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terça-feira, 1 de setembro de 2026

Saúde Masculina e HPV: maioria dos casos de câncer de orofaringe afeta homens e reforça alerta para a prevenção

Classificada pelo INCA entre as mais frequentes no público masculino no Brasil, neoplasia de orofaringe exige atenção para a imunização contra o HPV e o autocuidado

 

A menor frequência em consultas preventivas é um dos principais desafios na promoção da saúde masculina, cenário que reforça um alerta sobre o impacto do Papilomavírus Humano (HPV) entre os homens. 

Longe de ser um problema restrito a mulheres, o vírus também pode estar associado ao desenvolvimento do câncer de orofaringe, que atinge regiões como as amígdalas, a base da língua e a garganta. No Brasil, dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam que os tumores de cavidade oral e orofaringe figuram entre os mais incidentes na população masculina, com mais de 70% dos diagnósticos concentrados nesse público.

Especialistas destacam que a alta prevalência entre os homens no país decorre de uma combinação de fatores de risco, como o consumo de tabaco e bebidas alcoólicas, somados à infecção persistente por sorotipos oncogênicos do HPV. Essa predominância reflete uma tendência observada também em levantamentos internacionais, a exemplo de análises baseadas no registro norte-americano Surveillance, Epidemiology, and End Results (SEER) e publicadas no periódico JAMA Network Open, que acompanham o crescimento da doença em homens ao longo das últimas décadas. 

Nos Estados Unidos, o câncer de orofaringe já se tornou a neoplasia associada ao HPV mais comum, superando o câncer do colo do útero. Embora a realidade epidemiológica norte-americana não possa ser transposta diretamente para o contexto brasileiro, o cenário reforça a urgência de ampliar as discussões sobre saúde do homem no Brasil, com atenção à vacinação e à identificação de sintomas persistentes.

Diferentemente do que ocorre com o câncer do colo do útero, que conta com estratégias de rastreamento específicas, não há, atualmente, testes ou programas de rastreamento populacional recomendados para detectar o HPV na cavidade oral ou na garganta. Por isso, a vacinação e a atenção a sintomas persistentes são medidas essenciais de prevenção e cuidado. 

“O HPV não deve ser tratado como um tema exclusivamente feminino. Embora muitas infecções desapareçam espontaneamente, a persistência de tipos de alto risco pode contribuir para o desenvolvimento de diversos tipos de neoplasias, como em pênis, ânus, e, mais comumente, na região da orofaringe.” destaca Dra. Laísa Silva, oncologista do CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”.

A especialista orienta que sejam observados sinais como dor de garganta persistente por mais de 15 dias, dificuldade ou dor para engolir, rouquidão contínua, dor de ouvido sem causa aparente e, principalmente, a presença de nódulos ou caroços palpáveis no pescoço, conhecidos como linfonodomegalia. 

“Esses sintomas não significam necessariamente a presença de um câncer, mas, quando persistem, não devem ser ignorados. A avaliação médica é importante para identificar a causa e iniciar o cuidado adequado o quanto antes”, enfatiza a especialista.
 

A importância da vacinação

A vacinação contra o HPV é uma das principais estratégias de prevenção e deve ocorrer preferencialmente na infância e na adolescência, antes do início da vida sexual. No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece gratuitamente a vacina quadrivalente em dose única para meninas e meninos de 9 a 14 anos.

Também existem esquemas diferenciados para grupos prioritários, como pessoas imunossuprimidas, pessoas vivendo com HIV, transplantados, pacientes oncológicos, vítimas de violência sexual, usuários de profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP) e pessoas com papilomatose respiratória recorrente. A indicação e o número de doses variam conforme a idade e a condição clínica.

“A vacinação na adolescência oferece uma oportunidade importante de proteção antes da exposição ao vírus. Por isso, é fundamental que pais e responsáveis mantenham a caderneta vacinal atualizada e que o tema seja tratado como parte da rotina de cuidados de meninos e meninas”, conclui a oncologista.


CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”
@cejamoficial


ASBAI lança plataforma Anafilaxia Brasil para ampliar a informação sobre reações alérgicas graves

A Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) lança a plataforma Anafilaxia Brasil, um serviço de informação voltado ao público para ampliar o conhecimento sobre a anafilaxia, a forma mais grave de reação alérgica. 

 

Disponível em asbai.org.br/anafilaxia-brasil, o site apresenta conteúdos educativos sobre a condição, seus possíveis desencadeadores e os sinais que exigem atendimento imediato. A iniciativa busca facilitar o acesso a informações confiáveis e contribuir para que pacientes, familiares e a população em geral saibam identificar uma possível emergência alérgica.

 

Adrenalina autoinjetável - Essa medicação é a única capaz de salvar a vida de uma pessoa com anafilaxia e deve ser aplicada assim que os sintomas surgirem. Após a aplicação, o paciente deve ser levado imediatamente a um serviço de emergência.

Infelizmente, o Brasil ainda não dispõe do dispositivo de adrenalina autoinjetável pela ausência de registro na Anvisa, sendo necessária sua importação.

 

“Para a ASBAI, ampliar o acesso à adrenalina autoinjetável é uma medida de segurança do paciente. Não basta saber que a adrenalina salva vidas: é preciso que o medicamento esteja efetivamente ao alcance da pessoa de risco quando a anafilaxia acontece”, enfatiza a presidente da ASBAI, Dra. Fátima Rodrigues Fernandes.

 

Dados da Anafilaxia - A ASBAI mantém um Registro Brasileiro de Anafilaxia para mapear as reações que acontecem no país. Na atualização mais recente, foram analisados 406 pacientes registrados entre junho de 2021 e fevereiro de 2026. Os principais desencadeantes foram alimentos, medicamentos e picadas de insetos como abelhas, formigas e vespas.

 

“Um dado importante é que 48,3%, quase metade, das reações ocorreu dentro de casa. Apesar de a adrenalina ser o tratamento de primeira escolha da anafilaxia, ela foi utilizada em aproximadamente 59% dos casos, enquanto anti-histamínicos e corticoides foram utilizados com muito mais frequência”, aponta a presidente da ASBAI. Apenas 28 (7%) dos 406 pacientes receberam adrenalina por autoinjetor.

 

Foram registrados ainda 17 casos de anafilaxia bifásica e duas mortes, ambas relacionadas a picadas de himenópteros; nenhum desses dois pacientes possuía autoinjetor de adrenalina. Para a ASBAI, esses dados mostram que ainda é preciso avançar no reconhecimento precoce da anafilaxia, na utilização adequada da adrenalina e no acesso da população brasileira ao tratamento de emergência.

 

“Por isso, o lançamento do site Anafilaxia Brasil representa um importante serviço de orientação à população. A informação pode ajudar a reconhecer rapidamente uma reação grave, entender seus possíveis desencadeadores e buscar atendimento adequado no momento certo, evitando desfechos trágicos”, comenta a Dra. Marisa Ribeiro, coordenadora do Departamento Científico de Anafilaxia da ASBAI.

 

O que é a anafilaxia? - A anafilaxia é uma resposta alérgica sistêmica que pode levar o paciente à morte se não houver intervenção a tempo. Alimentos, ferroadas de insetos, látex e medicamentos estão entre as principais causas da anafilaxia.

 

Os sintomas surgem rapidamente e envolvem diferentes sistemas do corpo ao mesmo tempo. Entre as manifestações possíveis estão alterações na pele e nas mucosas, como coceira, vermelhidão, manchas e inchaço no rosto, além de sintomas respiratórios, como sensação de sufocamento, tosse, chiado no peito, rouquidão e até parada respiratória.

 

O quadro também pode incluir náuseas, vômitos, cólicas e diarreia; queda acentuada da pressão arterial, desmaios e alterações nos batimentos cardíacos; além de tontura, confusão mental, crises convulsivas, sensação de morte iminente e outros sinais de alarme.




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Mês de Conscientização da Esclerose Múltipla: pesquisa inédita aponta que maior desafio do paciente é a perda invisível de autonomia ao longo da jornada

Levantamento mostra que o impacto da esclerose múltipla vai além dos sintomas clínicos e afeta mobilidade, trabalho, rotina e capacidade de manter uma vida independente

 

Para quem convive com a esclerose múltipla (EM), o maior desafio nem sempre é visível. Ele aparece quando tarefas simples passam a exigir planejamento, quando o medo da progressão da doença interfere nas decisões pessoais e profissionais ou quando barreiras para acessar o tratamento obrigam o paciente a reorganizar a própria vida. É essa perda gradual de autonomia que emerge como um dos principais impactos da doença em uma pesquisa inédita sobre a jornada das pessoas com esclerose múltipla no Brasil, realizada pela HSR Health, empresa parte do HSR Specialist Researchers, maior grupo independente de pesquisa de mercado do país em parceria com a Roche Farma Brasil, com apoio da Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM).

 

Sete em cada dez pacientes vivem muito ou extremamente preocupados com a progressão da doença. Além disso, 41,2% afirmam ter deixado de realizar ou precisaram remarcar o tratamento por dificuldades de acesso, como burocracia dos planos de saúde ou falta de medicação. Os resultados revelam que o impacto da esclerose múltipla vai além das manifestações clínicas, comprometendo a continuidade do cuidado e diferentes aspectos da vida cotidiana. "Compreender a importância da perda gradual da autonomia no cotidiano de quem vive a doença é fundamental para que pacientes, profissionais de saúde e todo o ecossistema de cuidado consigam direcionar esforços para aquilo que realmente faz diferença na qualidade de vida. A pesquisa nos mostra que a esclerose tem impactos significativos não só na saúde física, mas também na saúde emocional e psicológica dos entrevistados”, afirma Brunno Mattos, sócio-diretor da HSR Health.

 

A esclerose múltipla é uma doença inflamatória crônica e autoimune do sistema nervoso central, na qual o sistema imunológico ataca a mielina, estrutura que reveste e protege as fibras nervosas, prejudicando a comunicação entre o cérebro e o restante do corpo. Acomete, principalmente adultos jovens em plena fase produtiva da vida. Entre os sintomas estão fadiga, alterações cognitivas e limitações motoras. Segundo a ABEM, cerca de 40 mil brasileiros convivem com a doença¹.

 

“A esclerose múltipla é mais comum em mulheres jovens, justamente em um momento muito importante da vida, quando estão formando uma família, construindo uma carreira e fazendo planos para o futuro. A doença pode evoluir ao longo do tempo, cada dia sem o diagnóstico correto e o início do tratamento pode comprometer funções como força, equilíbrio, visão, coordenação e memória. Hoje sabemos que o diagnóstico precoce e o tratamento adequado são as melhores formas de controlar a doença, reduzir o risco de incapacidade e preservar a qualidade de vida dos pacientes", alerta o neurologista Rodrigo Kleinpaul.

 

As dificuldades começam ainda antes do diagnóstico. Mais da metade dos entrevistados (56,8%) recebeu um diagnóstico incorreto antes da confirmação da esclerose múltipla. Além disso, 26,6% esperaram mais de cinco anos pelo diagnóstico definitivo e 14,1% levaram uma década ou mais entre os primeiros sintomas e a confirmação da doença, o que pode atrasar o início do tratamento e favorecer a progressão da incapacidade.

 

Mesmo após o diagnóstico, a rotina permanece marcada por obstáculos. A pesquisa mostra que 73,4% dos pacientes entrevistados deixaram de realizar atividades que gostariam por questões emocionais e 41,6% evitam encontros sociais com frequência. A doença também afeta a vida profissional: 72,8% relatam prejuízos na renda ou nas oportunidades de crescimento, enquanto 32,6% afirmam ter escondido o diagnóstico no ambiente de trabalho por medo de preconceito ou demissão. Além disso, 85,6% convivem com gastos mensais extras relacionados à doença.

 

Apesar desses desafios, os dados revelam que qualidade de vida para quem convive com a EM está diretamente ligada à mobilidade e à autonomia para manter a rotina (61%). Para alcançar essa independência, os pacientes elencam prioridades práticas muito claras: 46% focam no acesso ao tratamento e cuidado, 44% no controle de sintomas e estabilidade, 32% na mobilidade e capacidade física e 29% na autonomia e rotina. No fim do dia, mais do que uma ideia abstrata de bem-estar, a busca é por preservar o trabalho, o convívio familiar e a capacidade de tomar as próprias decisões.

 

"Os resultados desse levantamento nos dão um alerta claro: tratar a esclerose múltipla vai muito além de controlar sintomas em consultório. Precisamos ouvir atentamente o paciente para entender suas maiores preocupações e encontrar caminhos de cuidado que respeitem seu estilo de vida e suas demandas clínicas. É essa escuta que nos permite reduzir o fardo associado à doença, unindo o ecossistema de saúde em torno do que realmente importa: devolver ao paciente sua autonomia e o controle da própria rotina”, comenta Michelle Fabiani, diretora médica da Roche.

  



Referências:

Filippi, M., Bar-Or, A., Piehl, F. et al. Multiple sclerosis. Nat Rev Dis Primers 4, 43 (2018)

 


Surto de sarampo ameaça ambiente de trabalho: empresas estão preparadas para proteger colaboradores e evitar paralisia operacional?

Com alta taxa de contágio e pico de casos na faixa dos 20 aos 50 anos, reemergência do vírus coloca o setor corporativo no centro do combate à doença; Dr. Claudio Tafla reforça o papel estratégico da gestão preventiva de benefícios em saúde.

 

A confirmação recente de novos casos e o alerta de surto ativo de sarampo emitidos pelo Ministério da Saúde e pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) recolocam em pauta uma das doenças infecciosas de maior poder de transmissão conhecidas. No entanto, além do alerta sanitário, o cenário atual acende um sinal vermelho direto para o setor corporativo: a infecção tem atingido de forma predominante bebês e adultos na faixa entre 20 e 50 anos — a fatia mais expressiva da população economicamente ativa. 

Durante a fase de contágio, uma única pessoa infectada pode transmitir o vírus para até 90% das pessoas não imunizadas ao seu redor, espalhando o patógeno no ar ou por contato com superfícies. Em ambientes de trabalho com escritórios integrados, reuniões presenciais e circulação constante, essa capacidade de disseminação coloca as empresas diante do risco iminente de surtos internos, afastamentos em massa e prejuízos operacionais. 

"O sarampo está dentro daquelas doenças que tínhamos todas as condições de erradicar totalmente por influência de uma vacinação muito eficiente, mas que, por diversas questões, perdemos o jogo. E isso é muito duro e difícil de admitir", alerta o médico Dr. Cláudio Tafla, superintendente de Gestão de Saúde da Alper Seguros. "Em um ambiente de trabalho, o vírus pode se espalhar com uma rapidez devastadora. A pergunta que toda liderança deve se fazer hoje é: nossa empresa está pronta para lidar com a reemergência de uma doença tão contagiosa?"
 

Gestão preventiva: o papel estratégico do RH e dos benefícios em saúde

Para o especialista, o enfrentamento ao sarampo no ambiente corporativo vai além de gerenciar atestados e adaptar escalas. Trata-se de uma pauta de sustentabilidade dos negócios e de responsabilidade com a saúde coletiva. 

"Quando o surto atinge a faixa etária dos colaboradores, a saúde do trabalhador e a continuidade da operação passam a depender diretamente da prevenção. O papel das organizações vai muito além de arcar com os custos de sinistralidade do plano de saúde; é preciso atuar de forma proativa", destaca o Dr. Claudio Tafla. "Investir em campanhas internas de conscientização, checagem e incentivo à atualização da carteira vacinal dos funcionários é uma medida de gestão inteligente de benefícios. É assim que a empresa protege seu maior patrimônio — as pessoas — e previne paralisias operacionais graves."
 

Sinais de alerta e gravidade: como identificar a doença

Diferente de síndromes virais comuns e de menor gravidade, o sarampo se destaca pelo alto grau de contágio e pela capacidade de desencadear quadros severos, com risco real de mortalidade e complicações sérias, como a pneumonia.

Os primeiros sintomas da infecção podem ser facilmente confundidos com um quadro gripal rotineiro, apresentando febre de início rápido e persistente, prostração, tosse contínua, coriza e perda de apetite. Contudo, a presença de sinais específicos serve como divisor de águas para a suspeita diagnóstica imediata: 

Manchas de Koplik: Pequenos pontos brancos na mucosa interna da bochecha, que surgem antes das marcas na pele.

Exantema: Entre o terceiro e o quinto dia de evolução, aparecem as erupções avermelhadas na pele, que costumam começar atrás das orelhas antes de se espalharem pelo corpo.

"Caso a febre seja controlada e os sintomas regridam em 7 a 10 dias, a evolução costuma ser favorável. Mas se a febre persistir intensa, a tosse ficar mais forte e gerar cansaço ou queda do estado geral, deve-se procurar atendimento médico imediatamente", orienta o especialista da Alper Seguros.
 

Esquema vacinal e a recomendação da "Dose Zero"

A principal e mais eficaz forma de conter o avanço da doença no país permanece sendo a imunização. Diante do surto em curso, as autoridades de saúde passaram a recomendar a "dose zero" da vacina tríplice viral para bebês de 6 meses a 11 meses e 29 dias residentes ou em trânsito por áreas de circulação do vírus. Trata-se de uma dose antecipada de proteção emergencial, que não substitui o calendário regular. 

Para garantir a imunidade individual e coletiva — inclusive no ambiente corporativo —, o médico reforça o esquema vacinal oficial recomendado pelo Ministério da Saúde:

Crianças aos 12 meses: 1ª dose regular com a vacina Tríplice Viral (sarampo, caxumba e rubéola).

Crianças aos 15 meses: 2ª dose com a vacina Tetra Viral (que inclui também a varicela) ou Tríplice Viral.

Jovens e Adultos (5 a 29 anos): Duas doses registradas na carteira de vacinação, com intervalo mínimo de 30 dias entre elas.

Adultos (30 a 59 anos): Pelo menos uma dose comprovada e registrada da vacina.

Trabalhadores da Saúde: Duas doses registradas, independentemente da idade.

Observação/Contraindicação: A vacina é produzida com vírus vivo atenuado e não deve ser aplicada em gestantes ou em pessoas imunodeprimidas.
 

Dúvidas sobre a carteira de vacinação e cuidados de rotina

Uma incerteza frequente entre profissionais adultos é a perda do comprovante de vacinação ou o esquecimento de ter tomado as doses na infância. O Dr. Claudio Tafla esclarece que a revacinação em caso de dúvida é a conduta mais indicada e segura.

"Se você tem dúvida se tomou ou não a vacina, não existe risco grave ou doença por 'excesso' ao tomar uma nova dose da vacina contra o sarampo. O máximo que pode acontecer são reações normais e leves, como dor no local da aplicação, febre baixa ou vermelhidão passageira", acalma o médico.

Além da vacinação, que deve ser atualizada com antecedência mínima de 15 dias antes de viagens ou eventos com grande aglomeração de pessoas, medidas gerais de higiene preventiva auxiliam no combate ao vírus. A higienização constante das mãos com água e sabão ou álcool em gel, o não compartilhamento de copos e talheres, o hábito de evitar levar as mãos ao rosto e o uso de máscaras faciais caso surjam sintomas respiratórios são condutas indispensáveis tanto no dia a dia familiar quanto dentro das empresas.
 

Serviço: A vacina Tríplice Viral está disponível gratuitamente em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS) do Sistema Único de Saúde (SUS). Em caso de suspeita ou agravamento dos sintomas, procure orientação médica imediata.


Disbiose: o que há por trás do diagnóstico que voltou aos holofotes

Com a microbiota intestinal em alta nas redes sociais, Dr. Rodolfo Gusmão, médico integrativo e CEO do Instituto Aeon, explica o que a ciência já comprovou sobre a disbiose

 

Barriga estufada, gases, fadiga constante, acne, dificuldade para perder peso, alterações de humor e até compulsão alimentar. Nos últimos meses, a palavra "disbiose" virou praticamente sinônimo de qualquer desconforto do corpo, repetida em vídeos curtos como explicação quase automática para sintomas que, até pouco tempo atrás, ninguém associava ao intestino. O termo existe, tem respaldo científico e descreve um desequilíbrio real na microbiota intestinal. O problema é o uso que se faz dele. 

Um caso recente ajudou a colocar o tema em evidência. A influenciadora Viih Tube contou publicamente que passou por um exame de microbiota intestinal como parte do acompanhamento que fez antes de emagrecer, e que o resultado apontou um quadro de disbiose, levando a equipe responsável a priorizar o equilíbrio intestinal antes de qualquer outra mudança na alimentação. O relato ilustra bem os dois lados da história: a microbiota pode, sim, influenciar o processo de emagrecimento e o bem-estar geral, mas isso não significa que todo sintoma parecido tenha a mesma origem ou peça o mesmo tratamento.
 

O que a ciência já confirma sobre a microbiota 

A microbiota intestinal é formada por trilhões de microrganismos, entre bactérias, fungos e vírus, que vivem naturalmente no intestino e participam de funções que vão muito além da digestão, incluindo a modulação do sistema imunológico e a produção de neurotransmissores ligados ao humor. Quando esse equilíbrio é rompido, com redução da diversidade microbiana e crescimento excessivo de microrganismos oportunistas, o corpo pode de fato apresentar sinais como inchaço, alteração no trânsito intestinal e cansaço. 

"A microbiota realmente participa de praticamente tudo o que acontece no organismo, da digestão à imunidade, passando pelo humor. Isso é ciência consolidada. O problema é quando qualquer sintoma isolado passa a ser tratado como prova automática de disbiose, sem nenhuma investigação por trás", explica o Dr. Rodolfo Gusmão, médico integrativo e CEO do Instituto Aeon.
 

Quando o autodiagnóstico vira o problema 

Para o médico, o maior risco da onda em torno da disbiose não é falar sobre saúde intestinal, e sim tratar um vídeo de poucos segundos como se fosse um exame. "Ver alguém se identificar com sintomas nas redes sociais e sair comprando probiótico ou cortando grupos inteiros de alimentos por conta própria é o cenário que mais me preocupa. Isso pode mascarar outras condições que precisam ser investigadas e atrasar um diagnóstico que, muitas vezes, é bem mais simples do que parece", afirma. 

O Dr. Rodolfo reforça que sintomas persistentes, aqueles que se repetem por semanas e não apenas em dias isolados de má digestão, merecem avaliação profissional, incluindo exames complementares quando há indicação clínica. Já sintomas ocasionais, ligados a uma refeição pesada ou a uma noite maldormida, não precisam necessariamente de rótulo. "Nem todo desconforto pede um diagnóstico. Às vezes o corpo só está reagindo a um dia ruim de sono ou de alimentação, e isso não é disbiose, é o organismo respondendo a um estresse pontual", pontua.
 

Individualização como caminho 

O que muda, segundo o especialista, é a forma de investigar quando o sintoma é persistente. Testes genéticos e análises de microbiota, cada vez mais acessíveis, ajudam a entender características metabólicas e o comportamento intestinal de cada paciente, mas funcionam como ferramentas de apoio, não como veredito. "Os exames não determinam se alguém tem disbiose de forma isolada. Eles oferecem informações que, combinadas ao histórico clínico e aos hábitos de vida, ajudam a construir um diagnóstico e um plano muito mais precisos do que qualquer autoavaliação feita em casa", diz o Dr. Rodolfo. 

Ele lembra ainda que hábitos simples seguem sendo a base de uma microbiota equilibrada: alimentação rica em fibras, frutas, verduras e grãos integrais, prática regular de atividade física, sono adequado e redução do consumo de ultraprocessados. "Não existe alimento ou suplemento milagroso capaz de resolver sozinho qualquer alteração intestinal. O intestino responde ao conjunto dos hábitos, não a uma solução isolada, e é exatamente esse olhar integrado que buscamos oferecer no Instituto Aeon", conclui o médico.

 

Antes do período de maior circulação do Aedes, médico explica por que a prevenção começa agora

Reprodução Internet

Dr. Mario Ferretti, líder médico na Alice, lista cinco medidas de prevenção e explica o que muda com a chegada da vacina de dose única contra a dengue

 

- Em 2024, o Brasil registrou 6,5 milhões de casos prováveis de dengue, quatro vezes mais do que no ano anterior. Em 2025, o número caiu para 1,6 milhão até meados de novembro, segundo o Ministério da Saúde. A oscilação é a característica mais previsível das arboviroses no país, e o momento de agir é o vale, não o pico. O fim do inverno marca a virada para o período de maior circulação do Aedes aegypti, que se estende até o outono seguinte. A diferença em relação aos ciclos anteriores é que o país entra nesta temporada com mais proteção disponível.  

O Brasil foi o primeiro do mundo a oferecer vacina contra a dengue gratuitamente na rede pública, em dezembro de 2023. Desde janeiro de 2026, o SUS aplica também a Butantan-DV, primeira vacina de dose única contra a dengue do mundo, aprovada para pessoas de 12 a 59 anos. O imunizante demonstrou 74,7% de eficácia contra casos sintomáticos e mais de 90% de proteção contra as formas graves da doença. O público-alvo vem sendo ampliado de forma progressiva desde o início da campanha, a partir dos trabalhadores da atenção primária. 

A vacina, porém, é uma camada de proteção e não a única contra todas as doenças. Não há imunizante disponível contra chikungunya ou Zika no país, e as três arboviroses são transmitidas pelo mesmo mosquito. O controle de criadouros segue sendo a medida que protege contra todas ao mesmo tempo. 

Para Mario Ferretti, líder médico na Alice, o erro mais comum é tratar prevenção como resposta a um surto. "A gente só fala de dengue quando o caso já está na porta do pronto-socorro. Mas o mosquito que vai causar a epidemia de fevereiro está se reproduzindo agora, num prato de planta que ninguém olhou. Prevenção de arbovirose é uma rotina de meses, não uma reação de semanas", complementa.

 

Cinco medidas de prevenção contra as arboviroses 

1.   Eliminar criadouros com regularidade: água parada em pratos de vaso, pneus, calhas, ralos, garrafas e caixas d'água mal vedadas favorece a reprodução do Aedes aegypti. A verificação precisa ser semanal, não sazonal.

2.   Verificar se você está no grupo indicado para a vacina: o SUS trabalha hoje com dois imunizantes contra a dengue, com faixas etárias e critérios distintos, e nenhum deles cobre toda a população. Há contraindicações específicas para gestantes, lactantes e pessoas a partir de 60 anos. A orientação é confirmar a elegibilidade com um profissional de saúde em vez de presumir.

3.   Reduzir a exposição a picadas: repelentes registrados na Anvisa, roupas que cubram braços e pernas e telas em portas e janelas diminuem o contato com o mosquito. O Aedes tem hábitos diurnos, o que muda a lógica de proteção em relação a outros mosquitos.

4.   Reconhecer os sinais de cada doença: dengue costuma se manifestar com febre alta, dor no corpo, dor atrás dos olhos e manchas na pele; chikungunya se destaca pelas dores articulares intensas, que podem persistir por meses; Zika costuma ter quadro mais brando, mas exige atenção especial na gestação.

5.   Não se automedicar: diante da suspeita de arbovirose, alguns medicamentos comuns podem aumentar o risco de sangramento e complicações. A avaliação profissional antes de qualquer remédio é parte do cuidado, não excesso de zelo. 

Ferretti destaca que o acompanhamento continuado muda o desfecho dos casos graves. "A maior parte dos casos de dengue evolui bem. O que separa um quadro que se resolve em casa de um que interna é o momento em que a pessoa é avaliada e a atenção aos sinais de alarme, então, ter alguém que conhece seu histórico e está acessível quando a febre aparece, encurta esse tempo", finaliza.

 

Artrite reumatoide: uma vida sem dor é possível?

  Reumatologista do Hospital São José explica como o tratamento adequado pode frear a progressão da doença


A artrite reumatoide atinge mais de 2 milhões de pessoas no Brasil, afetando duas vezes mais as mulheres do que os homens. A doença é autoimune, inflamatória e crônica, e ataca principalmente as articulações. Nesse quadro, o sistema imunológico agride as estruturas do próprio organismo, causando inflamação e, por isso, os pacientes costumam sentir dores extremas nos pés e nas mãos.
 

A sua origem envolve a predisposição genética associada a fatores ambientais e de estilo de vida, como o tabagismo. De acordo com a Dra. Maria da Gloria Barros, reumatologista do Hospital São José, o diagnóstico precoce é muito importante para o tratamento. “Existe uma janela de oportunidade fundamental nos primeiros meses da doença. Os sintomas iniciais incluem dor, inchaço e rigidez nas mãos e nos punhos e dificuldade para movimentá-los ao acordar”, explica.

 Ainda não há cura definitiva, mas é possível alcançar uma estabilização do quadro, mantendo a doença praticamente sem atividade. Isso acontece por meio de medicamentos que controlam a inflamação e impedem a progressão da doença, como metotrexato, imunobiológicos e terapias-alvo. “Todo medicamento pode causar efeitos adversos, mas os tratamentos atuais são seguros quando bem indicados e monitorados. Para isso, realizamos exames antes e durante o tratamento”, comenta a médica. 

Para a reumatologista, é importante lembrar que uma artrite reumatoide ativa e não tratada também gera riscos significativos para a saúde. A inflamação persistente pode provocar erosões ósseas, deformidades e perda de função e, em alguns casos, pode comprometer os pulmões, olhos, pele, vasos e sistema cardiovascular. Muitas vezes, essas consequências são irreversíveis. Diante disso, é fundamental começar o tratamento o quanto antes. 

Além da medicação, o paciente precisa parar de fumar, caso seja fumante, e cuidar dos fatores de risco cardiovascular para prevenir complicações. O exercício físico também é um pilar essencial do tratamento, ajudando a preservar a força muscular, a mobilidade e o condicionamento e melhorando a fadiga, o sono e a qualidade de vida como um todo. Nos períodos de maior inflamação do corpo, a atividade precisa ser adaptada para não piorar o estado do paciente.  

Segundo a Dra. Maria da Glória, ter um diagnóstico de artrite reumatoide não significa passar a vida sofrendo de dores extremas sem perspectiva de melhora. Com diagnóstico precoce e tratamento adequado, muitos pacientes alcançam o controle ou a baixa atividade da doença e seguem com uma vida ativa e com qualidade — incluindo os casos difíceis, que exigem mais ajustes no tratamento ao longo do caminho. “Com acompanhamento regular do reumatologista, adesão ao tratamento, atividade física, cuidado com o emocional e hábitos de vida saudáveis, o controle da doença se torna cada vez mais possível”.


Festivais na gravidez: quais cuidados a gestante deve ter para aproveitar shows com segurança

Calor, desidratação, aglomeração, longos períodos em pé e exposição a doenças respiratórias estão entre os principais fatores de atenção para gestantes que pretendem participar de grandes eventos

 

A temporada de festivais e grandes shows movimenta a agenda cultural, mas também traz uma dúvida comum para quem está grávida: é possível aproveitar o evento sem colocar a gestação em risco? Em geral, uma gravidez de baixo risco não impede a participação em atividades de lazer. O cuidado está em adaptar a experiência às condições da gestação e evitar situações que possam favorecer mal-estar, desidratação, quedas, traumas ou infecções. 

“Não existe uma recomendação geral para que a gestante deixe de frequentar festivais. O que precisamos avaliar é se há alguma condição obstétrica que exija restrição e, a partir daí, adaptar o programa para que seja confortável e seguro”, explica a Dra. Isabel Botelho, obstetra do Grupo Santa Joana. 

Um dos principais pontos de atenção é o calor. Festivais podem significar várias horas ao ar livre, exposição ao sol e dificuldade para encontrar locais de descanso. Durante a gestação, a hidratação ganha ainda mais importância. Beber água regularmente, procurar ambientes mais frescos e evitar exposição prolongada ao sol são medidas simples que ajudam a reduzir o risco de desidratação, queda da pressão arterial e mal-estar. 

“Em ambientes quentes e com pouca hidratação, a gestante pode apresentar hipotensão, tontura e até desmaio. Por isso, é importante fazer pausas, procurar locais mais frescos e manter uma boa ingestão de líquidos ao longo do evento”, orienta a médica. 

Outro fator é o tempo em pé. Não é necessário acompanhar o ritmo das outras pessoas durante todo o evento. Alternar momentos em pé com períodos sentada e fazer pausas ao longo do dia pode tornar a experiência mais confortável. Em eventos mais longos, o uso de meias elásticas ou de compressão pode ser uma estratégia para melhorar o conforto e auxiliar na circulação das pernas, especialmente para gestantes que permanecem muitas horas em pé.

 

Aglomeração merece atenção 

Em áreas de grande concentração de público, aumentam as chances de empurrões, esbarrões, quedas e traumas abdominais. Por isso, a recomendação é evitar os pontos de maior aglomeração e dar preferência a locais com espaço para circulação e possibilidade de sentar e descansar. 

A concentração de pessoas também aumenta a exposição a doenças transmitidas por gotículas e aerossóis respiratórios. Em áreas muito cheias e pouco ventiladas, a gestante pode ficar mais exposta a infecções como influenza, Covid-19, coqueluche e outras doenças respiratórias. 

“Se a gestante estiver em uma área mais reservada, com menor concentração de pessoas e possibilidade de permanecer sentada, como um espaço VIP, a exposição tende a ser menor. Já em grandes aglomerações, especialmente em ambientes fechados ou pouco ventilados, recomendo considerar o uso de máscara para reduzir o risco de infecções respiratórias”, explica a Dra. Isabel. 

Também é importante que a gestante saiba onde ficam banheiros, saídas, áreas de descanso e postos de atendimento médico. Em eventos fora da cidade, conhecer previamente os serviços de saúde disponíveis nas proximidades também pode ser uma medida de segurança.

 

Alimentação e bebidas 

A alimentação é outro ponto que merece atenção. Durante a gestação, alimentos crus ou malpassados, produtos não pasteurizados e preparações cuja conservação seja duvidosa devem ser evitados. Dar preferência a alimentos bem cozidos e preparados em condições adequadas de higiene ajuda a reduzir o risco de infecções alimentares. 

Já o consumo de bebidas alcoólicas deve ser evitado durante toda a gestação. Em eventos longos, a recomendação é priorizar a ingestão de água, especialmente em dias quentes.

 

Planejamento também faz parte da segurança 

Antes de sair de casa, vale considerar a duração do evento, a previsão do tempo e a estrutura do local. Água, protetor solar, um lanche adequado, documentos do pré-natal e medicamentos de uso habitual, quando prescritos, podem fazer parte da bolsa. 

Sempre que possível, também é interessante escolher locais que ofereçam assentos, áreas de descanso, banheiros de fácil acesso e atendimento médico. O planejamento ajuda a reduzir o tempo em pé e permite que a gestante faça pausas sempre que necessário.

 

Quando o passeio deve ser interrompido? 

Mais importante do que seguir uma programação é reconhecer os sinais do próprio corpo. Sangramento vaginal, perda de líquido, dor abdominal intensa, contrações regulares, falta de ar importante, desmaio, tontura persistente ou redução dos movimentos do bebê, quando já são percebidos regularmente, exigem avaliação médica. 

“Não é preciso esperar o desconforto passar para decidir procurar ajuda. Se a gestante apresentar um sintoma diferente, intenso ou que cause preocupação, o mais seguro é interromper a atividade e buscar orientação”, afirma a Dra. Isabel. 

A principal recomendação, portanto, é individualizar a decisão. Gestação não significa necessariamente ficar longe de festivais, mas exige planejamento, moderação e atenção aos sinais do organismo. Para gestantes com alguma complicação ou condição específica, a liberação para participar de eventos deve ser discutida previamente com o obstetra.

 

Grupo Santa Joana
Santa Joana
Pro Matre
Santa Maria


Consenso entre médicos e nutricionistas, leite é seguro, saudável e acessível

 

magnific.com

Apesar de ser um dos mais populares e acessíveis do mundo, o alimento frequentemente é alvo de mitos e desinformação 

 

Consumido regularmente por 6,5 bilhões de pessoas em todo o mundo, ou seja mais de 80% da população mundial, conforme estimativa da International Dairy Federation (IDF) ou Federação Internacional de Laticínios, ainda sim de tempos em tempos o leite de vaca é alvo, nas redes socais, de boatos e desinformação sobre seus benefícios para a saúde. 

Se você é daqueles que ainda tem dúvidas sobre essa importante fonte de cálcio, carboidratos, proteínas e sais minerais, saiba que com raras exceções de quadros alérgicos, o leite é um alimento super saudável para a grande maioria da população mundial. Esse, inclusive, é um consenso  entre médicos e nutricionistas, reforçado em 2023, quando Associação Brasileira de Nutrologia (Abran) e da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição (SBAN) divulgaram um documento em conjunto, afirmando que o leite é um alimento historicamente consumido pelo ser humano e que se adaptou do ponto de vista evolutivo para obtenção de nutrientes, o que vale também para seus derivados.

“O leite é sim um alimento muito interessante. Rico em proteína, em cálcio e em muitos minerais interessantes, é um alimento fundamental para nossa saúde óssea e muscular, em todas nossas fases de vida, da infância à melhor idade”, explica Carolina Nobre, nutricionista especializada em Nutrição Clínica Funcional e que atender no Órion Complex, em Goiânia. A especialista lembra ainda que o leite é um alimento de fácil acesso, tanto sob o ponto de vista de custo, ou seja, é barato; quanto do ponto de vista da distribuição do produto. “É um alimento bem versátil e acessível, inclusive às camadas sociais de baixa renda”, destaca.

A nutricionista chama atenção para a versatilidade, segurança e a evolução do leite ao longo das décadas. “O leite é hoje um alimento super seguro, em grande parte por uso de tecnologias de processamento e envase como as versões do leite UHT também conhecido como longa vida. Você tem também hoje o uso em larga escala das embalagens cartonadas asséptica que garante uma longevidade do leite, que em outras condições, como era nos antigos saquinhos de plástico, seria altamente perecível”, explica a nutricionista.



Tipos de leite

Ao longo dos anos foram agregadas novas tecnologias no processo de industrialização do leite, tornando o alimento, não só mais seguro, mas também voltado para atender a variadas necessidades nutricionais das pessoas, como os leites desnatados ou semidesnatados, voltados para dietas com restrições de gordura. “O leite UHT padrão tem um teor médio de gordura de 3%, portanto, o semidesnatado precisa ter sua composição de 1,5% a 0,7% de gordura total. Já o desnatado é praticamente sem gordura, sendo necessário um percentual inferior a 0,5% para ser considerado desnatado”, explica Vinícius Junqueira,  diretor de marketing da Marajoara Laticínios.

Vinícius explica que o leite integral não passou por nenhum processo de remoção de gordura, sendo consumido, então com grande parte das suas características nutricionais originais. Geralmente esse processo de pasteurização ajuda a garantir maior tempo de validade do produto e segurança ao consumir esse alimento. Os leites desnatados ou semidesnatados também não passam por nenhum processo que altera as suas qualidades nutricionais, o que há na verdade é somente a redução do teor de gordura.



Sem lactose

O diretor da Marajoara explica que o leite zero lactose também não perde nenhum dos seus valores nutritivos. “O que temos em relação ao leite zero lactose é um processo de melhoramento, onde utiliza-se enzimas denominadas lactase, que quebram a lactose transformando-a em glicose e galactose. Nesse processo de melhoramento, que dura aproximadamente 24 horas, o leite permanece dentro de um enorme balão de inox onde há ‘hélices’ que misturam o líquido a ajudam a quebrar as moléculas de lactose. A enzima introduzida faz na prática, uma ‘digestão externa’ da lactose”, esclarece Vinícius.


SUS vai ofertar três novos medicamentos para o tratamento de câncer de pulmão

A distribuição de brigatinibe, gefitinibe e durvalumabe será gradual a partir de outubro, como parte da nova política de cuidado oncológico. Cerca de 1,9 mil pacientes poderão ser beneficiados


O mês de agosto é marcado por ações de conscientização sobre o câncer de pulmão. Para ampliar e qualificar o cuidado às pessoas com a doença no Sistema Único de Saúde (SUS), o Ministério da Saúde vai disponibilizar três novos medicamentos de alta tecnologia: brigatinibe, gefitinibe e durvalumabe. Os tratamentos, alguns deles com mais de 12 anos de espera, serão financiados integralmente pelo Governo Federal a partir da implementação da Assistência Farmacêutica Oncológica (AF-Onco). Ao todo, serão beneficiados cerca de 1,9 mil pacientes.

A oferta será efetivada de acordo com as tratativas de aquisição com fornecedores e características operacionais de cada tecnologia, com previsão de entrega gradual a partir de outubro. Entre os medicamentos estão duas terapias-alvo orais (brigatinibe e gefitinibe), que atuam diretamente sobre alterações específicas das células cancerígenas. A administração pode ser realizada na casa do paciente com menor incidência de eventos adversos, proporcionando maior comodidade em comparação aos demais esquemas convencionais de quimioterapia. Juntos, os medicamentos custam mais de R$ 604,2 mil por ano na rede privada. 

Já o durvalumabe é uma imunoterapia que estimula ou potencializa a capacidade do sistema imunológico de combater os tumores cancerígenos, sendo indicado para pessoas com câncer de pulmão em estágio III que não podem ser tratadas com cirurgia. O tratamento demonstra ganhos na sobrevida global dos pacientes e, na rede privada, pode custar mais de R$ 643 mil por ano.


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Setembro Amarelo: dados sobre suicídio no Brasil e no mundo alertam para saúde mental

Organização Mundial da Saúde estima que, para cada morte decorrente de suicídio, ocorram cerca de 20 tentativas. Psicóloga explica como olhar multidisciplinar e acolhedor podem contribuir na recuperação ou evitar intenção

 

Durante um longo período, falar sobre suicídio foi um tabu na sociedade. Com o intuito de conscientizar que silenciar não previne, a campanha Setembro Amarelo reforça a importância da discussão e acolhimento sobre o assunto, que afeta milhares de pessoas ao redor do mundo.  

Segundo a Organização Mundial da Sáude (OMS), cerca de 727 mil pessoas morrem por suicídio por ano no mundo e é atualmente a terceira principal causa de morte entre pessoas de 15 a 29 anos. No Brasil, o Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde que analisou o período de 2010 a 2021 registrou 15.507 mortes por suicídio em 2021 e mostrou aumento de 42% na taxa de mortalidade, de 5,2 para 7,5 por 100 mil habitantes nesse período. Nesse mesmo ano, foi a terceira causa de morte entre brasileiros de 15 a 19 anos e a quarta entre 20 e 29 anos.   

Para a psicóloga do Grupo São Lucas Paula Carvalho (CRP: 06/99551), é importante dizer que não existe um único perfil suicida. Algumas pessoas manifestam claramente seu sofrimento, enquanto outras são reservadas. Por isso, mais do que procurar uma lista rígida de sintomas, é preciso prestar atenção principalmente a mudanças recentes ou intensificação de determinados comportamentos. 

"Entre os sinais de alerta estão falar sobre morte, suicídio ou sobre não ter motivos para viver, demonstrar desesperança intensa, dizer que é um peso para outras pessoas, isolamento repentino, despedidas incomuns, distribuição de objetos importantes, busca por meios de morrer, alterações importantes de sono e alimentação, aumento do consumo de álcool e/ou outras drogas, comportamentos impulsivos ou arriscados, mudanças bruscas de humor e sofrimento emocional ou físico descrito como insuportável", destaca a profissional.  

Apesar de estarem relacionados a uma pretensão de maior risco de suicídio, diagnósticos de depressão e ansiedade, bem como o uso de álcool e drogas, não significa uma apresentação de ideação suicida ou tentativa de suicídio. Pessoas sem diagnóstico psiquiátrico podem desenvolver uma crise suicida diante de situações de perda, violência, doença, dor crônica, dificuldades financeiras, conflitos afetivos, isolamento ou outros acontecimentos importantes. O suicídio é multifatorial, e raramente pode ser explicado por uma única causa.   


Ideação e tentativa suicida: qual a diferença?  

A ideação suicida corresponde a pensamentos relacionados à própria morte ou à possibilidade de tirar a própria vida. Ela pode desde pensamentos mais inespecíficos, como desejar não acordar ou desaparecer, até pensamentos mais estruturados, com intenção e planejamento.  

Já a tentativa de suicídio envolve a realização de um comportamento com intenção de provocar a própria morte, ainda que o resultado não seja fatal. É importante diferenciar tentativa de suicídio de outros comportamentos de autolesão, pois nem todo comportamento autolesivo ocorre com intenção de morrer, embora cada episódio mereça avaliação cuidadosa. 

"Não existe um único fator que determine quando alguém passará da ideação para uma tentativa. O risco é dinâmico. Ele pode aumentar diante da combinação de desesperança intensa, doenças psiquiátricas, planejamento mais definido, acesso a meios letais, uso de álcool ou outras drogas, agitação ou impulsividade, perdas recentes, isolamento social e, principalmente, histórico de tentativa anterior. A OMS ressalta que uma tentativa prévia é um dos fatores de risco mais importantes para um novo comportamento suicida. Por isso, mais do que tentar prever com certeza quem fará uma tentativa, atualmente buscamos reconhecer mudanças no estado daquela pessoa e fatores que estão aumentando ou diminuindo sua segurança naquele momento", comenta a psicóloga.  

Diante de situações preocupantes que alertem para um comportamento suicida, acolhimento de familiares e pessoas próximas é a palavra-chave para apoiar e contribuir em uma recuperação. É importante não menosprezar os motivos ou situações compartilhadas e, acima de tudo, perder o pré-conceito de que falar sobre suicídio desperte o interesse em atentar contra a própria vida.  

Diante de uma crise, é fundamental atitudes como permanecer com a pessoa quando houver risco imediato, não prometer segredo absoluto, acionar familiares ou pessoas de confiança, facilitar o acesso ao atendimento profissional, e, de forma segura e colaborativa, reduzir o acesso a meios que possam ser utilizados em uma tentativa. Aumentar o tempo e a distância entre uma pessoa em crise e um meio letal é reconhecido atualmente como uma importante estratégia de prevenção.   

Se houver intenção atual, planejamento, tentativa em andamento ou risco iminente, trata-se de uma urgência em saúde. A orientação no Brasil é procurar UPA, pronto-socorro ou hospital, ou acionar o SAMU pelo 192. O período após uma tentativa ou após uma alta de uma internação em um hospital psiquiátrico merece atenção especial. Diretrizes internacionais recomendam avaliação psicossocial, construção conjunta de um plano de segurança e continuidade do acompanhamento. 

"Entre as estratégias contemporâneas estão os planos de segurança, construídos junto com a própria pessoa. Eles ajudam a identificar sinais pessoais de crise, estratégias de enfrentamento, pessoas e serviços que podem ser acionados e formas de tornar o ambiente mais seguro. O acompanhamento multiprofissional é fundamental. Psicologia, psiquiatria, medicina, enfermagem, serviço social, atenção primária e, quando possível e autorizado, familiares e rede de apoio enxergam dimensões diferentes do problema. Prevenir uma nova crise significa tratar sintomas, mas também trabalhar relações, condições sociais, perdas, rotina, autonomia, estratégias de enfrentamento, adesão ao tratamento e reconstrução de projetos de vida", conclui.  

No Brasil, além dos serviços de saúde, o CVV – Centro de Valorização da Vida oferece apoio emocional gratuito e sigiloso pelo telefone 188, 24 horas por dia. Em 2025, o serviço realizou cerca de 2 milhões de atendimentos. O CVV é uma importante rede de escuta, mas não substitui o atendimento de emergência quando existe risco iminente. Nesses casos, deve-se procurar pronto-socorro, UPA, hospital ou acionar o SAMU 192.  

   

Grupo São Lucas de Ribeirão Preto (SP)

 

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