Com jogos em três países e recorde de público esperado, especialistas alertam para filas, critérios rigorosos e a necessidade de agir imediatamente para garantir a viagem
A Copa do Mundo de 2026 será a
maior da história e também uma das mais desafiadoras para quem pretende
acompanhar de perto. Pela primeira vez, o torneio será realizado em três países
— Estados Unidos e Canadá — reunindo 48 seleções e um total de 104 partidas. O
jogo de abertura está marcado para o dia 11 de junho de 2026, no Estádio
Azteca, na Cidade do México, enquanto a final será disputada em 19 de julho, na
região de Nova York/Nova Jersey.
Uma Copa maior e
espalhada por três países
Nos Estados Unidos, principal
sede do Mundial, algumas das cidades confirmadas incluem Miami, Los Angeles,
Dallas, Atlanta e Seatle, além da região de Nova York. No Canadá, os jogos
ocorrerão em Toronto e Vancouver. Já no México, além da capital, partidas
também serão realizadas em Guadalajara e Monterrey.
A distribuição entre
diferentes países amplia as opções de roteiro, mas também torna a viagem mais
complexa, exigindo planejamento logístico, financeiro e documental mais
cuidadoso.
Prazo apertado já
exige ação imediata
Embora ainda seja possível
conseguir o visto, o tempo já não joga a favor do viajante. Com a Copa
começando em junho e a alta demanda prevista, quem ainda não iniciou o processo
precisa agir rapidamente.
“Neste momento, não dá mais
para falar em antecedência confortável. O prazo já está apertado, e quem quer
ir precisa começar o processo imediatamente”, explica Dr. Vinícius
Bicalho, advogado licenciado nos Estados Unidos, professor de pós-graduação de
direito migratório e mestre pela Universidade do Sul da Califórnia.
“A tendência é de aumento
nas filas e menor disponibilidade de entrevistas, o que pode inviabilizar a
viagem para quem demorar”, completa.
Visto de turista
continua sendo obrigatório
Para assistir aos jogos nos
Estados Unidos, o brasileiro precisa do visto de turismo B1/B2, e não há
qualquer flexibilização automática por causa do evento.
“O governo americano não
muda suas regras por conta da Copa. O solicitante precisa comprovar vínculos
com o Brasil, capacidade financeira e intenção clara de retorno”, afirma
Bicalho.
FIFA PASS pode
ajudar, mas não garante aprovação
Uma das iniciativas criadas para o Mundial é o FIFA PASS, que permite prioridade no agendamento da entrevista consular para quem já possui ingressos.
“Essa prioridade pode
ajudar no tempo, mas não interfere na análise. A aprovação continua dependendo
exclusivamente do perfil do solicitante”, destaca o especialista.
Redes sociais
também entram na análise
Além da documentação, o
comportamento digital do solicitante também pode ser observado pelas
autoridades americanas.
“Além da documentação, o
ambiente digital do solicitante também pode ser observado. As redes sociais já
fazem parte da análise migratória, o que exige coerência entre o que é
declarado e o que é exposto publicamente”, explica Bicalho.
Cenário
internacional reforça ambiente mais rigoroso
Embora não haja mudanças
oficiais nas regras migratórias por conta de conflitos internacionais, o
contexto global contribui para um ambiente mais cauteloso por parte das
autoridades.
“O processo migratório já
vem se tornando mais criterioso ao longo dos anos, com foco em segurança e
consistência de informações. Isso exige ainda mais atenção por parte do
solicitante”, afirma o advogado.
Onde o Brasil deve
jogar e o impacto para o torcedor
A tendência é que a seleção
brasileira concentre seus jogos iniciais nos Estados Unidos, especialmente em
grandes centros como Nova York, Miami e outras sedes relevantes. Isso deve
intensificar ainda mais a procura por vistos, justamente para o país com maior
rigor migratório entre os três anfitriões.
Planejamento ainda
é possível — mas com pressa
Apesar do cenário desafiador,
ainda há tempo para organizar a viagem, desde que o processo seja iniciado
imediatamente.
“Quem começa agora ainda
tem chances reais. Mas quem adiar por mais algumas semanas pode simplesmente
não conseguir embarcar”, alerta Bicalho.
Além do visto, o planejamento
deve incluir compra de ingressos, definição de roteiro, organização financeira
e logística entre cidades — especialmente considerando que os jogos estarão
distribuídos entre três países.
O que o torcedor
precisa saber
A Copa do Mundo de 2026
promete ser histórica, mas para o torcedor brasileiro, o maior desafio pode
começar antes mesmo do apito inicial.
“Não basta querer ir. É preciso
correr contra o tempo e se preparar de forma estratégica. Neste momento, agir
rápido é o que faz a diferença”, conclui o especialista.
Vinícius Bicalho - Advogado licenciado nos EUA, Brasil e Portugal; Sócio fundador da Bicalho Legal Consulting P.A.; Mestre em direito nos EUA pela University of Southern California; Mestre em direito no Brasil pela Faculdade de Direito Milton Campos (MG); Membro da AILA – American Immigration Lawyers Association; Responsável pelo Guia de Imigração da AMCHAM; Professor de Pós-graduação em direito migratório; O único advogado brasileiro citado na lista de “profissionais confiáveis" dos principais jornais americanos, como The New York Times, The Wall Street Journal, The Washington Post, USA Today e The Los Angeles Times.

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