Mudanças nas moradias, novos arranjos familiares e uma transformação cultural na relação com os felinos impulsionam o crescimento e ampliam a demanda por atendimento veterinário e produtos especializados
Os gatos estão
conquistando cada vez mais espaço nos lares brasileiros. Dados recentes da
Associação Brasileira das Empresas do Setor de Animais de Estimação (Abempet)
apontam que o país já reúne 33,3 milhões de felinos, número superior aos 32,2
milhões registrados anteriormente. A população de cães, por sua vez, é estimada
em 62,5 milhões. Ao todo, o Brasil soma 166,8 milhões de animais de estimação e
ocupa a terceira posição no ranking mundial do setor, atrás apenas dos Estados
Unidos e da China.
Mais do que
indicar uma preferência crescente pelos felinos, esse movimento reflete
transformações no modo de vida da população. A verticalização das cidades, a
redução da metragem dos imóveis e o aumento do número de domicílios ocupados
por uma única pessoa estão entre os fatores que ajudam a explicar a presença
cada vez maior dos gatos nas famílias brasileiras.
Para Juliana
Aguiar, médica-veterinária e gerente de marketing da linha PET da Ourofino
Saúde Animal, uma das mudanças mais relevantes está na maneira como a sociedade
passou a enxergar os felinos.
“Durante muito
tempo, o gato foi percebido como um animal frio, distante e pouco afetivo. Essa
imagem vem sendo desmistificada. Hoje, ele é reconhecido como uma companhia
próxima, capaz de estabelecer vínculos muito fortes com as pessoas responsáveis
por seus cuidados. Essa mudança cultural tem um peso importante no crescimento
da população felina”, afirma.
A adaptação dos
gatos a diferentes configurações de moradia também contribui para esse avanço.
Por apresentarem uma dinâmica de convivência mais independente, os felinos
podem se adequar a rotinas nas quais as pessoas permanecem períodos maiores
fora de casa. Isso não elimina, entretanto, a necessidade de cuidados
específicos, estímulos ambientais, acompanhamento veterinário e prevenção
periódica.
Outro fator
destacado pela especialista é o fortalecimento dos programas de
conscientização, resgate e adoção. Uma parcela relevante dos gatos chega às
famílias por meio dessas iniciativas, contribuindo para ampliar não apenas a
presença dos felinos nos domicílios, mas também o debate sobre guarda
responsável, prevenção e bem-estar animal.
Mercado
acompanha as particularidades dos gatos
O aumento da
população felina já provoca mudanças em diferentes áreas do mercado PET.
Clínicas veterinárias têm criado salas de espera e espaços de atendimento
separados para reduzir o estresse dos gatos, enquanto cresce o número de
profissionais especializados em medicina e comportamento felino.
Congressos
dedicados exclusivamente à espécie, ambientes de enriquecimento, novas opções
de areia sanitária, alimentos específicos e produtos voltados às diferentes
fases da vida também vêm ganhando espaço.
“Os responsáveis
por gatos estão mais informados e atentos às necessidades específicas da
espécie. Isso exige uma evolução de toda a cadeia, desde a estrutura das
clínicas e a capacitação dos profissionais até o desenvolvimento de produtos e
de uma comunicação mais segmentada”, explica Juliana.
Segundo a médica-veterinária,
o gato não deve ser tratado como uma versão menor do cão, e essa percepção,
felizmente, vem sendo superada. Os felinos apresentam características
fisiológicas, comportamentais e ambientais próprias, e essas diferenças devem
ser consideradas tanto nas consultas veterinárias quanto na rotina de cuidados
em casa.
A transformação
desse olhar também estimula o desenvolvimento de soluções específicas. No
portfólio da Ourofino está, por exemplo, o Banni 3, endectocida tópico de
aplicação spot-on desenvolvido para gatos. O produto associa praziquantel,
moxidectina e fipronil e é indicado para o controle de pulgas, piolhos, ácaros
causadores da sarna otodécica, nematódeos gastrointestinais e cestódeos. O uso
deve seguir as recomendações da bula e a orientação do médico-veterinário.
Para Juliana, a
tendência é que a expansão da população felina continue acompanhada de uma
especialização cada vez maior do mercado.
“Não estamos
falando apenas de mais gatos nos lares, mas de uma nova forma de se relacionar
com eles. Quanto mais conhecemos o comportamento e as necessidades da espécie,
maior é a procura por prevenção, atendimento especializado, ambientes adequados
e soluções que contribuam efetivamente para sua saúde e qualidade de vida”,
conclui.

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