresentar produtos e serviços, promoções ou mesmo o escopo de ações que serão realizadas na Black Friday.



Apostar no mercado online

Para as empresas que ainda não vendem através da internet, os marketplaces são o melhor caminho para começar. Além do aprendizado com as ferramentas digitais e dos processos de expedição dos pedidos, eles podem propiciar um crescimento rápido do faturamento. Ainda dá tempo de começar e aproveitar o fim de ano para alavancar as vendas.



Ampliar o online

Para a empresa que já tem uma presença estabelecida no online, agora é uma boa hora para procurar outras plataformas, de forma a diversificar as entradas possíveis dos consumidores. Reforçar o papel do WhatsApp como um canal para atender os clientes e até mesmo para fechar vendas também é uma estratégia que tende a funcionar.

Além disso, o planejamento de posts de redes sociais não deve se restringir aos descontos, mas também oferecer orientações e explicações sobre os itens, além de apresentar os canais de venda e de atendimento. Uma dica produtiva é publicar stories das mercadorias sendo preparadas para entrega ou, em caso de os funcionários se sentirem confortáveis, pedir que eles gravem vídeos criativos sobre as ofertas.



Gerir bem os estoques

Como é um período em que a demanda aumenta, é essencial que todos os itens ofertados estejam disponíveis, de forma rápida, aos consumidores. No caso de quem vende online, além disso, é preciso garantir que a logística não tenha falhas – e as entregas sejam feitas no prazo. Também é recomendável ter ao menos três fornecedores dos produtos mais comercializados, já que a caso a demanda seja maior que o planejado, a empresa consiga repor o estoque com agilidade.

A FecomercioSP ainda orienta que os varejistas negociem com fornecedores desde já, reforçando a compra dos produtos mais procurados nas datas de anos anteriores. Para o caso de quem comercializa produtos importados, os pedidos devem ser feitos com o máximo possível de antecedência.



Calcular a precificação

Até setembro, também é importante que as empresas verifiquem a precificação dos produtos e margens para evitar aumentos na semanas que antecedem a Black Friday, o que poderia causar uma sensação de oferta enganosa para os consumidores que estão acompanhando os preços dos produtos.



Investir no espaço físico

Para o comércio físico, é importante ter em mente que a loja é sempre a principal ferramenta de marketing disponível. Logo, vale a pena investir na decoração – seja na vitrine, na fachada, no layout, de forma a não só comunicar a participação da empresa na Black Friday como atrair os clientes.



Ampliar o portfólio

A Federação também orienta que esse pode ser o momento para aumentar bem o leque de produtos ofertados, principalmente em busca daqueles que são os campeões de vendas. Para isso, dá para se valer não apenas de pesquisas de mercado, mas também das estratégias dos concorrentes.


Estudar as regras

Como o fluxo de anúncios cresce perto da Black Friday, muitas plataformas têm travas temporais para publicações. Para evitar perder esses prazos, basta ter a antecipação necessária para publicar os produtos e os descontos.

Além disso, o Código de Defesa do Consumidor estabelece regras diferentes em compras presenciais e online, envolvendo troca de produtos ou clientes que se arrependem da compra. Ter isso claro antes da data é fundamental, já que, com o aumento do movimento, a tendência é que mais ocorrências assim aconteçam.



Deixar os maiores descontos para o final

No começo de novembro, com todos esses passos já realizados, é hora de tomar as últimas iniciativas para ampliar as vendas.

Uma delas é oferecer descontos gradualmente, do início do mês até a data, deixando as promoções mais imbatíveis para a semana da Black Friday. É um jeito de potencializar as vendas aos poucos, aproveitando a temperatura da data à medida em que ela se aproxima.



Usar bastante o PIX

Outra estratégia para melhorar o caixa é incentivar pagamentos via PIX. Como fazer isso? Oferecendo condições de pagamento e descontos ainda maiores nas vendas feitas nessa modalidade.

É bom para todo mundo: o consumidor tem vantagem maior, enquanto a loja tem receitas instantâneas sem tarifas do cartão de crédito. No caso de marketplaces, o PIX ainda facilita o controle dos estoques, já que o pagamento é confirmado na mesma hora e, então, o produto já pode ser reservado para a entrega.



E no pós-Black Friday?

Depois que a data passar, ainda há trabalho a fazer. Além das vendas, a Black Friday pode ser uma excelente oportunidade para fidelizar clientes. Entram nessas ações coisas simples, como embalar bem as mercadorias vendidas, ou a agilidade na entrega ou, no caso de marketplaces, a oferta de outros cupons com mais descontos em compras futuras.

Mas, caso dê errado, é fundamental ter atenção com o atendimento posterior, como trocas, devoluções ou reclamações. Se bem resolvidas, as falhas iniciais podem transformar os reclamantes em clientes constantes.

Por fim, cada Black Friday oferece insights à data seguinte. Dessa forma, é interessante fazer um balanço das vendas, observando o faturamento bruto, os lucros e as métricas de conversão, assim como um ranking dos produtos mais vendidos. São informações valiosas para planejar as estratégias de 2026.



 
FecomercioSP
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Estudo mostra limites e propõe alternativas para a restauração funcional da Mata Atlântica

Vista da região estudada, mostrando que o replantio ainda não  consegue integrar
 plenamente as áreas replantadas ao mosaico de fragmentos nativos
(Foto: Débora Cristina Rother)

Pesquisa utilizou teoria de redes para analisar a conectividade ecológica de 28 áreas no noroeste do Estado de São Paulo

 

Plantar árvores não basta. Embora os esforços de restauração florestal na Mata Atlântica avancem em escala, eles ainda não conseguem integrar plenamente áreas replantadas ao mosaico de fragmentos nativos. A conclusão é de um estudo publicado no periódico Journal of Applied Ecology.

O artigo teve como primeiras autoras Débora Cristina Rother, professora da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), e Carine Emer, pesquisadora associada ao Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro e ao Instituto Juruá (AM), que desenvolveram uma abordagem inédita baseada na teoria de redes para analisar a conectividade ecológica de 28 áreas na região de Batatais, no noroeste do Estado de São Paulo.

Segundo as pesquisadoras, a restauração ativa – com plantio de mudas em áreas totalmente desmatadas – resulta em comunidades vegetais que formam módulos separados dos fragmentos florestais remanescentes. “As áreas restauradas não se integram totalmente à paisagem”, resume Rother. “O que encontramos foi um subconjunto de espécies generalistas conectando o sistema, principalmente árvores de sementes pequenas, dispersas por aves.”

A teoria de redes é uma abordagem matemática e computacional usada para compreender sistemas complexos formados por muitos elementos interconectados. Em vez de analisar cada componente de forma isolada, ela os representa como “nós” e as interações entre eles como “linhas”, possibilitando identificar padrões emergentes em conjunto. A mesma lógica que explica o funcionamento de redes sociais, redes neurais biológicas (circuitos de neurônios do sistema nervoso) e redes neurais artificiais (modelos computacionais inspirados no funcionamento do cérebro) também pode ser aplicada à ecologia, como no caso das “redes ecológicas”, em que se analisam interações entre plantas, animais e ambientes. Essa perspectiva mostra não apenas quem está presente em um sistema, mas como os elementos se relacionam e quais são cruciais para a estabilidade e a resiliência do todo.

O estudo utilizou a teoria de redes para sintetizar um banco de dados complexo, obtido ao longo de anos de coleta de campo. “São dados raros, resultantes de um grande esforço coletivo de investigação”, destaca Emer. “A teoria de redes nos ajudou a enxergar o todo: em vez de enfocar fragmentos isolados, buscamos a interação entre esses fragmentos e áreas restauradas na paisagem.”

Foram analisadas métricas estruturais, como conectância, modularidade e aninhamento. A conectância mede quantas conexões existem em uma rede em relação ao total possível. Quanto maior, mais espécies ou elementos estão ligados entre si. A modularidade indica a formação de subgrupos dentro da rede, nos quais certos elementos interagem mais entre si do que com o resto do sistema. Já o aninhamento ocorre quando áreas menos diversas contêm subconjuntos das interações presentes nas mais diversas, revelando uma hierarquia de inclusão.

“Nossas redes apresentaram valores baixos de conectância, indicando que poucas espécies estão amplamente distribuídas. Já a modularidade mostrou-se intermediária, mas significativa, refletindo a separação entre áreas restauradas e os fragmentos nativos. E o aninhamento, que indicaria se as áreas restauradas poderiam ser consideradas subconjuntos das florestas, foi muito baixo. Isso reforça que as áreas restauradas ainda não espelham a diversidade natural”, afirma Emer.

Ao investigar quais espécies atuam como “nós centrais” das redes, o estudo revelou padrões consistentes. “Identificamos que as espécies-chave compartilham duas características: sementes pequenas e dispersão por animais”, explica Rother. “São plantas como embaúba (Cecropia pachystachya), sangra-d’água (Croton urucurana Baill), tapirira (Tapirira guianensis Aubl) e guareia (Guarea guidonia Sleumer).”

Essas árvores pioneiras são fundamentais para iniciar a sucessão natural. “São as primeiras a se estabelecer e criam condições para que outras espécies surjam depois”, diz a pesquisadora. “Aves como sabiás, sanhaços e tucanos, além de pequenos mamíferos, atuam como principais dispersores nesse processo.”

Plantas como a embaúba (Cecropia pachystachya) atuam como “nós centrais”
das redes e compartilham duas características: sementes pequenas e dispersão por animais
 (foto: 
Marcelo Cava/Wikimedia Commons)

Apesar dos avanços, a restauração enfrenta barreiras estruturais. “Temos um gargalo gigantesco na produção de mudas da enorme diversidade tropical”, afirma Rother. Espécies importantes, como a guareia, são de difícil propagação. “Muitas vezes o viveirista tenta vários métodos e não consegue fazer germinar a semente.”

Além da limitação técnica, há entraves de mercado. “Os viveiros produzem o que tem demanda e hoje a restauração é vista sobretudo como plantio de árvores ou captura de carbono”, observa Emer. “Mas restaurar não é só plantar árvores, nem apenas estocar carbono. É preciso restaurar processos ecológicos que garantam o funcionamento da floresta como um todo, como as interações flora e fauna. Se queremos restaurar diversidade, precisamos de subsídios para que espécies menos usuais passem a ser produzidas em escala e disponibilizadas no mercado.”

Todos esses fatores considerados, um dos pontos centrais do estudo foi mostrar que plantar árvores não basta. É importante, mas, por si só, não resolve. “Uma floresta é composta por processos ecológicos complexos”, ressalta Emer. “Precisamos olhar para as interações ecológicas também: aves e mamíferos dispersando sementes, polinizadores garantindo a reprodução, ciclos de sucessão se estabelecendo.”

Nesse sentido, técnicas como a instalação de poleiros artificiais para atrair aves podem auxiliar, ainda que de forma mais lenta. Outra estratégia em debate é a refaunação, ou seja, a reintrodução de grandes dispersores desaparecidos, como antas e cutias. “Se espécies com sementes grandes não têm mais dispersores, a solução pode ser reintroduzi-los”, argumenta Rother, lembrando experiências bem-sucedidas na Floresta da Tijuca e na Reserva Ecológica de Guapiaçu, ambas localizadas no Estado do Rio de Janeiro.

Os resultados têm implicações diretas para políticas públicas e metas da Década da Restauração da Organização das Nações Unidas (ONU). “A diversidade de espécies usadas nas restaurações precisa aumentar”, enfatiza Emer. “Não podemos nos limitar a um conjunto reduzido, porque isso compromete a integração das áreas ao todo da paisagem.”

Para Rother, a estratégia deve ser combinar espécies pioneiras, que garantam a sucessão inicial, com espécies raras e de sementes grandes, que dificilmente chegam sozinhas. “A restauração precisa considerar as características funcionais das plantas, e não apenas aumentar a lista de espécies”, afirma.

Apesar das limitações atuais, as pesquisadoras mantêm o otimismo. “Os fragmentos e as áreas restauradas formam uma meta-rede”, diz Emer. “Ainda que hoje seja modular, essa meta-rede pode se tornar mais conectada se aumentarmos a diversidade e favorecermos as interações.”

O estudo recebeu apoio da FAPESP por meio dos projetos 13/50718-512/24118-8 e 15/15172-7.

O artigo Plant species–habitat networks in a mosaic landscape of restored and fragmented tropical forests pode ser acessado em https://besjournals.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/1365-2664.70124?af=R 



José Tadeu Arantes

Agência FAPESP
 https://agencia.fapesp.br/estudo-mostra-limites-e-propoe-alternativas-para-a-restauracao-funcional-da-mata-atlantica/55817


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