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sexta-feira, 15 de dezembro de 2023

Estudo nacional indica alta prevalência de HPV anal em populações vulneráveis

 Pesquisa liderada pelo Hospital Moinhos de Vento, via Proadi-SUS, apresenta resultados finais

 

Mais de 60% de populações consideradas de alto risco, como profissionais do sexo e homens que têm relações sexuais com homens, têm infecção genital pelo papilomavírus humano (HPV), revelou o estudo SMESH. Os índices são ainda mais altos quando considerada a infecção anal, superando os 70% em ambos grupos. Os dados foram divulgados na manhã desta sexta- feira (24), em Porto Alegre. 

O Hospital Moinhos de Vento lidera o projeto desenvolvido por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS). O estudo buscou mensurar a contaminação por HPV em homens que fazem sexo com homens e profissionais do sexo. 

Entre os homens que fazem sexo com homens, a prevalência de HPV genital geral foi de 49,7%. Desse total, aquelas infecções que apresentam alto risco para desenvolvimento de câncer chegaram a 37,5%. Para HPV oral, o índice geral foi de 8,8%, enquanto o de alto risco para desenvolvimento de câncer de cabeça e pescoço atingiu 7,4%. 

O pior cenário foi o de HPV anal, com 75,1% do geral e 64,7% no de alto risco. “Esse dado aqui talvez seja o dado mais preocupante”, sublinhou Eliana Wendland, coordenadora principal do projeto e médica epidemiologista do Hospital Moinhos de Vento. 

HPV Genital

HPV Oral

HPV Anal

Geral

49,7%

Geral

8,8%

Geral

75,1%

Alto risco

37,5%

Alto risco

7,4%

Alto risco

64,7%

 

O recorte por regiões do país aponta que a prevalência da doença é estatisticamente maior no Norte (51,1%) e no Centro-Oeste (47,1%). “Tanto o HPV oral como o anal não foram, estatisticamente, diferentes entre as regiões, pois todas as taxas foram muito altas”, pontuou a pesquisadora. 

Nesse grupo, 23,2% dos participantes convivem com Vírus da Imunodeficiência Adquirida (HIV), e apenas 11,5% foram vacinados contra o HPV, índice muito baixo considerando que homens até 45 anos com HIV podem se imunizar na rede pública. O agravante, nesse caso, é que 72,8% desses homens com HIV também têm HPV de alto risco. 

Ao todo, foram incluídos 1.371 participantes homens que fazem sexo com homens dos quais 78,5% se declararam como homossexual, 19,9% se disseram bissexual e 1,6% se definiram como heterossexual.
 

HPV anal é alarmante entre os profissionais do sexo 

Outro braço do SMESH avaliou a prevalência de HPV em 933 trabalhadores do sexo, dos quais 81% eram mulheres e 19% homens. Nesse público, a prevalência geral de HPV genital foi de 60,1% (64,6% entre as mulheres e 40% entre os homens). A infecção anal teve total de 73% (72,6% no sexo feminino e 74,4% no masculino) e a oral de 9,7% (8,2% entre as mulheres e 15,9% nos homens). 

“O percentual de HPV anal é altíssimo em todos os sexos. O oral é bem expressivo, especialmente entre os homens, que têm quase o dobro do que vimos entre homens que fazem sexo com homens. No genital há uma inversão, com volume mais altos entre as mulheres”, destaca Eliana. 

HPV Genital

HPV Oral

HPV Anal

Geral

60,1%

Geral

9,7%

Geral

73%

Homens

40%

Homens

15,9%

Homens

74,4%

Mulheres

64,6%

Mulheres

8,2%

Mulheres

72,6%









Em contrapartida, esse grupo registrou baixa infecção por HIV, com apenas 5,5% dos participantes vivendo com o vírus, além de um índice maior de vacinação contra HPV, chegando a 21,7%. A análise por regiões destacou a maior prevalência de HPV oral no Centro-Oeste (17,2% contra 3,3% do Norte). 

“Tanto no POP como no SMESH, o ponto de partida foi o HPV, mas foi-se acrescentando outras infecções sexualmente transmissíveis (IST), cujas quais necessitamos fortalecer o acesso à informação. Esses projetos contribuem para o controle e o desenvolvimento de políticas públicas”, falou Pâmela Cristina Gaspar, coordenadora-geral de Vigilância das Infecções Sexualmente Transmissíveis do Ministério da Saúde.

 

Sobre o HPV 

O HPV é um grupo de mais de 150 vírus relacionados, dos quais pelo menos 13 são considerados oncogênicos — ou seja, com predisposição para formação de câncer. A doença tem grande capilaridade da população brasileira – no entanto, há grupos de alto risco para a contaminação. 

Atualmente, o câncer do colo do útero é o quarto mais frequente em mulheres em todo o mundo, mas há evidências crescentes de que o HPV é um fator de risco em outros cânceres anogenitais (ânus, vulva, vagina e pênis).
 

Método 

Profissionais de saúde treinados coletaram os dados utilizando a metodologia de recrutamento Respondent-Driven Sampling (RDS). A RDS se baseia no método de amostragem bola de neve e utiliza-se de um modelo matemático que pondera os indivíduos da amostra conforme seu grau de relações sociais.

 

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