A biomédica esteta e especialista em pele preta Jéssica Magalhães reúne orientações para homens de diferentes idades e destaca os cuidados essenciais para prevenir foliculite, manchas, o envelhecimento precoce, e como o ‘exemplo paterno’ influencia as próximas gerações.
Pais sempre foram vistos como aqueles
que ensinam, protegem e cuidam da família. Agora, um novo comportamento ganha
espaço: o de homens que também aprenderam a cuidar de si. Com a chegada do
Dia dos Pais, o autocuidado deixa de ser associado apenas à estética e
passa a representar um compromisso com a saúde, a autoestima e ao exemplo
que será deixado para os filhos.
Entre pais negros, essa mudança
tem um significado ainda mais importante. Além de romper estigmas sobre a
masculinidade, o cuidado com a pele, os cabelos e a barba responde às
necessidades específicas da pele preta, suscetível a condições como foliculite,
hiperpigmentação e manchas intensas.
Segundo a biomédica esteta e
especialista em pele preta há mais de uma década, Jéssica Magalhães,
investir em autocuidado é investir em qualidade de vida. Para a profissional,
uma rotina masculina eficaz começa por cuidados simples, higienizar a pele
com produtos adequados, ‘hidratação’ para preservar a barreira
cutânea e o uso de protetor solar diariamente.
Durante muito tempo, homens foram
incentivados a ignorar sinais do próprio corpo e a procurar ajuda apenas quando
o problema era agravado. Esse comportamento, no entanto, vem mudando. Atenta a
esse cenário, Jéssica observa a procura masculina por atendimentos
dermatológicos, impulsionada não apenas pela preocupação com a aparência, mas
pelo entendimento de que cuidar da pele também é prevenir doenças, desconfortos
e impactos na autoestima.
"No
consultório, percebemos que muitos homens chegam porque querem resolver uma
queixa específica, mas acabam entendendo que uma rotina de cuidados vai muito
além da estética. Ela melhora a saúde da pele, aumenta a confiança e mostra que
o autocuidado faz parte da qualidade de vida", explica.
Para homens negros, essa atenção é
ainda mais necessária. A maior quantidade de melanina protege
parcialmente contra os danos da radiação solar, mas também torna a pele mais
propensa à hiperpigmentação após inflamações. Isso significa que espinhas,
cortes provocados pelo barbear e episódios de foliculite podem deixar
manchas persistentes quando não recebem o tratamento adequado.
A foliculite da barba,
inclusive, está entre as principais queixas desse público. O formato
naturalmente curvado dos pelos favorece que eles encravem após o barbear,
provocando inflamação, dor e marcas na pele. "A própria estrutura dos
fios propicia a foliculite, além do processo de reação que a pele negra possui.
Importante manter a área bem higienizada antes do barbear, evitar reutilizar a
lâmina muitas vezes e em repetidos movimentos e, quando possível, optar pela
depilação a laser para eliminar a causa do problema. Apesar do processo
inflamatório ainda é necessário hidratar a região e podemos utilizar de
esfoliantes antes do barbear", afirma a especialista.
No caso dos homens que utilizam barba,
Jéssica destaca a importância de evitar o uso de lâminas desgastadas
e o hábito de raspar os pelos contra o sentido de crescimento, práticas que
podem aumentar a ocorrência de pelos encravados e foliculite. A especialista
também reforça que alterações como manchas persistentes, inflamações e mudanças
na textura da pele merecem atenção profissional.
Com mais de dez anos de experiência na
área, Jéssica reforça que a limpeza diária da pele, o uso de hidratantes
adequados, a aplicação de protetor solar todos os dias e técnicas corretas
durante o barbear são indispensáveis na rotina – além de alguns tratamentos
dermatológicos para o controle de manchas, a exemplo do peeling.
Para Jéssica, o impacto desse movimento
ultrapassa os benefícios individuais. "Os filhos aprendem muito mais
pelo exemplo do que pelo discurso. Quando um pai demonstra que cuidar da
própria saúde faz parte da rotina, ele ajuda a construir uma geração que
entende o autocuidado como um hábito natural, e não como um sinal de vaidade.
Esse talvez seja um dos maiores legados que ele pode deixar", conclui.


