Muito embora as escolhas da cor e da denominação tenham chegado em 2014, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) volta os olhares mais atentamente à conscientização e ao combate do câncer de pele, no mínimo, desde 1999. Ou seja, há quase um quarto de século, o “Dezembro Laranja” é propagado em solo nacional com grande ênfase. E justifica-se: segundo a instituição, a patologia é a mais comum dentre os cânceres diagnosticados no país, representando 33%; quase um terço do total.
A opção por dezembro é em razão de o mês trazer consigo o verão, estação que pode gerar mais perigo à pele por ter dias “maiores”, com o sol nascendo mais cedo e se pondo mais tarde; um dos fatores preponderantes para o desenvolvimento da doença, oriunda do crescimento anormal e descontrolado das células que compõem a pele.
Os
tipos mais comuns são:
1.
Carcinoma basocelular (CBC): é o mais prevalente e surge com mais frequência em
regiões expostas ao sol, como face, couro cabeludo, orelhas, pescoço, ombros e
costas. Normalmente, apresenta-se como uma pápula vermelha, brilhosa, com uma
crosta central, que pode sangrar com facilidade. Tem baixa letalidade e a
detecção precoce é primordial para a cura;
2.
Carcinoma espinocelular (CEC): mais incidente em áreas comumente expostas ao
sol (orelhas, rosto, couro cabeludo e pescoço), pode se desenvolver em qualquer
parte do corpo. Como o CBC, também tem coloração avermelhada e pode se
assemelhar a verrugas ou feridas espessas e descamativas de difícil
cicatrização;
3.
Melanoma: embora seja o menos frequente entre os cânceres da pele, é o que traz
mais alto índice de mortalidade. Entretanto, as chances de cura superam 90% em
descobertas precoces. Sua aparência, costumeiramente, lembra uma pinta e tem
tons acastanhados ou enegrecidos, que mudam de cor, formato e/ou tamanho.
Apesar
de todos estarmos sujeitos ao aparecimento do câncer de pele, a atenção precisa
ser redobrada a pessoas com os fatores de risco vinculados à doença: histórico
pessoal ou familiar; ter mais de 65 anos de idade; já ter tido muitas
queimaduras de sol (daquelas que deixam a pele muito vermelha e ardendo); ter
muitas sardas e/ou pintas; e ter a pele muito clara, suscetível a queimaduras
de sol, mas que nunca se bronzeia.
Por isso, algumas ações pessoais podem ser preciosas na prevenção contra a doença, manchas e o envelhecimento precoce: aplique protetor solar FPS 30, ou maior, diariamente; use camiseta e chapéu (ou boné); quando for comprar óculos escuros, atente-se para que tenha proteção UV; evite o sol entre 9h e 15h; e, por último, mas não menos importante, consulte sempre um médico dermatologista associado da Sociedade Brasileira de Dermatologia.
É preciso consciência e tomar os cuidados necessários para juntos, literalmente, não sentirmos na pele os riscos e efeitos dessa doença.
Theodoro Habermann Neto (CRM 70488) - dermatologista do Vera Cruz Hospital
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