Campanha
nacional de conscientização sobre a saúde animal chama atenção para um
paradoxo: os pets ocupam cada vez mais espaço nas famílias, mas a prevenção
ainda não faz parte da rotina da maioria dos tutores
Os brasileiros
nunca estiveram tão próximos de seus animais de estimação. Uma pesquisa da
Serasa, em parceria com o Instituto Opinion Box, mostra que sete em
cada dez tutores tratam seus pets como membros da família, enquanto 72% afirmam
considerá-los verdadeiros filhos. O vínculo afetivo cresce, o
mercado pet segue em expansão e os animais ocupam um espaço cada vez maior
dentro da rotina das famílias. Mas existe um hábito que ainda não acompanhou
essa transformação: a prevenção.
Neste Julho
Dourado, campanha que, em 2026, passa a integrar oficialmente o
calendário nacional de conscientização sobre a saúde animal, especialistas
chamam atenção para um desafio que ainda persiste no país. Embora o setor pet
deva movimentar mais de R$76 bilhões neste ano, impulsionado
pela busca crescente por produtos e serviços voltados ao bem-estar animal, apenas 18%
dos tutores brasileiros mantêm uma rotina de check-ups veterinários preventivos.
Na prática, isso significa que muitos cães e gatos ainda chegam ao consultório
apenas quando já apresentam sintomas ou alterações mais evidentes.
Para Beatriz
França, especialista em comportamento animal e fundadora da Creche Escola BFA,
no Brasil, e da PETland BFA, em Miami, a prevenção ainda é um
conceito pouco explorado entre os tutores.
"Hoje os pets
fazem parte da família, participam das viagens, das comemorações e da rotina da
casa. Esse vínculo é extremamente positivo, mas a prevenção vai muito além do
carinho. Ela está na observação diária, na atividade física, na alimentação, na
socialização e na capacidade de perceber pequenas mudanças de comportamento
antes que elas se transformem em um problema de saúde", explica.
O
comportamento costuma dar os primeiros sinais
Ao contrário do
que muitos imaginam, cães e gatos dificilmente demonstram dor ou desconforto de
forma evidente. Em muitos casos, os primeiros indícios aparecem em mudanças
discretas da rotina.
Um animal que
deixa de brincar, dorme mais do que o habitual, perde o interesse pelos
passeios, muda o apetite, se isola ou demonstra irritabilidade pode estar
sinalizando desde estresse e ansiedade até doenças em estágio inicial.
Segundo Beatriz,
comportamento e saúde caminham juntos, e conhecer os hábitos do pet é uma das
formas mais eficientes de perceber que algo não vai bem. "Os animais se
comunicam principalmente pelo comportamento. Muitas doenças começam com
alterações pequenas, que acabam sendo atribuídas à idade ou a uma fase
passageira. Quanto mais cedo esses sinais forem percebidos, maiores são as chances
de um diagnóstico precoce e de um tratamento menos invasivo", afirma.
Três
hábitos que ajudam a prevenir doenças antes dos primeiros sintomas
Para a
especialista, a prevenção não depende de mudanças radicais na rotina, mas da
criação de hábitos simples e consistentes que acompanhem toda a vida do animal.
1.
Observe mudanças de comportamento antes de esperar sintomas físicos
Nem sempre o
primeiro sinal de um problema será dor ou falta de apetite. Alterações no sono,
na disposição para brincar, nos passeios ou na interação com a família podem
indicar que algo merece atenção. "O tutor conhece melhor do que ninguém a
rotina do seu pet. Quando esse comportamento muda de forma repentina, vale
investigar. Muitas doenças começam dando sinais muito discretos", comenta.
2.
Mantenha uma rotina com atividade física e estímulos mentais
Passeios,
brincadeiras, enriquecimento ambiental e oportunidades de socialização ajudam
não apenas no controle do peso, mas também na prevenção de estresse, ansiedade
e diversos problemas comportamentais. "Um pet saudável precisa gastar
energia, explorar ambientes, receber desafios e interagir. Esses estímulos
fazem parte da saúde física e emocional e impactam diretamente a qualidade de
vida ao longo dos anos", diz a especialista.
3. Não
espere o pet adoecer para procurar orientação veterinária
Consultas
preventivas permitem acompanhar o desenvolvimento do animal, identificar
alterações silenciosas e orientar ajustes na alimentação, na rotina e nos
cuidados conforme cada fase da vida. "O check-up não serve apenas para
descobrir doenças. Ele ajuda a acompanhar o envelhecimento, prevenir problemas
e orientar o tutor para que o animal viva mais e melhor", completa.
Para Beatriz, o
fortalecimento do Julho Dourado representa uma oportunidade para ampliar a
conscientização sobre um tema que acompanha a evolução da relação entre
brasileiros e seus animais de estimação.
"O Brasil já
evoluiu muito quando falamos sobre o vínculo afetivo entre tutores e pets.
Agora precisamos transformar esse cuidado emocional em uma cultura de
prevenção. A melhor forma de garantir uma vida longa e saudável não é esperar a
doença aparecer, mas criar uma rotina que favoreça o bem-estar físico e
emocional dos animais ao longo de toda a vida", conclui.
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