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segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Dia do Nutricionista: por que a alimentação personalizada ganha espaço na busca por saúde e bem-estar

Especialista Andrezza Botelho explica como a nutrição vem deixando de lado dietas restritivas para olhar de forma mais individualizada para rotina, metabolismo e comportamento alimentar

 

 

No dia 31 de agosto, quando é celebrado o Dia do Nutricionista, a discussão sobre alimentação saudável ganha espaço — e também reforça uma mudança importante na relação das pessoas com a comida. Se durante muito tempo a nutrição esteve associada principalmente a dietas restritivas, perda de peso e contagem de calorias, hoje o olhar do profissional está cada vez mais voltado para a individualidade, a rotina e a construção de hábitos sustentáveis.


Para a nutricionista Andrezza Botelho, esse movimento representa uma evolução na própria forma de compreender a alimentação. “Não existe uma estratégia alimentar que funcione da mesma maneira para todas as pessoas. O que precisamos entender é o contexto de cada indivíduo: sua rotina, seus objetivos, suas preferências, seu histórico e até a relação que estabelece com a comida”, explica.


Segundo a especialista, a busca por uma alimentação equilibrada vai além do controle de peso — passa por energia, disposição, saúde intestinal, qualidade do sono, imunidade e prevenção de doenças. “Quando falamos em alimentação saudável, não estamos falando apenas sobre o que precisa ser retirado do prato. É preciso olhar para aquilo que pode ser incorporado à rotina e que faça sentido no longo prazo. Uma alimentação equilibrada precisa ser possível de ser mantida”, afirma Andrezza.



Da dieta à mudança de hábitos


A popularização de informações sobre nutrição nas redes sociais também trouxe um novo desafio para os profissionais da área. São milhares de conteúdos sobre alimentos, suplementos, jejum, dietas e tendências circulando diariamente, muitas vezes sem considerar as necessidades individuais.


Nesse cenário, o nutricionista assume também o papel de traduzir informação científica para a vida real, ajudando o paciente a diferenciar evidências de modismos. “Hoje temos acesso a uma quantidade enorme de informação, mas informação não significa necessariamente conhecimento. O papel do nutricionista é justamente avaliar o que faz sentido para aquela pessoa e transformar a ciência em estratégias que possam ser aplicadas no cotidiano”, destaca a profissional.


Para Andrezza, a principal tendência para os próximos anos caminha na mesma direção: uma nutrição menos baseada em regras universais e mais centrada em autonomia. “Acredito em uma nutrição que ensina, orienta e dá autonomia. Mais do que entregar uma dieta pronta, precisamos ajudar o paciente a entender o próprio corpo e fazer escolhas melhores de forma consistente.”

 

 

Andrezza Botelho - nutricionista, com graduação pela UniRio (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro) e pela Universidade Anhembi Morumbi (SP). Tem pós-graduação em Nutrição Clínica Funcional pelo Centro Valéria Paschoal, especialização em Transtornos Alimentares pela UNIFESP (departamento de psiquiatria — PROATA), pós-graduação em Estética Avançada e Cosmetologia e em Fisioterapia Dermatofuncional pela Anhembi Morumbi, em Fitoterapia Integrativa em Nutrição pela FAMATEC, em Nutrição Materno-Infantil com visão ortomolecular pela FAPES, em Tricologia e Terapias Capilares e em Medicina do Estilo de Vida e Coaching de Saúde pelo Hospital Albert Einstein. É membro do Instituto de Nutrição Clínica Funcional, foi professora de pós-graduação na UNIP-RN (2015) e atualmente leciona na pós-graduação de Fisioterapia Dermatofuncional da Anhembi Morumbi. Atualmente cursa graduação em Farmácia. É responsável científica e proprietária da clínica Andrezza Botelho – Nutrição Inteligente, em São Paulo.




Mês de Combate ao Fumo: boca pode revelar os primeiros sinais dos danos causados pelo cigarro, alerta especialista

Campanha reforça a importância da prevenção e do diagnóstico precoce

 

O mês de agosto é marcado por ações de conscientização sobre os impactos do tabagismo na saúde. A campanha ganha ainda mais destaque com o Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado em 29 de agosto, e chega em um momento de atenção: após anos de queda, o número de fumantes voltou a crescer no Brasil.

 

Dados mais recentes do Ministério da Saúde, por meio da pesquisa Vigitel, mostram que 11,6% da população adulta brasileira fuma cigarros convencionais. O hábito é mais frequente entre os homens e concentra-se principalmente na faixa etária de 45 a 64 anos.

 

Para o cirurgião-dentista Dr. Davi Cunha, esse cenário também acende um alerta para um aspecto que costuma ser negligenciado: os impactos do tabagismo na saúde bucal.

"Muitas pessoas associam o cigarro apenas às doenças respiratórias e cardiovasculares, mas esquecem que a boca é uma das primeiras regiões do corpo a sofrer os efeitos do tabaco. Em muitos casos, os primeiros sinais aparecem durante um exame odontológico de rotina", explica.

 

Segundo o especialista, a exposição contínua da cavidade oral à fumaça e às substâncias químicas presentes no cigarro favorece uma série de alterações que podem comprometer significativamente a qualidade de vida.


"O tabagismo reduz a circulação sanguínea na gengiva, dificulta a cicatrização, favorece doenças periodontais, aumenta o risco de perda dentária e eleva de forma significativa as chances de desenvolvimento do câncer de boca. Muitas dessas alterações evoluem silenciosamente e só são percebidas quando já estão em estágios mais avançados."

 

De acordo com o Dr. Davi Cunha, alguns sinais não devem ser ignorados.

"Feridas que não cicatrizam por mais de quinze dias, manchas brancas ou avermelhadas na mucosa, sangramentos frequentes, alterações na língua, mobilidade dos dentes e dificuldades para mastigar ou engolir merecem avaliação profissional. O diagnóstico precoce é um dos principais aliados para aumentar as chances de sucesso no tratamento, especialmente nos casos de câncer de boca."

 

Outro ponto de preocupação é o avanço dos dispositivos eletrônicos para fumar, principalmente entre adolescentes e jovens adultos.


"Existe uma falsa percepção de que o cigarro eletrônico oferece menos riscos. Apesar de possuir características diferentes do cigarro convencional, ele também contém nicotina e outras substâncias capazes de provocar inflamações, ressecamento da mucosa, alterações na microbiota bucal e dependência química. Não existe forma segura de consumir produtos derivados do tabaco ou da nicotina."


Além da interrupção do tabagismo, o especialista destaca que as consultas odontológicas periódicas desempenham um papel fundamental na prevenção.

 

"O dentista não avalia apenas dentes e gengivas. Durante a consulta, toda a cavidade oral é examinada, permitindo identificar alterações ainda em fase inicial. Quanto mais cedo uma lesão é descoberta, maiores são as chances de tratamento e de recuperação."

 

No Mês de Combate ao Fumo, o Dr. Davi Cunha reforça que abandonar o cigarro continua sendo a medida mais eficaz para preservar a saúde.


Os benefícios começam logo após a interrupção do tabagismo. À saúde bucal melhora, o organismo inicia um processo de recuperação e o risco de diversas doenças diminui ao longo do tempo. Nunca é tarde para parar de fumar e procurar acompanhamento profissional", conclui.



Cervicalgia, dorsalgia e lombalgia: entenda os diferentes tipos de dor nas costas na era do home-office e dos smartphones

 Ortopedista e neurocirurgião especializados em coluna vertebral explicam os diferentes tipos de dor nas costas e as estratégias de tratamento e prevenção

 

Seja por uma noite mal dormida, excesso de peso carregado ou má postura prolongada, a dor nas costas é uma das reclamações mais comuns em consultórios. No entanto, o que muitas vezes é rotulado como um simples “mau jeito” ou cansaço muscular pode, na verdade, ser o indício de uma condição que requer atenção especializada e direcionada.

Ainda mais no atual contexto digital de home-office e uso intenso de smartphones, em que passar longos períodos sentado ou curvado em frente a uma tela faz parte da rotina diária de muitos trabalhadores. Segundo o ortopedista da Casa de Saúde São José, Dr. Ricardo Ferreira, o perfil dos pacientes com dor na coluna mudou significativamente nos últimos anos. Com a consolidação do trabalho híbrido e o uso constante de celulares, adultos jovens e pessoas em idade produtiva tornaram-se os novos frequentadores dos consultórios de ortopedia e neurocirurgia. Alguns gatilhos comuns incluem:

  • Trabalhar horas seguidas no notebook com a tela baixa (forçando o pescoço para baixo);
  • Utilizar cadeiras sem apoio para braços ou que deixem os pés suspensos;
  • Passar longos períodos sentado sem fazer pausas para caminhar ou se alongar;
  • Digitar no celular mantendo o aparelho abaixo da linha dos olhos por muito tempo;
  • Fazer esforços físicos bruscos ou carregar peso sem o devido condicionamento ou técnica.

O grande vilão, no entanto, não é necessariamente uma postura considerada "errada", mas sim a falta de movimento do corpo. “Não existe uma postura única e obrigatória que proteja toda pessoa de dor. O maior inimigo é a postura mantida por tempo demais, sem movimento, sem variação e de forma desconfortável”, explica o Dr. Ricardo. 

Além disso, a dor nas costas se manifesta de formas e em locais diferentes, recebendo classificações específicas de acordo com a área da coluna que é afetada. “A cervicalgia é a dor no pescoço. A dorsalgia ocorre na parte média das costas e a lombalgia afeta a região inferior da coluna, sendo a mais comum”, completa o Dr. Pedro Góes, neurocirurgião especializado em coluna vertebral da Casa de Saúde São José. 

Em casos atrelados ao uso prolongado de celulares, a cervicalgia é uma das dores mais comumente associadas à má postura. O fenômeno pode ser às vezes apelidado de “text neck”, dor no pescoço associada ao hábito de ficar trocando mensagens. Os especialistas lembram, porém, que a dor é sempre multifatorial e não deve ser transformada em diagnóstico automático de cervicalgia, que costuma vir acompanhada de rigidez local, dores nos ombros, limitação de movimento e até cefaleia (dor de cabeça). 

Já a dorsalgia, no meio das costas, muitas vezes exige investigação clínica minuciosa por se relacionar com o tórax e o abdome, onde se localizam diversos órgãos. Por isso, em alguns casos, a dorsalgia é associada a doenças pulmonares, cardíacas, gastrointestinais, inflamatórias, infecciosas ou tumorais. A lombalgia, por outro lado, é a queixa mais comum e pode ficar restrita ao local da lombar ou irradiar para as pernas, acompanhada de formigamento, perda de sensibilidade ou fraqueza. 

Em outros casos, essas dores também estão relacionadas com a compressão dos nervos, levando ao agravamento de outros sintomas. “Quando há irritação ou compressão de uma raiz nervosa, pode surgir dor irradiada para os braços, e até formigamento, perda de sensibilidade ou redução de força até as mãos. As causas mais frequentes são sobrecarga muscular, posturas sustentadas, alterações degenerativas, disfunções articulares e, em alguns casos, hérnias discais ou estreitamento dos canais por onde passam os nervos”, comenta o Dr. Ricardo.
 

Tratamento: cirurgia é regra ou exceção?

Na maioria das vezes, a dor nas costas é de origem mecânica aguda, melhorando em poucos dias com calor local, analgésicos simples e correção de postura. Porém, cenários clínicos de compressão de nervos e da medula, perda progressiva de força, dificuldade para caminhar e alterações de sensibilidade podem indicar algo mais grave e, até mesmo, a necessidade de intervenções cirúrgicas. 

“A maioria das dores na coluna responde bem ao tratamento conservador, com medicamentos, fisioterapia, atividade física orientada e mudanças de hábitos. A cirurgia é reservada para situações em que existe uma alteração estrutural bem definida, compatível com os sintomas do paciente, sem melhora após um período adequado de tratamento clínico”, afirma o neurocirurgião Dr. Pedro Góes. 

A hérnia de disco, por exemplo, não é sinônimo de gravidade, sendo possível conviver com a condição de forma totalmente assintomática. “Um conceito importante é que não operamos um exame de imagem, mas sim um paciente. A decisão cirúrgica sempre leva em consideração a história clínica, o exame físico, os exames complementares e, principalmente, o impacto da doença na qualidade de vida”, completa o Dr. Pedro. Entretanto, em casos mais graves envolvendo perda do controle urinário ou intestinal, a cirurgia pode ser uma urgência. 

Na maioria dos casos, no entanto, as dores nas costas podem ser facilmente controladas e prevenidas, evitando que se tornem um problema crônico e limitante. “A melhor estratégia é pensar na coluna como parte de um sistema: músculos, articulações, peso corporal, postura, sono, saúde mental, rotina de trabalho, condicionamento físico e hábitos diários (alimentação e hidratação). O objetivo não é ‘nunca mais sentir dor’, mas reduzir a intensidade, recuperar autonomia e evitar que uma dor episódica se transforme em limitação crônica”, conclui o ortopedista da Casa de Saúde São José, Dr. Ricardo Ferreira.

 

Lipedema: condição ainda pouco reconhecida causa acúmulo de gordura e dor

Doença crônica é frequentemente confundida com obesidade e linfedema e exige diagnóstico adequado e tratamento multidisciplinar


O acúmulo desproporcional e bilateral de gordura nos membros, acompanhado de dor, sensibilidade e, em alguns casos, inchaço, pode ser um sinal de lipedema, condição crônica que ainda é pouco conhecida e frequentemente confundida com obesidade e linfedema. O diagnóstico equivocado pode atrasar o início do acompanhamento adequado e impactar a qualidade de vida das pacientes.
 

O lipedema é caracterizado por uma alteração na distribuição do tecido adiposo, que ocorre de forma simétrica e afeta principalmente os membros inferiores, podendo também atingir os membros superiores. Entre os sintomas estão dor, sensação de peso, sensibilidade ao toque e formação de edemas. 

Um estudo publicado no Jornal Vascular brasileiro estimou que 12,3% das mulheres adultas do país podem apresentar sintomas compatíveis com lipedema, o que equivale a milhões de brasileiras. O dado reforça a importância de ampliar o conhecimento sobre a condição e de investir em diagnósticos mais precisos. 

Para Vanessa Rocha, professora de Fisioterapia da Universidade Veiga de Almeida (UVA), um dos principais desafios no tratamento é reconhecer as particularidades de cada paciente. “Não existe uma única forma de tratar todas as pessoas com lipedema. É necessário olhar para quem é esse paciente, quais são suas limitações, suas dores e suas necessidades. A partir disso, definimos as melhores estratégias para o tratamento”, afirma. 

A especialista explica que o cuidado pode envolver diferentes profissionais e modalidades. A prática de exercícios físicos orientados, por exemplo, contribui para a melhora da circulação, do condicionamento e da funcionalidade. O acompanhamento nutricional também pode fazer parte da estratégia, assim como terapias compressivas e outras intervenções indicadas de acordo com cada caso. 

“Precisamos inserir a atividade física na rotina do paciente de uma forma possível e sustentável. Exercícios aeróbicos e de fortalecimento podem ser importantes, mas o tratamento deve ser individualizado e considerar a realidade de cada pessoa”, destaca Vanessa. 

Nesse processo, a fisioterapia pode desempenhar um papel importante no manejo dos sintomas e na manutenção da mobilidade e da funcionalidade. Para aumentar a adesão aos exercícios, recursos tecnológicos e atividades lúdicas também podem tornar as sessões mais dinâmicas. A realidade virtual, por exemplo, pode ser utilizada para estimular movimentos específicos durante jogos interativos. 

“Às vezes, o paciente tem dificuldade ou sente dor para realizar determinado movimento. Podemos transformar esse exercício em uma atividade mais divertida, utilizando, por exemplo, jogos que estimulem determinados movimentos. A fisioterapia pode ser desafiadora e, muitas vezes, desconfortável, mas, quando conseguimos trazer um elemento lúdico, aumentamos o engajamento e a adesão ao tratamento”, explica a professora. 

Diante de sintomas como acúmulo de gordura desproporcional, dor e inchaço persistente nos membros, a recomendação é procurar inicialmente um serviço de saúde para avaliação. A partir do atendimento, o paciente poderá ser encaminhado para especialistas e profissionais de diferentes áreas, de acordo com a necessidade de cada caso. 

O diagnóstico correto é fundamental para evitar que o lipedema seja tratado apenas como uma questão estética ou de excesso de peso. “Quanto mais informação e conhecimento tivermos sobre a condição, maiores são as chances de identificar o problema e oferecer um cuidado que realmente faça sentido para aquela pessoa”, conclui a professora. 



Centro de Saúde e Pesquisa Veiga de Almeida
Para mais informações acesse: Link ou ligue para (21)99583-5274.

 

Saúde preventiva ganha espaço na rotina dos brasileiros e ainda bem

 

Durante muito tempo, cuidar da saúde esteve associado, principalmente, a tratar doenças depois que elas apareciam. Fazer uma consulta quando algo incomodava, procurar um médico diante de um sintoma ou mudar hábitos somente depois de receber um diagnóstico. Aos poucos, essa lógica vem mudando, e ainda bem. A saúde preventiva começa a ocupar um espaço maior na rotina dos brasileiros e, mais do que uma tendência de comportamento, representa uma mudança importante na forma como nos relacionamos com o próprio bem-estar.

Prevenir não significa viver em alerta permanente ou transformar cada escolha em uma preocupação. Significa compreender que pequenas decisões tomadas hoje podem contribuir para uma vida mais saudável no futuro. Alimentação equilibrada, atividade física, sono adequado, vacinação, uso de suplementos adequados, acompanhamento médico e atenção aos sinais do organismo fazem parte dessa construção.

Os números ajudam a dimensionar a importância dessa mudança. Pesquisa Estilos de Vida 2024, da NielsenIQ, mostra que 86% dos consumidores brasileiros entrevistados afirmam já ter adotado pelo menos um hábito mais saudável em sua rotina. Além disso, 51% dizem procurar produtos com fibras e vitaminas em suas compras frequentes, e 45% afirmam ter reduzido o consumo de produtos industrializados. Esse é, para mim, o melhor dado, porque traduz exatamente a ideia de prevenção entrando no cotidiano.

Outro dado recente apontou que 82% dos brasileiros têm interesse em melhorar seus cuidados com a saúde e consumir mais conteúdos educativos sobre bem-estar. E 69% afirmam realizar consultas de check-up periodicamente, percentual que chega a 77% entre pessoas com 45 anos ou mais.

É importante observar que prevenção não se resume a exames médicos. Ela começa muito antes, nas escolhas que fazemos diariamente. O que colocamos no prato, por exemplo, tem relação direta com esse movimento.

O Guia Alimentar para a População Brasileira, elaborado pelo Ministério da Saúde, recomenda que a alimentação tenha como base alimentos in natura, frutas, verduras, legumes, feijão, cereais, carnes, ovos e leite. A orientação também é evitar o consumo de alimentos ultraprocessados, que tendem a apresentar composição nutricional desequilibrada e podem estimular o consumo excessivo.

Como defensora de uma boa alimentação, acompanho de perto essa transformação no comportamento do consumidor. Existe hoje uma busca maior por informação e por produtos que possam fazer parte de uma rotina de cuidados. O consumidor quer entender o que está consumindo, procura ingredientes, compara rótulos e demonstra interesse crescente por alimentos relacionados a uma alimentação mais equilibrada.

Esse movimento, porém, precisa vir acompanhado de responsabilidade. Saúde preventiva não combina com promessas milagrosas. Também não significa que suplementos alimentares ou determinados produtos sejam capazes, isoladamente, de prevenir ou tratar doenças. A Anvisa é clara ao explicar que suplementos têm a função de complementar a alimentação e não substituem uma dieta saudável, equilibrada e variada. A indicação de uso deve considerar as necessidades individuais e, quando necessário, contar com orientação de um profissional de saúde.

Essa é uma distinção fundamental, especialmente em um momento em que informações sobre saúde circulam em velocidade cada vez maior. O desejo de cuidar melhor de si é positivo, mas precisa caminhar junto com conhecimento e senso crítico.

Outro ponto que considero importante é que prevenção não pode ser confundida com perfeição. Não precisamos transformar a alimentação em uma lista interminável de restrições nem acreditar que uma única escolha será capaz de determinar nossa saúde. O que importa é a consistência.

É possível começar com mudanças simples: aumentar a presença de frutas, verduras e legumes nas refeições, beber mais água, reduzir o consumo de produtos ultraprocessados, movimentar o corpo, dormir melhor e reservar espaço na agenda para consultas e exames preventivos. São atitudes aparentemente pequenas, mas que, incorporadas à rotina, podem fazer uma diferença significativa.

Acredito que estamos diante de uma mudança cultural. O brasileiro está começando a perceber que cuidar da saúde não deve ser uma reação a uma doença, mas uma prática permanente. E essa mudança cria também uma responsabilidade para empresas que atuam no segmento de alimentação, bem-estar e saúde: oferecer produtos seguros, informação de qualidade e transparência, sem estimular expectativas que a ciência não sustenta.

A prevenção ganha espaço justamente quando deixa de ser encarada como uma obrigação e passa a fazer parte das escolhas cotidianas. Mais do que viver mais, estamos falando de viver melhor e com mais autonomia.

Se a saúde é construída todos os dias, cada escolha importa. E talvez esse seja o maior avanço: entender que cuidar de si não precisa começar amanhã, depois da próxima consulta ou quando surgir algum problema. Pode começar hoje, na próxima refeição, na próxima caminhada e na decisão de olhar para a própria saúde com mais atenção.

  

 Bruna Mothe - co-fundadora da Bio Mundo

  

Referências 

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). Noncommunicable diseases. 2025. Dados sobre mortalidade, fatores de risco e prevenção de doenças crônicas não transmissíveis. urlOMS – Noncommunicable diseaseshttps://www.who.int/en/news-room/fact-sheets/detail/noncommunicable-diseases

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Guia Alimentar para a População Brasileira. 2. ed. Brasília: Ministério da Saúde. urlGuia Alimentar para a População Brasileirahttps://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-brasil/publicacoes-para-promocao-a-saude/guia_alimentar_populacao_brasileira_2ed.pdf

ANVISA. Entenda os suplementos alimentares: o que você precisa saber para usar com segurança. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. urlAnvisa – Suplementos alimentareshttps://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/alimentos/suplementos-alimentares/suplemento-alimentar-o-que-voce-precisa-saber-para-usar-com-seguranca-1

IBGE. Pesquisa Nacional de Saúde 2019. Rio de Janeiro: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. urlIBGE – Pesquisa Nacional de Saúdehttps://www.ibge.gov.br/biblioteca/visualizacao/livros/liv101846.pdf

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Processamento dos alimentos. Saúde Brasil. urlMinistério da Saúde – Processamento dos alimentoshttps://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-brasil/glossario/processamento-dos-alimentos


Câncer de intestino: por que um dos tumores mais evitáveis ainda é descoberto tarde no Brasil

Dr. Daniel Knupp, líder médico na Alice, lista cinco atitudes de prevenção e explica por que o desafio do rastreamento não é a falta de exame 

 

Mais de 60% dos diagnósticos de câncer de intestino no Brasil acontecem quando a doença já está em estágio avançado — III ou IV, quando o tumor invadiu estruturas profundas ou gerou metástases. O dado é de estudo da Fundação do Câncer publicado em novembro de 2025, que analisou mais de cem mil casos registrados em hospitais públicos e privados e chama atenção justamente pelo tipo de tumor de que se trata: o câncer de intestino é um dos poucos que dão anos de aviso. A maioria dos brasileiros, porém, descobre a doença na fase em que ela é mais difícil de tratar, e não na fase em que ela é quase totalmente evitável.

 

Neste mês, o Ministério da Saúde incluiu o teste imunoquímico fecal (FIT) na tabela de procedimentos do SUS para o rastreamento do câncer colorretal em homens e mulheres assintomáticos entre 50 e 75 anos, com repetição a cada dois anos. A pesquisa de sangue oculto nas fezes já é uma prática estabelecida de rastreamento no país. O que a medida faz é incorporar formalmente um método de análise mais sensível e de leitura automatizada, que já vinha sendo o mais usado na rotina dos laboratórios. Os métodos anteriores, baseados em guaiaco, tem acurácia um pouco menor e hoje são oferecidos por poucos serviços.

 

"Vale dizer o que essa medida é e o que ela não é. Não se trata de um exame novo nem de uma mudança na recomendação sobre quem deve se rastrear. É a atualização de um método de análise das fezes que a maior parte dos laboratórios já utilizava, e que pode agregar valor aos métodos já em uso. Para quem vai fazer o exame, na prática, muda pouco", explica Daniel Knupp, líder médico na Alice. "O ponto mais útil talvez seja recolocar o rastreamento do câncer colorretal na conversa. Esse, sim, é o assunto que precisa de atenção."

 

A urgência tem tamanho. O câncer colorretal é um dos tipos mais frequentes no país, com estimativa de 53,8 mil novos casos por ano no triênio 2026–2028, segundo o INCA.


Para Knupp, o rastreamento ajuda a inverter a lógica de como muitas pessoas se relacionam com a própria saúde. "Todo mundo entende ir ao médico quando algo dói. Rastreamento é o contrário disso: é fazer um exame justamente porque nada está acontecendo. É contra intuitivo, e por isso depende de alguém explicando, lembrando e acompanhando", afirma.

 


Cinco atitudes que aumentam a chance de encontrar o câncer de intestino a tempo:

 

  1. Fazer o rastreamento na idade indicada: para homens e mulheres assintomáticos entre 50 e 75 anos, a recomendação é a pesquisa de sangue oculto nas fezes a cada dois anos.
  2. Antecipar se houver histórico familiar: parentes de primeiro grau com câncer colorretal, doença inflamatória intestinal ou síndromes genéticas podem mudar a estratégia e a idade de início do acompanhamento. A avaliação deve ser individualizada.
  3. Não atribuir automaticamente um sangramento a hemorroidas: sangramento retal pode ter diferentes causas e merece avaliação, especialmente quando é recorrente ou aparece acompanhado de outros sintomas.
  4. Levar a sério mudanças persistentes: alterações no hábito intestinal, dor abdominal contínua, anemia ou perda de peso sem explicação merecem avaliação médica.
  5. Cuidar dos fatores modificáveis: sedentarismo, obesidade, consumo elevado de álcool, carnes processadas e uma alimentação pobre em fibras estão associados a maior risco de câncer colorretal.

 

Dia do Nutricionista: profissão tem papel estratégico diante das doenças que mais matam no Brasil e no mundo



Celebrado em 31 de agosto, Dia do Nutricionista chama atenção para uma atuação que vai da prevenção de doenças às políticas públicas de alimentação e saúde

 

 

As doenças cardiovasculares, os cânceres, o diabetes, a obesidade e as doenças respiratórias crônicas estão entre as principais causas de morte no Brasil e no mundo. Em comum, muitas delas têm fatores de risco que podem ser modificados e a alimentação inadequada está entre eles. Neste 31 de agosto, Dia do Nutricionista, o Conselho Federal de Nutrição (CFN) evidencia o papel desse profissional na prevenção de doenças, na promoção da saúde e no cuidado da população.

 

Com o tema “Nutricionista: agente de transformação na saúde e na sociedade”, a campanha deste ano busca ampliar a percepção sobre uma profissão ainda frequentemente associada ao atendimento individual, mas cuja atuação alcança diferentes espaços e etapas do cuidado com a alimentação e a saúde. O nutricionista está presente na alimentação coletiva; na assistência clínica em hospitais, unidades de saúde, consultórios, instituições de longa permanência e outros serviços; no esporte e no exercício físico; nas políticas e nos programas de saúde coletiva, segurança alimentar e nutricional e assistência social; na cadeia de produção, na indústria e no comércio de alimentos; e no ensino, na pesquisa e na extensão. Em cada uma dessas áreas, o profissional contribui para promover saúde, garantir a qualidade e a segurança dos alimentos e transformar realidades individuais e coletivas.

 

Os números ajudam a dimensionar a importância desse trabalho. Segundo o Ministério da Saúde, as doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) são a maior causa de morbimortalidade no Brasil. Em 2023, foram responsáveis por cerca de 790 mil mortes, o equivalente a 53% de todos os óbitos registrados no país. Mais de 322 mil brasileiros entre 30 e 69 anos morreram prematuramente em decorrência dessas doenças.

 

O desafio é mundial. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as DCNT respondem por cerca de 75% das mortes no planeta. As doenças cardiovasculares concentram o maior número de óbitos, seguidas por cânceres, doenças respiratórias crônicas e diabetes. A obesidade também integra esse cenário e está associada ao maior risco de desenvolvimento de outras DCNT. A OMS aponta ainda a alimentação inadequada entre os principais fatores de risco modificáveis para essas doenças.

 

É justamente nesse ponto que a Nutrição ganha uma dimensão que vai além da consulta. OMS destaca a alimentação adequada como parte importante da prevenção das doenças crônicas.

 

Para a presidente do CFN, Manuela Dolinsky, investir em Nutrição também significa investir em prevenção. “Grande parte dos desafios de saúde que enfrentamos hoje está relacionada a doenças que se desenvolvem ao longo de muitos anos e que têm na alimentação um dos fatores que podem fazer a diferença. O nutricionista atua justamente nesse caminho: antes da doença, na prevenção, quando ela já existe, no cuidado, e também nas políticas e serviços que chegam a milhares de pessoas. Valorizar esse profissional é reconhecer que a Nutrição faz parte de uma estratégia de saúde para toda a população”, afirma.


 

Alimentação saudável ainda não chega a todos

 

Falar sobre prevenção, porém, não significa colocar toda a responsabilidade sobre as escolhas individuais. O acesso à alimentação adequada também depende de renda, disponibilidade de alimentos, território, educação e políticas públicas.

 

Embora o Brasil tenha avançado nos últimos anos, 44,8 milhões de brasileiros ainda não tinham condições financeiras de acessar uma alimentação saudável em 2025, segundo dados divulgados pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

 

Esse cenário ajuda a explicar por que a atuação do nutricionista também acontece fora dos consultórios. O profissional participa de ações e políticas que envolvem alimentação escolar, atenção à saúde, segurança alimentar e nutricional, assistência social, alimentação coletiva e outros espaços que alcançam grupos inteiros da população.


 

Formação também é proteção à saúde

 

A campanha do Dia do Nutricionista deste ano traz ainda outro alerta: Nutrição é com nutricionista.

 

Em um cenário de grande circulação de conteúdos sobre alimentação, dietas e suplementação, o CFN reforça a importância de diferenciar informação disponível na internet de orientação profissional. O exercício da Nutrição exige formação, conhecimento técnico-científico, responsabilidade e habilitação profissional.

 

O combate ao exercício ilegal, portanto, não diz respeito apenas à valorização de uma categoria. É também uma questão de proteção à saúde. Orientações inadequadas podem trazer riscos, especialmente quando envolvem pessoas com doenças crônicas, crianças, idosos e outros grupos que demandam cuidados específicos.

 

Por isso, a recomendação é que a população procure nutricionistas devidamente habilitados e registrados nos Conselhos Regionais de Nutrição.

 

31 de agosto | Dia do Nutricionista

Nutricionista: agente de transformação na saúde e na sociedade


Hábito de urinar sem sentir vontade, apenas por medo de não encontrar um banheiro, pode alterar a percepção dos sinais da bexiga; especialista explica quando o chamado “xixi preventivo” deixa de ser uma precaução e passa a interferir na rotina urinária.


Estima-se que cerca de 30% da população adulta enfrente algum tipo de disfunção miccional ou perda involuntária de urina ao longo da vida, e costumes simples do cotidiano costumam figurar entre os principais gatilhos para o problema. Um dos mais frequentes e aparentemente inofensivos  é a decisão de ir ao banheiro antes de pegar a estrada, entrar em uma reunião longa ou simplesmente ir ao supermercado, mesmo sem sentir a menor necessidade. Batizado no dia a dia como "xixi preventivo", esse padrão de comportamento repetitivo pode estar, na verdade, reeducando o sistema urinário de maneira inadequada e abrindo portas para quadros como a síndrome da bexiga hiperativa.

O funcionamento saudável da bexiga depende de um ciclo bem alinhado entre o estiramento de suas paredes musculares e os estímulos enviados ao sistema nervoso central. À medida que o líquido acumulado preenche o órgão, receptores sensoriais dispostos em sua estrutura disparam alertas progressivos ao cérebro: primeiro uma leve percepção de preenchimento, depois a vontade consciente e, por fim, a urgência de esvaziamento. Quando a ida ao sanitário vira uma regra automática sem o estímulo fisiológico correspondente, todo esse circuito entra em descompasso.

“Ao ir ao banheiro sem a real necessidade física, a pessoa envia um comando distorcido ao cérebro. Se isso vira uma rotina diária, o órgão passa a interpretar que não precisa mais atingir a sua capacidade natural para disparar o aviso de esvaziamento. Com o tempo, a sensação de necessidade surge em volumes cada vez menores, gerando uma falsa urgência constante”, aponta a fisioterapeuta pélvica e palestrante Flaviana Teixeira.

A perda dessa sensibilidade calibrada traz reflexos diretos no comportamento diário, fazendo com que a pessoa precise interromper tarefas simples com uma frequência muito maior do que a necessária. Além da questão sensorial, a prática do esvaziamento forçado altera a mecânica da musculatura pélvica. Como o detrusor, o músculo responsável por contrair a parede da bexiga no momento correto, não recebe o estiramento adequado para agir sozinho, torna-se frequente o uso da força abdominal para empurrar o fluxo urinário para fora.

Essa pressão adicional sobre a região do assoalho pélvico é apontada por profissionais de fisioterapia como uma das causas de enfraquecimento muscular e surgimento de escapes e dores a longo prazo. Além disso, o medo constante de não encontrar um sanitário disponível em locais públicos acaba alimentando um ciclo de ansiedade que reforça a ida compulsiva ao banheiro, transformando uma preocupação pontual em uma limitação social severa.

Para quebrar esse ciclo sem colocar o bem-estar em risco, a orientação principal envolve aprender a reconhecer e respeitar o ritmo do próprio organismo, distinguindo o alarme real do corpo da ansiedade antecipada.

“Existe uma diferença clara entre uma exceção lógica, como urinar antes de um percurso longo de viagem sem paradas programadas, e a obrigação rotineira de esvaziar o corpo toda vez que se passa perto de uma porta de banheiro. O trato urinário é extremamente treinável: ele se adapta tanto aos bons hábitos quanto aos vícios de comportamento. O caminho seguro é permitir que o órgão cumpra seu papel natural, sem pressa e sem interferências motivadas pelo receio de imprevistos”, conclui a especialista. 



Fonte: Flaviana Teixeira — Fisioterapeuta Pélvica | Palestrante
@flavianateixeirafisiopelvica
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Seis em cada dez brasileiros estão acima do peso. Tratamento de doenças metabólicas deve unir medicina, nutrição e saúde mental

Segundo o Ministério da Saúde, 62,6% dos brasileiros apresentam excesso de peso. Diante do avanço das doenças cardiometabólicas, o Hospital São Lucas Copacabana, da Rede Américas, inaugura o primeiro Centro de Saúde Metabólica do estado do RJ, voltado para o atendimento integrado de pacientes.  

Mais de seis em cada dez brasileiros apresentam excesso de peso e um em cada quatro vive com obesidade, segundo o estudo Vigitel 2025, do Ministério da Saúde. O crescimento desses indicadores tem contribuído para o aumento de doenças como diabetes, hipertensão arterial, doença renal crônica, esteatose hepática e problemas cardiovasculares, condições que compartilham fatores de risco e costumam evoluir de forma simultânea. 

Um estudo publicado na revista científica Circulation propõe uma abordagem integrada para doenças cardiovasculares, renais e metabólicas, considerando a relação entre essas condições e a necessidade de acompanhamento por diferentes especialistas. 

Nesse contexto, o Hospital São Lucas Copacabana, da Rede Américas, acaba de inaugurar o Centro de Saúde Metabólica, o primeiro do estado do Rio de Janeiro estruturado para oferecer atendimento integrado às doenças cardiometabólicas. O espaço reúne cardiologistas, endocrinologistas, nefrologistas, hepatologistas, cirurgiões metabólicos, psicólogos e nutricionistas para avaliação conjunta de pacientes com síndrome metabólica e doenças associadas. O centro também disponibiliza exames, permitindo concentrar diferentes etapas da investigação e do acompanhamento em um único local. 

Segundo Fernando Barros, especialista em cirurgia bariátrica e metabólica do Hospital São Lucas Copacabana, a síndrome metabólica é caracterizada pela associação de fatores de risco como obesidade, aumento da circunferência abdominal, hipertensão arterial e alterações nos níveis de glicose e colesterol, condições que aumentam o risco de doenças cardiovasculares, renais e hepáticas. 

“Durante muitos anos, pacientes com obesidade, diabetes, doença renal, alterações hepáticas e problemas cardiovasculares foram acompanhados por especialistas de forma isolada. Hoje sabemos que essas condições compartilham fatores de risco comuns. Uma avaliação integrada permite compreender melhor a evolução clínica e definir um tratamento mais completo”, afirma. 

O modelo assistencial do centro substitui a lógica dos múltiplos encaminhamentos por uma avaliação compartilhada entre especialidades. A proposta é discutir cada caso de forma conjunta, definir estratégias terapêuticas coordenadas. 

“O objetivo é oferecer um cuidado integrado desde a primeira avaliação. Em vez de percorrer diferentes consultórios, o paciente passa a contar com especialistas que discutem o caso em conjunto, o que favorece decisões clínicas mais coordenadas e um acompanhamento contínuo”, completa o especialista. 

Reconhecido pela atuação em transplantes de órgãos sólidos abdominais e procedimentos de alta complexidade, o Hospital São Lucas Copacabana amplia sua linha de cuidado com um modelo voltado ao atendimento integrado de pacientes com doenças metabólicas, reforçando o investimento em abordagens multidisciplinares para a população do Rio de Janeiro.


Fumantes procuram ajuda para parar de fumar após 36 anos, em média

Levantamento do PrevFumo, do Hospital São Paulo/Unifesp, mostra que pacientes chegam ao tratamento aos 50 anos, em média

 

Fumantes que procuram tratamento no Hospital São Paulo (HSP/Unifesp) para largar o cigarro chegam ao serviço após 36 anos de tabagismo, em média. O dado é do Ambulatório de Cessação do Tabagismo (PrevFumo) da unidade, onde a idade média das pessoas atendidas é de 50 anos. 

O levantamento mostra ainda carga tabágica média de 40 anos-maço, índice que relaciona a quantidade de maços consumidos por dia ao número de anos de tabagismo. Além disso, 74% dos pacientes apresentam índice de Fagerström igual ou superior a 5, indicando grau relevante de dependência de nicotina. O instrumento é utilizado para avaliar a intensidade da dependência e pode auxiliar na definição da estratégia de tratamento. 

O alerta ganha relevância neste mês, marcado pelo Agosto Branco, campanha de conscientização sobre a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de pulmão, e pelo Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado em 29 de agosto. A data reforça a importância de reconhecer o tabagismo como uma dependência que pode e deve ser tratada. 

“Quando tratamos o tabagismo, não estamos apenas ajudando uma pessoa a parar de fumar. Estamos atuando diretamente na prevenção do câncer de pulmão e de várias outras doenças relacionadas ao tabaco”, afirma a pneumologista e coordenadora do PrevFumo, Lygia Sampaio. 

O tabagismo é o principal fator de risco evitável para o câncer de pulmão. Interromper o consumo do cigarro traz benefícios à saúde em qualquer momento, mas quanto mais cedo ocorre a cessação, maior é a possibilidade de reduzir os danos provocados pela exposição ao tabaco.

 

PrevFumo

Criado em 1988 pela Escola Paulista de Medicina (EPM) e pelo Hospital São Paulo/Unifesp, o Núcleo de Prevenção e Cessação do Tabagismo (PrevFumo) auxilia fumantes que desejam abandonar o cigarro. A equipe é formada por médicos pneumologistas, psicólogos, fisioterapeutas e enfermeiros. A cada dois meses, são abertas vagas para cinco novos grupos. 

O tratamento não farmacológico utiliza técnicas cognitivo-comportamentais abordadas em reuniões de grupo. Ao todo, são oito sessões semanais, com duração de 90 minutos cada. Já o tratamento farmacológico, fornecido pelo SUS, inclui adesivos de nicotina e bupropiona, medicamento de uso oral utilizado para auxiliar no controle da vontade de fumar. 

Para participar do programa, os interessados devem agendar uma avaliação individual pelo telefone (11) 5572-4301.

 

Conheça os principais ‘mitos e verdades’ sobre a relação entre alimentação e enxaqueca

Neurologista explica que a causa da enxaqueca não está no que você come, mas alguns alimentos podem desencadear ou piorar as crises.

 

Cerca de 30 milhões de pessoas sofrem de enxaqueca no Brasil (aproximadamente 15% da população total). Ao contrário do que muita gente pensa, a alimentação não é motivadora da doença; a enxaqueca tem causa hereditária, porém, substâncias presentes em alguns alimentos podem desencadear ou piorar uma crise. 

A neurologista Thais Villa, especialista no diagnóstico e tratamento da enxaqueca e fundadora do Headache Center Brasil, que este ano completou 10 anos de atendimentos a pacientes de diversos países com enxaqueca, lista 5 mitos e 5 verdades sobre a relação entre os alimentos e a enxaqueca. Confira: 

  1. É mito que a enxaqueca pode ser causada pela alimentação. Nenhum alimento causa enxaqueca, que é uma doença crônica do cérebro de causa hereditária. A enxaqueca não tem cura, mas o tratamento multidisciplinar vai ajudar a controlar os sintomas, que podem ser muitos e variados;
  2. É mito que os refrigerantes estão liberados para pessoas com enxaqueca. A cola e o guaraná são estimulantes e devem ser evitados;
  3. É mito que o glúten presente no trigo e na cevada, e também a lactose do leite, causam enxaqueca. Nenhum alimento causa a doença, que é hereditária. Algumas pessoas têm outras predisposições ou mesmo intolerância a alguns alimentos e o corpo pode reagir de maneira exacerbada, mas não são gatilhos para a doença;
  4. É mito que a pessoa com enxaqueca não deve comer doces. O açúcar não precisa ser retirado da dieta do paciente, não é causa de enxaqueca. O período que antecede a doença, chamado de pródromo, vem associado à compulsão por alimentos açucarados que são fonte de energia para o cérebro, mas não têm estimulante suficiente para cronificar o cérebro excitado durante uma crise;
  5. É mito que eliminar os alimentos estimulantes é o único cuidado no tratamento da enxaqueca. Faz parte do processo de um plano 360º identificar na dieta do paciente a ingestão desses alimentos estimulantes e retirá-los, mas não adianta fazer isso de forma isolada porque a enxaqueca não é uma doença de causa alimentar, os gatilhos alimentares não são os únicos. A Nutrição está dentro de um contexto de tratamento integrado;
  6. Verdade: cuidado em restaurantes de comida japonesa. O problema está no consumo do molho shoyu que contém glutamato monossódico, um estimulante cerebral;
  7. Verdade: temperos prontos (em pó), biscoitos e salgadinhos com sal são inimigos da enxaqueca porque contêm glutamato monossódico. É importante verificar a existência de mais esse estimulante do cérebro na tabela nutricional dos alimentos;
  8. Verdade: a cafeína está na maioria dos analgésicos utilizados para dor de cabeça, sintoma mais conhecido da enxaqueca (mas não o único!). O uso excessivo desses medicamentos pode desencadear sérias consequências para o estômago e o intestino, além de cronificar a enxaqueca e provocar mais crises de dor de cabeça;
  9. Verdade: alimentos estimulantes podem piorar uma crise de enxaqueca. Alguns alimentos contêm substâncias que são estimulantes para o cérebro e podem tanto ser um gatilho para as crises de enxaqueca como também podem cronificar a doença, aumentando a frequência, a intensidade e a duração das crises. Exemplos: café, cacau (chocolate), cupuaçu, fruto do guaraná e a erva mate. “A cafeína presente nesses alimentos possui efeito estimulante e analgésico, mascarando os sintomas e cronificando a doença”, explica Villa;
  10. Verdade: alimentos termogênicos, como pimentas mais fortes, gengibre, canela, cúrcuma, devem ser evitados porque também são estimulantes. 

O problema não está no prato, porque as pessoas que não têm enxaqueca toleram muito melhor os alimentos estimulantes. Importante ressaltar: a enxaqueca não é doença de causa alimentar! A alimentação pode ser um gatilho ou ‘piorador’ das crises, porém, a enxaqueca não é só crise de dor de cabeça. É uma doença neurológica com dezenas de sintomas e a crise é o ápice da doença em que o paciente apresenta não somente a dor de cabeça severa, como também náuseas, vômitos, tonturas, auras visuais, zumbidos, pode ter também muito desânimo, alteração de humor ou mesmo alterações no funcionamento do intestino, entre tantos outros sintomas”, acrescenta Thais Villa.

 

Tratamento 

A neurologista orienta: “toda pessoa com enxaqueca deve procurar um neurologista, de preferência especialista em enxaqueca, para o diagnóstico correto e iniciar o tratamento da doença, que é complexa e tem muitas repercussões na vida do paciente. Inclusive complicações vasculares (como risco aumentado para AVC e infarto), além de perdas na qualidade de vida, como alterações do sono e de humor, tendência à ansiedade e a problemas cognitivos. O tratamento integrado visa o controle dos sintomas e da doença”. 

De acordo com a médica, o tratamento deve ser realizado de forma integrada e multidisciplinar, com foco no paciente como um todo. O tratamento individualizado deve combinar terapias com medicamentos de ponta e ajustes no estilo de vida, com o objetivo de proporcionar bem-estar ao paciente por meio do controle da dor.



Dra Thaís Villa (CRM 110217) - Neurologista com Doutorado pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e Pós-Doutorado pela Universidade da Califórnia (UCLA) nos Estados Unidos. Fundadora do Headache Center Brasil, que em 2026 completou 10 anos de atendimentos. A clínica multiprofissional é pioneira no país no diagnóstico e tratamento integrado das dores de cabeça e da enxaqueca. Professora de Neurologia e Chefe do Setor de Cefaleias na UNIFESP no período de 2015 a 2022. Membro Titular da Academia Brasileira de Neurologia. Membro da Sociedade Brasileira de Cefaleia. Membro do Conselho Consultivo do Comitê de Cefaleias na Infância e Adolescência da International Headache Society. Atua exclusivamente na pesquisa e atendimento de pacientes com dor de cabeça, no diagnóstico e tratamento da enxaqueca, enxaqueca crônica, cefaleia em salvas e outras cefaleias. Palestrante convidada em congressos nacionais e internacionais.



Headache Center Brasil
www.headachecenterbrasil.com.br
Instagram: @headache_center_brasil

 

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