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quinta-feira, 15 de maio de 2025

Endometriose: A doença não é fatal, mas pode afetar drasticamente o bem-estar se não tratada corretamente

Especialista da Inspirali responde 11 principais dúvidas sobre o tema 

 

Causadora de muita dor e podendo levar à infertilidade, a endometriose ocorre devido a presença de células endometriais fora da cavidade uterina causando processo inflamatório crônico e, consequente, fibrose. A condição está relacionada a quase 40% das mulheres inférteis, além de 60% das mulheres com dor pélvica crônica. Segundo dados o Ministério da Saúde, de 5% a 15% das mulheres em idade reprodutiva no Brasil possuem o diagnóstico da doença. 

Para responder as principais dúvidas da população sobre o tema, a Inspirali, principal ecossistema de educação médica do Brasil, convidou a Dra Mírian Felicio Fernandes, ginecologista e obstetra e professora da Unisul/Inspirali. Confira:


  1. Quais os principais sintomas?

R: Os principais sintomas de endometriose são dor pélvica crônica e infertilidade.

Outros sintomas possíveis são dor pélvica no período menstrual (dismenorreia), dor evacuatória, fadiga, dor na relação sexual (dispareunia profunda), dor ou ardência ao urinar (disúria), cistite inespecífica, porém, em algumas mulheres, a endometriose pode ser assintomática.


  1. Quais regiões do corpo a condição atinge?

R: Pode ocorrer a endometriose no peritônio, na região retovaginal, no peritônio da bexiga, em cicatriz cirúrgica (entre a pele e aponeurose), no diafragma, na bexiga, no intestino e na pleura pulmonar.


  1. Tem tratamento? como funciona?

R: Sim. Existem vários tratamentos que dependem dos sintomas da paciente, de algumas características pessoais da paciente e ainda com que objetivo a paciente está tratando a doença. São eles:

- Para pacientes assintomáticas: acompanhar a paciente e ver se há necessidade de usar um tratamento hormonal ou não, para preservar a fertilidade;

- Para pacientes com dor ou com outros sintomas incapacitantes e que não desejam gestar no momento:

  • tratamento hormonal com pílulas anticoncepcionais ou terapia hormonal com progestágenos;
  • inibidores da produção de hormônios sexuais (inibidor de aromatase, antagonista e agonista GNRH);
  • cirurgia laparoscópica para cauterizar os focos de endometriose (usada na falha do tratamento 1 e 2 ou se a paciente desejar engravidar breve ou, ainda, se houver suspeita de células endometriais atípicas);
  • outros tratamentos: fisioterapia pélvica, nutrição anti-inflamatória e anti-oxidativa, pscicoterapia (diminuição stress), atividade física (diminuição processo Inflamatório).

 

  1. Tem cura?

R: Existe controle de endometriose, mas não cura.


  1. A endometriose pode voltar após tratamento?

R: Sim, pode retornar.


  1. Quem pode ser afetado pela condição?

R: As mulheres mais suscetíveis são aquelas em idade de maior produção do homônimo feminino (estrogênio), já que a célula endometrial responde a ele e, portanto, terão maior risco de desenvolver endometriose as mulheres no início da vida púbere até os 30 anos quando o risco diminuirá progressivamente.


  1. Quais as possíveis causas?

R: Existem algumas teorias sobre o aparecimento e desenvolvimento da endometriose. Uma das hipóteses é que, por uma menstruação retrógrada através das tubas uterinas, levaria células endometriais para a cavidade abdominal e outros lugares do organismo. Outra hipótese seria que crescimento e desenvolvimento subsequentes de lesões de endometriose variam de acordo com o ambiente endócrino, imunológico e celular local (teoria genética). Outra hipótese é que se originassem da metaplasia de células mesoteliais (do período embrionário). Este conceito de metaplasia permaneceu, visto que nem todas as lesões podiam ser explicadas por implantação. Posteriormente, também se supôs que fosse uma metaplasia de tecido  remanescente dos ductos müllerianos.


  1. Tem como evitar?

R: Como ainda não temos certeza sobre a origem da endometriose, algumas medidas podem retardar o desenvolvimento da doença, mas não exatamente impedir o aparecimento. Por exemplo, o uso de pílulas hormonais com progestagênios ou o uso do diu hormonal.


  1. Como é feito o diagnóstico?

R: Os sinais e sintomas clínicos ajudam no diagnóstico. São eles: dor pélvica principalmente no período menstrual, infertilidade, dor na relação sexual e o exame físico. Os exames complementares usados para diagnóstico são a ressonância pélvica e o ultrassom pélvico com preparo intestinal, sendo que a sensibilidade do exame aumenta se for executado por um profissional com experiência neste exame.


  1. Pode ser fatal?

R: A endometriose traz muitas consequências para o bem-estar da paciente e pode comprometer a sua qualidade de vida, porém raramente pode ser fatal. Uma pequena porcentagem (menos de 1%) das mulheres com endometriose podem apresentar uma degeneração celular relacionada ao câncer de ovário que pode ter um desfecho ruim.


  1. O que pode acontecer caso não tratado corretamente?

R: Se não tratada, as consequências mais observadas e impactantes paras as mulheres com esta doença são a intensificação da dor, comprometendo sua vida social, sua vida laboral e acadêmica e sua vida sexual, e o comprometimento da sua fertilidade.

 

Dia Internacional da Tireoide ressalta necessidade de atenção para distúrbios da glândula

Segundo o médico Stanley Bittar, boa parte da população sofre com problemas relacionados sem saber

 

No dia 25 de maio écomemorado o Dia Internacional da Tireoide. Essa glândula que produz hormônios essenciais para o funcionamento do organismo é responsável por funções que muita gente nem imagina. É por isso que a data, lançada em 2008 pela Federação Internacional de Tireoide, tem como objetivo ajudar na conscientização e entendimento dos distúrbios da glândula. 

Segundo o médico e empresário Stanley Bittar, CEO da Stanley´s Holding, que atua em diversos setores, incluindo educação, saúde, beleza, bem-estar, tecnologia, investimento, fintechs e startups, cerca de 1,6 bilhão de pessoas no mundo podem ter algum problema na tireoide e, no Brasil, por volta de 15% da população também não estaria com a tireoide funcionando bem. “Existe muita falta de conhecimento sobre o tema. Uma pesquisa realizada em 2020 pelo Instituto YouGov mostrou que somente 24% dos entrevistados sabiam que problemas na tireoide poderiam prejudicar a fertilidade, por exemplo. E quando essa glândula não está funcionando bem, ela pode liberar hormônios em excesso ou em quantidade insuficiente, afetando todo o organismo”, conta.  

O médico explica que as doenças na glândula são frequentes e que, quando ela deixa de produzir hormônios em quantidade adequada, acontece o hipotireoidismo, que faz com o organismo comece a funcionar mais lentamente. “Ou seja, o coração bate mais devagar, o intestino fica preso e o crescimento pode ficar comprometido. Há muita fadiga e fraqueza”, afirma. 

Já quando a produção é excessiva, acontece o hipertireoidismo, quando o corpo começa a funcionar rápido demais: o coração dispara, o intestino pode soltar, e há muita energia, mas também muito cansaço. “Tanto no hipotireoidismo quanto no hipertireoidismo, pode ser que ocorra o aumento no volume da tireoide, chamado bócio”, diz o médico. 

A detecção de problemas na tireoide, segundo Stanley Bittar, envolve a avaliação de sintomas clínicos, exames físicos e testes laboratoriais. “Apesar de não haver nenhuma dieta ou cuidado que possa impedir o aparecimento de distúrbios, é importante estar atento a possíveis alterações no volume da glândula e também aos sintomas do hipotireoidismo e do hipertireoidismo, procurando auxílio médico o quanto antes”, orienta. 

Confira as funções principais da tireoide no organismo:

  • Regulação do Metabolismo: a tireoide responde pelo funcionamento da temperatura do corpo, ritmo cardíaco e digestão, entre outros.
  • Crescimento e Desenvolvimento: os hormônios da tireoide são especialmente importantes durante o crescimento e o desenvolvimento do cérebro e do sistema nervoso. 
  • Manutenção do Sistema Nervoso Central: a função neurológica depende de uma tireoide funcionando bem. “Esses hormônios têm influência sobre o estado de alerta, a memória, a velocidade de reação e a capacidade de concentração das pessoas”, afirma Stanley.
  • Regulação dos Ciclos Menstruais: uma tireoide que não está regulada pode causar infertilidade, complicações na gravidez e irregularidades menstruais.
  • Peso corporal: dependendo da produção de hormônios - em excesso ou em falta - é possível ganhar ou perder peso.
  • Impactos no coração: A tireoide ajuda a regular a frequência cardíaca e a pressão. Se estiver desregulada pode causar taquicardia, hipertensão e até insuficiência cardíaca. 



Stanley Bittar - empresário com mais de 20 anos de experiência em cirurgia plástica. Mestre em medicina estética e palestrante renomado, sua trajetória é marcada por um espírito empreendedor indomável, que o levou a se tornar referência internacional em transplantes capilares. Como CEO da Stanley’s Holding, Stanley lidera um grupo que atua em diversos setores, incluindo educação, saúde, beleza, bem-estar, tecnologia, investimento, fintechs e startups, todos integrados em um ecossistema completo com mais de 1000 colaboradores. Também é fundador da Stanley’s Hair, uma rede de clínicas de transplante capilar que se tornou a número 1 da América Latina. Seu grande sonho sempre foi democratizar o acesso ao transplante capilar no Brasil e no mundo e assim tem feito. Para mais informações acesse o instagram @stanleybittar e www.stanleybittar.com

 

Prematuridade exige atenção redobrada à saúde auditiva e respiratória dos bebês

Médico alerta para os riscos otorrinolaringológicos em crianças que nascem antes das 37 semanas e destaca a importância do acompanhamento especializado desde os primeiros meses de vida


Se, em geral, os recém-nascidos merecem toda a atenção e cuidado, no caso dos prematuros a cautela deve ser ainda maior. A prematuridade é uma das principais causas de mortalidade neonatal no Brasil, segundo o Ministério da Saúde, e está associada a uma série de complicações que podem impactar a qualidade de vida dos bebês ao longo de toda a infância.

Entre os riscos que exigem atenção especial estão os relacionados à otorrinolaringologia. De acordo com o Joint Committee on Infant Hearing, comitê internacional que estuda a saúde auditiva infantil, a prematuridade é um fator de risco para o desenvolvimento da linguagem e da maturação das habilidades auditivas.

O Dr. Gilberto Ulson Pizarro, otorrinolaringologista do Hospital Paulista, ressalta que o acompanhamento pediátrico e otorrinolaringológico é essencial, especialmente para bebês prematuros, que têm mais chances de desenvolver problemas auditivos. Segundo ele, a observação dos pais no dia a dia é fundamental para identificar possíveis sinais de perda auditiva.

“A audição deve ser monitorada constantemente. Se o bebê fica muito quieto ou não reage a sons como palmas, vozes ou barulhos do ambiente, como uma porta batendo, isso pode indicar um problema auditivo. Nestes casos, a avaliação médica deve ser feita o quanto antes, de preferência antes dos seis meses de idade”, orienta.

Além da audição, a prematuridade pode trazer complicações respiratórias e alterações orais que dificultam a alimentação. Um exemplo comum é a laringomalácia, distúrbio caracterizado pelo colapso das cartilagens da laringe durante a inspiração, o que pode causar dificuldade para respirar e mamar. “Isso pode comprometer o ganho de peso e atrasar o desenvolvimento do bebê”, explica o médico.

Para diagnosticar esses quadros, o exame de Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico, conhecido como BERA, é recomendado para avaliar a integridade do sistema auditivo e identificar perdas causadas por lesões na cóclea, no nervo auditivo ou no tronco encefálico. 

Outro exame importante é a nasofibrolaringoscopia, que permite diagnosticar a laringomalácia com alta precisão, sendo essencial para definir a conduta médica adequada. “Ambos os exames estão disponíveis no Hospital Paulista, que conta com uma equipe multiprofissional preparada para atender desde os procedimentos mais simples até os mais complexos”, finaliza Dr. Gilberto.



Hospital Paulista de Otorrinolaringologia

Surto de Mão-Pé-Boca: escolas e pais devem ficar em alerta máximo

Altamente contagiosa, a doença está se espalhando rapidamente entre as crianças, causando febre, aftas dolorosas, bolhas e risco de desidratação. Especialistas explicam como prevenir complicações e quando buscar ajuda.


Com o aumento expressivo de casos de mão-pé-boca em escolas e creches, pediatras da Sociedade Brasileira de Pediatria fazem um alerta urgente para pais, cuidadores e educadores. A doença, causada pelo vírus Coxsackie, afeta principalmente crianças menores de cinco anos, mas também pode atingir adultos. Extremamente contagiosa, ela provoca febre, lesões na boca, bolhas nas mãos e pés e, em casos mais graves, até internações por desidratação.

“A boca fica tão tomada por aftas que a criança para de comer e beber. O risco de desidratação é real e rápido”, afirma a Prof.ª Dra. Elisabeth Fernandes, pediatra da Sociedade Brasileira de Pediatria. “É fundamental reconhecer os sintomas e manter a criança afastada da escola até a total cicatrização das lesões”, completa.

Além das medidas de isolamento, o cuidado com a hidratação e o alívio dos sintomas são o foco do tratamento. “A doença é autolimitada, ou seja, se resolve sozinha, mas isso não significa que o sofrimento da criança deva ser ignorado. Há formas simples e eficazes de oferecer alívio e evitar complicações”, explica a Dra. Anna Bohn, também pediatra pela SBP.

Ela aponta quatro estratégias para ajudar em casa:

  1. Compressas frias nas mãos e pés ajudam a reduzir a dor das lesões.
  2. Evitar anti-histamínicos, que podem causar sonolência e dificultar a avaliação do estado geral.
  3. Laserterapia nas lesões, principalmente na boca, tem mostrado excelentes resultados, evitando internações por desidratação.
  4. Oferecer líquidos gelados e pastosos em pequenas quantidades e observar os sinais de alerta como ausência de urina, sonolência e irritabilidade.

A transmissão ocorre por contato com secreções, fezes ou superfícies contaminadas. “Trocar a fralda e não lavar as mãos é uma das formas mais comuns de espalhar o vírus em casa e na escola”, alerta Dra. Elisabeth. E reforça: “Criança com sintomas deve ser afastada da escola imediatamente.”

Apesar de assustar pelo aspecto das lesões, a doença costuma ter boa evolução. “Em cerca de sete dias, a maioria das crianças já está recuperada. Mas, o acompanhamento médico é essencial para descartar complicações bacterianas e garantir que a hidratação esteja sendo mantida”, conclui Dra. Anna.

Para os pais que convivem com surtos recorrentes, vale redobrar a atenção com medidas preventivas como higiene constante das mãos, limpeza de brinquedos e evitar compartilhar utensílios. A informação continua sendo a melhor arma para proteger as crianças e evitar pânico desnecessário. 



Dra. Elisabeth Canova Fernandes - CRM 94686 - RQE 105.527 – Pediatra. Médica formada pela Faculdade de Medicina do ABC. Residência médica em pediatria pela FMUSP Complementação especializada em reumatologia pediátrica pelo Instituto da Criança – FMUSP. Título de especialista em Pediatria pela SBP. Título de especialista em reumatologia pediátrica pela SBP e SBR. Mestrado e doutorado em pediatria pela FMUSP. Pós-graduação em nutrição infantil pela Boston Umjversity e também pela Ludwig Maximilian University of Munich. Professora de graduação em Medicina na Universidade São Caetano do Sul. Médica proprietária da Clínica Pediátrica Crescer Participação ativa em diversos congressos nacionais e internacionais em pediatria voltados para alimentação infantil, amamentação, cuidados com o bebê e doenças comuns da primeira infância. Palestrante frequente nos temas de amamentação, alimentação infantil e primeiros cuidados com o bebê.


DRA ANNA DOMINGUEZ BOHN - CRM SP 150 572 - RQE 106869/ 1068691 - Registro pela Sociedade Brasileira de Pediatria Registro de Terapia Intensiva Pediátrica pela Associação de Medicina Intensiva.Graduação em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.Residência em Pediatria e Terapia Intensiva Pediátrica pela Universidade de São Paulo.Curso de especialização em cardiointensivismo pelo Hospital SICK KIDS, Universidade de Toronto.Pós-graduação em Síndrome de Down pelo CEPEC - FMABC (centro de pesquisa e estudos) MBA em gestão de saúde pelo Hospital Israelita Albert Einstein Vice-presidente do Núcleo de Estudos da criança e adolescente com deficiência, Sociedade Paulista de Pediatria. Membra do Grupo Médico Assistencial sobre a pessoa com deficiência do Hospital Albert Einstein.


Brasil registra explosão nos afastamentos por saúde mental: mais de 470 mil casos e alta de 134% no número de licenças

Médica integrativa e de família, Dra. Lilian Gontijo explica como o estresse crônico afeta o organismo, os sinais de alerta e os caminhos possíveis de prevenção antes do colapso físico e emocional

 

O Brasil vive uma crise de saúde mental no trabalho sem precedentes. De acordo com dados oficiais do Ministério da Previdência Social, apenas em 2024, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) recebeu 472 mil solicitações de afastamento por transtornos mentais e comportamentais. A ansiedade lidera os motivos, com 141.414 casos, seguida pelos episódios depressivos (113.604).

O alerta se intensifica com dados recentes apresentados pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) e pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) no Brasil: os afastamentos relacionados à saúde mental aumentaram 134% entre 2022 e 2024. Entre os principais motivos estão reações ao estresse (28,6%), ansiedade (27,4%) e depressão recorrente (8,46%).

Para a médica Lilian Gontijo, especialista em Medicina de Família e Comunidade pelo Hospital das Clínicas da UFMG, com formação também em Geriatria e Gerontologia, e que atua com abordagem funcional integrativa, esses números refletem o colapso de um modelo de vida baseado em superexigência e desconexão com as necessidades reais do corpo. “Vivemos numa cultura de hiperprodutividade, com fronteiras cada vez mais borradas entre o trabalho e a vida pessoal. O corpo humano não foi feito para permanecer em alerta constante”, afirma.

Segundo ela, o estresse crônico se manifesta em todo o organismo: de alterações hormonais e digestivas até sintomas neurológicos e emocionais. “Dores musculares persistentes, distúrbios do sono, irritabilidade, palpitações, falhas cognitivas, baixa imunidade e irregularidades menstruais são sinais comuns, mas muitas vezes tratados isoladamente”, explica. “O problema é que o corpo está gritando em várias frentes ao mesmo tempo.”

Na abordagem Integrativa, o cuidado começa com uma escuta detalhada, uma anamnese que avalia a trajetória do paciente e investigações laboratoriais que buscam evidências de inflamação, disfunção hormonal, desregulação do cortisol e impacto na microbiota intestinal. “O estresse é bioquímico, emocional e comportamental ao mesmo tempo. A abordagem integrativa nos permite enxergar essas camadas juntas e agir antes que isso se transforme em uma doença crônica”, afirma.

Dra. Lilian destaca que muitos pacientes só percebem que estão adoecendo por estresse quando recebem o diagnóstico de algo mais grave — como um quadro autoimune, uma síndrome metabólica ou um episódio depressivo incapacitante. “Essas doenças não aparecem do nada. Elas vão sendo construídas dia após dia por um estilo de vida que ignora os sinais sutis.”


Como identificar os sinais antes que o corpo entre em colapso?

Irritabilidade constante, insônia, apatia, dificuldade de concentração, dores recorrentes e alterações digestivas persistentes não são apenas sinais de cansaço — são alertas fisiológicos de que o organismo está sob sobrecarga. “Muitas pessoas acham normal viver cansadas ou dormir mal, mas esses sintomas são a ponta do iceberg. O corpo está tentando comunicar que algo está fora do eixo”, explica Dra. Lilian. Sensação de “mente acelerada”, queda de desempenho no trabalho, imunidade baixa, pressão alta e alterações hormonais também merecem atenção, especialmente quando se tornam frequentes.

Segundo a médica, quando o paciente busca ajuda ainda nos primeiros sinais, as chances de reversão são muito maiores. “Na Medicina Funcional Integrativa conseguimos intervir antes que essa sobrecarga evolua para doenças mais graves. O estresse crônico é silencioso, mas profundamente disruptivo. Reconhecer os sinais e agir com consciência é um gesto de cuidado — e, muitas vezes, o início de uma mudança de vida.”

 

Molécula reverte déficit cognitivo associado ao envelhecimento e à demência em testes com animais

Astrócitos, em vermelho, de hipocampo de
 roedores superexpressando hevina, em verde
 (imagem: Felipe Cabral-Miranda e Ana Paula Bergamo Araujo)
Pesquisadores da UFRJ e da USP observaram aumento das conexões entre neurônios em roedores após induzir um aumento na síntese de hevina – uma glicoproteína naturalmente produzida pelos astrócitos

 

Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e colaboradores da Universidade de São Paulo (USP) descobriram que uma molécula denominada hevina pode reverter o déficit cognitivo. O estudo, realizado em camundongos, mostrou que essa glicoproteína produzida por células cerebrais (astrócitos) é capaz de aumentar as conexões entre os neurônios (sinapses) em roedores envelhecidos (idosos) e em modelos experimentais da doença de Alzheimer.

“A hevina é uma molécula bem conhecida e envolvida na plasticidade neural. É naturalmente secretada por células do sistema nervoso central que dão suporte ao funcionamento dos neurônios e são conhecidas como astrócitos. Descobrimos que a superprodução de hevina é capaz de reverter os déficits cognitivos de animais envelhecidos por meio da melhora na qualidade das sinapses nesses roedores”, relata Flávia Alcantara Gomes, chefe do Laboratório de Neurobiologia Celular do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ.

O estudo, publicado na revista Aging Cell, teve apoio do Ministério da Saúde, da Fundação Carlos Chagas Filho de Apoio à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e da FAPESP.

É importante destacar que ainda existe um longo caminho até que uma molécula envolvida no processo de reversão do déficit cognitivo venha a se tornar um fármaco. Isso porque se trata de um estudo de ciência básica realizado em camundongos. Outro aspecto que deve ser levado em consideração é a necessidade de garantir que esse composto ultrapasse a barreira hematoencefálica (protetora do cérebro) – o que exigiria esforços em desenhar moléculas com essa característica e com o mesmo potencial terapêutico.

“É claro que, futuramente, será possível desenhar fármacos que tenham o efeito da hevina. Porém, por ora, o ganho fundamental deste trabalho está em entender mais profundamente os mecanismos celulares e moleculares da doença de Alzheimer e do processo de envelhecimento. A originalidade está em perceber o papel do astrócito nesse processo. Tiramos o foco dos neurônios, dando luz ao papel dos astrócitos, que, como mostramos, também pode ser um alvo para novas estratégias de tratamento para a doença de Alzheimer e o déficit cognitivo”, diz Gomes.


Hipótese baseada em evidência

A partir da observação de dados públicos, os pesquisadores identificaram que os níveis de hevina no cérebro caem em pacientes com Alzheimer quando comparados a indivíduos saudáveis da mesma idade. Com essa informação e utilizando um vetor viral recombinante, o grupo do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ superexpressou a hevina em astrócitos de animais envelhecidos e em animais geneticamente modificados para apresentar um quadro semelhante à doença de Alzheimer (modelo experimental da doença).

Além disso, também foi analisado o conjunto de proteínas produzidas por células do cérebro (proteoma cerebral) desses animais. Ao comparar os roedores com e sem superprodução de hevina, os pesquisadores constataram que 89 proteínas foram expressas de modo diferente. Essa etapa do trabalho foi realizada no Laboratório Multiusuário Redox Proteomics Core, do Centro de Processos Redox em Biomedicina (Redoxoma) – um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) da FAPESP sediado no Instituto de Química da USP.

“A sinapse depende de proteínas para liberar um sinal químico de um neurônio para outro. A análise proteômica mostrou que o reforço de hevina nos astrócitos regula diferentes grupos de proteínas envolvidas nas sinapses. Observamos um aumento de sinapses ou, em outras palavras, uma maior aproximação dos neurônios e, por consequência, um melhor desempenho cognitivo”, explica Danilo Bilches Medinas, professor do Departamento de Bioquímica do IQ-USP.


Placas amiloides

Além de identificar o potencial da hevina em reverter o déficit cognitivo em roedores por meio de testes comportamentais, os pesquisadores também observaram que a superexpressão da molécula nos astrócitos não influenciou a deposição de placas da proteína beta-amiloide no hipocampo – uma característica da doença de Alzheimer que tem sido o foco de estudos sobre a doença e alvo para o desenvolvimento de fármacos.

“Para a nossa surpresa, apesar de ocorrer a reversão do déficit cognitivo em animais-modelo da doença de Alzheimer, não houve alteração no conteúdo das placas. Isso realça a complexidade da doença, em termos de ter um mecanismo multifatorial. Isso é ilustrado por indivíduos idosos que, apesar de apresentarem as placas, não têm sintomas da doença”, afirma Felipe Cabral-Miranda, biomédico do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ e primeiro autor do estudo.

“Embora ainda não haja consenso entre os pesquisadores, eu trabalho com a hipótese de que a formação das placas beta-amiloide não seja a causa do Alzheimer. E os resultados do estudo, ao mostrar uma prova de conceito de uma molécula que consegue reverter o decaimento cognitivo sem impactar a placa beta-amiloide, corroboram a hipótese de que estas, apesar de participarem dos mecanismos da patologia, não são suficientes para causar Alzheimer”, completa.

O artigo Astrocytic Hevin/SPARCL-1 Regulates Cognitive Decline in Pathological and Normal Brain Aging pode ser lido em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1111/acel.14493.


Maria Fernanda Ziegler
Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/molecula-reverte-deficit-cognitivo-associado-ao-envelhecimento-e-a-demencia-em-testes-com-animais/54738


Está na hora de voltar a usar álcool gel e máscaras?

Infectologista explica como se cuidar diante do aumento de casos de síndromes respiratórias no Brasil

 

Com a chegada do frio, os casos de síndromes gripais tendem a aumentar. De acordo com o boletim InfoGripe da Fiocruz, em 2025, já foram confirmados 22.235 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no país, causada por vírus como Influenza, Sars-cov 2, rinovírus, vírus sincicial respiratório, etc. Em 2024, o total de casos de SRAG no país foi de 169.711, segundo um boletim epidemiológico publicado em maio de 2025 pelo Ministério da Saúde. Nesse cenário, o uso de máscaras e álcool gel podem ser medidas alternativas para prevenir a gripe.

São Paulo é um dos 13 estados, que segundo o boletim, apresentam incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco. Os dados analisados pelo boletim são do Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe (SIVEP-Gripe). As medidas preventivas para vírus respiratórios são uma das formas de cooperação coletiva para diminuição de casos.

“Além da vacinação, medidas como cobrir a boca ao tossir ou espirrar, lavar bem as mãos e com frequência, beber bastante água, evitar compartilhar objetos de uso pessoal (como talheres, copos e toalhas) e manter os ambientes ventilados são formas de diminuir a circulação dos vírus respiratórios”, explica Igor Marinho, infectologista na Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.

Nesse cenário, um informe epidemiológico, publicado pela Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde em 05 de abril de 2025, reforça a recomendação da vacinação contra os vírus e também o uso de máscaras PFF2 ou N95 não só para profissionais da saúde e pessoas sintomáticas, mas também para pessoas saudáveis. 

“A principal função da máscara é reduzir a quantidade de partículas virais que uma pessoa infectada libera no ambiente. Mesmo indivíduos assintomáticos podem transmitir vírus respiratórios, e a máscara ajuda a conter essas emissões. Algumas máscaras também oferecem proteção para quem as utiliza, filtrando o ar inalado e reduzindo a quantidade de partículas virais que podem entrar nas vias respiratórias”, explica Marinho.

Como se proteger dos vírus respiratórios?

Na Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, foram realizados mais de 7 mil atendimentos por síndromes respiratórias entre 01/05 e 13/05, sendo que  27.31% dos atendimentos foram em crianças, 63.08% adultos e 9,61% idosos. 

Em abril de 2025, foram cerca de 3 mil atendimentos na Rede no mesmo período (01/04 a 13/04), apontando um aumento de 122.97% nos atendimentos de abril para maio. O infectologista destaca os principais pontos de prevenção para a população poder se cuidar neste inverno:

- Lave as mãos com água e sabão por ao menos 30 segundos, principalmente após espirrar, usar o banheiro, tossir e antes de comer. Se não puder lavar com água e sabão, use álcool gel 70%;   

- Não toque os olhos, nariz e boca com as mãos não lavadas;

- Deixe o ar circular pelo ambiente para ficar ventilado, abrindo portas e janelas;

- Limpe as superfícies tocadas com frequência, como maçanetas, interruptores e bancadas, com álcool 70% ou água sanitária diluída;

- Evite aglomerações e locais fechados com muitas pessoas, principalmente em épocas de surtos de doenças respiratórias.

“Medidas de cuidados com a saúde para o fortalecimento da imunidade, por meio de alimentação balanceada, exercício físico e sono regular, também são importantes pois o corpo fica mais preparado para lidar com vírus e doenças respiratórias”, finaliza o infectologista.

 

Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo


Nutricionista da Puravida explica a importância da dieta anti-inflamatória

Maio Roxo marca o mês de conscientização sobre as Doenças Inflamatórias Intestinais (DIIs), como a Doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa, condições que afetam diretamente a qualidade de vida de milhares de pessoas. Além do tratamento médico, a alimentação tem papel essencial no controle da inflamação e no alívio dos sintomas. 

Segundo Carla Fiorillo, nutricionista e Coordenadora de Conteúdo do Professional HUB da Puravida, adotar uma dieta anti-inflamatória pode ser um caminho importante para reduzir crises e melhorar o bem-estar de quem convive com essas doenças.  “Os alimentos que escolhemos todos os dias influenciam diretamente a saúde intestinal. Em casos de doenças inflamatórias, evitar ultraprocessados, açúcar e glúten podem fazer muita diferença, assim como priorizar alimentos naturais, ricos em fibras solúveis e compostos anti-inflamatórios”, explica Carla. 


Confira os alimentos aliados da saúde intestinal 

Frutas vermelhas, cúrcuma e gengibre – Têm ação antioxidante e anti-inflamatória comprovada. 

Azeite de oliva extravirgem – Rico em compostos fenólicos - são pelo menos 30 compostos - que ajudam a modular a inflamação. 

Vegetais verdes escuros – Alimentos como couve, espinafre e rúcula são fontes de fibras e micronutrientes que contribuem para o equilíbrio da microbiota intestinal, . 

Probióticos e prebióticos naturais – Presentes em alimentos como kefir, chucrute, banana verde e alho, ajudam a manter a saúde intestinal. 

Peixes de água fria (salmão, sardinha) – Fontes de ômega-3, reconhecido por sua potente ação anti-inflamatória. 

“Além da alimentação, é fundamental identificar gatilhos individuais e respeitar as fases da doença. Em momentos de crise, é indicado que a dieta seja mais leve, com menos fibras insolúveis. Por isso, o acompanhamento profissional é indispensável”, orienta Carla. 

A suplementação com Ômega-3, glutamina, curcumina e probióticos específicos pode auxiliar na recuperação da mucosa intestinal e no controle da inflamação. Produtos com formulações limpas, sem aditivos artificiais, são preferíveis para quem busca equilíbrio digestivo. 

“Na Puravida, buscamos oferecer alternativas que respeitam o organismo e promovem saúde de forma integral, com nutrientes selecionados que colaboram para o bom funcionamento intestinal e geral”, completa Carla. 




Puravida
www.puravida.com.br

 

Perda dentária e cárie são grandes ameaças à saúde bucal no Brasil, e projetos sociais ajudam a transformar este cenário


Mesmo com desafios persistentes na saúde bucal da população
brasileira, projetos sociais vêm ajudando na democratização do acesso pelo país 
Divulgação/Neodent


Com apoio de iniciativas empresariais, cuidados preventivos alcançam mais brasileiros e contribuem para a redução de índices; Expedição Novos Sorrisos já beneficiou 10 mil pessoas
 

 

Mesmo com os desafios persistentes na saúde bucal da população, o Brasil vem avançando rumo a um cenário mais positivo, com o crescimento do acesso a cuidados odontológicos e, consequentemente, um número maior de sorrisos saudáveis. Atualmente, o país conta com 45% de cobertura em saúde bucal, tendo como meta alcançar pelo menos 70%, segundo o Ministério da Saúde. 

Além da ampliação de ações públicas, projetos sociais desenvolvidos pela iniciativa privada desempenham um papel essencial na união de forças em busca da democratização do acesso à saúde bucal. É o caso da Expedição Novos Sorrisos, programa social da Neodent, uma das maiores fabricantes de implantes dentários do mundo, que há nove anos percorre o Brasil levando cuidados odontológicos preventivos a diversas comunidades, especialmente àquelas que enfrentam maiores dificuldades no acesso à saúde. A iniciativa acaba de alcançar a marca de 10 mil pessoas beneficiadas – e continua sua jornada, levando sorrisos por onde passa.

O programa contribui para conscientizar a população sobre a importância dos cuidados com a saúde bucal e para trabalhar o medo que muitos ainda têm de ir ao dentista. “A ampliação do acesso à Odontologia, aliada a campanhas educativas e preventivas, é fundamental para melhorar a qualidade de vida. A saúde bucal está diretamente relacionada ao bem-estar geral, influenciando a alimentação, a autoestima e até o desempenho profissional. Com o fortalecimento de programas sociais e a expansão das políticas públicas, o Brasil segue avançando para garantir mais sorrisos saudáveis em todas as regiões do país”, analisa Raphaela Borba, diretora de Responsabilidade Social da Neodent.


Uma trajetória de inspiração, histórias e sorrisos

Criada em 2016, a Expedição Novos Sorrisos já passou por 44 cidades em 14 estados brasileiros, sempre com o apoio de dentistas voluntários locais. Desde então, mais de 400 profissionais se uniram à iniciativa com um único objetivo: criar sorrisos. Somente no ano passado, mais de mil pessoas foram atendidas na unidade odontológica móvel do programa, somando-se aos 9 mil beneficiados desde o início do projeto, que começou com uma estrutura montada dentro de um trailer.

Em 2019, após percorrer 11 mil quilômetros, estava ainda mais clara a importância desse tipo de cuidado para a população. Foi então que a Neodent decidiu investir em uma estrutura maior, com mais conforto e capacidade de acolhimento – tanto para os pacientes quanto para os profissionais e voluntários. Assim, a Expedição ganhou força para ir ainda mais longe.

A paranaense Roseli foi a paciente que marcou a recente conquista de 10 mil brasileiros beneficiados pelo programa. “Esse trabalho de orientar a correta higiene bucal é muito importante. Eu me senti tão bem acolhida que levei meu filho também, e recomendo que todos procurem a unidade móvel quando ela passar por suas cidades”, afirma. 

Já no Ceará, estado visitado pela Expedição em 2023, Marcos compartilha sobre a fragilidade de não ter um sorriso. “Eu trabalho com o público e acabava tendo vergonha de não mostrar um sorriso bonito e ter uma boa apresentação. Tenho esperança no coração por tantas coisas boas que acontecem na minha vida, e uma delas foi ter conhecido a Expedição Novos Sorrisos”, conta. Durante sua visita à unidade odontológica móvel da Neodent, Marcos foi diagnosticado com bruxismo severo e encaminhado para o tratamento adequado. 


Investimentos para transformar este cenário

A Neodent reconhece a necessidade dessa mobilização porque, apesar da melhora nos últimos anos, desafios ainda persistem. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde Bucal (SB Brasil) 2023 mostram que a perda dentária continua sendo uma realidade preocupante, especialmente entre os idosos. Entre a população de 65 a 74 anos, 36% já perdeu todos os dentes – índice superior à média global, de 23%. Já entre os adultos de 35 a 44 anos, o cenário é mais positivo: a média de dentes perdidos caiu para 3,4 em 2023, frente a 7,4 em 2010 e 13,5 em 2003.

Entre crianças e adolescentes, a cárie dentária continua sendo o principal desafio. Aos 5 anos, a média é de 2 dentes com cárie, e 47% das crianças nessa faixa etária apresentam o problema sem tratamento. Aos 12 anos, o índice cai para 1,6, mas 37% ainda tem ao menos um dente permanente com cárie não tratada. Os dados indicam que, apesar dos avanços, ainda é preciso ampliar o acesso a cuidados preventivos e tratamentos odontológicos adequados.


Próximos passos

Depois de percorrer mais de 20 mil quilômetros, a Expedição Novos Sorrisos se prepara para visitar, pela primeira vez, a região Norte do país, completando, assim, sua jornada por todas as regiões do Brasil. 

 

Sobre a Expedição Novos Sorrisos

A Expedição Novos Sorrisos é um programa social da Neodent que, desde 2016, já contribuiu para a melhoria da saúde bucal de mais de 10 mil brasileiros, por meio de ações educativas que contribuem com a democratização do acesso à saúde bucal. Esse impacto é possível graças à equipe da Neodent, que acompanha a Expedição, e aos dentistas voluntários das cidades visitadas, consolidando a iniciativa como um programa de grande alcance. Até o momento, a ação já percorreu mais de 20 mil quilômetros e passou por 44 cidades de 15 estados brasileiros, com a participação de mais de 400 voluntários.


Enxaqueca custa R$ 170 bilhões por ano ao PIB Brasileiro

Falta de informação, medo e vergonha são obstáculos enfrentados por pacientes com a doença

 

A enxaqueca é uma das doenças que acometem mais pessoas no mundo; ainda assim, continua menosprezada e confundida por boa parte da população como “apenas uma dor de cabeça”. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS)¹, a doença acomete mais de 32 milhões de pessoas apenas no Brasil. O número representa duas pessoas em cada 13 e, mais alarmante, uma delas esconde a doença até mesmo dos familiares e amigos mais próximos. 

A empresária Marina Goulart, de 43 anos, enfrenta a doença desde a adolescência. “Antes do diagnóstico, eu passava o dia tomando analgésicos. Já cheguei a tomar sete por dia”, conta. “Não é fácil contar para as pessoas que você está passando por uma crise. Há preconceito com os pacientes e as pessoas não sabem que a enxaqueca é uma doença. Já enfrentei situações em que precisei parar de trabalhar por não aguentar encarar a tela do computador, mas permaneci por medo do julgamento dos meus colegas. Sentia que as pessoas me olhavam como se eu estivesse de má vontade e com preguiça de entregar as minhas tarefas e a forma que eu encontrava para trabalhar era me medicando descontroladamente”, completa. 

O relato de Marina representa uma realidade oculta, mas enfrentada diariamente por milhões de pessoas no Brasil e no mundo que convivem silenciosamente com a doença e seus sintomas: dor de cabeça intensa, náusea, vômitos e sensibilidade a luz e sons. Segundo a OMS, as dores de cabeça, categoria que inclui a enxaqueca, são a terceira principal causa de anos de vida ajustados à deficiência (DALYs), um índice que quantifica o fardo das doenças em uma população. Infarto e demência ocupam as primeiras posições dessa lista, respectivamente. Além disso, segundo pesquisa apresentada no Migraine Trust International Symposium (MTIS) sobre o impacto da enxaqueca em seis países da América do Sul, Ásia e Austrália, 51% dos pacientes escondem que têm a doença: 62% deles não contam para os colegas de trabalho, 37% escondem dos amigos e 27% não se abrem nem com o cônjuge2. 

O medo, vergonha e desconhecimento sobre a doença, também prejudicam a busca por especialistas e tratamento adequado. Artigo científico publicado no The Journal of Headache and Pain mostra que, do surgimento dos primeiros sintomas até procurarem um especialista3, os pacientes de enxaqueca demoram, em média, 17,1 anos. “As pessoas tomam analgésicos porque entendem que estão com dor de cabeça e que esta é a solução. O problema é que este tipo de medicação não é indicada para o tratamento da enxaqueca e, ao invés de solucionar um problema, o comportamento apenas posterga a procura por um especialista e o início do tratamento adequado, contribuindo para o aumento do tempo e da intensidade das crises”, comenta o médico neurologista e presidente da Associação Brasileira de Cefaleia em Salvas e Enxaqueca (Abraces) e Presidente eleito da Sociedade Internacional de Cefaleia, Dr. Mario Peres. 

A enxaqueca não tem cura, mas é controlável. Peres explica que existem vários tratamentos possíveis e é por isso que ir ao médico é primordial. “Cada paciente receberá um tratamento individualizado de acordo com as suas principais queixas e sintomas, dentre tratamentos não farmacológicos como farmacológicos.” 

Fora o impacto social, a doença gera prejuízos até mesmo o PIB dos Países. Segundo a pesquisa "Impacto socioeconômico das principais doenças em oito países da América Latina"5, realizada pelo instituto WifOR GmbH, o Brasil é o segundo país mais afetado pela enxaqueca na América Latina, atrás apenas da Argentina. Apenas em 2022, o Brasil perdeu 1,6% do PIB, cerca de US$ 30 bilhões ou R$ 168 bilhões, devido à doença. “Na faixa etária entre 5 anos e 19 anos, a enxaqueca é a doença mais comum e, na faixa de 20 anos a 59 anos, a população adulta, é a segunda. Ou seja, a doença afeta diretamente a fase mais produtiva da vida e é a principal causa de incapacidade no mundo4”, destaca Peres.

 


Teva Brasil
www.tevabrasil.com.br


ABRACES



Referências

1 Vos T, Allen C, Arora M. Global, regional, and national incidence, prevalence, and years lived with disability for 310 diseases and injuries, 1990–2015: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2015. Lancet. 2016;388(10053):1545–1602. doi: 10.1016/S0140-6736(16)31678-6

2 Souza, MNP et.col. Survey assessing the burden and impact of migraine across 6 countries in South America, Asia, and Australia. Presented at MTIS 2020: MTV20-DP-095. Link.

3 Peres MFP, Swerts DB, de Oliveira AB, Silva-Neto RP. Migraine patients' journey until a tertiary headache center: an observational study. J Headache Pain. 2019;20(1):88. Published 2019 Aug 15. doi:10.1186/s10194-019-1039-3

4 Atlas of Headache Disorders and Resources in the World 2011. Geneva: WHO; 2011.

5 As in: Ostwald, D.A, et. Al 2024. “Socioeconomic burden of main diseases in eight Latin American countries: the case of Brazil, Prepared For FiFARMA. Wifor Institute, Germany, 2024. Available online at: Link



Saúde respiratória em alerta com o avanço da poluição e das mudanças climáticas

Hospital Sapiranga destaca prevenção e inovações no
 tratamento das doenças respiratórias crônicas
 Canva
Especialista do Hospital Sapiranga aborda a crescente preocupação com doenças respiratórias em tempos de poluição e mudanças climáticas


Em um cenário de intensificação da poluição e das mudanças climáticas, as doenças respiratórias crônicas, como rinite alérgica, sinusite e asma, têm se tornado cada vez mais frequentes, prejudicando a qualidade de vida de muitos pacientes. O pneumologista Dr. Leonardo Gilberto Haas Signori, do Hospital Sapiranga, ressalta a importância de medidas preventivas e tratamentos avançados para indivíduos com doenças respiratórias crônicas.

“Em um contexto de poluição crescente, a prevenção é essencial. Orientamos nossos pacientes a evitar atividades físicas intensas em locais com alta poluição por mais de 30 minutos e a adotar práticas de higiene das vias aéreas superiores, como a lavagem nasal diária com solução salina. Além disso, o uso de terapias biológicas tem se mostrado eficaz no tratamento de condições graves, como asma e DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica)”, explica o médico.

Com seu centro de infusões especializado, o hospital tem adotado as terapias imunobiológicas nos últimos anos, oferecendo uma alternativa terapêutica avançada e eficaz, que se diferencia dos tratamentos convencionais. Essas terapias, administradas por via subcutânea, são indicadas para casos graves de doenças respiratórias, proporcionando um melhor controle dos sintomas e evitando complicações.

Além disso, o Hospital Sapiranga orienta a população sobre a importância de manter os ambientes domésticos bem ventilados e livres de impurezas, com o objetivo de reduzir a exposição a agentes irritantes que podem agravar as condições respiratórias.

 

Rafael Sodré


SBGG reforça os cuidados que os idosos devem ter nos dias mais frios

Em dias como hoje, onde a cidade de São Paulo registrou a sua menor temperatura do ano, Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia dá dicas de como se prevenir de gripes e resfriados

 A cidade de São Paulo registrou nesta quarta-feira, dia 14, a menor temperatura do ano: 14,2º C. Com a chegada dos dias e das estações mais frios (e a permanência deles) cresce a preocupação com a saúde da população 60+, especialmente em relação a gripes e resfriados. Como forma de prevenção, a antecipação da vacinação anual é recomendada, de preferência meses antes do início do Inverno, para que na estação mais fria do ano tenha-se menos vírus circulando. 

Contudo, existem outros cuidados diários que também são fundamentais para reforçar a imunidade e evitar complicações. A geriatra e diretora da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), Dra. Alessandra Tieppo, comenta que manter as mãos constantemente higienizadas, por meio de água e sabão ou álcool em gel, principalmente após se ter contato com superfícies públicas, é um cuidado importante, assim como evitar ambientes fechados e aglomerações. “É preciso evitar locais com pouca ventilação, pois o risco de contágio é maior”, diz, ao comentar que mesmo no frio é importante manter as janelas abertas, sempre que possível, para favorecer a circulação do ar. 

A alimentação também faz a diferença. Segundo Dra, Alessandra, investir em uma dieta equilibrada, rica em frutas, proteínas e alimentos fontes de vitaminas e minerais essenciais, como frutas cítricas (laranja, limão, tangerina, acerola e kiwi), vegetais verdes escuros (couve, espinafre e brócolis), alimentos ricos em zinco (castanha-de-caju, sementes de abóbora, carnes magras e frutos do mar, entre eles ostra) é fundamental. “Peixes como salmão, sardinha e atum, além de linhaça e chia podem e devem fazer parte dessa lista, assim como sopas e caldos nutritivos. Além disso, mesmo nos dias mais frios, a hidratação não pode ser esquecida. Sendo assim, ingerir água ao longo do dia, mesmo sem sede, manterá o bom funcionamento do organismo.”

 

Outros cuidados

Se durante a pandemia as máscaras eram utilizadas com frequência, com o fim dela, muitas pessoas abdicaram do uso deste “acessório”. De acordo com a geriatra e diretora da SBGG, a população 60+ deve voltar a utilizá-la nesse período, principalmente em locais com alta concentração de pessoas, como ônibus, metrôs e trens, e quando ficar em contato com pessoas doentes. “Por falar em ‘acessório’, estar com a roupa adequada é importante. É preciso se proteger do frio, mas sem os chamados excessos, que podem causar suor e, consequentemente, resfriamento”, revela, ao afirmar que a sensação ideal da temperatura é quando a pessoa se sente confortável, não precisando abrir os botões ou arregaçar as mangas da blusa, por exemplo, por estar com calor. 

Estar com o sono em dia também faz a diferença, já que ele é fundamental para a regeneração do sistema imunológico. E a prática de atividades físicas regulares também deve permanecer, mesmo nos dias mais frios. Atividades leves, como caminhadas, sempre com orientação médica, é uma ótima pedida. “Promover esses hábitos no dia a dia é uma forma eficiente de ampliar a proteção dos idosos contra infecções respiratórias. Em tempos de circulação intensa de vírus, todo cuidado é bem-vindo para garantir mais saúde e qualidade de vida”, relata. 



Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia - SBGG


O papel dos influenciadores digitais nesse contexto


O fenômeno da influência digital tem um papel muito importante nos números apontados no começo deste texto. Isso porque boa parte das apostas são impulsionadas por influenciadores digitais que arrebatam milhões de brasileiros todos os dias.

 

A sensação de proximidade, advinda das postagens recorrentes de coisas banais do dia a dia luxuoso faz com que as pessoas se conectem com quem está do outro lado da tela e acabe impelido a seguir os passos de quem admira. Para a diretora pedagógica do Supera, Patrícia Lessa, é preciso estar atento para evitar esse tipo de armadilha.

 

"É preciso assumir uma postura mais proativa no consumo de informações, refletindo sobre aquilo que chega de forma crítica. Além de evitar ciladas digitais que comprometem a vida financeira e social e também a saúde, esse comportamento mais autônomo diante das telas acaba estimulando o cérebro de forma positiva", explica.




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