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sexta-feira, 15 de dezembro de 2023

Cresce o número de infartos em jovens

Estima-se que a cada 90 segundos, uma pessoa venha a óbito por causa de doenças cardiovasculares no Brasil

 

As doenças cardiovasculares são as mais prevalentes na população mundial e a principal causa de morte no país. Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, as doenças cardiovasculares causam o dobro de mortes que aquelas devidas a todos os tipos de câncer juntos. Além disso, proporcionam 2,3 vezes mais óbitos que todas as causas externas (acidentes e violência) e 3 vezes mais que as doenças respiratórias. 

Estima-se que, por ano, pelo menos 400 mil pessoas morrem por doenças cardiovasculares, o que significa uma morte a cada um minuto e meio. Isso acontece porque as patologias do coração são muitas e acometem grande parte da população brasileira. 

“A incidência no público mais jovem vem aumentando consideravelmente por causa de alguns fatores, tais como: estilo de vida sedentário com baixa adesão à realização de atividade física, má alimentação, tabagismo e estresse, os quais culminam com o desenvolvimento precoce de doenças como hipertensão arterial, diabetes e colesterol elevado que contribuem para o desenvolvimento das doenças cardiovasculares como o infarto. A situação acende um alerta ainda maior porque apenas 2% dos brasileiros sabem reconhecer os sintomas de um infarto.”, explica Dr. Jasvan Leite, cardiologista do Hcor. 

Segundo o especialista, dores e sensação de aperto no peito, associado a falta de ar, sudorese fria e náuseas podem ser alguns sintomas de que a pessoa esteja sofrendo um infarto. “Os males que acometem o coração começam a surgir por volta dos 30 anos. Porém, pessoas que apresentam histórico familiar ou fatores de risco devem procurar atendimento médico mais cedo”, recomenda. 

“Sempre há tempo para mudar hábitos e obter benefícios com a reversão. A dica mais importante é começar hoje, não amanhã. Realizar exercícios físicos regularmente, por 30 minutos, ao menos 5 vezes por semana; comer de forma balanceada e saudável; ficar atento ao peso; desligar o celular e os equipamentos eletrônicos na hora de dormir; tomar os remédios conforme prescrição médica; administrar o estresse, reservando tempo para relaxar e descansar, incluindo atividades de lazer”, conclui Dr. Jasvan Leite.
 

Hcor


Diagnóstico de hipogonadismo vai além da dosagem de testosterona

Endócrino alerta para a obesidade como uma das causas


“A falta de libido é um dos principais sintomas que faz os homens procurarem o médico, porém, o hipogonadismo, que é a falta da testosterona, pode vir acompanhado de outros sintomas como perda de cabelo, diminuição da barba, falta de energia, de disposição, o homem fica deprimido e desanimado. Pode haver uma mudança corporal, com maior acúmulo de gordura na barriga e perda de massa muscular. As alterações do sono e as metabólicas, como hipertensão e colesterol, também podem estar entre os sinais da deficiência hormonal”, alerta Dr. Felipe Henning Gaia Duarte, endocrinologista presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo (SBEM-SP). 

Ele explica ainda que a obesidade pode provocar uma série de alterações hormonais e inflamatórias que podem acabar produção do testosterona, portanto, o hipogonadismo acaba sendo uma situação muito comum, dada a alta prevalência da obesidade (basta ver estatísticas do Atlas Mundial de Obesidade 2023, clique aqui).  

A dosagem do nível de testosterona do sangue é o exame principal para que se possa avaliar se, de fato, os sintomas estão relacionados a baixa deste hormônio, mas há observações importantes. “Não é tão simples assim avaliar o nível da testosterona. Temos que analisar em conjunto com os valores da proteína SHBG. Esta proteína carrega a testosterona no sangue, portanto alterações no seu valor vão impactar na dosagem da testosterona total. Obesidade e diabetes descontrolado, por exemplo, podem alterar os níveis de SHBG. Além disto, é necessário avaliar outros hormônios, pois alterações nestes também podem levar a redução dos valores de testosterona”, explica Dr. Felipe. 

Os sintomas da falta de hormônio masculino são muito parecidos com os sintomas relacionados ao estresse do cotidiano, por isso a necessidade dos exames para diagnóstico completo.

 

Como dosar a testosterona?

“É importante seguir algumas recomendações, pois a testosterona sofre influência até de alimentos e do horário do dia em que ela é coletada. A dosagem deve ser realizada entre as 6 e 9 horas da manhã, em razão do ritmo circadiano. O paciente deve estar em jejum, pois a ingesta de carboidratos e gorduras pode reduzir os níveis deste hormônio. Também deve-se lembrar de orientar o paciente para suspender biotina (caso ele use), cerca 3 dias antes do exame, pois a biotina, que tem sido usada com frequência para crescimento de unhas e cabelo, interfere na análise laboratorial”, complementa Dr. Leonardo Parr, endocrinologista da SBEM-SP.


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Dezembro Laranja: Brasil é o país com mais casos de câncer de pele no mundo

No mês de conscientização da patologia, 71% da população brasileira não faz uso de protetor solar diariamente

 

Segundo o INCA (Instituto Nacional do Câncer), o câncer de pele corresponde a cerca de 30% dos casos da doença no Brasil. Devido ao número alarmante de diagnósticos, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) desenvolveu a campanha Dezembro Laranja, que tem como propósito conscientizar sobre os riscos e a importância de prevenção da patologia. 

Um dos motivos para os altos índices do câncer de pele no país se dá por conta do clima predominantemente tropical, com incidência solar de raios ultravioletas durante praticamente o ano todo. Além disso, uma pesquisa realizada pelo Instituto de Cosmetologia de Campinas/SP indicou que 71% da população brasileira disse não aplicar protetor solar diariamente durante o ano de 2022. 

Muitas pessoas acreditam que, mesmo em dias nublados ou chuvosos, o protetor solar pode ser descartado, mas seu uso é indispensável. “A radiação solar recebida na atmosfera é praticamente a mesma em dias ensolarados do verão e chuvosos do inverno. Portanto, proteger a pele dos raios UVA e UVB deve ser um cuidado constante e diário.”, explica a dermatologista Dra. Ana Carina Junqueira. 

É essencial redobrar a atenção em “áreas esquecidas”, como nuca e dorsos das mãos e pés, regiões que também precisam de proteção. Vale ressaltar que a exposição é cumulativa na pele, ou seja, quanto maior o contato desprotegido, maior o dano celular. Isso significa que as consequências são permanentes, já que o DNA da área afetada é modificado e pode gerar a multiplicação celular anormal no futuro. 

Mas, afinal, como se consiste o câncer de pele? Dra. Ana Carina Junqueira conta que “ele se caracteriza pelo crescimento anormal e descontrolado das células que formam as camadas da pele. Elas se multiplicam na derme e epiderme até formarem um tumor maligno. Existem três principais tipos de câncer que são mais frequentes a partir dos 50 anos, mas que podem surgir em qualquer idade, em especial se houver influência de algum fator genético”. São eles:

 

  1. Carcinoma basocelular (CBC)

É o tipo mais comum de câncer de pele e, ao mesmo tempo, o que apresenta menor taxa de mortalidade, já que pode ser totalmente curado quando diagnosticado precocemente e seguindo o tratamento adequado. O CBC manifesta-se principalmente em regiões com maior exposição ao sol, como couro cabeludo, orelha, face, pescoço, costas e ombros e se assemelha a lesões não cancerígenas, como eczema ou psoríase.

 

  1. Carcinoma espinocelular (CEC)

É o segundo câncer de pele mais comum. Sua ocorrência costuma aparecer nas áreas mais expostas ao sol, como: couro cabeludo, face, pescoço e orelhas - regiões essas que, normalmente, apresentam sinais de dano solar como enrugamento e perda de elasticidade da pele. Ele pode ter aparência similar à das verrugas e precisa ser tratado precocemente, pois o seu crescimento aumenta o risco de disseminação a outras áreas do corpo.

 

  1. Melanoma

Este é o câncer de pele mais raro, porém, com o pior prognóstico, já que apresenta o mais alto índice de mortalidade. Ele se parece com a aparência de uma pinta ou de um sinal na pele, em tons escuros ou castanhos. Embora o diagnóstico assuste, a doença pode ser curada quando identificada no estágio inicial. Os indivíduos de pele clara, que se queimam com facilidade quando tomam sol, estão mais sujeitos a esse tipo de tumor e a hereditariedade favorece o desenvolvimento do melanoma. 

O autoexame de pintas e sinais espalhados pelo corpo é fundamental, mas apenas um exame clínico minucioso é capaz de fornecer um diagnóstico. “Para auxiliar na identificação dos sinais perigosos de melanoma, existe um método didático conhecido como ‘Regra do ABCDE’. O ‘A’ refere-se à assimetria; ‘B’ a bordas irregulares; ‘C’ à coloração; ‘D’ ao diâmetro e o ‘E’ é de evolução. Se a marca for assimétrica, tiver bordas irregulares, dois tons ou mais, for superior a 5 milímetros e crescer e mudar de cor, provavelmente trata-se de um tumor maligno. Mas, em caso de sinais suspeitos, é sempre indicado consultar um dermatologista de confiança. Afinal, nenhum exame caseiro substitui a consulta e avaliação médica”, conclui a especialista. 

De modo geral, pessoas mais suscetíveis ao câncer de pele são aquelas que: se expuseram muito ao sol durante infância, adolescência e vida adulta; tiveram vários episódios de queimaduras solares; praticam esportes ou trabalham ao ar livre sem proteção; têm pele muito clara ou são albinas; vivem em regiões ensolaradas; possuem histórico familiar da doença. A radioterapia, quimioterapia, imunoterapia e alguns medicamentos são opções de tratamentos do câncer de pele. Mas é fundamental procurar um dermatologista para entender a combinação ideal de medidas de proteção.



Dra. Ana Carina Junqueira - Dermatologista, especialista em Tricologia clínica e pesquisa. Está no Brasil após uma temporada de cinco anos nos Estados Unidos, no departamento de dermatologia da Universidade de Minnesota – que possui o maior centro de referência dermatológico de pesquisa e tratamentos para cabelo. Os tratamentos são selecionados caso a caso, baseados no diagnóstico personalizado de cada paciente, levando em consideração o histórico clínico meticuloso, coleta de exames hormonais e nutricionais, triagem de doenças autoimunes e exames de imagem.
Site: Link
Instagram: draanajunqueira e clinicaanacarinajunqueira


O açúcar é mesmo o vilão das dietas?


Muita gente acredita que o açúcar é o principal responsável pelo excesso de peso, enquanto outras pessoas dizem que não há problema em consumi-lo desde que seja com moderação. Fica então a pergunta: qual é a verdade?

Dra. Thais Mussi, endocrinologista e metabologista pela SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia) explica que primeiro de tudo, é necessário entender como o açúcar afeta o organismo. E mais, a médica conta que existem dois tipos de açúcar importantes nas funções do corpo: a sacarose e a frutose.

O açúcar é fonte de energia, o que o torna substância importante para o organismo. Especialmente a sacarose, presente nos alimentos refinados, além disso, a sacarose desempenha dois papéis bem interessantes no corpo, que ainda são pouco falados:

  • Colabora para o bom funcionamento do cérebro;
  • Contribui para a redução do estresse.

“Já a frutose é um açúcar natural encontrado nas frutas, e também é adicionada a muitos alimentos processados. Pode ajudar a reduzir o risco de doenças cardíacas e auxiliar na redução da pressão arterial. Em um estudo recente foi constatado que a frutose desempenha uma função benéfica que pode melhorar inclusive o funcionamento do cérebro de idosos”. Conta a endocrinologista.

No entanto a médica reforça que é preciso estar atento aos exageros. É um erro pensar que, por vir de alimentos considerados saudáveis, não existe problema em consumir à vontade. “A frutose, como todo açúcar, deve ser consumida com moderação”, completa Dra. Thais.

Muitas pessoas se perguntam qual é a opção ideal de açúcar, e segundo a médica a verdade é que essa diferença entre os tipos de açúcar não é tão significativa, do ponto de vista da nutrição.

“A variação entre uma escolha e outra de açúcar fica por conta do paladar de quem consome. Dito isso, o açúcar por si só não é o vilão, mas sim a quantidade e a maneira com que é consumido”. Finaliza a endocrinologista.

DRA. THAIS MUSSI -Crm 27542-PR 118942-SP RQE 373 - Formada em medicina para Universidade do Vale do Itajaí (Univali); Residência em clínica médica pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo; Residência em endocrinologia e metabologia pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo; Membro titulado da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e  Membro do Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida (CBMEV); Pós-graduação em Nutróloga pela Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN); Médica integrante da C.A.S.A Sophie Deram- centro de aconselhamento em saúde alimentar. Especializacao em Mindfull Eating.  Participação em diversos congressos internacionais voltados a Obesidade e Síndrome metabólica

 

Dezembro Laranja: cuidado e consciência são primordiais para não sentirmos o câncer na pele

Muito embora as escolhas da cor e da denominação tenham chegado em 2014, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) volta os olhares mais atentamente à conscientização e ao combate do câncer de pele, no mínimo, desde 1999. Ou seja, há quase um quarto de século, o “Dezembro Laranja” é propagado em solo nacional com grande ênfase. E justifica-se: segundo a instituição, a patologia é a mais comum dentre os cânceres diagnosticados no país, representando 33%; quase um terço do total. 

A opção por dezembro é em razão de o mês trazer consigo o verão, estação que pode gerar mais perigo à pele por ter dias “maiores”, com o sol nascendo mais cedo e se pondo mais tarde; um dos fatores preponderantes para o desenvolvimento da doença, oriunda do crescimento anormal e descontrolado das células que compõem a pele. 

Os tipos mais comuns são:

 

1. Carcinoma basocelular (CBC): é o mais prevalente e surge com mais frequência em regiões expostas ao sol, como face, couro cabeludo, orelhas, pescoço, ombros e costas. Normalmente, apresenta-se como uma pápula vermelha, brilhosa, com uma crosta central, que pode sangrar com facilidade. Tem baixa letalidade e a detecção precoce é primordial para a cura;

 

2. Carcinoma espinocelular (CEC): mais incidente em áreas comumente expostas ao sol (orelhas, rosto, couro cabeludo e pescoço), pode se desenvolver em qualquer parte do corpo. Como o CBC, também tem coloração avermelhada e pode se assemelhar a verrugas ou feridas espessas e descamativas de difícil cicatrização;

 

3. Melanoma: embora seja o menos frequente entre os cânceres da pele, é o que traz mais alto índice de mortalidade. Entretanto, as chances de cura superam 90% em descobertas precoces. Sua aparência, costumeiramente, lembra uma pinta e tem tons acastanhados ou enegrecidos, que mudam de cor, formato e/ou tamanho.

 

Apesar de todos estarmos sujeitos ao aparecimento do câncer de pele, a atenção precisa ser redobrada a pessoas com os fatores de risco vinculados à doença: histórico pessoal ou familiar; ter mais de 65 anos de idade; já ter tido muitas queimaduras de sol (daquelas que deixam a pele muito vermelha e ardendo); ter muitas sardas e/ou pintas; e ter a pele muito clara, suscetível a queimaduras de sol, mas que nunca se bronzeia.

 

Por isso, algumas ações pessoais podem ser preciosas na prevenção contra a doença, manchas e o envelhecimento precoce: aplique protetor solar FPS 30, ou maior, diariamente; use camiseta e chapéu (ou boné); quando for comprar óculos escuros, atente-se para que tenha proteção UV; evite o sol entre 9h e 15h; e, por último, mas não menos importante, consulte sempre um médico dermatologista associado da Sociedade Brasileira de Dermatologia. 

É preciso consciência e tomar os cuidados necessários para juntos, literalmente, não sentirmos na pele os riscos e efeitos dessa doença. 



Theodoro Habermann Neto (CRM 70488) - dermatologista do Vera Cruz Hospital


Dengue tipo 4 volta e pode aumentar casos em todo país

 

Especialistas da SBPC/ML destacam que por falta de imunidade ao tipo, a população fica mais suscetível a desenvolver os sintomas.  

Testes laboratoriais têm a capacidade de identificar de maneira mais rápida e precisa qual vírus está causando a infecção e são fundamentais para um tratamento adequado
 

O Rio de Janeiro registrou na última semana um caso de dengue sorotipo 4. Há 5 anos esse sorotipo não circulava nesse território, ou seja, os nascidos após 2018 não tiveram contato com esse sorotipo da doença e, portanto, não desenvolveram imunidade contra ele. A médica infectologista e patologista clínica Carolina Lázari, membro da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML), destaca a importância de compreender as características desse sorotipo e suas consequências para a saúde pública. 

De acordo com Carolina, existem quatro sorotipos do vírus da dengue, e todos eles provocam a mesma doença, sem que um seja mais grave do que o outro isoladamente. "O desafio surge quando um sorotipo ausente por um período retorna à circulação, como é o caso do sorotipo 4 no Rio de Janeiro. Essa reintrodução pode resultar em um aumento expressivo no número de casos durante a temporada", ressaltou. 

Ela enfatiza que cada sorotipo só causa dengue em uma pessoa, uma única vez. "Quando um mesmo sorotipo predomina por vários anos consecutivos, as pessoas que foram infectadas recentemente não apresentam risco de contrair a doença novamente por esse mesmo sorotipo. No entanto, a reintrodução de um novo sorotipo cria um cenário diferente, levando todas as pessoas que tiveram dengue recentemente a uma nova vulnerabilidade. Isso frequentemente resulta em um aumento considerável nos casos, pois mais pessoas se tornam suscetíveis à infecção", explicou a infectologista e patologista clínica da SBPC/ML. 

Importante salientar que um segundo episódio de dengue pode ser mais grave do que o primeiro devido a mecanismos imunológicos específicos da doença. "Essa peculiaridade ressalta a importância de medidas preventivas e do acompanhamento médico adequado para casos de dengue, especialmente diante da circulação de novos sorotipos", relatou Carolina.
 

Diagnóstico rápido e preciso 

Com o aumento de casos de arboviroses - dengue, chikungunya e zika - e, principalmente, o retorno de um novo sorotipo de dengue, é fundamental realizar exames diagnósticos para identificar a presença do vírus quando as pessoas apresentam os sintomas típicos, como febre, dor no corpo e manchas vermelhas.

“O Brasil tem sido vítima de uma série adicional de infecções causadas por vírus que nos são transmitidos pela picada de mosquitos. Mas a boa notícia é que os laboratórios de Patologia Clínica e a indústria do setor possuem hoje uma série de testes capazes de identificar qual vírus está infectando a pessoa e de forma mais rápida. Assim, auxiliam no tratamento dos pacientes, com a escolha certa do tratamento e contribuem para o registro de casos, ampliando -se o conhecimento da epidemiologia das doenças e consequentemente, a melhor forma de prevenção”, pontua o médico Celso Granato, infectologista pela Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) e especialista e membro da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica / Medicina Laboratorial (SBPC/ML).

Sintomaticamente, as infecções agudas por zika, dengue e chikungunya são muito semelhantes e não é confiável o diagnóstico destas doenças apenas pelo quadro clínico. “É necessário fazer exames etiológicos, em particular, a RT-PCR na fase aguda da doença ou através da detecção do antígeno viral, no caso da dengue’, explica.

Normalmente, os testes existentes detectavam a presença do vírus no organismo a partir do 4ª dia de sintoma, quando apareciam os anticorpos, substâncias produzidas pelo próprio organismo para combater a infecção. Mas os testes de antígenos disponíveis hoje conseguem o diagnóstico muitas vezes a partir do primeiro dia da infecção, por conta de glicoproteínas que estão sendo utilizadas para a replicação dos vírus e já podem ser encontradas com antecedência no sangue. Já os testes de PCR são os mais precisos, mas por serem mais caros, nem sempre são a primeira opção.


Em menor ou maior escala, estão disponíveis à disposição dos clínicos e da população, os seguintes testes:

- Febre amarela - sorologia (IgG e IgM) e teste molecular (PCR) - está disponível na maior parte das regiões em laboratórios públicos de referência, mas em alguns estados em laboratórios privados;

- Dengue - Teste para antígeno viral NS1 (antes do 5º dia) e sorologia IgG / IgM (após o 6º dia de sintomas). O teste molecular - RT PCR detecta o RNA viral e caracteriza a presença dos quatro tipos do vírus (1, 2, 3 e 4) no período sintomático da infecção até o 5º dia. A detecção do RNA viral geralmente precede à produção de anticorpos específicos, e mesmo à detecção do antígeno NS1. É o único exame que identifica o vírus e que não sofre alteração caso o paciente tenha tido alguma infecção anterior por outro sorotipo. É importante fazer uma leitura precisa do resultado, já que o RNA viral pode se tornar negativo após alguns dias de sintoma. Portanto, o RT PCR não é em geral o exame de primeira escolha para casos com mais de uma semana de sintomas;

- Chikungunya - O teste molecular RT PCR pode ser realizado a partir do primeiro dia da doença e permanece positivo nos primeiros oito dias da doença. A sorologia IgG/IgM deve ser realizada a partir do 4º dia do início dos sintomas;

- Zika -Teste molecular - em amostras de sangue (1º e 5º dia) e urina (1º e 8º dia) do início dos sintomas, após este período por sorologia IgM e IgG. 

Os testes moleculares do tipo RT PCR são mais diretos e evitam o “falso-positivo” dos testes rápidos (Imunocromotografia), além de não sofrerem reações cruzadas com outros vírus da mesma família. "Existem exames de RT-PCR que fazem a detecção destes três agentes de uma só vez que podem ser uma boa opção para casos em que não haja nenhuma suspeita epidemiológica, ou seja, não há muitos casos de um mesmo tipo de infecção na região e não fica uma “dica” da possível infecção”, finaliza o patologista clínico, Dr. João Renato Rebello Pinho.

 

SBPC/ML - Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial

 

Nova onda de calor e os cuidados com a saúde

Especialista da Klini Saúde revela os bastidores do cenário, das tecnologias aos perigos dos excessos


O ano de 2023 tem sido marcado por recordes de calor em todo o mundo, e as previsões para 2024 indicam que podemos enfrentar temperaturas ainda mais elevadas. Em meio a essa onda de calor, é essencial compreender os riscos associados e adotar medidas preventivas para proteger a saúde, especialmente de crianças e idosos. Matheus Serra Marschhausen, coordenador médico da Medicina Preventiva da Klini Saúde, compartilha insights valiosos sobre os impactos do calor extremo e oferece conselhos práticos para enfrentar essa realidade.

 

Hidratação em foco: 

O calor excessivo pode desencadear desidratação, um problema sério que tem aumentado e muitos nos hospitais. "Com as altas temperaturas, o corpo perde mais líquidos através do suor, e é crucial manter-se hidratado. A desidratação pode causar desde tonturas e fadiga até complicações mais graves, como insolação. Temos visto um aumento considerável de casos de desidratação nos hospitais que são confundidos com outras enfermidades”, destaca o especialista que lembra que crianças e idosos são mais suscetíveis aos efeitos adversos do calor e, por isso, é importante monitorar de perto esses grupos. 

"Eles têm mais dificuldade em regular a temperatura corporal, tornando-os propensos a insolação e exaustão pelo calor. Os pequenos ainda estão desenvolvendo seus mecanismos de controle térmico, enquanto os idosos podem ter uma capacidade reduzida de enfrentar as demandas do calor. Vigilância constante é a chave. Mantê-los hidratados é essencial, além de evitar a exposição prolongada ao sol. Água é vida, não adianta beber só suco, refrigerante e outros líquidos, é essencial uma ingestão considerável de água."

 

Riscos e quando procurar ajuda médica: 

Os sinais de problemas relacionados ao calor e que são motivos de alerta incluem náuseas, confusão, pele seca e vermelhidão. "Se você ou alguém ao seu redor apresentar esses sintomas, é fundamental procurar ajuda médica imediatamente. A insolação e a desidratação podem evoluir rapidamente e requerem intervenção médica."

 

Cinco dicas para enfrentar o calor com saúde:

Matheus Serra Marschhausen, coordenador médico da Medicina Preventiva, da Klini Saúde, reforça que não é para deixar de curtir o sol, pode-se ir à praia, brincar na piscina, estar com amigos e família neste verão, mas é importante tomar alguns cuidados. Para te ajudar a aproveitar o calor e o sol com saúde, o especialista compartilha cinco dicas!
 

Hidratação:

"Beba água regularmente, mesmo se não sentir sede. Evite bebidas alcoólicas, refrigerantes e cafeína, que podem contribuir para a desidratação. Se for beber, intercale com água e, claro, não dirija."
 

Proteção Solar:

"Use protetor solar e roupas leves para proteger sua pele dos raios solares. Evite exposição direta ao sol nas horas mais quentes do dia."
 

Ambientes climatizados:

"Procure locais climatizados, como shoppings ou bibliotecas, para se refrescar. Se não tiver acesso a um ambiente fresco, use ventiladores e tome banhos frios."
 

Atenção especial a crianças e idosos:

"Mantenha os pequenos e idosos em ambientes frescos, ofereça líquidos regularmente e evite atividades ao ar livre nas horas mais quentes."
 

Alimentação leve e balanceada:

"Opte por refeições leves e ricas em água, como frutas e vegetais. Evite alimentos pesados, que podem aumentar a sensação de calor."

"O calor intenso requer atenção redobrada à saúde. Com cuidados preventivos e atenção aos sinais do corpo, podemos enfrentar as altas temperaturas de forma segura e saudável, desfrutando do verão sem comprometer nosso bem-estar.", encerra Matheus Serra Marschhausen, coordenador médico da Medicina Preventiva, da Klini Saúde.
 



Klini Saúde

Estudo nacional indica alta prevalência de HPV anal em populações vulneráveis

 Pesquisa liderada pelo Hospital Moinhos de Vento, via Proadi-SUS, apresenta resultados finais

 

Mais de 60% de populações consideradas de alto risco, como profissionais do sexo e homens que têm relações sexuais com homens, têm infecção genital pelo papilomavírus humano (HPV), revelou o estudo SMESH. Os índices são ainda mais altos quando considerada a infecção anal, superando os 70% em ambos grupos. Os dados foram divulgados na manhã desta sexta- feira (24), em Porto Alegre. 

O Hospital Moinhos de Vento lidera o projeto desenvolvido por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS). O estudo buscou mensurar a contaminação por HPV em homens que fazem sexo com homens e profissionais do sexo. 

Entre os homens que fazem sexo com homens, a prevalência de HPV genital geral foi de 49,7%. Desse total, aquelas infecções que apresentam alto risco para desenvolvimento de câncer chegaram a 37,5%. Para HPV oral, o índice geral foi de 8,8%, enquanto o de alto risco para desenvolvimento de câncer de cabeça e pescoço atingiu 7,4%. 

O pior cenário foi o de HPV anal, com 75,1% do geral e 64,7% no de alto risco. “Esse dado aqui talvez seja o dado mais preocupante”, sublinhou Eliana Wendland, coordenadora principal do projeto e médica epidemiologista do Hospital Moinhos de Vento. 

HPV Genital

HPV Oral

HPV Anal

Geral

49,7%

Geral

8,8%

Geral

75,1%

Alto risco

37,5%

Alto risco

7,4%

Alto risco

64,7%

 

O recorte por regiões do país aponta que a prevalência da doença é estatisticamente maior no Norte (51,1%) e no Centro-Oeste (47,1%). “Tanto o HPV oral como o anal não foram, estatisticamente, diferentes entre as regiões, pois todas as taxas foram muito altas”, pontuou a pesquisadora. 

Nesse grupo, 23,2% dos participantes convivem com Vírus da Imunodeficiência Adquirida (HIV), e apenas 11,5% foram vacinados contra o HPV, índice muito baixo considerando que homens até 45 anos com HIV podem se imunizar na rede pública. O agravante, nesse caso, é que 72,8% desses homens com HIV também têm HPV de alto risco. 

Ao todo, foram incluídos 1.371 participantes homens que fazem sexo com homens dos quais 78,5% se declararam como homossexual, 19,9% se disseram bissexual e 1,6% se definiram como heterossexual.
 

HPV anal é alarmante entre os profissionais do sexo 

Outro braço do SMESH avaliou a prevalência de HPV em 933 trabalhadores do sexo, dos quais 81% eram mulheres e 19% homens. Nesse público, a prevalência geral de HPV genital foi de 60,1% (64,6% entre as mulheres e 40% entre os homens). A infecção anal teve total de 73% (72,6% no sexo feminino e 74,4% no masculino) e a oral de 9,7% (8,2% entre as mulheres e 15,9% nos homens). 

“O percentual de HPV anal é altíssimo em todos os sexos. O oral é bem expressivo, especialmente entre os homens, que têm quase o dobro do que vimos entre homens que fazem sexo com homens. No genital há uma inversão, com volume mais altos entre as mulheres”, destaca Eliana. 

HPV Genital

HPV Oral

HPV Anal

Geral

60,1%

Geral

9,7%

Geral

73%

Homens

40%

Homens

15,9%

Homens

74,4%

Mulheres

64,6%

Mulheres

8,2%

Mulheres

72,6%









Em contrapartida, esse grupo registrou baixa infecção por HIV, com apenas 5,5% dos participantes vivendo com o vírus, além de um índice maior de vacinação contra HPV, chegando a 21,7%. A análise por regiões destacou a maior prevalência de HPV oral no Centro-Oeste (17,2% contra 3,3% do Norte). 

“Tanto no POP como no SMESH, o ponto de partida foi o HPV, mas foi-se acrescentando outras infecções sexualmente transmissíveis (IST), cujas quais necessitamos fortalecer o acesso à informação. Esses projetos contribuem para o controle e o desenvolvimento de políticas públicas”, falou Pâmela Cristina Gaspar, coordenadora-geral de Vigilância das Infecções Sexualmente Transmissíveis do Ministério da Saúde.

 

Sobre o HPV 

O HPV é um grupo de mais de 150 vírus relacionados, dos quais pelo menos 13 são considerados oncogênicos — ou seja, com predisposição para formação de câncer. A doença tem grande capilaridade da população brasileira – no entanto, há grupos de alto risco para a contaminação. 

Atualmente, o câncer do colo do útero é o quarto mais frequente em mulheres em todo o mundo, mas há evidências crescentes de que o HPV é um fator de risco em outros cânceres anogenitais (ânus, vulva, vagina e pênis).
 

Método 

Profissionais de saúde treinados coletaram os dados utilizando a metodologia de recrutamento Respondent-Driven Sampling (RDS). A RDS se baseia no método de amostragem bola de neve e utiliza-se de um modelo matemático que pondera os indivíduos da amostra conforme seu grau de relações sociais.

 

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