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quinta-feira, 5 de março de 2026

Após Fifa afastar uso de bots nas vendas da Copa de 2026, especialistas alertam para golpes fora dos canais oficiais

Com ingressos valorizados e alta demanda global, risco maior está em plataformas falsas, phishing e revendas fraudulentas 

 

Em meio à discussão global sobre o alto custo e a escassez de ingressos da Copa do Mundo 2026, o presidente da FIFA, Gianni Infantino, afastou suspeitas sobre o uso de bots ou processos automatizados nas compras. De acordo com o dirigente, todas as transações foram realizadas com validação por cartão de crédito e mecanismos antifraude. A Copa de 2026 será a maior da história, com três países-sede e expectativa de recorde de público

A declaração chama atenção para um efeito colateral crescente: o foco das fraudes fora do ambiente oficial. Com ingressos limitados e procura global em níveis históricos, as entradas passaram a representar ativos de alto valor. No entanto, especialistas afirmam que o desafio agora é garantir que o torcedor não seja desviado para ambientes falsos.

“A fala do presidente Infantino reforça que os sistemas oficiais contam com um sistema robusto, que garante a integridade do processo. Mas, o problema hoje não está dentro dessas plataformas, mas fora delas. É nesse espaço que criminosos criam estruturas paralelas para simular legitimidade e enganar os clientes”, revela Fábio Toledo, cofundador e COO da Byma, plataforma brasileira de venda de ingressos.

A comunicação tem um papel central na prevenção de golpes e clareza nessa comunicação também se tornou ferramenta de segurança no mercado de eventos.

“Quando o evento estrutura uma página oficial completa, com informações claras, contatos visíveis e direcionamento correto para vendas, reservas de lounge e atendimento, reduz drasticamente o risco de o público buscar caminhos alternativos. É muito importante lembrar que o público é diverso: vai desde pessoas com familiaridade digital até aquelas com mais dificuldade para identificar links e páginas confiáveis. Quanto mais simples e organizada for a jornada de informação, menor a chance de erro”, explica Philip Maekawa, publicitário e produtor de eventos na Ross Produções, uma das maiores produtoras do interior paulista. Só em 2025, esteve à frente da produção de mais de 50 eventos nacionais de grande porte.


Alta demanda e ingressos valorizados ampliam atratividade para fraudes

O avanço das ferramentas de tráfego pago e segmentação comportamental e a inteligência artificial ampliaram o alcance dos golpes. Para Mariana Menezes, especialista em marketing digital e que trabalha com artistas e eventos há mais de uma década, “alguns golpes usam as mesmas estratégias de marketing e identidade visual das marcas legítimas: criam urgência, utilizam escassez como gatilho e investem em anúncios patrocinados. Quando o usuário clica, ele é direcionado para uma página idêntica à página oficial de venda de ingressos, e pelo mobile não se atenta em conferir a url”

“Quando há escassez e grande interesse, surge também um ambiente propício para golpes. Os criminosos exploram a urgência e a frustração do público, criando páginas falsas visualmente idênticas aos oficiais e ofertas que parecem legítimas. Muitas vezes, a vítima acredita estar em um ambiente seguro”, explica Toledo.

Entre os principais formatos identificados estão sites falsos que replicam plataformas oficiais de venda, falsas revendas com ingressos inexistentes, mensagens fraudulentas com promessas de acesso exclusivo, sorteios enganosos em redes sociais, e ataques de phishing para captura de dados pessoais e financeiros.

À medida que eventos globais se tornam mais digitalizados e disputados, os golpes também se tornam mais sofisticados. “O criminoso não precisa invadir o sistema oficial, ele cria uma cópia convincente ao redor dele. Por isso, o maior risco hoje está na simulação, não na estrutura original”, reforça Toledo.

O especialista explica que a tecnologia atual permite validar, autenticar e rastrear toda a jornada do ingresso, mas nenhuma solução é capaz de proteger o consumidor que é levado a um ambiente falso. “A segurança começa com a escolha do canal. Permanecer em plataformas oficiais é o fator mais importante para evitar fraudes. Plataformas que operam com rastreabilidade, validação antifraude e controle de jornada digital reduzem drasticamente a vulnerabilidade estrutural”, completa Fábio Toledo.

As principais orientações são para comprar ingressos exclusivamente em canais oficiais, evitar links recebidos por mensagens ou redes sociais e verificar cuidadosamente o endereço do site acessado. Além de desconfiar de ofertas com disponibilidade imediata, vale lembrar de nunca compartilhar dados pessoais ou bancários em ambientes não verificados.

 

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