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domingo, 2 de agosto de 2026

Julho Dourado: brasileiros tratam pets como filhos, mas prevenção ainda está longe da rotina da maioria

Campanha nacional de conscientização sobre a saúde animal chama atenção para um paradoxo: os pets ocupam cada vez mais espaço nas famílias, mas a prevenção ainda não faz parte da rotina da maioria dos tutores

 

Os brasileiros nunca estiveram tão próximos de seus animais de estimação. Uma pesquisa da Serasa, em parceria com o Instituto Opinion Box, mostra que sete em cada dez tutores tratam seus pets como membros da família, enquanto 72% afirmam considerá-los verdadeiros filhos. O vínculo afetivo cresce, o mercado pet segue em expansão e os animais ocupam um espaço cada vez maior dentro da rotina das famílias. Mas existe um hábito que ainda não acompanhou essa transformação: a prevenção.

 

Neste Julho Dourado, campanha que, em 2026, passa a integrar oficialmente o calendário nacional de conscientização sobre a saúde animal, especialistas chamam atenção para um desafio que ainda persiste no país. Embora o setor pet deva movimentar mais de R$76 bilhões neste ano, impulsionado pela busca crescente por produtos e serviços voltados ao bem-estar animal, apenas 18% dos tutores brasileiros mantêm uma rotina de check-ups veterinários preventivos. Na prática, isso significa que muitos cães e gatos ainda chegam ao consultório apenas quando já apresentam sintomas ou alterações mais evidentes.

 

Para Beatriz França, especialista em comportamento animal e fundadora da Creche Escola BFA, no Brasil, e da PETland BFA, em Miami, a prevenção ainda é um conceito pouco explorado entre os tutores.

 

"Hoje os pets fazem parte da família, participam das viagens, das comemorações e da rotina da casa. Esse vínculo é extremamente positivo, mas a prevenção vai muito além do carinho. Ela está na observação diária, na atividade física, na alimentação, na socialização e na capacidade de perceber pequenas mudanças de comportamento antes que elas se transformem em um problema de saúde", explica.


 

O comportamento costuma dar os primeiros sinais


Ao contrário do que muitos imaginam, cães e gatos dificilmente demonstram dor ou desconforto de forma evidente. Em muitos casos, os primeiros indícios aparecem em mudanças discretas da rotina.

 

Um animal que deixa de brincar, dorme mais do que o habitual, perde o interesse pelos passeios, muda o apetite, se isola ou demonstra irritabilidade pode estar sinalizando desde estresse e ansiedade até doenças em estágio inicial.

 

Segundo Beatriz, comportamento e saúde caminham juntos, e conhecer os hábitos do pet é uma das formas mais eficientes de perceber que algo não vai bem. "Os animais se comunicam principalmente pelo comportamento. Muitas doenças começam com alterações pequenas, que acabam sendo atribuídas à idade ou a uma fase passageira. Quanto mais cedo esses sinais forem percebidos, maiores são as chances de um diagnóstico precoce e de um tratamento menos invasivo", afirma.


 

Três hábitos que ajudam a prevenir doenças antes dos primeiros sintomas


Para a especialista, a prevenção não depende de mudanças radicais na rotina, mas da criação de hábitos simples e consistentes que acompanhem toda a vida do animal.

 

1. Observe mudanças de comportamento antes de esperar sintomas físicos


Nem sempre o primeiro sinal de um problema será dor ou falta de apetite. Alterações no sono, na disposição para brincar, nos passeios ou na interação com a família podem indicar que algo merece atenção. "O tutor conhece melhor do que ninguém a rotina do seu pet. Quando esse comportamento muda de forma repentina, vale investigar. Muitas doenças começam dando sinais muito discretos", comenta. 

 

2. Mantenha uma rotina com atividade física e estímulos mentais


Passeios, brincadeiras, enriquecimento ambiental e oportunidades de socialização ajudam não apenas no controle do peso, mas também na prevenção de estresse, ansiedade e diversos problemas comportamentais. "Um pet saudável precisa gastar energia, explorar ambientes, receber desafios e interagir. Esses estímulos fazem parte da saúde física e emocional e impactam diretamente a qualidade de vida ao longo dos anos", diz a especialista.

 

3. Não espere o pet adoecer para procurar orientação veterinária


Consultas preventivas permitem acompanhar o desenvolvimento do animal, identificar alterações silenciosas e orientar ajustes na alimentação, na rotina e nos cuidados conforme cada fase da vida. "O check-up não serve apenas para descobrir doenças. Ele ajuda a acompanhar o envelhecimento, prevenir problemas e orientar o tutor para que o animal viva mais e melhor", completa.

 

Para Beatriz, o fortalecimento do Julho Dourado representa uma oportunidade para ampliar a conscientização sobre um tema que acompanha a evolução da relação entre brasileiros e seus animais de estimação.

 

"O Brasil já evoluiu muito quando falamos sobre o vínculo afetivo entre tutores e pets. Agora precisamos transformar esse cuidado emocional em uma cultura de prevenção. A melhor forma de garantir uma vida longa e saudável não é esperar a doença aparecer, mas criar uma rotina que favoreça o bem-estar físico e emocional dos animais ao longo de toda a vida", conclui.



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